São Martinho de Tours, bispo
Memória
Martinho nasceu na Panónia, no território da hodierna Hungria, por volta do ano 316. Nascido de pais pagãos e, chamado ao serviço militar na Gália, quando era ainda catecúmeno, cobriu, com o seu manto, a Cristo na pessoa de um pobre. Depois de receber o Batismo e de renunciar à carreira militar, fundou um mosteiro em Ligugé, na França, onde levou vida monástica, sob a direção de santo Hilário de Poitiers. Depois, foi ordenado presbítero e, mais tarde, eleito bispo de Tours. Foi modelo insigne de bom pastor: fundou mosteiros e paróquias, dedicou‑se à formação e reconciliação do clero e à evangelização dos rurais. Morreu em Candes, no ano 397. Santo muito popular, é o primeiro confessor não mártir a ser venerado com rito litúrgico. O dia 11 de novembro é a data da deposição do seu corpo.
Leitura I (anos ímpares) Sb 2, 23 – 3, 9
Deus criou o homem para ser incorruptível
e fê-lo à imagem da sua própria natureza.
Foi pela inveja do Diabo que a morte entrou no mundo,
e experimentam-na aqueles que lhe pertencem.
Mas as almas dos justos estão na mão de Deus
e nenhum tormento os atingirá.
Aos olhos dos insensatos parecem ter morrido;
a sua saída deste mundo foi considerada uma desgraça
e a sua partida do meio de nós um aniquilamento.
Mas eles estão em paz.
Aos olhos dos homens eles sofreram um castigo,
mas a sua esperança estava cheia de imortalidade.
Depois de leve pena, terão grandes benefícios,
porque Deus os pôs à prova
e os achou dignos de Si.
Experimentou-os como ouro no crisol
e aceitou-os como sacrifício de holocausto.
No tempo da recompensa hão de resplandecer,
correndo como centelhas através da palha.
Hão de governar as nações e dominar os povos
e o Senhor reinará sobre eles eternamente.
Os que n’Ele confiam compreenderão a verdade
e os que Lhe são fiéis permanecerão com Ele no amor,
pois a graça e a fidelidade são para os seus santos
e a sua vinda será benéfica para os seus eleitos.
Compreender a Palavra
O livro da Sabedoria oferece uma profissão de fé na ressurreição apesar de verificar que o homem passa pela experiência do sofrimento e da morte. Os sinais que os olhos podem ver em nada fazem crer na verdade que a fé pode contemplar. De facto, os olhos veem dor, sofrimento, humilhação, castigo, desgraça e morte, enquanto a fé contempla no meio do sofrimento e da morte a esperança, a imortalidade, a paz, a mão de Deus como lugar de descanso e de paz. Os insensatos só veem desgraça mas os justos estão em paz e são como “centelhas através da palha” recolhendo a recompensa. O sofrimento de um momento transforma-se em glorificação eterna e a fidelidade na dor será garantia de experiência de verdade e de amor.
Meditar a Palavra
É difícil deixar o coração livre para acreditar na verdade contemplada pela fé, quando os olhos veem o contrário no que se refere ao sofrimento e à morte. Perante a dor, a degradação do corpo, a vida que se debilita pela doença e pelo mal, o coração aperta-se perante a proposta da fé que nos oferece a salvação, a ressurreição, a vida eterna. Perder o corpo é, na nossa experiência humana, perder tudo. O homem é capaz de dar tudo desde que não lhe toquem na pele, diz-se no livro de Job. A evidência dos olhos não é, porém, toda a verdade. Aos olhos esconde-se o que a fé pode contemplar e que se inscreve na promessa de Deus, já concretizada em Jesus, “Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim, viverá eternamente”. Pode ser difícil de acreditar, mas é a proposta de vida que vem de Deus para a situação de morte em que nos encontramos e para a qual não há outro remédio para além da fé em Jesus.
Rezar a Palavra
“Aos olhos dos insensatos parecem ter morrido”. Tocam-me estas palavras, Senhor, porque me revelam a dificuldade que muitos têm de acreditar que tu és a vida diante da qual nada nem ninguém tem poder, nem a morte. Tocam-me porque também eu, em algum momento, corro o risco de ser insensato diante da dor, do sofrimento ou da morte. Ver é difícil quando a realidade teima em mostrar-me a impossibilidade da esperança. Mas deixar de crer também é uma possibilidade. Que eu creia, Senhor, sem desânimo, em esperança, “na ressurreição da carne e na vida eterna” que, em Cristo, me ofereces.
Compromisso
Hoje aprendo a crer na vida eterna dizendo “Creio” diante das perguntas que assaltam o meu espírito.
Evangelho: Lc 17, 7-10
Naquele tempo,
disse o Senhor:
«Quem de vós, tendo um servo a lavrar ou a guardar gado,
lhe dirá quando ele volta do campo:
‘Vem depressa sentar-te à mesa’?
Não lhe dirá antes:
‘Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires,
até que eu tenha comido e bebido.
Depois comerás e beberás tu’.
Terá de agradecer ao servo por lhe ter feito o que mandou?
Assim também vós,
quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei:
‘Somos inúteis servos:
fizemos o que devíamos fazer’».
Compreender a Palavra
Com uma parábola Jesus ensina a atitude fundamental do verdadeiro discípulo, a humildade. A parábola começa com uma pergunta que situa a cena numa relação entre escravo e Senhor. É desta forma que Jesus vê as relações na comunidade. Todos são escravos, o Senhor é Deus. Nenhum escravo pode fazer valer os seus direitos, nem considerar-se mais do que os outros. Nem o trabalho, nem a inteligência, nem os conhecimentos, nem a origem familiar podem distinguir nenhum servo diante de Deus. Todos têm o mesmo valor e todos são servos inúteis que só fazem o que deviam fazer. Desta forma, as relações na comunidade dos discípulos são relações de integração e não de exclusão. Todos pertencem ao mesmo Senhor.
Meditar a Palavra
A vida comunitária exige de mim a humildade para reconhecer o meu verdadeiro lugar diante de Deus e dos irmãos. Só reconhecendo que sou servo e que, por mais que faça, não mereço mais do que os outros, porque serei sempre um servo inútil, é que posso estabelecer uma relação fraterna com os demais, mesmo que sejam fracos, ainda que sejam pecadores. Se me considero mais do que os outros, não conseguirei aceitá-los nas suas fragilidades nem conseguirei entender que sejamos todos iguais diante de Deus. A humildade coloca-me no justo lugar diante de Deus e dos irmãos.
Rezar a Palavra
Concede-me, Senhor, o sentido da igualdade, o reconhecimento da minha condição de servo, a minha inutilidade porque só faço a minha obrigação. Abre os meus olhos para que me veja na minha condição de discípulo que segue os passos do Senhor para o servir com total dedicação. Faz-me compreender a fragilidade dos irmãos para que sejamos todos uma verdadeira comunidade de discípulos que descobrem alegria em servir o seu Senhor.
Compromisso
Quero servir o Senhor com todo o coração e em comunhão com os irmãos. Para isso vou avaliar o modo como realizo os meus compromissos na comunidade cristã, para evitar atitudes de superioridade e de exclusão.






