São Leão Magno, papa e doutor da Igreja
Memória
Leão Magno nasceu na Etrúria, na atual Toscana, região da Itália. Foi diácono diligente da Urbe e, depois, elevado à cátedra de Pedro, no ano 440. Trabalhou intensamente pela integridade da fé, defendeu com ardor a unidade da Igreja, empenhou‑se por todos os meios possíveis em evitar as incursões dos bárbaros ou mitigar os seus efeitos. Por toda esta atividade extraordinária mereceu ser chamado «Magno». Morreu junto de são Pedro, onde neste dia foi sepultado, no ano 461.

Leitura I (anos ímpares) Sb 1, 1-7

Amai a justiça, vós que governais a terra,
pensai corretamente no Senhor
e procurai-O com simplicidade de coração.
Porque Ele deixa-Se encontrar pelos que não O tentam
e revela-Se aos que n’Ele confiam.
Os pensamentos tortuosos afastam de Deus
e o Omnipotente, posto à prova, confunde os insensatos.
A Sabedoria não entra na alma maliciosa,
nem habita num corpo sujeito ao pecado.
Porque o Espírito sagrado, nosso educador, foge da hipocrisia,
afasta-se dos pensamentos insensatos
e retira-se quando chega a iniquidade.
A Sabedoria é um espírito amigo dos homens,
mas não deixa sem castigo as palavras do blasfemo.
Porque Deus é testemunha dos seus íntimos sentimentos,
observa o seu coração segundo a verdade
e ouve as suas palavras.
O Espírito do Senhor enche o universo;
ele, que abrange todas as coisas, sabe tudo o que se diz.

compreender a palavra
O livro da Sabedoria abre com uma advertência ao coração dos homens. O amor à justiça, o pensamento reto e a simplicidade de coração atraem a Sabedoria. Pelo contrário, o pensamento tortuoso, a insensatez e a hipocrisia afastam do Senhor. Porque o Espírito do Senhor, conhece o coração, os pensamentos mais íntimos e escuta todas as palavras. O Senhor está próximo dos que o procuram e afasta-se dos corações perversos.

meditar a palavra
Esta palavra convida-me a analisar o meu coração. O olhar de Deus vê o mais íntimo de mim mesmo, o meu coração e o meu pensamento. Se não posso esconder-me dele, hei de procurar o caminho da verdade e porque não posso fugir da sua presença hei de procurá-lo porque ele se deixa encontrar, e confiar nele, sem medo, porque ele se revela aos que nele confiam. A minha alegria há de estar em saber que o Senhor observa o meu coração e vela pela minha vida para que não caia na hipocrisia nem torne malicioso o meu pensamento e blasfemas as minhas palavras.

rezar a palavra
Senhor, que o meu coração se disponha a acolher-te livre de toda a tentação de engano e hipocrisia para que o teu Espírito, que tudo conhece, encontre em mim o espaço para a amizade contigo.

compromisso
Liberto o meu coração de toda a maldade e o meu pensamento de qualquer perversidade.


Evangelho Lc 17, 1-6

Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«É inevitável que haja escândalos;
mas ai daquele que os provoca.
Melhor seria para ele
que lhe atassem ao pescoço uma mó de moinho
e o atirassem ao mar,
do que ser ocasião de pecado para um só destes pequeninos.
Tende cuidado.
Se teu irmão cometer uma ofensa, repreende-o,
e, se ele se arrepender, perdoa-lhe.
Se te ofender sete vezes num dia
e sete vezes vier ter contigo e te disser: ‘Estou arrependido’,
tu lhe perdoarás».
Os apóstolos disseram ao Senhor:
«Aumenta a nossa fé».
O Senhor respondeu:
«Se tivésseis fé como um grão de mostarda,
diríeis a esta amoreira:
‘Arranca-te daí e vai plantar-te no mar’,
e ela vos obedeceria».

compreender a palavra
O texto que nos é proposto apresenta várias afirmações de Jesus um pouco aleatórias que estão orientadas para a vida em comunidade. Começa com uma afirmação sobre o escândalo, depois fala da correção fraterna e do perdão, para terminar com uma referência ao poder da fé. Os discípulos são advertidos sobre a possibilidade de abandonar a fé e tornar-se escândalo para os outros em especial para os mais pequenos, os simples, os recém-convertidos, abandonando a comunidade. Depois, chama a atenção para a necessidade do perdão. Todo aquele que peca e tem a capacidade de pedir perdão à comunidade, esse merece perdão, ainda que peque muitas vezes. Não perdoar significa pôr em risco a salvação do pecador e até a continuidade da comunidade. Finalmente, a pergunta dos discípulos é uma manifestação da sua dificuldade perante os assuntos tratados anteriormente. Há montanhas difíceis de transpor e por isso é necessária uma fé forte. Essas montanhas são as tentações de abandonar a fé, a comunidade, os irmãos. Outra é o perdão ao irmão pecador. A fé do tamanho de um grão de mostarda é suficiente para transpor estas montanhas.

meditar a palavra
Ao longo da vida somos confrontados com imensas situações em que a tentação de abandonar a fé é demasiado forte. Muitas vezes essa tentação vem do facto de vermos que os irmãos a quem admirávamos ou que, convivendo connosco, se mostravam muito fiéis, são afinal tão ou mais pecadores do que nós. Esse pecado fere-nos como uma ofensa e leva-nos a pensar que não vale a pena continuar a caminhada da fé. Jesus, com a sua misericórdia, chama-me a ser misericordioso com o irmão pecador. O pecado não pode ser impedimento para o amor e a fé é suficientemente forte para vencer esta dificuldade.

rezar a palavra
Peço-te, hoje Senhor, pelos meus irmãos. Sei que muitas vezes não sou verdadeiro testemunho de fé para eles e sei que me incomoda o seu pecado. Dá-me, Senhor, a capacidade do perdão. Que a fé seja para mim o caminho da misericórdia que se comunica a todos, para que todos se salvem no amor fraterno que nos é proposto por ti.

compromisso
Vou amar o meu irmão pecador de quem me afastei por me ter desiludido com o seu pecado.