Sexta-feira da Semana XV do Tempo Comum

Êxodo 11, 10 – 12, 14
Naqueles dias, Moisés e Aarão realizaram muitos prodígios diante do faraó. Mas o Senhor permitiu que se endurecesse o coração do faraó e ele não deixou partir do seu país os filhos de Israel. Então o Senhor disse a Moisés e a Aarão na terra do Egipto: «Este mês será para vós o princípio dos meses; fareis dele o primeiro mês do ano. Falai a toda a comunidade de Israel e dizei-lhe: ‘No dia dez deste mês, procure cada qual um cordeiro por família, uma rês por cada casa. Se a família for pequena demais para comer um cordeiro, junte-se ao vizinho mais próximo, segundo o número de pessoas, tendo em conta o que cada um pode comer. Tomareis um animal sem defeito, macho e de um ano de idade. Podeis escolher um cordeiro ou um cabrito. Deveis conservá-lo até ao dia catorze desse mês. Então, toda a assembleia da comunidade de Israel o imolará ao cair da tarde. Recolherão depois o seu sangue, que será espalhado nos dois umbrais e na padieira da porta das casas em que o comerem. E comerão a carne nessa mesma noite; comê-la-ão assada ao fogo, com pães ázimos e ervas amargas. Não comereis nada cru nem cozido em água, mas tudo assado no fogo, com a cabeça, as pernas e as vísceras. Não deixareis nada para a manhã seguinte; mas se alguma coisa sobrar para o dia seguinte, queimá-la-eis no fogo. Quando o comerdes, tereis os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. Comereis a toda a pressa: é a Páscoa do Senhor. Nessa mesma noite, passarei pela terra do Egipto e hei-de ferir de morte, na terra do Egipto, todos os primogénitos, desde os homens até aos animais. Assim exercerei a minha justiça contra os deuses do Egipto, Eu, o Senhor. O sangue será para vós um sinal, nas casas em que estiverdes: ao ver o sangue, passarei adiante e não sereis atingidos pelo flagelo exterminador, quando Eu ferir a terra do Egipto. Esse dia será para vós uma data memorável, que haveis de celebrar com uma festa em honra do Senhor. Festejá-lo-eis de geração em geração, como instituição perpétua».

Compreender a Palavra
A saída do Egito é precedida pela celebração familiar do cordeiro imolado. Toda a comunidade deve imolar um cordeiro macho sem defeito, de um ano, para comer na noite em que o Senhor vai passar pela terra do Egito. O sangue do cordeiro serve para marcar a porta das casas onde se encontram os que devem sair em liberdade e para deixar à mercê do castigo aqueles que se opõem à liberdade dos hebreus, ao Senhor e ao seu poder. Esta será uma data a celebrar de geração em geração porque a libertação do Egito foi operada pelo Senhor com mão forte e braço poderoso, porque é um acontecimento fundador do povo de Deus, porque é a festa da Páscoa.

Meditar a Palavra
A saída do Egito é um acontecimento libertador que dá origem à festa da Páscoa celebrada pelos judeus ao longo de gerações. Jesus celebrou esta Páscoa todos os anos, tendo subido a Jerusalém algumas vezes para a celebrar. Na festa da Páscoa deixou aos discípulos a nova Páscoa, já não no sangue do cordeiro mas no seu próprio sangue e mandou aos discípulos que a celebrassem em sua memória. Deu início à nova aliança no seu sangue e marcou para sempre a vida de cada homem pelo seu sangue derramado na cruz. Hoje todos celebramos a nova Páscoa, a Eucaristia, e experimentamos a libertação do nosso Egito, a saída do nosso desterro, o fim da escravatura, o perdão do pecado e a entrada na vida nova de Cristo com a promessa da vida eterna. Cristo é o Cordeiro da nossa Páscoa, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Rezar a Palavra
Senhor Jesus, o teu sangue me acompanha e marca toda a minha vida. Nele mergulhei quando pelo batismo me fizeste renascer para uma vida nova. No teu sangue foi escolhido para viver segundo o mesmo Espírito. Sobre mim derramaste o cálice da bênção que bebo como Páscoa da minha redenção. No teu sangue sou purificado e restaurado na verdadeira imagem do teu amor. Que a tua Páscoa seja sempre e cada vez mais a razão minha vida.

Compromisso
Hoje é dia de meditar sobre o sangue de Jesus derramado para minha libertação.


Evangelho: Mt 12, 1-8
Naquele tempo, Jesus passou através das searas em dia de sábado e os discípulos, sentindo fome, começaram a apanhar e a comer espigas. Os fariseus viram e disseram a Jesus: «Vê como os teus discípulos estão a fazer o que não é permitido ao sábado». Jesus respondeu-lhes: «Não lestes o que fez David, quando ele e os seus companheiros sentiram fome? Entrou na casa de Deus e comeu dos pães da proposição, que não era permitido comer, nem a ele nem aos seus companheiros, mas somente aos sacerdotes. Também não lestes na Lei que, ao sábado, no templo, os sacerdotes violam o repouso sabático e ficam isentos de culpa? Eu vos digo que está aqui alguém que é maior que o templo. Se soubésseis o que significa: ‘Eu quero misericórdia e não sacrifício’, não condenaríeis os que não têm culpa. Porque o Filho do homem é Senhor do sábado».

Compreender a Palavra
A questão do Sábado é muito pertinente para os fariseus. Guardar o Sábado com todas as suas prescrições e exigências é uma escravatura, um peso que se coloca aos ombros dos judeus em geral. Por circunstâncias evidentes os discípulos passam entre as searas num dia de Sábado e colhem espigas para comer. A reclamação junto de Jesus faz-se ouvir. Jesus responde mostrando como há circunstâncias em que a lei é quebrada e salienta que ele é o senhor do Sábado. O importante não é a lei mas a misericórdia.

Meditar a Palavra
Quando aprendemos a cumprir a lei podemos terminar subjugados por ela se a não cumprimos com inteligência. Joseph Ratzinger diz que “O homem que se faz senhor da verdade e depois a põe de parte, quando não se deixa dominar, coloca o poder acima da verdade. O poder torna-se a sua norma. Mas precisamente assim ele perde-se a si mesmo”. Esta palavra aplica-se aqui precisamente porque, se ponho a lei acima da verdade, termino sendo um justiceiro que deixa de ver o outro para ver a infidelidade à lei. Deus, que nos deu preceitos e mandamentos não deixa de olhar para nós e de nos atender com misericórdia. Esta deve ser a minha atitude para com todos, mesmo para os que não cumprem a lei.

Rezar a Palavra
Senhor, as tuas leis e preceitos são para a minha salvação. Com a tua palavra pretendes elevar-me acima da pequenez da minha maneira de ver. Queres que eu me liberte da mesquinhez dos meus critérios sempre demasiado reduzidos que não deixam espaço para a vida, para o encontro, para a partilha, para a alegria, para o amor misericordioso. Dá-me a capacidade de ver mais além, até onde tu vez, para não ficar fechado nas leis e preceitos, mas chegar até ao coração do homem meu irmão a quem queres salvar.

Compromisso
Hoje vou atender os homens, meus irmãos, em primeiro lugar.

Quinta-feira da Semana XV do Tempo Comum

Êxodo 3, 13-20
Naqueles dias, Moisés ouviu do meio da sarça a voz do Senhor e disse-Lhe: «Vou procurar os filhos de Israel e dizer-lhes: ‘O Deus dos vossos pais enviou-me a vós’. Mas se me perguntarem qual é o seu nome, que hei de responder-lhes?» Disse Deus a Moisés: «Eu sou ‘Aquele que sou’». E prosseguiu: «Assim falarás aos filhos de Israel: ‘O que Se chama “Eu sou” enviou-me a vós’». Deus disse ainda a Moisés: «Assim falarás aos filhos de Israel: ‘O Senhor, Deus de vossos pais, Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob, enviou-me a vós. Este é o meu nome para sempre, assim Me invocareis de geração em geração’. Vai reunir os anciãos de Israel e diz-lhes: ‘O Senhor, o Deus dos vossos pais, Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob, apareceu-me e disse-me: “Eu vi claramente como vos tratam no Egipto e decidi libertar-vos da opressão do Egipto e levar-vos para a região dos cananeus, dos hititas, dos amorreus, dos ferezeus, dos hevitas e dos jebuseus, para uma terra onde corre leite e mel”. Eles escutarão o teu apelo e tu irás com os anciãos de Israel à presença do rei do Egipto e dir-lhe-ás: “O Senhor, Deus dos hebreus, apareceu-nos. Permite que façamos uma viagem de três dias através do deserto, para irmos oferecer um sacrifício ao Senhor nosso Deus”. Eu sei que o rei do Egipto não vos deixará partir senão à força. Mas Eu estenderei a minha mão e ferirei o Egipto com toda a espécie de prodígios que nele hei de realizar. Depois deixar-vos-á partir».

Compreender a Palavra
Moisés sabe que não pode ir falar ao povo sem lhes dizer quem o envia, sem lhes fazer perceber de onde vem a sua autoridade. “Quem te fez nosso chefe ou nosso juiz?”, foi a pergunta do hebreu a quem ele repreendeu por bater num companheiro. O povo, depois de quatrocentos anos já nem se lembra do Deus de seus pais Abraão, Isaac e Jacob. Moisés pergunta a Deus pelo seu nome e Deus diz “Eu sou ‘Aquele que sou’”, dirás aos filhos de Israel “’O que Se chama “Eu sou” enviou-me a vós’”. Deus tem um nome enigmático mas tem um nome que fará sair do Egito o seu povo porque ““Eu vi claramente como vos tratam no Egipto e decidi libertar-vos”, é um Deus que renova a promessa feita aos pais, vou “levar-vos … para uma terra onde corre leite e mel“ contra o poder do faraó que tudo fará para não deixar sair o povo.

Meditar a Palavra
A revelação do nome de Deus é por si só um acontecimento novo e importante. Este “Eu sou” é um Deus próximo do homem, preocupado e atento, amigo e libertador. É um Deus com coração de mãe e entranhas de misericórdia. O “Eu sou” fala pessoalmente com o homem, face a face, como fez com Moisés, como um amigo fala a outro amigo. Não é um Deus distante, juiz e castigador. Este Deus vê e escuta o grito dos oprimidos, a voz dos prisioneiros e clamor dos pobres. É um Deus que acompanha no sofrimento o seu povo e o liberta das mãos dos poderosos e dos opressores e oferece uma terra onde corre leite e mel.

Rezar a Palavra
Senhor, nosso Deus, só tu existes por ti mesmo e tens a nossa vida nas tuas mãos. Podias impor sobre nós o teu poder mas preferes usar para connosco de misericórdia. Conheces o nosso grito, escutas a nossa voz e vês a nossa miséria. O teu amor não deixa o teu coração indiferente à nossa desgraça por isso vens em nosso auxílio. Dá-nos a conhecer o teu plano libertador para podermos sair deste Egito em que nos fechamos com tanta facilidade, do faraó a quem hipotecamos tão facilmente a nossa vida.

Compromisso
Levanto as mãos para Deus deixando-me libertar das minhas cadeias.


Evangelho: Mt 11, 28-30
Naquele tempo, Jesus exclamou: «Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».

Compreender a Palavra
Jesus percebe que os homens assumem as responsabilidades da vida como fardos pesados que colocam sobre si próprios e simultaneamente vivem a tentação de atirar fardos para cima dos outros. São as questões pessoais, as responsabilidades familiares e sociais, o trabalho de cada dia e as dificuldades espirituais. Tudo é visto como um fardo que impede o homem de ser feliz. Perante essa análise, Jesus, convida os homens a estar com Ele, a procurá-lo e a encontrar nele o alívio, aprendendo a viver sem a ganância que tira a paz e inquieta o coração.

Meditar a Palavra
Sinto tantas vezes a urgência da paz interior. Escuto tantas pessoas a dizer que precisam de parar. A vida toma conta de mim e não deixa espaço para pensar. Tudo se avoluma diante de mim com o título de urgente. Preciso aprender com Jesus a ser humilde também no meu dia-a-dia. Não querer fazer tudo, não pensar que posso tudo, não pretender resolver todas as situações nem todos os problemas. Ser humilde e aceitar que vale a pena parar para estar com Jesus, para aprender com ele e para descansar nele.

Rezar a Palavra
Alivia, Senhor, esta minha vontade de querer salvar o mundo todo. Ensina-me a humildade de quem confia que tu fazes mais no silêncio do que eu com todo o meu roído e com toda a minha agitação. Mostra-me a paz que vem de ti e faz que a deseje como lugar de descanso e de alívio de todo o peso que faço recair sobre os meus ombros.

Compromisso
Vou fazer tudo para não sobrecarregar ninguém nem me tornar um peso para os outros.

Quarta-feira da Semana XV do Tempo Comum

Êxodo 3, 1-6.9-12
Naqueles dias, Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã. Ao levar o rebanho para além do deserto, chegou ao monte de Deus, Horeb. Apareceu-lhe então o Anjo do Senhor numa chama ardente, do meio de uma sarça. Moisés olhou para a sarça, que estava a arder, e viu que a sarça não se consumia. Então disse Moisés: «Vou aproximar-me, para ver tão assombroso espetáculo: por que motivo não se consome a sarça?» O Senhor viu que ele se aproximava para ver. Então Deus chamou-o do meio da sarça: «Moisés, Moisés!» Ele respondeu: «Aqui estou!» Continuou o Senhor: «Não te aproximes. Tira as sandálias dos pés, porque o lugar que pisas é terra sagrada». E acrescentou: «Eu sou o Deus de teu pai, Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob». Então Moisés cobriu o rosto, com receio de olhar para Deus. Disse-lhe o Senhor: «O clamor dos filhos de Israel chegou até Mim; vi também a violência com que os egípcios os oprimem. Agora põe-te a caminho, que Eu vou enviar-te ao faraó, para que tires do Egipto o meu povo, os filhos de Israel». Moisés disse a Deus: «Quem sou eu, para ir à presença do faraó e tirar do Egipto os filhos de Israel?». Deus respondeu-lhe: «Eu estarei contigo e este é o sinal de que fui Eu que te enviei: Quando tirares o povo do Egipto, adorareis a Deus neste monte».

Compreender a Palavra
Moisés guardava o rebanho e, naquele dia, saiu do deserto e subiu ao monte. Ali deparou-se com uma sarça que ardia sem se consumir. Diz o texto que era o anjo do Senhor. Da sarça ouviu-se uma voz quando Moisés se aproximou. Essa voz revelou que quem fala com Moisés é o Senhor Deus de seus pais. Impede-o de se aproximar e manda tirar as sandálias. Moisés cobre o rosto e aguarda. Quem é realmente este Senhor e o que pretende? Deus revela a Moisés a sua preocupação pelo povo que, oprimido no Egito fez chegar até ele o seu grito. Moisés não é senão um assassino fugitivo. Não pode voltar ao Egito. Mas Deus transmite-lhe a sua preocupação e Moisés acolhe a missão.

Meditar a Palavra
Moisés é um homem escondido no meio do deserto da sua vida, porque tinha assassinado um egípcio. O resto dos seus dias seriam passados ali a guardar o rebanho de seu sogro se, naquele dia, não se tivesse atrevido a ir além do deserto e não se arriscasse subindo ao monte. Saiu e subiu e encontrou-se com Deus pela curiosidade da sarça que ardia sem se consumir. Deus fala-lhe do seu povo que está oprimido mas isso não é suficiente. Que tenho eu a ver com o meu irmão que sofre? Que posso eu fazer se a sua condição me ultrapassa e eu sou demasiado limitado para o libertar da sua opressão? Enquanto Deus não lhe comunica a sua solicitude pelo povo Moisés não vai entender. Também nós não entenderemos enquanto o Senhor não colocar nos nossos corações os sentimentos que movem o seu coração pelo homem que sofre a nosso lado. O outro, caído a nosso lado, à nossa porta, bem perto dos nossos olhos é um desconhecido, um estranho, enquanto não o reconhecermos como um lugar onde Deus arde de amor como na sarça de Moisés. Quando acolhemos os sentimentos de Deus pelo homem ferido percebemos nele um lugar de Deus e queremos tocar na carne de Cristo magoado, ofendido, sofredor, abandonado.

Rezar a Palavra
Mostra-me, Senhor, o teu rosto no rosto dos meus irmãos caídos, magoados, feridos, cansados, oprimidos pelo peso da vida. Faz de mim um instrumento para a libertação, alívio e descanso dos meus irmãos abandonados.

Compromisso
Alguém hei de encontrar hoje a quem tenho que libertar sem encontrar desculpas.


Evangelho: Mt 11, 25-27
Naquele tempo, Jesus exclamou: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado. Tudo Me foi dado por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar».

Compreender a Palavra
Jesus, na sua oração, bendiz o Pai pela sua atitude para com os pequeninos. A atitude do Pai é reconhecida por Jesus como admirável aos seus olhos. Deus actua de modo distinto do esperado pelos homens e revela-se aos que menos esperam. A sua actuação é digna de louvor por valorizar e se dar a conhecer aos últimos, aos pequenos, aos que se prostram.

Meditar a Palavra
Espero tantas coisas de Deus. Espero mesmo muitas respostas que demoram e parecem nunca mais chegar. Esqueço que Deus não se revela aos que julgam conhecer os seus mistérios e dominar a sua vontade. Preciso tornar-me pequeno, simples, humilde, último, para poder ver a revelação de Deus. Vejo, agora, que é preciso cair, prostrar-me de rosto por terra para poder conhecer Deus no seu mistério. É quando me confundo com o pó que me reconheço obra das mãos de Deus. É quando me reconheço nada que o posso contemplar.

Rezar a Palavra
“Eu te bendigo”. Também o meu coração deseja bendizer-te e louvar-te por tudo quanto revelas do mistério que me salva. Também as minhas palavras anseiam brotar de um coração humilde, capaz de te reconhecer como Deus e Senhor do céu e da terra. Ensina-me, Senhor, a pequenez necessária para te conhecer e contemplar a tua revelação.

Compromisso
Deus vai revelar-se na minha vida de hoje. Serei suficientemente pequeno para o poder ver?

Terça-feira da Semana XV do Tempo Comum

Êxodo 2, 1-15a 
Naqueles dias, um homem da família de Levi tomou como esposa uma jovem da mesma tribo. A mulher concebeu e deu à luz um filho e, vendo como era belo, escondeu-o durante três meses. Como não podia mantê-lo oculto por mais tempo, arranjou uma cesta de papiro, calafetou-a com betume e pez, meteu nela o menino e colocou-a entre os juncos, à beira do rio, enquanto a irmã dele ficava a certa distância, para ver o que iria acontecer-lhe. Ora a filha do faraó desceu ao rio para se banhar, enquanto as suas donzelas passeavam ao longo da margem. Então ela avistou a cesta no meio dos juncos e mandou a uma serva que a fosse buscar. Abriu-a e viu a criança: era um menino a chorar. Teve pena dele e exclamou: «É um filho de hebreus». A irmã dele disse à filha do faraó: «Queres que eu vá procurar, entre as mulheres hebreias, uma ama para criar este menino?». «Vai!» – disse a filha do faraó. E a jovem foi chamar a mãe da criança. Disse-lhe a filha do faraó: «Leva este menino, a fim de o criares para mim, e eu própria te darei o teu salário». Então a mulher levou a criança e amamentou-a. Quando o menino cresceu, trouxe-o à filha do faraó, que o adoptou como filho e lhe deu o nome de Moisés, dizendo: «Salvei-o das águas». Certo dia, quando Moisés já era homem, foi ter com os seus irmãos e viu como eram duros os trabalhos a que os sujeitavam. Viu também um egípcio agredir um dos hebreus, seus irmãos. Olhou para todos os lados e, não vendo ninguém, matou o egípcio e escondeu-o na areia. Ao voltar no dia seguinte, estavam dois hebreus a lutar um contra o outro. Disse então ao agressor: «Porque bates no teu companheiro?». Mas ele respondeu-lhe: «Quem te fez nosso chefe ou nosso juiz? Pretendes matar-me como fizeste ao egípcio?». Moisés assustou-se, pensando consigo: «Certamente o facto é conhecido». O faraó ouviu falar do caso e procurava dar a morte a Moisés. Então Moisés fugiu para longe e foi refugiar-se na terra de Madiã.

Compreender a Palavra
Moisés, o profeta libertador do seu povo, vê-se envolvido em circunstâncias especiais desde a sua infância. A obrigatoriedade de matar todos os meninos, filhos de hebreus, à nascença, levou muitas mães a esconder os seus filhos mas nem todas tiveram a alegria de os ver crescer como aconteceu com a mãe de Moisés. Astuta, arquitetou um plano que salvou a vida do filho e o colocou no palácio do faraó. A mão de Deus vê-se a atuar entre os juncos onde um cesto frágil de papiro se torna a barca protetora do escolhido para salvar o povo da escravidão. Mas a vida de Moisés corre perigo quando, para proteger um membro do seu povo ele acaba por matar um egípcio. Este facto obriga-o a fugir e, por algum tempo, parece que o plano de Deus para salvar o seu povo, está em risco.

Meditar a Palavra
As circunstâncias da vida, muitas vezes adversas à vontade de Deus e à urgência dos homens, parecem pôr em causa todas as estratégias de um Deus libertador. Por momentos parece-nos acreditar que é possível, que os nossos planos dão certo e que Deus está do nosso lado. A vida, porém, dá muitas voltas e transforma a esperança em desilusão. Acreditar que é possível, que Deus está connosco, que nunca nos abandona, permanecer firmes na fé, é um exercício difícil de confiança. Nem todos conseguem sobreviver à desilusão. A confiança debilita-se quando não há relação, proximidade e quando surge dificuldades. Deus não abandona o seu povo e não esquece as suas promessas. A Jacob, o Senhor disse “Eu sou Deus, o Deus de teu pai. Não tenhas medo de descer ao Egipto, porque lá Eu farei de ti um grande povo. Eu próprio descerei contigo ao Egipto e Eu próprio te farei regressar” e Deus não se esquece.

Rezar a Palavra
Numa barca de papiro transportas a minha vida e nessa fragilidade me proteges porque são as tuas mãos que me sustêm e me salvam das águas impetuosas da vida. Dá-me, Senhor, a confiança para acreditar que em mim se cumprem todas as tuas promessas.

Compromisso
O Senhor protege-me para que liberte os meus irmãos. A eles dedicarei a minha vida.


Evangelho: Mt 11, 20-24
Naquele tempo, começou Jesus a censurar duramente as cidades em que se tinha realizado a maior parte dos seus milagres, por não se terem arrependido: «Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque se em Tiro e em Sidónia se tivessem realizado os milagres que em vós se realizaram, há muito teriam feito penitência, vestindo-se de cilício e cobrindo-se de cinza. Mas Eu vos digo que no dia do Juízo haverá mais tolerância para Tiro e Sidónia do que para vós. E tu, Cafarnaum, serás exaltada até ao céu? Até ao inferno é que descerás. Porque se em Sodoma se tivessem realizado os milagres que em ti se realizaram, ela teria permanecido até hoje. Mas Eu vos digo que no dia do Juízo haverá mais tolerância para a terra de Sodoma do que para ti».

Compreender a Palavra
Jesus dá-se conta da dureza do coração dos habitantes das cidades Corazim e Betsaida assim como Cafarnaúm e recorda-lhes que, se tivesse feito os mesmos milagres em cidades pagãs, os seus habitantes se teriam convertido. Recorda também que o mesmo teria acontecido em cidades como Sodoma que foram destruídas por causa dos seus pecados. Esses receberão mais clemência no dia do juízo.

Meditar a Palavra
Ao escutar Jesus a falar contra estas cidades recordo que estas palavras são, hoje, para mim. Jesus diz-me que realiza na minha vida maravilhas suficientes para eu me poder converter continuamente ao seu amor. Se eu não cuidar, passa a minha vida e eu não levo a sério o que Ele me diz e acabo por me perder. Há tantas pessoas que se tivessem as oportunidades que eu tenho, aproveitavam melhor os dons de Deus e viviam a fé com mais intensidade e com maior amor a Deus e aos homens. Tenho que repensar a minha relação com Deus e vencer o meu comodismo que me impede de seguir Jesus. Preciso de abrir o meu coração e acolher as palavras de Jesus.

Rezar a Palavra
Senhor, vieste salvar os homens e libertá-los dos seus pecados. Também a mim vieste salvar. Há tantos homens que não te conhecem e eu tive a oportunidade de te conhecer. Muitas pessoas me falaram de ti e eu próprio digo conhecer-te e acreditar em ti. Tu sabes que muitas vezes vivo como se não te conhecesse e decido a minha vida como se não acreditasse. Sou um cristão muito fraco, quando podia ser forte se me abrisse à tua presença e à tua acção na minha vida. Ajuda-me a converter o meu coração à tua palavra que me chama a superar as minhas limitações e a acreditar no teu amor.

Compromisso
Vou estar atento aos dons que Deus me concede hoje para me tornar melhor cristão.

Segunda-feira da Semana XV do Tempo Comum

Êxodo 1, 8-14.22
Naqueles dias, subiu ao trono do Egipto um novo rei, que não tinha conhecido José. Ele disse ao seu povo: «Vede como o povo de Israel se tornou maior e mais forte do que nós. Temos de tomar contra ele medidas prudentes, para que não aumente ainda mais. De contrário, em caso de guerra, juntar-se-ia aos nossos inimigos, combateria contra nós e acabaria por abandonar o país». Colocaram então o povo de Israel sob as ordens de capatazes, para o sujeitarem a trabalhos forçados, e foi assim que ele construiu para o faraó as cidades de armazenagem Pitom e Ramsés. Mas quanto mais o oprimiam, tanto mais o povo se multiplicava e crescia. Por isso os egípcios, temendo os filhos de Israel, sujeitaram-nos a duros trabalhos e fizeram-lhes a vida amarga com tarefas pesadas: preparação de barro e de tijolos, toda a espécie de serviços agrícolas, além das restantes tarefas a que os obrigavam duramente. E o faraó deu esta ordem ao seu povo: «Deitai ao rio todos os filhos que nascerem aos hebreus; mas deixai viver todas as filhas».

Compreender a Palavra
O livro de Génesis termina com a descida ao Egito. A consequência vem descrita no livro do Êxodo que hoje iniciamos. Em poucas palavras ficamos a par da situação dos descendentes de José. Passaram-se muitos anos, cerca de quatrocentos, o povo cresceu e tornou-se numeroso e o faraó já não tem memória de quem foi José e de quanto ele fez pelo seu país. Israel tornou-se uma preocupação para o faraó que toma medida repressivas, “sujeitaram-nos a duros trabalhos e fizeram-lhes a vida amarga” e “Deitai ao rio todos os filhos que nascerem aos hebreus”. Está apresentado o quadro onde Deus vai intervir em favor do seu povo.

Meditar a Palavra
Israel desceu ao Egito e acomodou-se por lá durante quatrocentos anos, aparentemente numa vida tranquila, a ponto de crescer e tornar-se numeroso. Ao fim deste tempo já não se lembra de Deus nem faz intenção de regressar à terra prometida a seus pais. A verdade é que o projeto de Deus para este povo não passa pelo comodismo nem pelo crescimento em terra estrangeira. Os acontecimentos dão início ao êxodo, saída, para a terra que lhes pertence, a terra da promessa. Deus vai ser o grande ator desta saída. Também nós, como Israel, nos acomodamos a situações de vida fácil e tranquila e deixamos de procurar os caminhos da promessa. A salvação vem de Deus e é para todos, mas o comodismo em que deitamos a vida impede-nos de ver o que Deus quer de nós. Por isso é necessário fazer tremer as plataformas do conforto para despertar e pôr em marcha os nossos pés, e abrir novos horizontes de esperança onde poderemos saborear a misericórdia e a bondade de Deus que ficou esquecido.

Rezar a Palavra
Desperta-nos Senhor dos nossos sonhos em terra estrangeira e faz-nos andar em direção ao cumprimento da promessa. Tu és o nosso destino e nada há de melhor para nós do que chegar a encontrar-te e a viver em ti, da tua misericórdia e do teu amor. Não permitas que fiquemos instalados para sempre em terra estrangeira esquecidos de ti e da tua promessa.

Compromisso
Quero caminhar ao encontro do Senhor.


Evangelho: Mt 10, 34 __ 11, 1
Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: «Não penseis que Eu vim trazer a paz à terra. Não vim trazer a paz, mas a espada. De facto, vim separar o filho de seu pai, a filha de sua mãe, a nora da sua sogra, de maneira que os inimigos do homem são os de sua casa. Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não é digno de Mim. Quem encontrar a sua vida há-de perdê-la; e quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la. Quem vos recebe, a Mim recebe ; e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou. Quem recebe um profeta por ele ser profeta, receberá a recompensa de profeta; e quem recebe um justo por ele ser justo, receberá a recompensa de justo. E se alguém der de beber, nem que seja um copo de água fresca, a um destes pequeninos, por ele ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa». Depois de ter dado estas instruções aos seus doze discípulos, Jesus partiu dali, para ir ensinar e pregar nas cidades daquela gente.

Compreender a Palavra
O texto está construído à volta da ideia do envio. Aqueles que Jesus chama também os envia com a missão de o anunciar. A vida não é fácil para eles, a começar pelas relações familiares que se rompem ou estabelecem a partir da missão. Com efeito, por causa do seguimento de Jesus, os laços de familiaridade são da ordem espiritual e não da ordem do sangue. Os inimigos, os que querem impedir o seguimento de Jesus são os da própria casa, por isso é necessário ser digno de Jesus. Quem não é capaz de romper com estes laços não está apto para o seguir. Outros laços se estabelecem e estão directamente ligados com a relação entre o discípulo, Cristo e o Pai. “Quem vos recebe, a Mim recebe; e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou”.

Meditar a Palavra
Ser discípulo de Jesus implica um duplo movimento, ser chamado e ser enviado. Ninguém é chamado para ficar inactivo, parasita, junto de Jesus. Se chama é para enviar e o envio é missão arriscada junto da família e daqueles a quem se é enviado. Nem todos vão aceitar a opção preferencial por Jesus nem o estilo de vida que isso implica, nem todos vão receber bem a mensagem e o mensageiro. Trata-se de arriscar a vida. “Quem encontrar a sua vida há-de perdê-la; e quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la”. Trata-se de aceitar a cruz como ela se apresenta em cada dia. A alegria do discípulo enviado não estará no sucesso junto daqueles a quem é enviado mas na comunhão que se estabelece com Cristo e com o Pai por participar da sua missão.

Rezar a Palavra
Senhor Jesus é difícil vencer os afectos humanos quando eles se opõem ao desafio que me lanças de te seguir para te anunciar. Os laços familiares são demasiado fortes e a vontade de transmitir alegria aos que amo demasiado comprometedora para deixar tudo por ti e romper com o desejo que criaram sobre mim. O teu projecto é sedutor mas fica sempre a nostalgia da casa paterna. Ensina-me a distinguir entre os afectos que me fortalecem na missão e aqueles que fazem perder a vida contigo para sempre. Que eu saiba fazer as opções certas nos momentos certos.

Compromisso
Quero acolher no coração aqueles que são enviados por Jesus.

Sexta-feira da Semana XIV do Tempo Comum

Génesis 46, 1-7.28-30
Naqueles dias, Israel pôs-se a caminho com todos os seus bens e chegou a Bersabé, onde ofereceu sacrifícios ao Deus de Isaac, seu pai. Disse-lhe Deus numa visão nocturna: «Jacob! Jacob!». Ele respondeu: «Aqui estou». Deus continuou: «Eu sou Deus, o Deus de teu pai. Não tenhas medo de descer ao Egipto, porque lá Eu farei de ti um grande povo. Eu próprio descerei contigo ao Egipto e Eu próprio te farei regressar. E será José que te há-de fechar os olhos». Jacob partiu de Bersabé. Os filhos de Israel colocaram seu pai Jacob, bem como seus próprios filhos e esposas, nos carros que o faraó enviara para os transportar. Levaram também consigo os rebanhos e tudo o que tinham adquirido na terra de Canaã. Seguiram então para o Egipto Jacob com todos os seus descendentes: seus filhos e netos, suas filhas e netas. Toda a sua descendência foi levada para o Egipto. Jacob enviou Judá à sua frente, ao encontro de José, para que este viesse ter com ele a Géssen. Quando eles chegaram àquela região, José mandou atrelar o seu carro e partiu para Géssen ao encontro de Israel, seu pai. Quando o viu diante de si, lançou-se-lhe ao pescoço e abraçou-o, chorando longamente. Israel disse a José: «Agora posso morrer, porque vi o teu rosto e tu ainda estás vivo».

Compreender a Palavra
O conteúdo deste pequeno texto ultrapassa os limites da cena e abre os nossos olhos para a história futura até à salvação plena realizada em Jesus. Jacob, agora chamado Israel, recebe a revelação de Deus na qual se renova a aliança com o compromisso de Deus “Eu próprio descerei contigo”. Descer ao Egito é entrar no exílio e Jacob leva consigo toda a sua família. Não é sem razão que o fazem nos carros do faraó porque será à frente destes carros que sairão mais tarde e serão salvos pelo Senhor que é mais forte que o faraó, “Eu próprio te farei regressar”. O encontro de José com o pai é como o que pródigo que regressa a casa só que este pródigo, como Jesus, saiu da casa do pai para terra estrangeira para salvar o seu povo. Por isso se diz de José o mesmo que o velho Simeão dirá de Jesus “Agora posso morrer, porque vi o teu rosto”.

Meditar a Palavra
Ir ao Egito e sair do Egito é o caminho de toda a humanidade. Os homens descem ao Egito na esperança de ali encontrar o que o seu coração deseja, o pão, a vida, a liberdade e a felicidade. Tudo ao contrário. É muitas vezes assim a escolha do homem. Procurando o melhor vê a sua vida desfazer-se em nada e experimenta a escravidão. Foi assim o povo de Israel, o filho pródigo e somos assim nós também. A promessa de Deus mantém-se e ele não se afasta de nós, não nos deixa abandonados ainda que isso nos pareça acontecer quando estamos desterrados fora de nós. Ele é o Deus poderoso, cujo braço é mais forte do que o faraó. As palavras do Senhor são para nós hoje “Eu próprio te farei regressar”.

Rezar a Palavra
Não é pelas minhas forças, Senhor, que os meus pés dão passos e as minhas mãos rompem as cadeias da escravidão. É pela força do teu braço e pelo poder da tua misericórdia. Quanto espero, Senhor, contemplar o dia da minha libertação, onde o faraó já não terá poder sobre mim, mas ficará para sempre submergido nas águas desse batismo que acontece já em mim mas de que ainda não experimentei a plenitude.

Compromisso
Não terei medo de avançar pelos caminhos desconhecidos da vida porque o Senhor vai comigo.

Evangelho: Mt 10, 16-23
Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: «Envio-vos como ovelhas para o meio de lobos. Portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas. Tende cuidado com os homens: hão-de entregar-vos aos tribunais e açoitar-vos nas sinagogas. Por minha causa, sereis levados à presença de governadores e reis, para dar testemunho diante deles e das nações. Quando vos entregarem, não vos preocupeis em saber como falar nem com o que dizer, porque nessa altura vos será sugerido o que deveis dizer; porque não sereis vós a falar, mas é o Espírito do vosso Pai que falará em vós. O irmão entregará à morte o irmão e o pai entregará o filho. Os filhos hão-de erguer-se contra os pais e causar-lhes a morte. E sereis odiados por todos por causa do meu nome. Mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo. Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra. Em verdade vos digo: não acabareis de percorrer as cidades de Israel, antes de vir o Filho do homem».

Compreender a Palavra
Jesus dá a conhecer aos discípulos os perigos que perseguirão os seus discípulos. Anunciar o Evangelho, colocar-se ao serviço de Jesus, ser mensageiro da salvação não é tarefa fácil nem se trata de uma vida cómoda e instalada. O discípulo corre perigos e enfrentará dificuldades provocadas pelos homens até no seio da família por causa de Jesus, por causa do seu nome. Desta forma darão testemunho com a própria vida se necessário, mas não devem preocupar-se, assiste-os o Espírito do Pai. A recompensa será a salvação para todos os que perseverarem.

Meditar a Palavra
A palavra de hoje pede-me essencialmente que não me preocupe. Não é tarefa fácil, esta. Ser discípulo de Jesus traz consigo toda a espécie de dificuldades, perseguições, mais entendidos, julgamentos e condenações. Não estar preocupado perante a adversidade que se abate contra mim não é bem a minha maneira de reagir. Ficar sereno e tranquilo como se nada estivesse a acontecer, não costuma ser a minha forma de estar na vida. Bem sei que é o Espírito quem inspira a minha defesa. Mas não se trata de me defender mas de não me preocupar. Por outro lado Jesus diz-me que tudo é por causa dele, por causa do seu nome. A minha atenção volta-se para estas afirmações e faz-me perguntar: Tenho eu capacidade para aguentar todas as adversidades que o mundo me inflige por causa de Jesus? Não será necessário um grande amor a Jesus para assumir em mim um sofrimento que não tem a ver comigo, mas com Ele? Amo eu, Jesus ao ponto de ser capaz de aceitar o sofrimento que me vem de ser seu discípulo? Hoje mesmo hei-de dar uma resposta.

Rezar a palavra
Sinto-me como ovelha no meio de lobos, Senhor. Na minha própria vida, pelas minhas incapacidades, pelas dificuldades de me assumir, de renunciar, de avançar e de viver por causa de ti, por causa do teu nome, sinto-me como ovelha no meios dos meus lobos interiores. Tu sabes, tu conheces os meus lobos, os meus impedimentos, as minhas próprias acusações e condenações. Tu conheces as partes de mim que não te aceitam e me atacam a mim por causa de ti. Tu escutas como eu as condenações à morte que gritam dentro de mim. “Crucifica-o! Crucifica-o!”. Só tu me conheces. Fala, Senhor, em mim, pelo teu Espírito, para que persevere até ao fim.

Compromisso
Vou recolher-me em oração para me fortalecer e poder vencer os meus lobos.

 

Quinta-feira da Semana XIV do Tempo Comum

Génesis 44, 18-21.23b-29; 45, 1-5 
Naqueles dias, Judá aproximou-se de José e disse-lhe: «Meu senhor, peço-te que deixes este teu servo falar diante de ti, sem que a tua cólera se inflame contra mim, pois tu és como o próprio faraó. Fizeste, meu senhor, esta pergunta aos teus servos: ‘Tendes pai e mais algum irmão?’ E nós, meu senhor, respondemos-te: ‘Temos um pai já idoso e um irmão pequeno, que lhe nasceu na velhice. O irmão deste morreu; e ele ficou a ser o único filho de sua mãe. O nosso pai gosta muito dele’. Mas tu disseste a estes teus servos: ‘Trazei-mo aqui, para eu o ver com os meus olhos. Se o vosso irmão mais novo não vier convosco, não podeis voltar à minha presença’. Quando voltámos para junto do nosso pai, teu servo, referimos-lhe as tuas palavras, meu senhor. E quando o nosso pai nos disse: ‘Voltai para nos comprardes alguns mantimentos’, nós tivemos de lhe responder: ‘Não podemos ir. Só iremos, se o nosso irmão mais novo for connosco, porque não podemos voltar à presença desse homem, sem o levarmos em nossa companhia’. Então o nosso pai, teu servo, disse: ‘Bem sabeis que minha esposa me deu dois filhos. Um deles deixou-me e eu disse comigo: Certamente foi devorado pelas feras. E não tornei a vê-lo até hoje. Se levardes também este para longe de mim e lhe acontecer alguma desgraça, fareis que os meus cabelos brancos desçam tristemente à morada dos mortos’». Então José não se pôde conter diante dos que o rodeavam e bradou: «Fazei sair toda a gente da minha presença». E ninguém ficou junto de José, quando ele se deu a conhecer aos seus irmãos. Chorou em tão altos brados que os egípcios o ouviram e a notícia chegou à casa do faraó. «Eu sou José. – disse ele aos seus irmãos – Vive ainda meu pai?». Os irmãos não puderam responder-lhe, porque ficaram perturbados diante dele. Então José disse aos seus irmãos: «Aproximai-vos de mim». E eles aproximaram-se. José continuou: «Eu sou José, o vosso irmão que vendestes para o Egipto. Mas agora não vos aflijais, nem vos censureis por me terdes vendido para aqui, porque foi para salvar as vossas vidas que Deus me enviou adiante de vós».

Compreender a Palavra
Os irmãos de José ficam perplexos ao receber a confissão de José que se revela como o irmão que eles venderam para o Egito. José emociona-se ao saber que o pai está vivo. O perdão toma o seu devido lugar no contexto da família que se reúne à volta do pai. Neste contexto a história, mesmo nos seus quadros mais negros encontra um sentido novo, é lida à luz da vontade de Deus que quer salvar o homem pecador, “foi para salvar as vossas vidas que Deus me enviou adiante de vós”. Desapareceu o pecado e ficou a vontade salvífica de Deus.

Meditar a Palavra
Nas nossas vidas há circunstâncias que ninguém consegue explicar. O pecado de cada um torna-se sofrimento para muitos assim como o pecado de muitos se torna sofrimento para um. À primeira vista existe apenas o pecador ou os pecadores e o pecado que provoca o sofrimento. Com o tempo surge a necessidade e a possibilidade do reencontro e da reabilitação do pecador. No momento do reencontro percebe-se que nessa história triste e dolorosa está presente um outro protagonista, Deus. Ele, que nunca se afasta do homem pecador e tudo faz para trazer o coração dos filhos ao coração do pai, serve-se da história de cada um para nela construir uma história, nem sempre fácil de ver, na qual ele salva todos os envolvidos num gesto de perdão.

Rezar a Palavra
O perdão, Senhor, reconstrói as vidas. Vivemos tanto tempo à espera que o outro dê um passo para a reconciliação que acabamos por nos habituar à distância, ao afastamento. Habituamo-nos a viver sem o outro, separados pela ofensa. Tu, Senhor, não te conformas com as divisões, as discórdias e a rejeição. Tu és o Deus do amor e do perdão. Estás sempre pronto para perdoar, tu és a misericórdia em ação. Por isso escreves uma história por entre os nossos passos, as nossas decisões e as nossas teimosias. Preparas de muitas maneiras o nosso coração para o perdão. Ensina-me a ler essa história que estás a fazer comigo.

Compromisso
Que relações tenho cortadas na minha vida à espera do perdão para se reabilitarem?


Evangelho: Mt 10, 7-15
Naquele tempo, disse Jesus aos seus Apóstolos: «Ide e proclamai que está próximo o reino dos Céus. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça; dai de graça. Não adquirais ouro, prata ou cobre, para guardardes nas vossas bolsas; nem alforge para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem cajado; porque o trabalhador merece o seu sustento. Quando entrardes em alguma cidade ou aldeia, procurai saber de alguém que seja digno e ficai em sua casa até partirdes daquele lugar. Ao entrardes na casa, saudai-a, e se for digna, desça a vossa paz sobre ela; mas se não for digna, volte para vós a vossa paz. Se alguém não vos receber nem ouvir as vossas palavras, saí dessa casa ou dessa cidade e sacudi o pó dos vossos pés. Em verdade vos digo que haverá mais tolerância, no dia do Juízo, para a terra de Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade».

Compreender a Palavra
Jesus dá indicações aos doze sobre o que diz respeito à missão que lhes confiou. Desde logo percebemos que a sua missão é a de “proclamar o reino dos Céus, curar os doentes, ressuscitar os mortos, curar os leprosos e expulsar os demónios”. Mas as indicações de Jesus vão mais além. Os doze têm que renunciar a tudo e não desejar acumular para si nem ouro nem prata. A sua missão passa pela disponibilidade interior e pela sobriedade exterior. A preocupação de não ficar numa casa qualquer mas em casa de alguém que seja digno. O acolhimento e a paz andam juntos. Aquele que acolher um dos doze receberá a paz e quem os rejeitar não receberá a paz. Receber os apóstolos é sinal de bênção e rejeitá-los é sinal de maldição.

Meditar a Palavra
Receber de graça e dar de graça é um apelo de Jesus. Reconhecer que tudo o que sou o devo ao Senhor que me cumulou de bênçãos é uma atitude de quem se sente agradecido. Sou convidado a fazer este exercício da gratuidade de Deus para comigo. Só assim, poderei entender que tudo o que o Senhor me deu não se destina exclusivamente a mim, mas é para repartir por todos. A capacidade de me abrir ao outro generosamente será também princípio para que o outro se abra a mim e me acolha na sua casa. Este jogo de relações pessoais, mesmo vividas no Senhor, provoca receio, medo, insegurança. Nem todos são capazes de abrir o coração, àquele que vem em nome do Senhor. A paz vem desta abertura de coração. Também eu tenho receio perante a generosidade do Senhor para comigo, expressa na bondade dos que me recebem?

Rezar a Palavra
Senhor que a tua paz caia sobre aqueles que sabem acolher os que vêm em teu nome para anunciar o reino e curar todos os que passam pela experiência da enfermidade. Que todos sejamos homens e mulheres de coração aberto para não ficarmos paralisados diante dos irmãos que necessitam de gestos corajosos de libertação. Faz-nos grandes no amor e generosos na caridade.

Compromisso
Hoje vou manifestar a minha gratidão àqueles que me anunciam a Palavra do Reino.

Quarta-feira da Semana XIV do Tempo Comum

Génesis 41, 55-57; 42, 5-7a.17-24a 
Naqueles dias, toda a terra do Egipto começou a sentir fome e o povo pediu pão ao faraó em altos brados. Então o faraó disse a todos os egípcios: «Ide a José e fazei o que ele vos disser». Como a fome se estendia a todo o país, José mandou abrir os celeiros e começou a vender trigo aos egípcios. Embora a fome se agravasse na terra do Egipto, de todos os países vinham ao Egipto comprar trigo a José, pois a fome alastrava por toda a terra. Então os filhos de Jacob chegaram para comprar trigo, no meio dos outros forasteiros, porque a fome assolava a terra de Canaã. José tinha nas mãos o governo do país; era ele quem vendia o trigo a toda a população. Os irmãos de José chegaram e prostraram-se diante dele com o rosto em terra. Ao ver os irmãos, José reconheceu-os, mas, fingindo que lhes era estranho, falou-lhes duramente e mandou-os meter na prisão durante três dias. No terceiro dia, disse-lhes José: «Fazei o que vou dizer-vos, para salvar a vida, porque eu sou temente a Deus. Se estais de boa fé, fique um dos vossos irmãos aqui preso e vós ide levar trigo, para matar a fome às vossas famílias. Depois trazei-me o vosso irmão mais novo; assim confirmareis as vossas palavras e não morrereis». Eles assim fizeram. Então começaram a dizer uns para os outros: «Estamos a pagar o que fizemos ao nosso irmão José. Vimos a sua angústia, quando nos implorava piedade, e não quisemos escutá-lo. Por isso caiu sobre nós esta desgraça». Rúben respondeu-lhes: «Eu não vos dizia que não fizésseis mal ao menino? Mas vós não quisestes escutar-me e agora pedem-nos contas do seu sangue». Eles não sabiam que José os compreendia, porque entre José e os irmãos estava o intérprete. José afastou-se deles e chorou; depois voltou para junto deles e falou-lhes.

Compreender a Palavra
José é o irmão mais novo dos onze filhos de Jacob. A inveja dos irmãos levou-os a vendê-lo como escravo para o Egito. Os desígnios de Deus fizeram com que ele subisse na hierarquia egípcia e se tornasse um homem poderoso. Quando vem a fome sobre Israel os irmãos têm que descer ao Egito para comprar trigo e é aí que eles se reencontram com o irmão. José, que os reconhece, faz com que passem um mau momento. Sem reconhecerem irmão naquele administrador que lhes está a dificultar a vida, eles percebem que aquela provação é um castigo “estamos a pagar o que fizemos ao nosso irmão José”. Este momento é crucial para tudo o que a história da salvação tem para mostrar daqui em diante.

Meditar a Palavra
“Onde está o teu irmão?”. Esta pergunta de Deus a Caim aplica-se também aqui nesta cena. O mal feito ao irmão mais novo, José, persegue os dez irmãos que, juntos, atentaram com a sua vida acabando por vendê-lo como escravo. Aquela decisão não se apagou das suas consciências fazendo-os viver em sobressalto permanente. Por isso é que a exigência de José os incomoda e os faz recordar do mal que lhe fizeram ”Trazei-me o vosso irmão mais novo”. Como poderiam satisfazer aquele pedido se o tinham vendido? Esta situação repete-se muitas vezes nas nossas vidas. Não podemos dizer-nos inocentes do sangue dos nossos irmãos que sofrem, que são transformados em escravos, que são traficados nas redes de mundiais, como se não tivéssemos nada a ver com o assunto. Por cada irmão que morre na travessia do Mediterrâneo, por cada criança ou adulto, mulher ou homem que é escravizado no mundo a pergunta levanta-se sobre nós “onde está o teu irmão?” e a exigência de Deus também se renova “trazei-me o vosso irmão mais novo”. Este problema social não se resolve apenas com lágrimas.

Rezar a Palavra
Senhor, hoje quero pedir-te por todos os homens que são privados da sua liberdade, da dignidade que lhes pertence pelo facto de serem pessoas e da alegria de se saberem amados como irmãos. São muitos os que, perto ou longe de nós, se sentem escorraçados e impedidos de viver com o mínimo de dignidade e respeito. Que nas nossas pequenas atitudes de cada dia saibamos manifestar os sentimentos fraternos de quem reconhece os outros como irmãos.

Compromisso
O outro homem é meu irmão, mesmo que não seja da minha raça, da minha religião, da minha posição social, ou das minhas relações familiares.


Evangelho: Mt 10, 1-7
Naquele tempo, Jesus chamou a Si os seus Doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos impuros e de curar todas as doenças e enfermidades. São estes os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem O entregou. Jesus enviou estes Doze, dando-lhes as seguintes instruções: «Não sigais o caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos. Ide primeiramente às ovelhas perdidas da casa de Israel. Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus».

Compreender a Palavra
Na sequência das multidões que se configuravam “sem pastor”, Jesus chama os Doze e dá-lhes o mesmo poder que Ele tem e envia-os com a mesma missão de anunciar o reino dos Céus. A indicação do nome de cada um dos doze significa que, tanto o chamamento como a missão é pessoal e atribuída directamente pelo Senhor. O envio tem duas indicações negativas e duas positivas. “Não sigais… nem entreis” e “Ide primeiro… proclamai”. Estas indicações são muito importantes para o discípulo.

Meditar a Palavra
Jesus chama para enviar. É assim que faz com os doze e do mesmo modo faz comigo e com todos. O seu chamamento acontece num momento mas não se realiza totalmente nesse momento. O seu chamamento realiza-se ao longo de toda a vida. Pela minha incapacidade de responder sempre, com a mesma determinação, Ele tem que o renovar continuamente. O seu poder manifesta-se em mim desde o meu baptismo e a sua missão decorre daí. Preciso recordar na minha vida as instruções que Ele me dá para não me perder no caminho dos gentios nem nas cidades dos Samaritanos.

Rezar a Palavra
Oiço a tua voz e confio em ti, Senhor. A tua voz é para mim missão. Quero continuar com as minhas mãos, os meus pés, a minha boca, os meus olhos e os meus ouvidos, a realizar a missão que tu realizaste em favor dos homens, prisioneiros do mal. Quero ser voz do teu anúncio que é Boa Nova para os homens. Quero ser poder de Deus para que todos encontrem força e esperança no teu nome.

Compromisso
Quero responder ao desafio de Jesus “Ide… proclamai”.

S. Bento, Abade e Padroeiro da Europa

Provérbios 2, 1-9
Meu filho, se aceitares as minhas palavras e guardares os meus preceitos, dando ouvidos à sabedoria e inclinando o coração para a verdade; se invocares a inteligência e chamares a prudência; se a procurares como a prata e a buscares como um tesouro, então compreenderás o temor do Senhor e alcançarás o conhecimento de Deus. Porque é o Senhor que dá a sabedoria, da sua boca procedem o saber e a prudência. Ele reserva aos homens retos a sua proteção, é um escudo para os que vivem honestamente. Ele protege os caminhos da justiça, guarda os passos dos seus fiéis. Então compreenderás a justiça e o direito, a retidão e todos os caminhos da felicidade.

Compreender a Palavra
Celebramos a Festa de São Bento
O livro dos Provérbios é, como o nome indica, um livro de ditos transmitidos pelo povo oralmente, conhecidos de todos, onde encontramos a sabedoria adquirida ao longo de séculos e se percebe a sabedoria de Deus que atua no homem que procura a verdade. O trecho que temos como meditação fala de uma atitude diante da vida. Podemos procurar a satisfação pessoal, viver a preocupação pelas riquezas ou procurar a verdade, a justiça e o bem. Aquele que quer conhecer a justiça, a retidão e o caminho da felicidade, esse tem um percurso muito claro que começa por dar ouvidos à sabedoria, inclinar o coração para a verdade. A sabedoria, o conhecimento, a felicidade são também um dom de Deus por isso é importante “invocar”, “chamar”, “procurar” como quem deseja encontrar um tesouro. Chega lá aquele que vive a prudência e atua com inteligência. Este caminho é feito na confiança de que Deus protege e guarda os passos ao longo do caminho.

Meditar a Palavra
A meditação desta palavra coloca diante de nós questões muito interessantes, todas à volta da nossa atitude diante da vida e do que compõe a nossa ação e preocupação diária. Vivemos ao acaso deixando que os dias se sucedam uns aos outros sem tomarmos nas mãos o decurso dos acontecimentos e o conteúdo da vida? Palavras como “dar ouvidos, inclinar o coração e invocar” têm eco em nós em que sentido? Que escuto eu? Para onde inclino o meu coração? A quem invoco do mais fundo de mim mesmo? “Onde estiver o teu tesouro aí estará o teu coração” diz Jesus. Onde está então o meu tesouro? Que tesouro construo com as minhas buscas? Finalmente, confio que Deus protege e guarda os meus passos ao longo do caminho da vida?

Rezar a Palavra
Tu, Senhor, guardas os meus passos. Tu velas sobre a minha vida. Colocas no meu coração o sopro do teu amor e na minha boca o alento para procurar a verdade. Tu és o centro de tudo quanto deseja o meu coração, por isso, quando busco a verdade, a justiça, a retidão, é a ti que eu busco. Ensina-me os teus caminhos e conduz-me pelas tuas veredas.

Compromisso
A minha busca pela verdade passa pelo silêncio do meu coração que escuta a voz de Deus.


Evangelho: Mt 19, 27-29
Naquele tempo, disse Pedro a Jesus: «Nós deixámos tudo para Te seguir. Que recompensa teremos?». Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: No mundo renovado, quando o Filho do homem vier sentar-Se no seu trono de glória, também vós que Me seguistes vos sentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou terras, por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna».

Compreender a Palavra
Na sequência do encontro de Jesus com o jovem rico, depois do jovem se retirar e de Jesus referir a dificuldade dos ricos entrarem no Reino do Céu, Pedro apresenta a atitude dos doze em seguir Jesus e questiona sobre a recompensa que lhes cabe por tal decisão. Na resposta, Jesus deixa antever o que acontecerá no futuro. Um novo povo, fiel, vencerá Israel, o povo que não aceitou o Reino. Os seus chefes, os doze, sentar-se-ão no trono a julgar e receberão os despojos em recompensa pela fidelidade no seguimento.

Meditar a Palavra
Sinto-me apreensivo perante a possibilidade que me é dada de participar no destino de Jesus e na sua vitória. Sei que o seu destino, a cruz, exige grandeza de alma para suportar a dor da perda, da renúncia. Sei que é necessário grande discernimento para rejeitar o que me impede de seguir Jesus até às últimas consequências. Sei também que está ao meu alcance, pela graça que me foi dada, o poder participar da glória. Mas deixarei escapar a oportunidade por um não?

Rezar a Palavra
Senhor, quero seguir-te. Quero deixar tudo para seguir contigo e experimentar o teu destino. Quero viver a experiência do desprendimento na certeza de que em ti encontrarei tudo quanto o meu coração deseja e sei que não ficarei defraudado.

Compromisso
Vou participar com Jesus na renovação do pequeno mundo em que sou chamado a viver hoje.

Segunda-feira da Semana XIV do Tempo Comum

Génesis 28, 10-22a 
Naqueles dias, Jacob saiu de Bersabé e tomou o caminho de Harã. Chegando a certo lugar quando o sol já se tinha posto, resolveu passar ali a noite. Tomou uma das pedras do local, colocou-a debaixo da cabeça e deitou-se ali mesmo. Teve então um sonho: Uma escada estava assente na terra e a parte superior tocava o céu; por ela subiam e desciam Anjos de Deus. No cimo da escada estava o Senhor, que lhe disse: «Eu sou o Senhor, Deus de Abraão teu pai e Deus de Isaac. Dar-te-ei, a ti e à tua descendência, a terra em que te encontras. A tua descendência será tão numerosa como o pó da terra. Estender-te-ás para o ocidente e para o oriente, para o norte e para o sul, e, por ti e pela tua descendência, serão abençoadas todas as famílias da terra. Eu estou contigo: proteger-te-ei para onde quer que vás e reconduzir-te-ei a esta terra. Não te abandonarei, enquanto não tiver realizado tudo o que te prometi». Quando Jacob despertou do sono, disse: «Realmente o Senhor está neste lugar e eu não o sabia». Ele teve medo e disse: «Como é terrível este lugar! É nada menos que a casa de Deus e a porta do Céu». Jacob levantou-se de manhã cedo, tomou a pedra que lhe servira de travesseiro, ergueu-a como estela e derramou óleo por cima. A este lugar deu o nome de Betel, mas antes a cidade chamava-se Luza. Jacob fez então este voto: «Se Deus estiver comigo e me guardar nesta viagem que faço, se me der pão para comer e roupa para vestir e eu voltar são e salvo à casa paterna, então o Senhor será o meu Deus e esta pedra que eu ergui como estela será uma casa de Deus».

Compreender a Palavra
A promessa feita a Abraão renova-se em Jacob. A descrição é interessante e a forma de Deus se revelar a Jacob é muito comum no antigo testamento. Deus fala em sonhos e faz perceber a Jacob o lugar que ele ocupa na história da salvação. Ele transporta o sonho de Deus para o seu povo, ele é o garante da realização da aliança feita aos seus pais, ele pode ser a razão pela qual todas as famílias da terra serão abençoadas. Tudo começou quando ele roubou o lugar do irmão recebendo a bênção do pai, apesar disso Deus não o abandona, mas vai ser muito exigente com ele. Jacob compreende que está na casa de Deus, que o Senhor está naquele lugar e dá-lhe o nome de Betel.

Meditar a Palavra
Cada um de nós tem um lugar e um papel a realizar na história de salvação que Deus pensou para a humanidade. Podemos aceitar ou rejeitar esse papel, podemos assumir atitudes erradas na vida mas Deus não nos dispensa dessa responsabilidade. Ao longo da vida, Deus vai-se encontrando connosco em muitos momentos e lugares, ele vem habitar no meio de nós, vem abrir a porta do céu e estabelecer entre nós a sua morada. Saberemos compreender o que Deus espera de nós? Saberemos fazer da nossa vida essa morada de Deus de modo a sermos lugar de bênção para todas as famílias da terra?

Rezar a Palavra
Tu, Senhor preenches as nossas vidas com a tua presença e fazes de nós lugar de realização da tua promessa, do teu sonho de salvação para toda a humanidade. Somos transportadores da luz que és tu, lugar da tua presença e morada onde habitas para sempre. A tua presença apesar de silenciosa é eficaz. Faz de nós uma bênção para todos os homens.

Compromisso
Quero assumir o meu papel de colaborador de Deus na salvação da humanidade.


Evangelho: Mt 9, 18-26
Naquele tempo, estava Jesus a falar aos seus discípulos, quando um chefe se aproximou e se prostrou diante d’Ele, dizendo: «A minha filha acaba de falecer. Mas vem impor a mão sobre ela e viverá». Jesus levantou-Se e acompanhou-o com os discípulos. Entretanto, uma mulher que sofria um fluxo de sangue havia doze anos, aproximou-se por detrás d’Ele e tocou-Lhe na fímbria do manto, pensando consigo: «Se eu ao menos Lhe tocar no manto, ficarei curada». Mas Jesus voltou-Se e, ao vê-la, disse-lhe: «Tem confiança, minha filha. A tua fé te salvou». E a partir daquele momento a mulher ficou curada. Ao chegar a casa do chefe e ao ver os tocadores de flauta e a multidão em grande alvoroço, Jesus disse-lhes: «Retirai-vos, porque a menina não morreu; está a dormir». Riram-se d’Ele. Mas quando mandou sair a multidão, Jesus entrou, tomou a menina pela mão e ela levantou-se. E a notícia divulgou-se por toda aquela terra.

Compreender a Palavra
No centro do texto que meditamos hoje está a afirmação da mulher “ficarei curada”. O texto mostra-nos duas cenas que se interligam uma na outra. Um homem suplica a Jesus pela filha que está morta mas ele acredita que Jesus com a sua mão a pode fazer viver de novo “ela viverá”. Jesus vai a casa deste homem. A mulher faz um pedido no silêncio do seu coração. O pedido é o de tocar Jesus com a sua mão: “Se eu ao menos lhe puder tocar no manto”. A mulher acredita que ficará curada: “ficarei curada”. O seu pedido também é atendido e ao tocar em Jesus obriga-o a parar. Interrompe a caminhada de Jesus para receber a confirmação: “A tua fé te salvou”. Depois, perante a incredulidade da multidão, Jesus confirma o primeiro pedido, tocando na menina com a sua mão e levantando-a do “sono”.

Meditar a Palavra
Tocar o outro é muito importante. Como é também importante deixar-se tocar. Às vezes parecemos intocáveis e muitas vezes não sabemos tocar. O toque de que nos fala o texto é um toque que enriquece aquele que toca e o que é tocado: “vem impor a mão”, “se eu lhe tocar”, “tocou-lhe”, “tomou-a pela mão”. Estas afirmações mostram o poder do tocar o outro e ser tocado pelo outro com a mão. Tantas vezes toco e sou tocado para destruir, para magoar, para ferir e degradar. Preciso aprender com Jesus a tocar o outro para lhe dar vida e a deixar-me tocar comunicando força e alegria.

Rezar a Palavra
Vem impor-me as mãos para que viva, Senhor. Com as tuas mãos toca-me para que me levante do sono da minha indiferença. Ensina-me a tocar com as minhas mãos para que haja vida à minha volta. Ensina-me a deixar-me tocar pelos que sentem que a vida se lhes vai sem sentido, sem razão, sem esperança. Mostra-me o poder das minhas mãos e ensina-me a usá-lo para a salvação de todos.

Compromisso
Vou identificar aqueles que à minha volta precisam que lhes toque no coração com as minhas mãos para que tenham a vida.