Sagrado Coração de Jesus

1ª Leitura Deut 7, 6-11 

Moisés falou ao povo dizendo: «Tu és um povo consagrado ao Senhor teu Deus; foi a ti que o Senhor teu Deus escolheu, para seres o seu povo entre todos os povos que estão sobre a face da terra. Se o Senhor Se prendeu a vós e vos escolheu, não foi por serdes o mais numeroso de todos os povos, uma vez que sois o menor de todos eles. Mas foi porque o Senhor vos ama e quer ser fiel ao juramento feito aos vossos pais, que a sua mão poderosa vos fez sair e vos libertou da casa da escravidão, do poder do Faraó, rei do Egipto. Reconhece, portanto, que o Senhor teu Deus é o verdadeiro Deus, um Deus leal, que por mil gerações é fiel à sua aliança e à sua benevolência para com aqueles que amam e observam os seus mandamentos. Mas Ele pune diretamente os seus inimigos, fazendo-os perecer e infligindo sem demora o castigo merecido àquele que O odeia. Guardarás, portanto, os mandamentos, leis e preceitos que hoje te mando pôr em prática».

Compreender a Palavra

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

Deus mostra-se a Israel como um Deus interessado no seu povo. O interesse do Senhor não provém da grandeza de Israel pois é um povo pobre, pequeno, insignificante no contexto dos povos da época. Outros povos podiam despertar maior interesse. Deus ama o seu povo. Um amor voluntário, livre, sem qualquer exigência para além da reciprocidade do amor. Este é o Deus fiel que fez promessas no passado e quer cumpri-las no presente, que libertou do Egito e quer continuar a libertar. Israel é convidado a deixar-se render a este amor cumprindo os mandamentos.

Meditar a Palavra

O Senhor prendeu-se a nós não por sermos os melhores entre todos os homens, o povo mais numeroso de entre os povos. O Senhor enamorou-se da nossa pobreza. Foi a nossa pequenez e fragilidade que comoveu o seu coração. Alterar esta raiz do amor é perder-se do olhar amoroso de Deus. Deus ama os pobres, os pequenos, os pecadores, os oprimidos, os que por si mesmos não podem salvar-se. Ele vem libertar todo aquele que se encontra na terra de opressão, no Egito da escravidão. É a nós, a mim, como sou, com a minha história de fragilidades que ele ama e que ele quer ver livre e feliz.

Rezar a Palavra

Liberta-me, Senhor, com a tua mão forte e o teu braço poderoso. Salva-me com a tua justiça. Desembainha a espada do amor e fere para sempre o meu coração até que te pertença todo, para que, a ti só tema, a ti só ame, por ti suspire sempre, por ti chame, a ti busque, a ti ache, a ti se entregue, com tão intenso amor, com tal vontade que nunca mais de ti me desapegue.

Compromisso

Quero perder-me no amor de Deus.

 


Evangelho: Mt 11, 25-30
Naquele tempo, Jesus exclamou: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado. Tudo Me foi dado por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».

Compreender a Palavra
É emblemática esta passagem do Evangelho. Jesus revela em oração, com palavras simples, o coração de Deus que se dá a conhecer aos pequeninos. E estas palavras servem de introdução para manifestar a sua união com o Pai de tal modo que para conhecer um é necessário conhecer o outro, mas a revelação é feita por Jesus àqueles que ele entende. O Pai revela-se aos pequeninos através de Jesus, por isso ele convida todos os que andam inclinados sobre si mesmos, curvados sob o peso da vida, para que venham e aprendam uma nova forma de viver, uma forma livre de viver.

Meditar a Palavra
Sou convidado a ser pequenino, livre e desprendido das realidades que podem tornar-se um peso na minha vida. Só tornando-me pequenino poderei conhecer a Deus e só assim poderei aprender de Jesus que é manso e humilde de coração. Estar com Jesus é aprender uma forma nova de viver que pode ser loucura aos olhos dos homens mas será sabedoria aos olhos de Deus.

Rezar a Palavra
O desprendimento das coisas deste mundo é condição essencial para te deixar entrar na minha vida. Tu dizes esta verdade de muitas maneiras no evangelho. “Não vos preocupeis com o que haveis de comer…”; “a cada dia a sua preocupação”; “acumulai tesouros no céu” “onde estiver o vosso tesouro aí estará também o vosso coração”. De muitos modos me convidas a sair de mim, a deixar o meu orgulho, a desprender-me das coisas tidas como valiosas, para te ter a ti, Senhor, como único tesouro que vale a pena procurar no campo da minha existência.

Compromisso
Vou esforçar-me por vencer o desejo das riquezas que os homens buscam incansavelmente.

Quinta-feira da Semana XI do Tempo Comum

2 Coríntios 11, 1-11
Irmãos: Podereis vós suportar-me um pouco de insensatez? Estou certo de que a suportareis. Sinto por vós um ciúme semelhante ao ciúme de Deus, porque vos desposei com um só esposo, que é Cristo, a quem devo apresentar-vos como virgem pura. Receio, porém, que, assim como Eva foi seduzida pela astúcia da serpente, os vossos pensamentos sejam corrompidos e se afastem da simplicidade para com Cristo. De facto, se alguém vier pregar-vos outro Jesus diferente d’Aquele que vos pregámos, ou se vos oferecer um Espírito diferente d’Aquele que recebestes, ou um Evangelho diferente daquele que aceitastes, vós o suportareis muito bem. Mas eu penso que em nada sou inferior a esses eminentes apóstolos. Se eu sou inculto na arte de falar, não o sou na ciência, como sempre e em tudo vos temos claramente mostrado. Teria eu cometido uma falta, por vos ter anunciado o Evangelho de Deus gratuitamente, rebaixando-me a mim próprio para vos exaltar? Despojei outras Igrejas, aceitando delas sustento para vos poder servir. E quando estive entre vós e passei necessidade, não fui pesado a ninguém, porque os irmãos que chegaram da Macedónia providenciaram para que nada me faltasse. Em tudo evitei e evitarei ser-vos pesado. Pela verdade de Cristo de que sou portador, essa glória não me será tirada em terras da Acaia. E porquê? Porque não vos amo? Deus bem o sabe.

Compreender a Palavra
Paulo tem pela igreja de Corinto uma predileção. Ali gastou muito do seu tempo e, embora não seja eloquente nas palavras é versado no conhecimento do evangelho. Dedicou-se com toda a alma àquela comunidade sem receber qualquer recompensa, pelo contrário, foram os cristãos da Macedónia que custearam a sua presença em Corinto e o socorreram nas suas necessidades. Paulo percebe a fragilidade dos coríntios e expõe-na para que eles se apercebam e sejam fiéis a Cristo. Os coríntios, no dizer de Paulo, são como Eva, facilmente seduzidos por qualquer falso profeta que apareça a anunciar outro Jesus, outro Espírito, outro evangelho diferente daquele que ele lhes pregou. Paulo mostra-lhes que a sua pregação não foi apenas uma doutrina mas fruto do amor que tem por eles e do desejo de os ‘apresentar a Cristo como virgem pura’.

Meditar a Palavra
Como Paulo em Corinto, muitos homens e mulheres se esforçaram para me anunciar a fé, mostrando-me o evangelho e dando-me a conhecer Cristo. O caminho da conversão não é fácil e exige persistência. Nem sempre sou capaz de me empenhar, de alma e coração, na minha conversão, deixo-me seduzir pelas minhas próprias fragilidades e deixo-me levar pelas palavras agradáveis de quem me faz crer que não é necessário tanto esforço, que se pode ser cristão sem fazer nada, sem esforço e sem dedicação. Não reconheço o esforço de quem, por amor, se dedica a mostrar-me o evangelho e encontro mais alegria naqueles que, com palavras bonitas, me afastam de Cristo. Por ser tão fácil até parece verdadeiro e bom.

Rezar a Palavra
Que eu saiba, Senhor, beber o teu evangelho e encontrar nele a razão da fé para te seguir na verdade. Que eu saiba reconhecer o esforço daqueles que me anunciaram e anunciam ainda hoje o evangelho. Mostra-me o caminho da vida e concede-me a força interior para não procurar a satisfação nas promessas dos falsos apóstolos porque a salvação vem de ti e não deles.

Compromisso
Hoje quero rezar por todos os que, com dedicação e sacrifício, me ensinaram a amar a Cristo.


Evangelho: Mt 6, 7-15
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando orardes, não digais muitas palavras, como os pagãos, porque pensam que serão atendidos por falarem muito. Não sejais como eles, porque o vosso Pai bem sabe do que precisais, antes de vós Lho pedirdes. Orai assim: ‘Pai nosso, que estais nos Céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino; seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal’. Porque se perdoardes aos homens as suas faltas, também o vosso Pai celeste vos perdoará. Mas se não perdoardes aos homens, também o vosso Pai não vos perdoará as vossas faltas».

Compreender a Palavra
Há uma atitude dos pagãos que não convém aos cristãos. Essa atitude revela-se em muitos aspectos da vida, também na oração. Jesus chama a atenção dos discípulos para a sua oração, mostrando com um exemplo como se deve rezar. O evangelho de hoje mostra a atitude de confiança que deve ter quem reza e o conteúdo da verdadeira oração. A oração de Jesus está centrada no Pai e na sua vontade, encontra na confiança a sua força e apresenta o perdão como fonte de libertação. Todo o texto está centrado no “pão de cada dia” e podemos perceber que o pão vem do Pai e está ligado ao perdão, como que a dizer que sem perdão o pão perde o sabor. No fundo o pão que vem do Pai é a sua vontade, o seu reino e o seu perdão. Ninguém vive sem receber este pão das mãos do Pai.

Meditar a Palavra
Como posso comer o pão de cada dia na ausência de Deus e na ausência dos irmãos? Se não olho para Deus reconhecendo-o como o Pai que está nos céus, como posso acolher o pão do seu Reino, o pão da sua vontade que me dá a verdadeira alegria e sacia plenamente a minha vida? Se não olho os irmãos como lugar de perdão, posso comer o pão da reconciliação? Serei capaz de experimentar o sabor do pão descido dos céus sem experimentar o sabor do perdão dado aos outros e recebido do Pai? Se a minha boca está cheia de palavreado sem sentido e sem vida, como pode a minha oração ser lugar de encontro?

Rezar a Palavra
Dá-me o teu pão para hoje, Senhor. Que o teu pão seja o meu pão de cada dia, de cada hora, de cada encontro. Que o teu pão seja para mim a tua vontade realizada em cada momento. Que o teu pão seja perdão dado, partilhado, mastigado na dor do coração arrependido. Que o teu pão seja o amor tornado misericórdia que me afasta do mal maior que é o meu egoísmo que me impede de ver o outro como teu filho e de te ver como meu Pai.

Compromisso
Perdão será a palavra tornada vida no dia de hoje.

Quarta-feira da Semana XI do Tempo Comum

2 Coríntios 9, 6-11
Irmãos: Lembrai-vos disto: Quem semeia pouco também colherá pouco e quem semeia abundantemente também colherá abundantemente. Dê cada um segundo o impulso do seu coração, sem tristeza nem constrangimento, porque Deus ama aquele que dá com alegria. E Deus é poderoso para vos cumular de todas as graças, de modo que, tendo sempre e em tudo o necessário, vos fique ainda muito para toda a espécie de boas obras, como está escrito: «Repartiu com largueza pelos pobres; a sua justiça permanece para sempre». Aquele que dá a semente ao semeador e o pão para alimento também vos dará a semente em abundância e multiplicará os frutos da vossa justiça. Sereis enriquecidos em tudo e podereis praticar a mais larga generosidade, que fará subir, por nosso intermédio, a ação de graças a Deus. .

Compreender a Palavra
Exortando os coríntios a repartir com os irmãos mais pobres de Jerusalém, Paulo utiliza argumentos muito interessantes. Começa por apresentar a comparação da sementeira, quem semeia muito colhe muito e quem semeia pouco colhe pouco. Dar aos outros com alegria é semear na própria vida, pois “Deus ama aquele que dá”. É Deus quem dá “todas as graças” e “multiplica os frutos da vossa justiça”. Dar “sem tristeza e sem constrangimento”, seguindo o “impulso do coração” é praticar a generosidade de Deus que dá sempre em abundância.

Meditar a Palavra
A grande dádiva do homem nasce do coração. Se o que damos são apenas bens materiais, estes desaparecem no instante em que se entregam. Mas se o que damos é o impulso do coração, os bens doados entram na abundância divina que multiplica os frutos da justiça. Se apenas damos com as nossas mãos damos coisas mas se damos com o coração semeamos em nós mesmos a alegria inesgotável da generosidade de Deus e, por isso, a dádiva transforma-se em ação de graças.

Rezar a Palavra
Ensina-me, Senhor, a dar de mim mesmos, segundo o vosso coração generoso. Tu és o Pai que dá o pão ao semeador e a alegria àquele que semeia toda a espécie de boas obras. Faz o meu coração semelhante ao teu para que a minha oração de cada dia seja a generosidade verdadeira e autêntica.

Compromisso
Há quanto tempo não ofereço nada com as minhas mãos? E com o coração?


Evangelho: Mt 6, 1-6.16-18
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Tende cuidado em não praticar as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Aliás, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está nos Céus. Assim, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita, para que a tua esmola fique em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. Quando rezardes, não sejais como os hipócritas, porque eles gostam de orar de pé, nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. Quando jejuardes, não tomeis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto, para mostrarem aos homens que jejuam. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que os homens não percebam que jejuas, mas apenas o teu Pai, que está presente no que é oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa».

Compreender a Palavra
Mateus contrapõe a atitude do discípulo à atitude dos hipócritas. As palavras de Jesus são proposta de vida nova para os discípulos e Mateus traduz esta proposta numa nova ordem de atitudes e comportamentos que não podem significar seguimento da hipocrisia mas seguimento de Jesus. A Igreja constrói-se a partir de uma nova forma de estar na vida e no mundo. O texto deixa isto bem claro. Começa por afirmar “Tende cuidado”. É fácil seguir o mundo e esquecer os ensinamentos de Jesus. Mas a recompensa do mundo não tem qualidade de vida eterna. É por isso que as boas acções não devem ser feitas para que os homens vejam, mas no segredo onde só o Pai vê e pode dar a recompensa de vida eterna.

Meditar a Palavra
É difícil discernir entre a verdade e a hipocrisia. Muitas vezes acomodo-me na hipocrisia da aparência e contento-me com isso. Jesus pede-me que vença o vedetismo e aprenda a viver na verdade para que toda a minha vida adquira a qualidade necessária para acolher a vida eterna. Só o Pai vê o que está no meu coração e só Ele sabe recompensar. Depositar a minha vida nas mãos dos homens é correr o risco de viver a prazo. Os homens valorizam até certo ponto, até certo dia, até que se deixam seduzir por outra moda. O Pai, que vê no segredo do coração, sabe dar-me o valor que tenho e o valor do meu esforço para além dos resultados alcançados.

Rezar a Palavra
Vê o meu coração, Senhor e faz-me compreender o que se revela ao teu olhar, para que deseje responder aos teus desejos e não aos desejos dos homens. Mostra-me os caminhos da eternidade e faz-me desejar e experimentar a alegria de aí me encontrar com a tua presença. Ensina-me a tua verdade e ajuda-me a vencer a minha hipocrisia. Faz-me viver no segredo do teu olhar e saborear a tua intimidade.

Compromisso
Estarei atento aos meus gestos de hoje para não cair na hipocrisia da aparência que agrada, mas enfrentar a verdade que liberta.

Terça-feira da Semana XI do Tempo Comum

2 Coríntios 8, 1-9
Queremos dar-vos a conhecer, irmãos, a graça que Deus concedeu às igrejas da Macedónia. No meio das muitas tribulações com que foram provadas, a sua superabundante alegria e extrema pobreza transbordaram em tesouros de generosidade. Sou testemunha de que, segundo as suas possibilidades, e até além delas, com toda a espontaneidade e com muita insistência, pediram-nos a graça de participar neste serviço em favor dos santos. E indo além das nossas expectativas, deram-se a si mesmos, primeiro ao Senhor e depois a nós, pela vontade de Deus. Por isso, pedimos a Tito que, tal como a havia começado, levasse a bom termo, entre vós, esta obra de generosidade. Mas, dado que tendes tudo em abundância – fé, dom da palavra, ciência, toda a espécie de zelo e amor que em vós despertámos – cuidai também de sobressair nesta obra de caridade. Não o digo como quem manda, mas para pôr ainda à prova a sinceridade do vosso amor, servindo-me do zelo dos outros. Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza.

Compreender a Palavra
Paulo convida os coríntios a participar na coleta em favor dos pobres de Jerusalém. Incita-os a que, livremente, mostrem a sua caridade, “a sinceridade do seu amor” e levem a bom termo “esta obra de generosidade”. Para os incentivar apresenta-lhes o testemunho das igrejas da macedónia dizendo que “na sua superabundante alegria e extrema pobreza transbordaram em tesouros de generosidade”. E acrescenta que foram além das suas possibilidades, superaram as expetativas porque “deram-se a si mesmos”. No final, Paulo recorda que é essa o testemunho de Jesus que, “sendo rico, se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza”.

Meditar a Palavra
A grande generosidade não está em dar do muito que se possui. Segundo a perspetiva dos homens apenas os ricos poderiam ser generosos ou seriam impossível superar os ricos em generosidade. Mas, para Deus, a generosidade não está na quantidade do que se dá, no valor da dádiva aos olhos dos homens, mas na generosidade do coração. Esta generosidade não se mede pela quantidade mas pela capacidade de se superar a si próprio e dar-se a si mesmo. Desta forma, os pobres podem ser e são de facto, mais generosos que os ricos porque dão do que lhes faz falta e enriquecem os outros, como Cristo, com a sua pobreza.

Rezar a Palavra
Senhor, Jesus, tantas vezes acredito que sendo rico podia fazer bem a muitas pessoas, ajudar muitos pobres, dar emprego a muitos desempregados, amparar muitas famílias que vivem na miséria e desejo ser rico para o poder fazer. Hoje, através das palavras de S. Paulo, ensinas-me que, para ajudar os outros, não é necessário ser rico mas generoso. Rico daquela generosidade que nos leva a dar de nós mesmos e a deixar que o milagre aconteça. Ensina-me a enriquecer os outros com a minha pobreza e a não esperar ser rico para ser generoso.

Compromisso
Hoje alguém precisa da minha pobreza e não lha vou negar.


Evangelho: Mt 5, 43-48
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Ouvistes que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus; pois Ele faz nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos. Se amardes aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem a mesma coisa os publicanos? E se saudardes apenas os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não o fazem também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito».

Compreender a Palavra
Mateus fala para a Igreja. A comunidade cristã, expressão da Igreja, é a comunidade dos santos, daqueles que querem ser perfeitos como o Pai celeste é perfeito. Fazer o que fazem os publicanos e ter os mesmos sentimentos que os pagãos é pouco para um cristão, para um membro da Igreja, nascido para uma vida nova pelo Baptismo. A lei dos antigos coloca os limites até onde devemos ir. A nova lei de Jesus diz onde começa o nosso agir mas não coloca limites até onde. O início é o amor aos inimigos e a partir daí não há fronteiras.

Meditar a Palavra
Colocar-se sob a lei do amor é perder os limites do razoável. Querer ser perfeito como o Pai celeste e deixar de lado a sensatez do mundo. O amor que Jesus nos propõe está para lá da mentalidade contabilística do mundo. A recompensa não é deste mundo e, portanto, os limites também não são colocados pelos homens, mas por Deus. Amar desde onde e até onde? Jesus fala hoje ao meu coração dizendo que amar os que todos amam ou os que já amo é pouco para mim. Eu, seu discípulo, sou chamado a começar por amar os inimigos e a não colocar mais fronteiras ao amor, até que se cumpra em mim o mesmo mistério da cruz de Jesus.

Rezar a Palavra
Que posso eu fazer de extraordinário, Senhor? Que recompensa posso esperar, se faço apenas os mínimos do que me propões como caminho de vida e de felicidade? Quero ter medida grande no amor para poder colher também a medida grande na recompensa do reino dos céus. Quero ser grande no desafio para chegar a ser perfeito como tu, Senhor, és perfeito. Não quero ser o “antigo” que passa mas o “novo” que permanece até à vida eterna.

Compromisso
Quero olhar os meus inimigos com os olhos do amor de Deus.

Segunda-feira da Semana XI do Tempo Comum

LEITURA I 2 Cor 6, 1-10

Irmãos: Como colaboradores de Deus, nós vos exortamos a que não recebais em vão a sua graça. Porque Ele diz: «No tempo favorável, Eu te ouvi; no dia da salvação, vim em teu auxílio». Este é o tempo favorável, este é o dia da salvação. Evitamos dar qualquer motivo de escândalo, para que o nosso ministério não seja desacreditado. Mas mostramo-nos em tudo como ministros de Deus, com grande perseverança nas tribulações, nas necessidades, nas angústias, nos açoites, nos tumultos, nas prisões, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns; pela pureza, pela sabedoria, pela paciência, pela bondade, pelo espírito de santidade, pela caridade sem fingimento; pela palavra da verdade, pelo poder de Deus; pelas armas ofensivas e defensivas da justiça; na honra e na ignomínia, na difamação e na boa fama. Somos considerados como impostores, embora verdadeiros; como desconhecidos, embora bem conhecidos; como agonizantes, embora estejamos com vida; como condenados, mas livres da morte; como tristes, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos; como não tendo nada, mas possuindo tudo.
Palavra do Senhor.

Compreender a Palavra

O poder de Deus contrasta com a sua forma de manifestação na vida dos homens e em particular na vida dos ministros do Senhor. Aqueles que receberam o chamamento de Deus para colaborar com ele na salvação dos irmãos veem-se muitas vezes revestidos de pobreza, fragilidade e assim se apresentam diante dos homens. A sua fragilidade e a forma discreta com que o poder de Deus se manifesta é a garantia do sucesso da sua ação mas também ocasião para que os homens se julguem mais fortes, mais sábios, mais ágeis e eficazes que o poder de Deus de que se revestem os seus ministros. Por isso alguns tentam desacreditar o ministério através da perseguição. Paulo diz mesmo “Somos considerados como impostores, embora verdadeiros; como desconhecidos, embora bem conhecidos; como agonizantes, embora estejamos com vida; como condenados, mas livres da morte; como tristes, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos; como não tendo nada, mas possuindo tudo”. Nestas circunstâncias a única possibilidade é a perseverança e a fidelidade.

Meditar a Palavra

Os ministros de Cristo foram sempre alvo de ataques cerrados, quer por parte dos que não são cristãos quer por parte dos membros das comunidades cristãs. É uma espécie de luta e experimentação do poder de Deus que se revela na fragilidade dos homens. Afinal quem é aquele que possui o poder de Deus para exercer um ministério? Um homem, em tudo igual aos outros mas revestido de uma graça que o coloca diante dos demais como administrador da salvação que há de chegar a todos. Parece natural que uns e outros queiram experimentar se o poder de que foi investido o ministro de Cristo é verdadeiro, se vem de de Deus ou é apenas uma realidade humana que nada acrescenta àquele que o recebeu. Porque o poder de Deus se manifesta na humildade e a fragilidade do ministro se mostra em toda a sua humanidade, todos querem encontrar argumentos para não crer ou para não obedecer. Paulo reforça aqui a verdade, uma coisa é o que dizem de nós outra bem diferente o que nós experimentamos. Por isso permaneçamos na fidelidade.

Rezar a Palavra

Era mais fácil, Senhor, se te servisses de anjos para convencer os homens de que a verdade do evangelho é salvação para os homens. Mas, na verdade, quiseste revestir o evangelho da salvação com a fragilidade daqueles que se dispõem a servir-te. Tu próprio, sendo Deus, te fizeste homem e foi na fragilidade da humanidade, onde se ocultava aos nossos olhos a tua divindade, que quiseste realizar para nós a salvação. Dá-nos olhos para ver e coração para amar este tempo de graça e salvação que nos ofereces.

Compromisso

Quero ver a oportunidade de Deus que se oferece à minha vida na fragilidade dos homens que caminham comigo.


EVANGELHO Mt 5, 38-42

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Olho por olho e dente por dente’. Eu, porém, digo-vos: Não resistais ao homem mau. Mas se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda. Se alguém quiser levar-te ao tribunal, para ficar com a tua túnica, deixa-lhe também o manto. Se alguém te obrigar a acompanhá-lo durante uma milha, acompanha-o durante duas. Dá a quem te pedir e não voltes as costas a quem te pede emprestado».

Compreender a Palavra

Por detrás deste ensinamento de Jesus está a lei de Talião que dizia, “olho por olho e dente por dente”. A justiça da vingança para com aqueles que atentavam contra a vida e contra a propriedade. O princípio era não exagerar na vingança para não provocar uma injustiça maior. Jesus pede àqueles que o seguem que procurem ir mais longe na justiça e aprendam a amar os inimigos. Aquele que ama tem uma liberdade que o coloca numa posição diferente face ao modo habitual de agir. Aquele que ama não mastiga ofensas, mesmo corporais, perdoa e avança como o servo sofredor. Aquele que ama é livre diante dos bens porque reconhece o seu destino universal. Aquele que ama liberta-se da opressão servindo com amor. Aquele que ama experimenta a liberdade no dar.

Meditar a Palavra

Crescemos com uma mentalidade que sobrevaloriza a honra pessoal quando diz que “quem não se sente não é filho de boa gente” e que tem na vingança a melhor das justiças. Este sentimento faz pensar que nada está suficientemente resolvido enquanto não pagarmos o mal com o mal. Não nos sentimos compensados enquanto aquele que atenta contra nós não tiver experimentado a mesma sorte. Jesus propõe um caminho de satisfação interior, um sentido de honra, uma justiça que supera a dos fariseus. O amor dá um sentido novo à vida e produz uma alegria que nenhuma justiça pode dar. O amor supera a justiça e no amor ninguém se sente defraudado.

Rezar a Palavra

Senhor, tu experimentaste a injustiça e sofreste as consequências da maldade gratuita e sem sentido. Tu soubeste viver o amor ao inimigo até ao limite de dar a vida por aqueles que se queriam ver livres de ti. Não é fácil vencer este ímpeto interior de vingança e esta necessidade de pagar o mal com o mal. Sei que o amor é maior que o mal e nenhum pecado vence aquele que ama. Ensina-me o amor sem limites e o perdão sem reservas para poder viver a alegria da ressurreição.

Compromisso

Dar a outra face será sempre a primeira resposta às ofensas do dia de hoje.

Sexta-feira da Semana X do Tempo Comum

2 Coríntios 4, 7-15
Irmãos, nós trazemos em vasos de barro o tesouro do nosso ministério, para que se veja que este extraordinário poder é de Deus e não é nosso. Em tudo somos atribulados, mas não esmagados; confundidos, mas não desesperados; perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não aniquilados. Trazemos sempre no nosso corpo a morte de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifesta no nosso corpo. Estando ainda vivos, estamos continuamente expostos à morte por causa de Jesus, para que a vida de Jesus seja manifesta também na nossa carne mortal. Assim, em nós opera a morte, e em vós a vida. Animados do mesmo espírito de fé, conforme o que está escrito: Acreditei e por isso falei, também nós acreditamos e por isso falamos, sabendo que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus, também nos há de ressuscitar com Jesus, e nos fará comparecer diante dele junto de vós. E tudo isto faço por vós, para que a graça, multiplicando-se na comunidade, faça aumentar a ação de graças, para a glória de Deus.

Compreender a Palavra
Esta passagem da segunda carta de Paulo aos Coríntios é, só por si, uma reflexão que dispensa comentários. Paulo vê-se portador de um ministério que, por ser de Deus, se manifesta na pequenez do homem e dispensa os artifícios e as vaidades humanas, atua na pobreza e na simplicidade. É por isso que os portadores deste ministério da vida nova de Cristo ressuscitado, estão continuamente expostos à morte mas neles se revela a vida. São atribulados, confundidos, perseguidos, abatidos, mostram os sinais da morte de Jesus, mas neles reina a vida daquele que tendo ressuscitado Jesus tem poder para ressuscitar com Jesus aqueles que acreditam.

Meditar a Palavra
Traduzir esta página na experiência pessoal da fé implica um grande despojamento de nós mesmos, uma confiança absoluta em Cristo e uma certeza da fé inabalável. Perante os sinais que causam sofrimento, revelam abandono, produzem o desespero, a aniquilação, cristão vive a certeza da vida e a vitória do ressuscitado. Nada nos pode aniquilar porque não fomos abandonados, nem confundidos, nem esmagados, fomos salvos pela vida que se manifesta em nós apesar dos sinais de morte que transportamos em nosso corpo. A certeza de Jesus é a nossa certeza diante da morte.

Rezar a Palavra
Senhor Jesus, tu conheces cada um de nós e sabes que somos fragilidade na nossa condição humana. Transportamos em nós a grandeza e a pequenez, a vida e a morte, a fragilidade e a força. Que também nós possamos dizer como Paulo, Acreditei e por isso falei e possamos nós também tudo fazer para a glória de Deus.

Compromisso
Há demasiados sinais do amor de Deus na vida das pessoas. Vou estar atento às manifestações do poder de Deus nos irmãos.

Quarta-feira da Semana X do Tempo Comum

Evangelho: Mt 5, 17-19
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas completar. Em verdade vos digo: Antes que passem o céu e a terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno sinal, sem que tudo se cumpra. Portanto, se alguém transgredir um só destes mandamentos, por mais pequenos que sejam, e ensinar assim aos homens, será o menor no reino dos Céus. Mas aquele que os praticar e ensinar será grande no reino dos Céus».

Compreender a Palavra
Diante de Jesus, suas palavras e gestos verdadeiramente revolucionários, muitos pensaram que ele vinha abolir o Antigo Testamento, a lei e os profetas. Ora Jesus, com estas palavras, vem esclarecer que, nada do que foi revelado antes de ele vir, pode ser abolido, esquecido ou alterado. Pelo contrário, ele veio dar cumprimento pleno a toda a vontade de Deus manifestada na lei e nos profetas.

Meditar a Palavra
Quando a lei é exigente, e me propõe um caminho estreito para chegar à realização da minha vida, a dificuldade em percorrê-lo leva-me a procurar um caminho mais fácil. Não abdico do objetivo mas procuro um caminho mais fácil para lá chegar. Muitas vezes acontece-me ter que enfrentar uma grande batalha e não conseguir o que pretendo. É frequente ter que voltar para trás e recomeçar. Com Deus não se pode facilitar. A insuficiente valorização do objetivo torna desprezível o esforço para o alcançar. Creio que se deve a isto a fuga para caminho sem lei, sem Deus e sem os outros. Como se fosse possível atingir algum objetivo sem esta bagagem.

Rezar a Palavra
Senhor Jesus, tu sabes que me perco em raciocínios inúteis diante da tua palavra, em desculpas esfarrapadas diante da vida e em distrações que me fazem esquecer a responsabilidade de continuar pelo caminho dos teus mandamentos. Ensina-me a valorizar o teu chamamento para que compreenda a necessidade do esforço do caminho.

Compromisso
Quero seguir pelo caminho do Senhor e cumprir os seus mandamentos.

Santo António de Lisboa

Evangelho: Mt 5, 13-19
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Vós sois o sal da terra. Mas se ele perder a força, com que há-de salgar-se? Não serve para nada, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa. Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus. Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas completar. Em verdade vos digo: Antes que passem o céu e a terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno sinal, sem que tudo se cumpra. Portanto, se alguém transgredir um só destes mandamentos, por mais pequenos que sejam, e ensinar assim aos homens, será o menor no reino dos Céus. Mas aquele que os praticar e ensinar será grande no reino dos Céus».

Compreender a Palavra
Hoje celebramos Santo António, presbítero e doutor da Igreja.
O texto de hoje faz parte do Sermão da montanha. Jesus apresenta aos discípulos e às multidões uma nova maneira de viver. A sabedoria de Deus quando actua no homem faz com que veja novas realidades e as deseje com o seu coração. Desta forma o homem torna-se um sinal, sal e luz. Sal que dá sabor ao mundo e luz que indica o caminho. Jesus insiste com os discípulos para que a sua luz brilhe, que não se esconda, mas brilhe no mundo para que se vejam as boas obras e provoquem o louvor. O contrário será arriscar ser o menor no Reino dos Céus. Ou seja, o cumprimento dos mandamentos até à mais pequena letra é a garantia do Reino.

Meditar a Palavra
Tenho que fazer o caminho da minha vida. Ninguém me livra dessa realidade. Posso fazê-lo sem sabor, sem sentido, sem direcção, sem luz, às apalpadelas. Mas posso também encontrar o sabor, o sentido, a direcção para o meu caminho e tornar-me sal e luz para outros, se escutar a palavra e nela encontrar os mandamentos de Deus. Posso ser sal e luz se viver e ajudar a viver a palavra de Deus. Posso ser oportunidade para que todos glorifiquem o Pai que está nos céus. Depende de mim unicamente.

Rezar a Palavra
Que eu seja sal e luz, Senhor. Que as minhas acções possam ser vistas por todos os homens. Que todos encontrem em mim os sinais da tua palavra e a luz da tua sabedoria e desejem viver segundo os teus mandamentos. Faz de mim, Senhor, instrumentos para que todos cheguem a glorificar o teu nome e em ti alcancem o Reino dos Céus.

Compromisso
Hoje preciso de iluminar as zonas escuras da minha vida de fé.

Segunda-feira da Semana X do Tempo Comum

2 Coríntios 1, 1-7
Paulo, Apóstolo de Jesus Cristo, por vontade de Deus, e o irmão Timóteo, à Igreja de Deus que está em Corinto e aos cristãos que vivem em toda a Acaia: A graça e a paz vos sejam dadas da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo. Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Pai de misericórdia e Deus de toda a consolação. Ele nos conforta em todas as tribulações, para podermos consolar aqueles que estão atribulados, por meio da consolação que nós mesmos recebemos de Deus. Na verdade, assim como abundam em nós os sofrimentos de Cristo, também por Cristo abunda a nossa consolação. Se somos atribulados, é para vossa consolação e salvação. Se somos consolados, é para vossa consolação, a fim de suportardes com fortaleza os mesmos sofrimentos que nós suportamos. A nossa esperança a vosso respeito é firme, porque sabemos que, participando nos sofrimentos, também participareis na consolação.».

Compreender a Palavra
Inicia desta forma a Carta de São Paulo aos Coríntios. A saudação inicial, muito própria de Paulo tem uma indicação preciosa e necessária por causa do motivo principal da carta, os sofrimentos infligidos aos cristãos daquela comunidade por parte de alguns homens de origem judaica, que se introduziram na comunidade impondo as tradições do seu povo. A indicação é esta “Deus de toda a consolação”. Para os atribulados, para os que sofrem por causa de Cristo, para os que trazem no seu corpo os sofrimentos de Cristo, como acontece com os coríntios, é necessária esta esperança que vem do “Deus de toda a consolação”. Paulo não se cansa de o referir logo de início, para que, aqueles que participam dos sofrimentos o façam com fortaleza a fim de também participarem na consolação.

Meditar a Palavra
Todas as pessoas passam por situações de sofrimento e muitas vezes por sofrimentos causados pela injustiça dos homens, por obrigações que são impostas sem sentido e por incompreensões devidas aos costumes ou às tradições sociais e até religiosas. Os cristãos encontram na perseguição, na tribulação e na injustiça um meio para se unirem aos sofrimentos de Cristo. Como todos, temos a obrigação de lutar contra toda a espécie de sofrimentos, mas enquanto não vencemos, suportamo-los com fortaleza à imagem de Cristo. Nele vivemos os nossos sofrimentos e nele encontramos a consolação para os suportar e vencer.

Rezar a Palavra
O sofrimento toca-nos na alma, por isso precisa da consolação espiritual que vem da vitória que alcançaste na tua ressurreição, Senhor. Tememos a dor corporal, mas esquecemos muitas vezes a dimensão do sofrimento espiritual, este que, permanece depois da dor física. O sofrimento é um drama que reclamamos de ti, mas que encontra em nós os seus principais criadores. Se nos amássemos mais uns aos outros conseguíamos vencer a maior parte dos sofrimentos pelos quais andamos abatidos, derrotados, desanimados e seríamos consolação uns para os outros. Dá-nos, Senhor, o dom da fortaleza e da consolação para vencermos a maldade, origem de muitos sofrimentos.

Compromisso
Vou-me interrogar: Que sofrimentos provoco nos outros habitualmente?


Evangelho: Mt 5, 1-12
Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos e Ele começou a ensiná-los, dizendo: «Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa. Assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós».

Compreender a Palavra
O texto das Bem-aventuranças é uma manifestação do reino e dos seus critérios. A primeira e a última Bem-aventurança terminam com a afirmação “porque deles é o reino dos céus”. Trata-se de uma afirmação no presente. O Reino não é uma realidade futura, mas um facto já presente no meio dos homens como anuncia Jesus. Então, as bem-aventuranças vêm dizer, em primeiro lugar que o Reino já está presente e pode entrar nele quem reunir os critérios para lhe pertencer. Esses critérios são muito claros: Os pobres, em primeiro lugar, não apenas os pobres economicamente falando, os humildes, os que choram, os que lutam pela justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz e os perseguidos. Quem vive estes critérios é feliz, experimenta uma alegria que não vem das conquistas imediatas mas da realização pela luta constante contra as forças que impedem o homem de ser homem com toda a dignidade.

Meditar a Palavra
A felicidade não tem preço, é um dom inestimável pelo qual vale a pena dar tudo de nós mesmos. O ideal não é dar pequenas coisas e coisas exteriores a mim. O ideal com que se edifica a felicidade passa pela oferta da própria existência e de toda a existência na conquista de bens maiores para to-dos. Os critérios apresentados pelas bem-aventuranças só têm sentido se significam uma luta em favor dos outros. Não são felizes os pobres mas os que se fazem pobres para enriquecer os outros. Também não tem sentido ser humilde só para mim, mas na relação com os demais. A luta pela justiça e pela paz não é para meu bem mas para o bem comum. Não se trata de chorar porque estou triste mas de chorar com os que choram. As bem-aventuranças levam-me mais longe porque me levam ao encontro do outro.

Rezar a Palavra
Que em mim, Senhor, se revelem os sentimentos de misericórdia e humildade, que me assista o desejo da pobreza e a capacidade de acolher as lágrimas de quem chora. Que eu não baixe os braços di-ante da injustiça nem me canse de fazer a paz. Senhor, dai-me a coragem para enfrentar a perseguição porque todo o que arriscar viver os critérios do teu evangelho só pode esperar a incompreensão dos que se julgam donos e senhores deste mundo.

Compromisso
Quero ser feliz no encontro com os que padecem a infelicidade das limitações da vida.

Sexta-feira da Semana IX do Tempo Comum

Tobias 11, 5-17
Naqueles dias, Ana estava sentada e olhava para o caminho, procurando descobrir o filho. Quando o viu, ao longe, disse ao marido: «Repara, aí vem o nosso filho, e com ele o seu companheiro.» Antes, porém, que Tobias chegasse junto do pai, disse-lhe Rafael: «Sei, com certeza, que os seus olhos se abrirão de novo. Unge-lhos com o fel do peixe: ao sentir ardor, esfregá-los-á, as cataratas desprender-se-ão e ele verá.» Ana deitou a correr e lançou-se ao pescoço do filho, dizendo: «Volto a ver-te, meu filho. Agora, já posso morrer!» E pôs-se a chorar. Tobite, tropeçando, encaminhou-se para a porta do pátio. Então o filho correu ao seu encontro, agarrou-o e derramou-lhe o fel nos seus olhos, dizendo: «Coragem, pai!» Enquanto lhe ardiam os olhos, esfregou-os, e as escamas desprenderam-se. Ao ver o filho, Tobite lançou-se-lhe ao pescoço e, chorando, disse: «Vejo-te, filho, tu que és a luz dos meus olhos!» E continuou: «Bendito seja Deus e bendito o seu grande nome! Benditos os seus santos anjos! Que seu nome esteja sobre nós e benditos sejam todos os seus anjos, pelos séculos sem fim! Ele puniu-me, mas eis que volto a ver Tobias o meu filho.» Tobias entrou, cheio de alegria, e glorificou a Deus. Contou ao pai todas as maravilhas que tinham acontecido na sua viagem; disse-lhe que trazia o dinheiro e que tomara Sara, filha de Raguel, por esposa: «Ela já aí vem, está muito perto das portas de Nínive. Ao ouvir isto, Tobite, cheio de alegria e louvando a Deus, foi às portas de Nínive, ao encontro da nora. Vendo-o andar assim, com toda a segurança e sem ninguém o guiar pela mão, os habitantes de Nínive admiraram-se. Tobite, então, anunciava-lhes em alta voz que Deus fora misericordioso para com ele e lhe abrira os olhos. Assim que Tobite se encontrou com Sara, esposa do seu filho Tobias, abençoou-a e disse-lhe: «Sê bem-vinda, minha filha! Bendito seja Deus, que te trouxe para junto de nós e bendito seja o teu pai! Bendito seja Tobias, meu filho, e bendita sejas tu, filha! Entra e sê bem-vinda à tua casa; entra em bênção e alegria, filha!»

Compreender a Palavra
O tempo cumpriu a promessa. Deus tem a cura para Tobit, para Sara e para todo o homem. Mas o tempo de espera foi necessário. Sete maridos de espera para Sara, uma longa viagem na escuridão para Tobit. Por fim, o olhar vigilante de Ana, a mãe de coração na mão, vê ao longe surgir o filho que traz consigo a certeza “Sei, com certeza, que os seus olhos se abrirão de novo. Unge-lhos com o fel do peixe”. Depois desta vêm todas as notícias boas. Ungido, Tobit começa a ver “Vejo-te, filho, tu que és a luz dos meus olhos”, o filho anuncia o êxito da viagem porque traz o dinheiro e traz também Sara como esposa. A alegria enche toda a casa cumprindo-se as palavras da mãe de Sara “o Senhor transforma a tristeza em alegria”. Tobit sai ao encontro da nora cheio de alegria e louvando a Deus. Recuperado, Tobit “anunciava-lhes em alta voz que Deus fora misericordioso para com ele e lhe abrira os olhos”.

Meditar a Palavra
Deus faz connosco uma história de salvação que precisa do tempo de uma vida para se concretizar. Deus leva o seu tempo e faz o seu caminho no maio dos tortuosos caminhos das nossas decisões e das nossas lamentações. O tempo que nos falta é o tempo que sobra a Deus. Não era necessário, dizemos nós muitas vezes, ter passado por esta situação, por aquela experiência, porque tinha viver aquela tristeza, para que foram aquelas lágrimas!? A verdade é que em tudo está Deus presente a construir connosco uma história que termina em alegria e louvor. Talvez, olhando a vida, não encontremos razões, mas no fundo do nosso coração sabemos que era necessário. Nunca teríamos vencido o nosso coração orgulhoso se não tivéssemos derramado aquelas lágrimas ou não tivéssemos passado por aquela provação. O coração precisa de tempo para se afeiçoar a Deus e de espaço para não se enganar a si mesmo convencido de que é dono da própria vida e do próprio destino. Tobit e Sara compreenderam e com eles todos os habitantes de Nínive.

Rezar a Palavra
O meu coração obstinado, orgulhoso e convencido precisa do teu tempo, o tempo que faz perder a juventude, o vigor e a vaidade para se convencer que só tu és o Senhor. Caminha comigo como fizeste com Tobit e com Sara, leva-me pela mão até ao silêncio de mim mesmo. Não me deixes à sorte das minhas vontades e desejos, mas indica-me o caminho da vida, da alegria e do louvor.

Compromisso
Vou encontrar nas minhas lágrimas e nas contrariedades da minha vida a mão de Deus que me liberta de mim mesmo, para conhecer a alegria de ser por ele curado da minha cegueira.

Evangelho: Mc 12, 35-37
Naquele tempo, Jesus ensinava no templo, dizendo: «Como podem os escribas dizer que o Messias é filho de David? O próprio David afirmou, sob a acção do Espírito Santo: ‘Disse o Senhor ao meu Senhor: Senta-Te à minha direita, até que Eu faça dos teus inimigos escabelo dos meus pés’. O próprio David Lhe chama ‘Senhor’. Como pode ser seu filho?». E a numerosa multidão escutava com prazer o que Jesus dizia.

Compreender a Palavra
Entre os judeus tinha-se generalizado a ideia do Messias que viria libertar Israel. Ninguém sabia muito bem como seria esse Messias, mas aplicavam-se-lhe alguns textos bíblicos. Os mestres da Lei como Jesus chama aos escribas, seguem a ideia tradicional de um Messias rei, descendente de David. Jesus procura ensinar aos seus discípulos novos critérios que identificarão o Messias. Entre esses critérios estão a humildade, o serviço, o sofrimento, a cruz e a morte. É assim que se apresenta ao anunciar a paixão. Neste texto, que escutamos hoje, a multidão escuta Jesus com agrado, e Ele desmistifica a ideia da origem davídica do Messias, recordando que o próprio David lhe chama Senhor. Então, o Messias é mais do que David, está acima dele, é Filho de Deus. Esta origem divina do Messias, torna-o libertador dos pobres, dos humildes e dos marginalizados, porque não faz acepção de pessoas.

Meditar a Palavra
A vontade que sentimos, de quando em quando, de reduzir Deus à nossa imagem e de o tornar um objecto nas nossas mãos para que faça o que nós queremos e nos livre dos nossos inimigos com o poder violento das armas, distorce a verdade sobre Deus. As nossas acções, opções, critérios e atitudes nascem da visão de Deus que fazemos crescer nos nossos corações. A opressão, a exclusão e as diferenças sociais, nascem da consciência errada de que Deus é o nosso Deus e não é Deus dos outros. Só o Deus de Jesus Cristo, que nasce nas palhas de Belém e surge montado num jumentinho e carrega com a cruz da humanidade, pode conduzir os nossos corações à dedicação ao próximo no mesmo amor de Jesus.

Rezar a Palavra
Senhor Jesus, mostra ao meu coração a verdade sobre o mistério da salvação que nos trouxeste, como Messias de Deus. O caminho da humildade, do serviço e da entrega da vida, seja para mim o caminho que leva à casa do Pai. Que eu aceite fazer esse caminho de escondimento aos olhos dos homens, vencendo a minha pequenez de espírito e a minha pobreza de coração, para poder corresponder aos dons de vida e de graça que me ofereces na tua cruz salvadora.

Compromisso
Quero humilhar-me no sentido evangélico de escondimento para que não seja eu a aparecer, mas Jesus, porque só Ele é Messias, Salvador.