Sexta-feira da Semana II do Tempo Pascal

Atos dos Apóstolos 5, 34-42
Naqueles dias, ergueu-se, então, um homem no Sinédrio, um fariseu chamado Gamaliel, doutor da Lei, respeitado por todo o povo. Mandou sair os acusados por alguns momentos e, tomando a palavra, disse: «Homens de Israel, tende cuidado com o que ides fazer a esses homens! Nos últimos tempos, apareceu Teudas, que se dizia alguém e ao qual seguiram cerca de quatrocentos homens. Ele foi liquidado e todos os seus partidários foram destroçados e reduzidos a nada. Depois dele, apareceu também Judas, o galileu, nos dias do recenseamento, e arrastou o povo atrás dele. Morreu, igualmente, e todos os seus adeptos foram dispersos. E, agora, digo-vos: não vos metais com esses homens, deixai-os. Se o seu empreendimento é dos homens, esta obra acabará por si própria; mas, se vem de Deus, não conseguireis destruí-los, sem correrdes o risco de entrardes em guerra contra Deus.» Concordaram, então, com as suas palavras. Trouxeram novamente os Apóstolos e, depois de os mandarem açoitar, proibiram-lhes de falar no nome de Jesus e libertaram-nos. Quanto a eles, saíram da sala do Sinédrio cheios de alegria, por terem sido considerados dignos de sofrer vexames por causa do Nome de Jesus. E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar e de anunciar a Boa-Nova de Jesus, o Messias.

Compreender a Palavra
Lutar contra Deus é inútil e as situações em que Deus se manifesta são perfeitamente desconhecidas dos homens, mesmo das autoridades. O Sinédrio está reunido para condenar os apóstolos que, por diversas vezes, desobedeceram à ordem de não voltar a falar de Jesus ao povo. O momento é dramático e a condenação pode estar iminente. Neste contexto levanta-se um homem sensato, Gamaliel, que recorda várias outros movimentos messiânicos que tentaram arrastar o povo, conseguiram alguns adeptos, mas acabaram por morrer. Gamaliel quer evidenciar que a violência contra os apóstolos é desnecessária porque se a sua missão é humana vai terminar como as outras mas pode ser de Deus e não vale a pena arriscar. Depois de uma correção com chicotadas os apóstolos são libertados e comunicam a alegria de terem sofrido por causa de Jesus.

Meditar a Palavra
Os apóstolos mantêm-se firmes na decisão de anunciar o nome de Jesus. Para isso estão dispostos a passar por toda a espécie de vexames e maus tratos. A verdade da ressurreição da qual são testemunhas, é mais forte do que a perseguição e impõem-se sobre eles. Deixar de falar de Jesus está fora de hipótese ainda que o risco seja a morte. A firmeza deles impressiona as autoridades e vai conquistando admiradores. Gamaliel, é um destes homens do Sinédrio que se deixaram impressionar pelo testemunho dos apóstolos. A sua admiração leva-o a procurar o argumento que os pode salvar da morte. O texto deixa-nos duas lições: por um lado a necessidade de discernir nas situações da vida sobre o que vem de Deus e devemos acolher e o que vem dos homens e podemos rejeitar. Por outro lado o amor a Jesus no serviço aos irmãos anunciando a palavra do evangelho mesmo que isso traga os dissabores da perseguição.

Rezar a Palavra
Conde-me, Senhor, o dom do discernimento para saber distinguir o que vem de ti e o que é vontade minha. Mostra-me a verdade para a distinguir da dissimulação. Ensina-me o caminho da vida, mesmo que contemple o sofrimento, para que experimente a alegria da tua salvação.

Compromisso
Querem estar atento às manifestações de Deus para acolher a voz de Deus que fala no coração da vida.


Evangelho: Jo 6, 1-15
Naquele tempo, Jesus partiu para o outro lado do mar da Galileia, também chamado de Tiberíades. Seguia-O numerosa multidão, por ver os milagres que Ele realizava nos doentes. Jesus subiu a um monte e sentou-Se aí com os seus discípulos. Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus. Erguendo os olhos e vendo que uma grande multidão vinha ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: «Onde havemos de comprar pão para lhes dar de comer?» Dizia isto para o experimentar, pois Ele bem sabia o que ia fazer. Respondeu-Lhe Filipe: «Duzentos denários de pão não chegam para dar um bocadinho a cada um». Disse-Lhe um dos discípulos, André, irmão de Simão Pedro: «Está aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas que é isso para tanta gente?» Jesus respondeu: «Mandai-os sentar». Havia muita erva naquele lugar e os homens sentaram-se em número de uns cinco mil. Então, Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, fazendo o mesmo com os peixes; e comeram quanto quiseram. Quando ficaram saciados, Jesus disse aos discípulos: «Recolhei os bocados que sobraram, para que nada se perca». Recolheram-nos e encheram doze cestos com os bocados dos cinco pães de cevada que sobraram aos que tinham comido. Quando viram o milagre que Jesus fizera, aqueles homens começaram a dizer: «Este é, na verdade, o Profeta que estava para vir ao mundo». Mas Jesus, sabendo que viriam buscá-l’O para O fazerem rei, retirou-Se novamente, sozinho, para o monte.

Compreender a Palavra
Estamos a iniciar o capítulo 6 que, como sabemos, narra a multiplicação dos pães e o discurso sobre o pão da vida que vai fazer com que muitos discípulos abandonem Jesus. Jesus está entre o mar da Galileia e o monte. Seguido por uma multidão, Jesus sobe ao monte e pergunta: “Onde havemos de comprar pão para lhes dar de comer?”. A resposta é decidida e clara: “Duzentos denários de pão não chegam para dar um bocadinho a cada um”. É verdade, mas também é verdade que há um rapazinho que tem cinco pães e dois peixes. Jesus toma o pão e os peixes e depois de dar graças distribui-os. No final recolhem-se os bocados que sobraram e Jesus retira-se para que não venham aclamá-lo rei.

Meditar a Palavra
Saltam à vista as palavras de Jesus “onde havemos de comprar pão para lhes dar de comer?”. Esta pergunta provoca inquietação. Diante da vida tudo é pouco para a resolução dos problemas de cada dia. Sinto-me muitas vezes pequeno demais para as responsabilidades que me pedem. A resposta dos apóstolos também me inquieta “Duzentos denários de pão não chegam para dar um bocadinho a cada um”. Inquieta porque é verdade. Mas há outra verdade por detrás: a maior partes das coisas da nossa vida não se resolve com denários. Não é o dinheiro que resolve os meus problemas, mesmo que eu pense que sim. Os grandes problemas do homem resolvem-se nas mãos de Jesus, se lá colocarmos o pouco que temos, o sinal das nossas incapacidades e impossibilidades.

Rezar a Palavra
Encheram doze cestos. Eu, como os apóstolos, nem sempre creio que tu és capaz de multiplicar o pouco que tenho nas minhas mãos. Por isso fico tantas vezes de mãos fechadas, com medo. Tu, Senhor, não permites nunca que me falte nada do que preciso para viver. Sei que muitas vezes me pedes o que tenho a mais, o que me sobeja, para que nas tuas mãos seja distribuído e chegue a todos. Não permitas, Senhor, que permaneça de mãos fechadas na tua presença, para sentir a alegria de colaborar contigo na partilha dos bens que me dás.

Compromisso
Hoje tenho alguma coisa a dar a Jesus para ele distribuir pelos pobres.

Quinta-feira da Semana II do Tempo Pascal

Atos dos Apóstolos 5, 27-33
Naqueles dias, o comandante do templo e os guardas trouxeram os Apóstolos e fizeram-nos comparecer diante do Sinédrio. O sumo sacerdote interpelou-os, dizendo: «Já vos proibimos formalmente de ensinar em nome de Jesus; e vós encheis Jerusalém com a vossa doutrina e quereis fazer recair sobre nós o sangue desse homem». Pedro e os Apóstolos responderam: «Deve obedecer-se antes a Deus que aos homens. O Deus dos nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós destes a morte, suspendendo-O no madeiro. Deus exaltou-O pelo seu poder, como Chefe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e o perdão dos pecados. E nós somos testemunhas destes factos, nós e o Espírito Santo que Deus tem concedido àqueles que Lhe obedecem». Exasperados com esta resposta, decidiram dar-lhes a morte.

Compreender a Palavra
A decisão final é própria de uma situação descontrolada. O poder tem sempre uma última saída para todos os problemas que é mandar matar quem oferece resistência, quem se impõe pela verdade, quem não se acobarda. Está em jogo uma questão real e uma questão de consciência. As autoridades mandaram matar Jesus e agora não querem assumir a sua responsabilidade. O anúncio feito pelos apóstolos, fala daquele que tendo sido condenado injustamente à morte humilhante da cruz, venceu a morte pelo poder de Deus e está vivo e concede o seu Espírito àqueles que lhe obedecem. Este anúncio fere a consciência dos que condenaram Jesus e não querem converter-se, por isso, proíbem que se anuncie. Não aguentam continuar a ouvir a voz da consciência que condena a sua atitude diante de Jesus. Há uma saída que é a conversão mas eles recusam, portanto resta mandar matar também os apóstolos porque, estes, não se calam.

Meditar a Palavra
Obedecer a Deus e não aos homens é a força que vem do Espírito Santo. Iluminados pelo acontecimentos Pascal, morte e ressurreição de Jesus, os apóstolos perderam o medo que os mantinha fechados em casa. Agora falam abertamente em todos os lugares, até mesmo diante das autoridades que os querem silenciar. A experiência da ressurreição altera a forma como nos situamos diante da vida, de Deus e dos homens. Aquele que se encontra com Cristo ressuscitado perde o medo do ridículo, e lança-se na obediência à vontade de Deus. Esta certeza deve estar presente em todas as nossas relações. Não facilitamos, não compactuamos, não baixamos a guarda. Corajosamente dizemos a todos: «Deve obedecer-se antes a Deus que aos homens. O Deus dos nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós destes a morte, suspendendo-O no madeiro. Deus exaltou-O pelo seu poder, como Chefe e Salvador”.

Rezar a Palavra
Nem sempre é fácil dizer a verdade, afirmar convictamente as nossas ideias, apresentar e testemunhar a nossa fé. Muitas vezes temo o que os outros podem dizer, os seus comentários jocosos e as suas críticas perseguidoras. Dá-me, Senhor, a coragem dos apóstolos para dizer como eles “Deve obedecer-se antes a Deus que aos homens”.

Compromisso
É fácil tremer diante dos homens. Vou analisar a minha vida e ver a quem é que ainda temo mais do que a Deus.


Evangelho: Jo 3, 31-36
Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Aquele que vem do alto está acima de todos; quem é da terra, à terra pertence e da terra fala. Aquele que vem do Céu dá testemunho do que viu e ouviu; mas ninguém recebe o seu testemunho. Quem recebe o seu testemunho confirma que Deus é verdadeiro. De facto, Aquele que Deus enviou diz palavras de Deus, porque Deus dá o Espírito sem medida. O Pai ama o Filho e entregou tudo nas suas mãos. Quem acredita no Filho tem a vida eterna. Quem se recusa a acreditar no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele».

Compreender a Palavra
O texto, que diz ainda respeito ao diálogo com Nicodemos, está construído a partir da dicotomia céu terra, vida morte, fé incredulidade, salvação condenação. Jesus vem do céu, tem um testemunho do céu, diz palavras de Deus, tem o Espírito, tem tudo nas suas mãos, tem a vida e dá a vida. Os homens são da terra, falam da terra, carecem de vida. Quem acolhe o testemunho de Jesus e acredita nele confirma que Deus é verdadeiro e tem a vida nele. Quem não aceita o seu testemunho recebe a ira de Deus e não a vida.

Meditar a Palavra
Vivo tão mergulhado nas coisas deste mundo que às vezes até me esqueço que há céu. Preocupo-me tanto com as coisas da terra que me esqueço que há Deus. Preocupo-me tanto com o corpo que me esqueço que tenho alma, a qual só vive se viver do Espírito de Cristo. Preciso de escutar mais e melhor o testemunho de Cristo, de acolhê-lo em mim, para me tornar nascente de vida nova a jorrar para a eternidade.

Rezar a Palavra
Que eu diga palavras de Deus, como Jesus, Senhor. Que a minha boca não se abra apenas para as banalidades deste mundo, mas que as minhas palavras possam ser reveladoras da verdade que me comunicas pela fé. Faz de mim um lugar de eternidade para todos.

Compromisso
Vou reavaliar a minha vida para não me tornar demasiado terreno sem dar por isso.

Quarta-feira da Semana II do Tempo Pascal

Atos dos Apóstolos 5, 17-26
Naqueles dias, o sumo sacerdote e todo o seu grupo, isto é, o partido dos saduceus, enfurecidos contra os Apóstolos, mandaram-nos prender e meteram-nos na cadeia pública. Mas, durante a noite, o Anjo do Senhor abriu as portas da prisão, levou-os para fora e disse-lhes: «Ide apresentar-vos no templo, a anunciar ao povo todas estas palavras de vida». Tendo ouvido isto, eles entraram no templo de madrugada e começaram a ensinar. Entretanto, chegou o sumo sacerdote com o seu grupo. Convocaram o Sinédrio e todo o Senado dos israelitas e mandaram buscar os Apóstolos à cadeia. Os guardas foram lá, mas não os encontraram na prisão; e voltaram para avisar: «Encontrámos a cadeia fechada com toda a segurança e os guardas de sentinela à porta. Abrimo-la, mas não encontrámos ninguém lá dentro». Ao ouvirem estas palavras, o comandante do templo e os príncipes dos sacerdotes ficaram muito perplexos, perguntando entre si o que se tinha passado com os presos. Entretanto, veio alguém comunicar-lhes: «Os homens que metestes na cadeia estão no templo a ensinar o povo». Então o comandante do templo foi lá com os guardas e trouxe os Apóstolos, mas sem violência, porque tinham receio de serem apedrejados pelo povo.

Compreender a Palavra
O anúncio da palavra de Deus que os Atos dos Apóstolos nos relatam mostra o êxito da palavra e como ela se propaga por toda a parte fazendo conversões entre as multidões. Mas é visível também a oposição daqueles que se fecham à palavra e se sentam no trono do medo de perder os seus direitos e os seus postos de poder e influência. As autoridades enfurecem-se contra os apóstolos porque eles não se calam, porque arrastam multidões. Metem-nos na cadeia, mas a Palavra de Deus não podem ser encarcerada. Enquanto uns se enfurecem outros rompem as cadeias, vencem a perseguição e soltam amarras para anunciar o evangelho. De um lado o poder medroso com a força das armas e das leis, de outro a fragilidade com a força do evangelho. Uns enfurecem-se outros anunciam sem medo.

Meditar a Palavra
Corajosos e obstinados estão presentes ao longo de toda a história da Igreja e do mundo. A obstinação dá lugar à intolerância que gera violência. A Palavra de Deus abre os corações e liberta do medo. A raiva que enfurece os sábios não deixa ver o espaço que se abre aos simples e humildes nem a força que rompe as cadeias da opressão e deixa passar a notícia que salva. Os obstinados, cegos, “ficaram perplexos… tinham receio” perante a novidade operada pela palavra de Deus naqueles homens simples. O medo não deixa ver e a obstinação só conhece a linguagem das armas. Mas os simples vencem porque confiam no poder da verdade que anunciam porque não vem deles, é uma ordem de Deus “Ide apresentar-vos no templo, a anunciar ao povo todas estas palavras de vida”.

Rezar a Palavra
À tua palavra lançarei as redes. Fizeste de mim pescador de homens como fizeste com Pedro e João e deste-me uma rede para lançar e pescar para o teu reino os corações perdidos da casa de Israel. Agora, Senhor, abre o meu coração para acolher a tua palavra que me salva e me envia a anunciar aos meus irmãos.

Compromisso
Sem medo e com a coragem dos apóstolos vou anunciar a palavra da vida.


Evangelho: Jo 3, 16-21
Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: «Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem acredita n’Ele não é condenado, mas quem não acredita já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigénito de Deus. E a causa da condenação é esta: a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque eram más as suas obras. Todo aquele que pratica más acções odeia a luz e não se aproxima dela, para que as suas obras não sejam denunciadas. Mas quem pratica a verdade aproxima-se da luz, para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus».

Compreender a Palavra
O diálogo com Nicodemos torna-se numa catequese de Jesus. No texto de hoje Jesus fala sobre a vontade que Deus tem de salvar o homem. A explicação de Jesus é muito forte. A noite de Nicodemos precisa da luz de Jesus. Se ele não se deixar invadir pela luz condena-se porque teve a oportunidade ao seu alcance e não se deixou iluminar. Nicodemos é confrontado com a força destas palavras e fica em silêncio.

Meditar a Palavra
As trevas podem dominar-me ao ponto de não ver a salvação de Deus que é como uma luz que se projecta sobre mim. Se deixo as trevas tomarem conta da minha vida, acabarei amando mais as trevas do que a luz. Chegarei a pensar que a mentira é verdade. Quero abrir a minha vida à fé em Jesus para me tornar lugar de vida eterna.

Rezar a Palavra
Tu me amaste, Senhor, até ao ponto de entregares o teu filho. Tu preferiste-me a mim ao teu filho, permitindo que ele passasse pela morte para que eu possa alcançar a vida. Não permitas, Senhor, que me deixe seduzir pelas trevas a ponto de esquecer a luz com que me amas.

Compromisso
Hoje vou ser luz de Deus para todos.

S. Marcos, Evangelista

1 Pedro 5, 5b-14
Caríssimos: Revesti-vos de humildade, uns para com os outros, porque «Deus resiste aos soberbos e dá a graça aos humildes». Humilhai-vos sob a poderosa mão de Deus, para que Ele vos exalte no tempo oportuno. Confiai-Lhe todas as vossas preocupações, porque Ele vela por vós. Sede sóbrios e vigiai. O vosso inimigo, o diabo, anda à vossa volta, como leão que ruge, procurando a quem devorar. Resisti-lhe, firmes na fé, sabendo que os vossos irmãos espalhados pelo mundo suportam os mesmos sofrimentos. O Deus de toda a graça, que vos chamou para a sua eterna glória em Cristo, depois de terdes sofrido um pouco, vos restabelecerá, vos aperfeiçoará, vos fortificará e vos tornará inabaláveis. A Ele o poder e a glória pelos séculos dos séculos. Amen. Foi por meio de Silvano, a quem considero irmão de confiança, que vos escrevi estas breves palavras, para vos exortar e assegurar que é esta a verdadeira graça de Deus. Permanecei firmes nela. Saúda-vos a comunidade estabelecida em Babilónia, eleita como vós, e também Marcos, meu filho. Saudai-vos uns aos outros com o ósculo da caridade. Paz a todos os que estais em Cristo.

Compreender a Palavra
Celebramos hoje o Evangelista S. Marcos.
Dirigida a cristãos que vivem em ambiente hostil, talvez por causa de situações de perseguições, pedro exorta-os à firmeza. O caminho para vencer as dificuldades não é o orgulho, a soberba, mas a humildade. Os humildes acolhem com confiança a proteção de Deus. No entanto, confiar humildemente não significa deixar as coisas correrem e ficar à espera que Deus resolva. Não! Confiar implica usar de todos os meios para resistir, vigiar, não desanimar perante o sofrimento. Porque só assim Deus se manifesta restabelecendo, aperfeiçoando, fortificando e libertando. Que ninguém se deixe devorar pelo leão que é a tentação de desistir.

Meditar a Palavra
As palavras de Pedro são muito úteis para nós, que experimentamos as lutas diária que a fé nos impõe no meio do mundo. O medo do fracasso, a pergunta do sentido, a busca de razões para a esperança, a espera de uma solução para os vários problemas, a necessidade da firmeza diante das tentações e das incompreensões. Pedro incentiva-nos a permanecer firmes na fé, confiando na presença libertadora de Deus.

Rezar a Palavra
Concede-me, Senhor, o dom da perseverança no meio das perseguições e das tentações, para que não me deixe devorar pelo leão do desânimo que ruge dentro e fora de mim.

Compromisso
Olhando os irmãos que sofrem por esse mundo fora, quero lutar com firmeza contra a tentação.

Evangelho: Mc 16, 15-20
Naquele tempo, Jesus apareceu aos onze Apóstolos e disse-lhes: «Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for baptizado será salvo; mas quem não acreditar será condenado. Eis os milagres que acompanharão os que acreditarem: expulsarão os demónios em meu nome; falarão novas línguas; se pegarem em serpentes ou beberem veneno, não sofrerão nenhum mal; e quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados». E assim o Senhor Jesus, depois de ter falado com eles, foi elevado ao Céu e sentou-Se à direita de Deus. Eles partiram a pregar por toda a parte e o Senhor cooperava com eles, confirmando a sua palavra com os milagres que a acompanhavam.

Compreender a Palavra
O relato apresenta o envio dos apóstolos, no momento da despedida de Jesus, imediatamente antes ser elevado aos céus.

Meditar a Palavra
Jesus apareceu aos onze e aparece-me também a mim. Este aparecer é oferta de vida ressuscitada, de vida eterna. Perante a experiência interior com Cristo ressuscitado ganham sentido as palavras de envio. Jesus diz-me hoje: “Tu, que experimentaste a força da minha ressurreição vai e anuncia essa notícia a todos. Àqueles que acreditarem batiza-os e serão salvos”. E eu aceito esta missão e procuro realizá-la na minha vida porque confio que não estou só e o sucesso da palavra que anuncio está em Jesus que coopera comigo.

Rezar a Palavra
Tu cooperas comigo, Senhor, sempre que saio de mim para corresponder à missão evangelizadora que me confiaste no dia do meu batismo. Que eu não vacile diante das serpentes nem tema pelo veneno com que possa ser contaminado. Tu estás comigo e confirmas a tua palavra com sinais poderosos, tanto na minha vida como na vida daqueles a quem me envias.

Compromisso
Hoje quero experimentar a alegria de anunciar o evangelho de Cristo.

Segunda-feira da Semana II do Tempo Pascal

Actos dos Apóstolos 4, 23-31

Naqueles dias, Pedro e João, tendo sido postos em liberdade, voltaram para junto dos seus e contaram-lhes tudo o que os príncipes dos sacerdotes e os anciãos lhes tinham dito. Depois de os ouvirem, invocaram a Deus numa só alma, dizendo: «Senhor, Vós fizestes o céu, a terra, o mar e tudo o que neles se encontra; Vós dissestes, mediante o Espírito Santo, pela boca do nosso pai David, vosso servo: ‘Porque se agitaram em tumulto as nações e os povos intentaram vãos projetos? Revoltaram-se os reis da terra e os príncipes conspiraram juntos contra o Senhor e contra o seu Ungido’. Na verdade, Herodes e Pôncio Pilatos uniram-se nesta cidade com as nações pagãs e os povos de Israel contra o vosso santo servo Jesus, a quem ungistes. Assim cumpriram tudo o que o vosso poder e sabedoria tinham de antemão determinado. E agora, Senhor, vede como nos ameaçam e concedei aos vossos servos que possam anunciar com toda a confiança a vossa palavra. Estendei a vossa mão, para que se realizem curas, milagres e prodígios, em nome do vosso santo servo Jesus». Depois de terem rezado, tremeu o lugar onde estavam reunidos: todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a anunciar com firmeza a palavra de Deus.

Compreender a Palavra

Aprofunda-se, pela experiência própria do sofrimento provocado pela rejeição das autoridades, a consciência Pascal nos discípulos e nos primeiros convertidos. De facto, experiências como a prisão dos discípulos, neste caso Pedro e João, em nada prejudicam o anúncio da Palavra, pelo contrário, fortalecem os evangelizadores numa firmeza cada vez maior. As forças do mundo agitam-se e intentam vãos projetos, unem-se e conspiram contra. Primeiro contra Jesus, agora, contra os seus discípulos. As provações, porém, reúnem os discípulos em oração, edificam a comunidade num só coração e numa só alma, o Espírito Santo manifesta-se na comunhão e eles anunciam, cada vez com mais firmeza a palavra de Deus.

Meditar a Palavra

É precioso este testemunho das primeiras comunidades porque ele nos revela em simultâneo a crescente consciência pascal, a sua ligação a Jesus ressuscitado, o confronto com as forças adversas representadas nas autoridades, a presença e ação do Espírito Santo, a comunhão entre os irmãos e o principal objectivo de todos, o anúncio da palavra. De facto a vida da Igreja de hoje, como a experiência de cada cristão, não pode fugir deste contexto. O reconhecimento de Jesus ressuscitado mediante o anúncio da Palavra, juntamento com a ação do Espírito, são essenciais na conversão daqueles que aderem à fé. O testemunho de comunhão e fortaleza dos membros da comunhão são imprescindíveis para os que se aproximam da fé. E a oposição das forças do mundo que se lançaram contra Jesus e, agora, se voltam contra os cristãos, exercem um papel no discernimento e na opção pessoal. É nesta consciência que somos chamados a viver o tempo Pascal.

Rezar a Palavra

Pela tua Palavra cheguei à fé e pelo teu Espírito fui iniciado no mistério da tua salvação, dá-me, agora, Senhor o dom do discernimento para reconhecer que só tu és o Senhor e o dom da fortaleza para permanecer junto aos meus irmãos, num um só coração e uma só alma, animando-os nas adversidade consciente de que este mundo não tem poder contra ti nem contra a tua vontade.

Compromisso

Através da oração vou crescer na confiança diante da adversidade.


Evangelho: Jo 3, 1-8

Havia um fariseu chamado Nicodemos, que era um dos principais entre os judeus. Foi ter com Jesus de noite e disse-Lhe: «Rabi, nós sabemos que vens da parte de Deus como mestre, pois ninguém pode realizar os milagres que Tu fazes se Deus não está com ele». Jesus respondeu-lhe: «Em verdade, em verdade te digo: Quem não nascer de novo não pode ver o reino de Deus». Disse-Lhe Nicodemos: «Como pode um homem nascer, sendo já velho? Pode entrar segunda vez no seio materno e voltar a nascer?» Jesus respondeu: «Em verdade, em verdade te digo: Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que nasceu da carne é carne e o que nasceu do Espírito é espírito. Não te admires por Eu te haver dito que todos devem nascer de novo. O vento sopra onde quer: ouves a sua voz, mas não sabes donde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito».

Compreender a Palavra

O diálogo com Nicodemos está centrado sobre o mistério do baptismo. Esta temática é muito própria do tempo Pascal porque é o tempo em que os recém-baptizados tomam consciência do mistério realizado por Deus na Vigília Pascal com a celebração dos sacramentos da iniciação cristã. Nicodemos é um fariseu e, como tal, pertencia ao grupo dos que entendiam que João não tinha poder para baptizar. Ao dirigir-se a Jesus é confrontado com a necessidade de nascer de novo para entrar no reino. Nicodemos parece não entender, mas Jesus deixa bem claro que está a falar do Baptismo que ele rejeita e deixa ainda claro que este não depende da consideração de cada um. Trata-se de uma acção do Espírito Santo que não se deixa aprisionar.

Meditar a Palavra

Quero tantas vezes entender as coisas de Deus à minha maneira e reduzi-las aos meus conceitos. Por isso me perco na pobreza de ideias vazias de conteúdo que acabam por não dizer nada. Jesus propõe-me uma vida interior, uma vida no Espírito. Para esta vida é necessário nascer de novo pela água e pelo Espírito. Acolher o Espírito Santo e deixar-me conduzir por ele é o segredo para uma vida nova.

Rezar a Palavra

“Não te admires”. Tudo o que tu fazes e o que tu dizes é admirável e queres que eu não me admire, Senhor. Meus olhos vêem e o meu coração sente essa força extraordinária do teu Espírito em mim. Não posso senão ficar admirado, maravilhado com a vida nova que me ofereces nos teus sacramentos.

Compromisso

Vou prestar atenção a este vento do Espírito, que vai passar por mim hoje e me chama a ser um homem novo pela água e pelo Espírito.

Sexta-feira da Oitava da Páscoa

Actos dos Apóstolos 4, 1-12

Naqueles dias, estavam Pedro e João a falar ao povo, depois da cura do coxo de nascença, quando surgiram os sacerdotes, o comandante do templo e os saduceus, irritados por eles estarem a ensinar o povo e a anunciar a ressurreição dos mortos que se verificara em Jesus. Apoderaram-se deles e, porque já era tarde, meteram-nos na prisão, até ao dia seguinte. Entretanto, muitos dos que tinham ouvido a palavra de Deus abraçaram a fé e o número de homens elevou-se a uns cinco mil. No dia seguinte, os chefes do povo, os anciãos e os escribas reuniram-se em Jerusalém, com o sumo sacerdote Anás, com Caifás, João e Alexandre, e todos os que eram da família dos príncipes dos sacerdotes. Mandaram vir os Apóstolos à sua presença e começaram a interrogá-los: «Com que poder ou em nome de quem fizestes semelhante coisa?» Então Pedro, cheio do Espírito Santo, disse-lhes: «Chefes do povo e anciãos, já que hoje somos interrogados sobre um benefício feito a um enfermo e o modo como ele foi curado, ficai sabendo todos vós e todo o povo de Israel: É em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, que vós crucificastes e Deus ressuscitou dos mortos, é por Ele que este homem se encontra perfeitamente curado na vossa presença. Jesus é a pedra que vós, os construtores, desprezastes e que veio a tornar se pedra angular. E em nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo do céu outro nome, dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos».

Compreender a Palavra

O coxo de nascença continua a ser o motivo pelo qual muitos chegam à fé. Na realidade a cura daquele homem levou muitas pessoas curiosas a escutarem Pedro e João que, ao contrário do que as pessoas pensavam inicialmente, não tinham sido eles a operar o milagre. Pedro e João esforçam-se, sendo Pedro o porta-voz, por centrar em Jesus de Nazaré a tenção de todos. Este texto mostra que os discípulos aproveitam todas as oportunidades para anunciar o nome de Jesus. A circunstância de terem sido presos não os desanima, antes os motiva a fazer o mesmo anúncio às autoridades. O acontecimento salvador concentra-se em poucas palavras que as pessoas podem aprender de cor: “ficai sabendo todos vós e todo o povo de Israel: É em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, que vós crucificastes e Deus ressuscitou dos mortos, é por Ele que este homem se encontra perfeitamente curado na vossa presença. Jesus é a pedra que vós, os construtores, desprezastes e que veio a tornar se pedra angular. E em nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo do céu outro nome, dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos”.

Meditar a Palavra

O conhecimento de Jesus como salvador, não é um conhecimento intelectual. Trata-se de uma experiência que acontece na vida de cada homem que escuta a palavra de Deus. Pois aquele que escuta chega à fé e a fé é reconhecimento de que, aquele Jesus que passou fazendo o bem e os homens mataram, esse mesmo, Deus o ressuscitou e constituiu Senhor. Por isso ele continua a operar milagres na vida dos crentes e, estes, percebem na realidade das suas vidas, que não há outro nome no qual possam ser salvos, a não ser no nome de Jesus.

Rezar a Palavra

O teu nome é tu, Senhor. Na tua ressurreição uma força se propagou através daqueles que escutam a tua palavra e chegam à fé. Faz de mim, Senhor, um homem de fé, capaz de compreender a força do mistério que se esconde por detrás do teu nome e a grandeza da tua salvação que os sábios rejeitam mas se revela aos simples.

Compromisso

Na simplicidade do meu coração vou repetir o nome de Jesus.


Evangelho: Jo 21, 1-14

Naquele tempo, Jesus manifestou-Se novamente aos discípulos junto ao Mar de Tiberíades. Manifestou-Se deste modo: Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, e Natanael, que era de Caná da Galileia. Também estavam presentes os filhos de Zebedeu e mais dois discípulos de Jesus. Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar». Eles responderam-lhe: «Nós vamos contigo». Saíram de casa e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada. Ao romper da manhã, Jesus apresentou-Se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. Disse-lhes então Jesus: «Rapazes, tendes alguma coisa para comer?» Eles responderam: «Não». Disse-lhes Jesus: «Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis». Eles lançaram a rede e já mal a podiam arrastar por causa da abundância de peixes. Então o discípulo predilecto de Jesus disse a Pedro: «É o Senhor». Simão Pedro, quando ouviu dizer que era o Senhor, vestiu a túnica que tinha tirado e lançou-se ao mar. Os outros discípulos, que estavam distantes apenas uns duzentos côvados da margem, vieram no barco, puxando a rede com os peixes. Logo que saltaram em terra, viram brasas acesas com peixe em cima, e pão. Disse-lhes Jesus: «Trazei alguns dos peixes que apanhastes agora». Simão Pedro subiu ao barco e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes. E, apesar de serem tantos, não se rompeu a rede. Disse-lhes Jesus: «Vinde comer». Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar: «Quem és Tu?»: bem sabiam que era o Senhor. Então Jesus aproximou-Se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com o peixe. Foi esta a terceira vez que Jesus Se manifestou aos discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos.

Compreender ao Palavra

O texto de hoje relata a terceira manifestação de Jesus aos seus discípulos. A primeira vez soprou sobre eles dando-lhes o Espírito Santo. A segunda deixou que lhe tocassem para perceberem que era ele e não um fantasma. Nesta terceira manifestação ensina-os a pescar. Esta aparição de Jesus dá-se na Galileia. Os discípulos tinham passado a noite a pescar por indicação de Pedro. Não tendo pescado nada encontram-se com Jesus que para eles é um desconhecido, mas obedecem-lhe quando os manda lançar as redes para a direita do barco. No final é Jesus quem lhes dá de comer e os convida a trazer também alguns peixes que eles tinham acabado de pescar. Quem é aquele homem? Os discípulos perguntam-se mas no fundo sabem muito bem que é Jesus.

Meditar a Palavra

Sozinhos, de noite, mesmo com muito engenho as redes terminam vazias. A arte de pescar homens tem segredos que só Jesus pode revelar. Não se pesca ao acaso, nem de noite, nem sem a presença e as indicações de Jesus, o Mestre. O barco não é meu, as redes não se rompem porque são o corpo místico de Cristo, semelhantes à sua túnica que não foi rasgada pelos soldados, é a Igreja, os peixes são homens e Jesus é quem nos senta à mesa aceitando o pouco que temos para lhe oferecer. Com Jesus as coisas não são deixadas ao acaso mas também não são como nós queremos.

Rezar a Palavra

“É o Senhor”. Tantas vezes quando não me entendem, quando não me entendo a mim mesmo, quando não entendo os outros, quando não entendo a vida e o mundo, tenho vontade de dizer “É o Senhor”. Mesmo sem ver, sem saber, sem conhecer, tenho vontade de dizer “É o Senhor”. Quando nada resulta no meu trabalho, na minha família, nos meus projectos tenho vontade de dizer “É o Senhor”. Quero dizer como João, mesmo quando não consiga acreditar nas minhas próprias palavras “É o Senhor”, porque sei que, mesmo não sabendo, és tu, Senhor quem está presente na margem do lago da minha Galileia.

Compromisso

Hoje vou reconhecer Jesus presente naqueles que não se parecem nada com ele.

Quinta-feira da Oitava da Páscoa

Actos dos Apóstolos 3, 11-26

Naqueles dias, o coxo de nascença que tinha sido curado não largava Pedro e João e todo o povo, cheio de assombro, acorreu para junto deles, ao pórtico de Salomão. Ao ver isto, Pedro falou ao povo, dizendo: «Homens de Israel, porque vos admirais com isto? Porque fitais os olhos em nós, como se fosse pelo nosso próprio poder ou piedade que fizemos andar este homem? O Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob, o Deus de nossos pais, glorificou o seu Servo Jesus, que vós entregastes e negastes na presença de Pilatos, estando ele resolvido a soltá-lo. Negastes o Santo e o Justo e pedistes a libertação dum assassino; matastes o autor da vida, mas Deus ressuscitou-O dos mortos, e nós somos testemunhas disso. Foi pela fé no seu nome que este homem que vedes e conheceis recuperou as forças; foi a fé que vem de Jesus que o curou completamente, na presença de todos vós. Agora, irmãos, eu sei que agistes por ignorância, como também os vossos chefes. Foi assim que Deus cumpriu o que de antemão tinha anunciado pela boca de todos os Profetas: que o seu Messias havia de padecer. Portanto, arrependei-vos e convertei-vos, para que os vossos pecados sejam perdoados. Assim o Senhor fará que venham os tempos de conforto e vos enviará o Messias Jesus, que de antemão vos foi destinado. Ele terá de ficar no Céu até à restauração universal, que Deus anunciou, desde os tempos antigos, pela boca dos seus santos profetas. Moisés disse: ‘O Senhor Deus fará que se levante para vós, do meio dos vossos irmãos, um profeta como eu. Escutá-lo-eis em tudo quanto vos disser. Quem não escutar esse profeta será exterminado do meio do povo’. E todos os profetas que falaram, desde Samuel e seus sucessores, anunciaram também estes dias. Vós sois os filhos dos profetas e da aliança que Deus firmou com vossos pais, quando disse a Abraão: ‘Na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra’. Foi para vós, em primeiro lugar, que Deus fez aparecer o seu Servo e O enviou para vos abençoar, afastando cada um de vós das suas iniquidades».

Compreender a Palavra

Depois da cura do paralítico, Pedro vê-se alvo dos olhares da multidão que se questionam sobre o milagre e toma a palavra para explicar o que se passou. Na sua explicação apresenta os argumentos mais importantes que podem trazer à fé os que escutam as suas palavras. Primeiro esclarece que não foi ele quem curou o paralítico, foi Jesus. Que este Jesus é o mesmo que eles mataram, por ignorância, mas a quem Deus ressuscitou. Depois, usando as palavras de Jesus quando anunciava a sua paixão aos discípulos, diz que o Messias tinha que padecer. Faz a ligação entre o acontecimento pascal e o anúncio dos profetas. Finalmente estabelece uma ligação com Moisés e com Abraão, inserindo o acontecimento central da fé cristã, a morte e ressurreição de Jesus, na história da salvação que Deus tem realizado com o seu povo, levando os ouvintes a sentir que eles são os destinatários desta boa notícia.

Meditar a Palavra

As palavras de Pedro colocam-me no centro da cena. Eu sou um destes que se perguntam, como é possível aquele homem, sendo paralítico, levantar-se de um salto e caminhar? Como é possível aquele homem que não entrava no templo, seguir Pedro e João e entrar com eles no templo? Como é possível que este homem, que estava todos os dias sentado na escada a pedir esmola, agora louve a Deus? Como é possível que este homem que não tinha vida, nem dignidade, nem futuro, agora exulte de alegria? A resposta é dada por Pedro: foi Jesus, aquele que os homens rejeitaram dando-lhe a morte, mas a quem Deus colocou como pedra angular, isto é, fez dele a causa da nossa salvação, glorificando-o. Esta era a promessa feita a Abraão e Jesus é aquele de quem falaram Moisés e os profetas. Por isso, todo aquele que se converte ao nome de Jesus será abençoado. O nome de Jesus também tem poder para realizar o mesmo milagre na minha vida.

Rezar a Palavra

Em Abraão tu me abençoaste, Senhor, e me fizeste participante da promessa de salvação agora realizada em Cristo, teu filho. Que o meu coração se converta à tua palavra e o nome de Jesus me salve no mistério da sua morte e ressurreição, para poder cantar os teus louvores como o paralítico.

Compromisso

Quero explicar aos meus irmãos o mistério pelo qual também eu fui levantado do chão.


Evangelho: Lc 24, 35-48

Naquele tempo, os discípulos de Emaús contaram o que tinha acontecido no caminho e como tinham reconhecido Jesus ao partir do pão. Enquanto diziam isto, Jesus apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Espantados e cheios de medo, julgavam ver um espírito. Disse-lhes Jesus: «Porque estais perturbados e porque se levantam esses pensamentos nos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo; tocai-Me e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que Eu tenho». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E como eles, na sua alegria e admiração, não queriam ainda acreditar, perguntou-lhes: «Tendes aí alguma coisa para comer?» Deram-Lhe uma posta de peixe assado, que Ele tomou e começou a comer diante deles. Depois disse-lhes: «Foram estas as palavras que vos dirigi, quando ainda estava convosco: ‘Tem de se cumprir tudo o que está escrito a meu respeito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos’». Abriu-lhes então o entendimento para compreenderem as Escrituras e disse-lhes: «Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia, e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas de todas estas coisas».

Compreender a Palavra

Jesus ressuscitado “apresenta-se no meio” dos seus discípulos. A reacção deles é natural, medo, dúvida, interrogações, inquietação. Jesus percebe e questiona-os desafiando-os a tocá-lo e a ver que é ele mesmo. Por fim abre-lhes o entendimento como fizera aos discípulos de Emaús e recorda-lhes que eles são as testemunhas de tudo e terão que ser eles a dar cumprimento ao anúncio para que, de Jerusalém, a notícia se espalhe até que todas as nações tenham conhecimentos destes factos.

Meditar a Palavra

São para mim as palavras de Jesus. Estas interrogações que ele faz aos discípulos atingem-me no mais profundo de mim mesmo: “Porque estais perturbados e porque se levantam esses pensamentos nos vossos corações?” Mesmo sendo humanas as minhas atitudes perante a vida, Jesus espera de mim uma atitude nova. Não posso reagir como todos depois de ter feito a experiência do encontro com ele, vivo, ressuscitado. Serei como os que pedem provas para acreditar? Terei que lhe tocar para me convencer? A sua palavra é suficiente para que se abra o meu entendimento e aceite a verdade da sua ressurreição.

Rezar a Palavra

Eu sou testemunha destes factos porque tu, Senhor, te revelaste em mim. A palavra de Moisés, dos profetas e dos salmos reflecte-se em ti, nas tuas palavras e na tua vida e eu não posso deixar de ver essa realização. Tornaste-te presente na minha vida pela água e pelo Espírito, sentaste-me à tua mesa e deste-me do teu pão, experimentei o teu perdão e nunca mais posso calar esta experiência.

Compromisso

Com a minha vida vou anunciar a todos a alegria de ter experimentado o perdão que vem de Jesus.

Quarta-feira da Oitava da Páscoa

Actos dos Apóstolos 3, 1-10

Naqueles dias, Pedro e João subiam ao templo para a oração das três horas da tarde. Trouxeram então um homem, coxo de nascença, que colocavam todos os dias à porta do templo, chamada Porta Formosa, para pedir esmola aos que entravam. Ao ver Pedro e João, que iam a entrar no templo, pediu-lhes esmola. Pedro, juntamente com João, olhou fixamente para ele e disse-lhe: «Olha para nós». O coxo olhava atentamente para Pedro e João, esperando receber deles alguma coisa. Pedro disse- lhe: «Não tenho ouro nem prata, mas dou-te o que tenho: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda». E, tomando-lhe a mão direita, levantou-o. Nesse instante fortaleceram-se-lhe os pés e os tornozelos, levantou-se de um salto, pôs-se de pé e começou a andar; depois entrou com eles no templo, caminhando, saltando e louvando a Deus. Toda a gente o viu caminhar e louvar a Deus e, sabendo que era aquele que costumava estar sentado, a mendigar, à Porta Formosa do templo, ficaram cheios de admiração e assombro pelo que lhe tinha acontecido.

Compreender a Palavra

A riqueza deste texto é inesgotável. Aqui, os pequenos sinais falam. Subir ao Templo para rezar nas três horas da tarde mostra que os cristãos ainda frequentam o lugar de culto dos judeus, a proximidade de Pedro com João revela que cumprem o mandato do Senhor de irem dois a dois. O paralítico é colocado junto à porta formosa que dá acesso ao átrio dos gentios, dá a ideia de que o evangelho é para todos. O paralítico pede esmola, mas Pedro obriga-o a olhar para ele, colocando-o na mesma dimensão, atribuindo-lhe a mesma dignidade. Olhar nos olhos é o princípio básico para que algo de grandioso aconteça. Estende-lhe a mão e cura-o em nome de Jesus. O paralítico, que até aí estava sentado todos os dias à porta do templo sem poder entrar, agora pode entrar aos saltos cantando e louvando a Deus. A alegria do paralítico contagiou outros que entraram também no templo louvando a Deus. Estamos perante um milagre e de uma catequese de grande eficácia.

Meditar a Palavra

Esta palavra interroga os cristãos de hoje. Só reza de verdade quem se encontra com os irmãos caídos à beira da vida, sentados na solidão, prostrados sob o peso das dificuldades, parados pelas múltiplas paralisias. Subir ao templo significa levar nas mãos a vida de todos os que não sobem, mas que são revitalizados pelo nome de Jesus que levamos nos lábios e nas mãos, quando cuidamos. Curar é olhar nos olhos e levantar do chão das impossibilidades os que têm fome ou sede, os que estão nus, doentes ou presos. Louvar o Senhor é abrir as portas a todos os que se sentem indignos de entrar por sentirem a força da exclusão. Vencer as diferenças é caminho para que todos os povos levantem os braços dando graças.

Rezar a Palavra

A tua palavra chama-me para junto dos que estão sentados nas escadarias da vida ou junto das portas formosas de todas as cidades. Mostra-me Senhor o caminho para a eles chegar, com a humildade que lhes confere dignidade, com a atenção que lhes dá alento, com as palavras que os renova na esperança, com as mãos capazes de erguer e com o amor que transforma a vida em louvor.

Compromisso

Quero ser instrumento do amor de Deus junto dos que se sentem excluídos.


Evangelho: Lc 24, 13-35

Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a duas léguas de Jerusalém. Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido. Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho. Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem. Ele perguntou-lhes: «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?» Pararam, com ar muito triste, e um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias». E Ele perguntou: «Que foi?» Responderam-Lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado. Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro, não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo. Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele não O viram». Então Jesus disse-lhes: «Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?» Depois, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito. Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de seguir para diante. Mas eles convenceram-n’O a ficar, dizendo: «Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles. E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O. Mas Ele desapareceu da sua presença. Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?» Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão». E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.

Compreender a Palavra

O texto de hoje, muito conhecido, está estruturado em quatro partes. Uma introdução, o diálogo de Jesus com os dois discípulos explicando-lhes as Escrituras, a chegada a Emaús que termina o diálogo e dá lugar aos gestos e finalmente o regresso a Jerusalém para anunciar a experiência de fé em Cristo ressuscitado que viveram no caminho.

Meditar a Palavra

Jesus interroga-me sobre as minhas palavras, a minha atitude perante as situações da vida, a resposta de fé que me é pedida. “Que palavras são essas?” Jesus parece que vê tudo de outra maneira e anda em outro patamar “Tu és o único a ignorar…” Muitos falam do que não viram porque têm olhos e não vêem e eu que tenho olhos para ver não vejo porque me deixo levar pela cegueira dos outros. “Mas a Ele não o viram”. Posso escutar o que tem para me dizer, posso acolhê-lo em mim, mesmo sem o reconhecer. Dessa forma sentirei eu também o coração a arder e experimentarei a sua presença ao partir do pão.

Rezar a palavra

Diante de ti, Senhor, ao escutar a tua voz e ao ver as tuas mãos partirem-se em alimento por toda a humanidade, o meu coração vibra de amor. E como diz a canção, quero repetir “Não posso e não quero viver sem teu amor. Não posso e não quero viver sem teu amor. Não posso e não quero viver sem teu amor. Se não é junto a ti, não posso e não quero viver”.

Compromisso

Quero comunicar a todos a alegria de estar contigo, Senhor.

Terça-feira da Oitava da Páscoa

Actos dos Apóstolos 2, 36-41
No dia de Pentecostes, disse Pedro aos judeus: «Saiba com absoluta certeza toda a casa de Israel que Deus fez Senhor e Messias esse Jesus que vós crucificastes». Ouvindo isto, sentiram todos o coração trespassado e perguntaram a Pedro e aos outros Apóstolos: «Que havemos de fazer, irmãos?» Pedro respondeu-lhes: «Convertei-vos e peça cada um de vós o Batismo em nome de Jesus Cristo, para vos serem perdoados os pecados. Recebereis então o dom do Espírito Santo, porque a promessa desse dom é para vós, para os vossos filhos e para quantos, de longe, ouvirem o apelo do Senhor nosso Deus». E com muitas outras palavras os persuadia e exortava, dizendo: «Salvai-vos desta geração perversa». Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o Batismo e naquele dia juntaram-se aos discípulos cerca de três mil pessoas.

Compreender a Palavra
O discurso de Pedro na manhã de Pentecostes abre-se a um diálogo sobre a fé. Trata-se de um questionamento pessoal e coletivo sobre a realidade apresentada, sobre a fé em Jesus a quem Deus constituiu Senhor e Messias. As palavras de Pedro, são essa boa notícia que faz chegar aos ouvidos dos presentes a força e o poder de Deus oferecidos aos homens na pessoa de Jesus e agora continuada nos doze. Ouvindo a palavra, a multidão chegou à fé. Uma fé de perguntas, com interrogações, mas uma fé que abre à conversão e aproxima de Deus através do batismo. A resposta da multidão foi na mesma abundância do dom de Deus, três mil aderiram à salvação anunciada por Pedro.

Meditar a Palavra
A importância da palavra de Deus escutada com atenção e interesse, com a perplexidade que ela merece porque é força de Deus, comove o coração “sentiram todos o coração trespassado”. Esta é a finalidade e o fruto do anúncio. A palavra não é para o conhecimento intelectual, mas para o conhecimento do coração. Escutar a palavra transforma em primeiro lugar o coração num lugar de Deus. Só um coração humilhado e contrito pode conhecer verdadeiramente a Deus e o seu mistério revelado em Jesus. O coração trespassado pelo confronto entre a vida e a palavra, conduz à conversão e provoca a adesão no batismo. Não admira que naquele dia milhares de homens tenham aderido à fé.

Rezar a Palavra
Ensina-me, Senhor, a fazer perguntas perante a tua palavra. Eu escuto, gosto do que me dizes, mas nem sempre sei provocar a minha vida com a tua palavra porque não atinjo o coração da mensagem. Desperta, anima, ensina, o meu coração para ir mais longe nos desafios que me fazes quando escuto o teu evangelho.

Compromisso
Vou ler com o coração e não apenas com a inteligência a palavra de Deus que vem a mim diariamente.


Evangelho: Jo 20, 11-18
Naquele tempo, Maria Madalena estava a chorar junto do sepulcro. Enquanto chorava, debruçou-se para dentro do sepulcro e viu dois Anjos vestidos de branco, sentados, um à cabeceira e outro aos pés, onde estivera deitado o corpo de Jesus. Os Anjos perguntaram a Maria: «Mulher, porque choras?» Ela respondeu- lhes: «Porque levaram o meu Senhor e não sei onde O puseram». Dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus de pé, sem saber que era Ele. Disse-lhe Jesus: «Mulher, porque choras? A quem procuras?» Pensando que era o jardineiro, ela respondeu-Lhe: «Senhor, se foste tu que O levaste, diz-me onde O puseste, para eu O ir buscar». Disse-lhe Jesus: «Maria!» Ela voltou-se e respondeu em hebraico: «Rabuni!», que quer dizer: «Mestre!» Jesus disse-lhe: «Não Me detenhas, porque ainda não subi para o Pai. Vai ter com os meus irmãos e diz-lhes que vou subir para o meu Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus». Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: «Vi o Senhor». E contou-lhes o que Ele lhe tinha dito.

Compreender a Palavra
O Evangelho de João apresenta-nos aqui pela terceira vez Jesus a perguntar “quem procuras?” Primeiro foi aos discípulos de João, depois aos soldados no jardim das oliveiras e agora, já na ressurreição, a Maria Madalena. Na passagem de hoje vemos dois anjos que transformaram o sepulcro, lugar de morte, num lugar da presença de Deus. Eles perguntam a Maria porque chora sabendo claramente a razão. Jesus aparece e faz a mesma pergunta e acrescenta “a quem procuras?” quando sabe muito bem o que se passa no seu coração. O céu consegue ler o coração de Maria Madalena, enquanto ela não consegue ler os sinais do céu. É o céu quem tem que lhe revelar os seus mistérios e fá-lo dizendo o seu nome “Maria”. Possuidora da verdade corre a anunciá-la aos outros como um mandato divino.

Meditar a Palavra
Jesus lê o meu coração e sabe que em mim há uma permanente busca de mais. Nem sempre sei o que busco, mas ele sabe. Sabe que a minha sede de realização, de liberdade, de justiça, de amor, de felicidade não é outra coisa que sede de Deus. Ele sabe que, mesmo sem eu o saber, é a ele que eu procuro porque ele me procura também a mim. O encontro é necessário e acontece quando eu entro em mim e tomo total consciência do que sou e, sobretudo, do que sou para ele. Nesse momento o túmulo que há em mim torna-se santuário divino e a morte torna-se vida. Apagam-se as lágrimas para sempre e começo a ser notícia, boa notícia, para todos.

Rezar a Palavra
“Rabuni” é a ti que eu procuro nos escombros do túmulo em que se torna muitas vezes a minha vida. Na barafunda interior onde deixo tudo às avessas, na ânsia de te encontrar, sem saber onde procurar e como procurar, surges tu, como uma luz que tudo transforma e fazes-me sentir procurado pelo teu amor. Quando oiço o meu nome pronunciado pela tua voz divina, sei que tudo valeu a pena e nada foi em vão porque para te encontrar os esforços nunca são demais.

Compromisso
Vou entrar no túmulo do meu coração e transformá-lo em lugar da presença de Deus.

Segunda-feira da Oitava da Páscoa

Actos dos Apóstolos 2, 14.22-33
No dia de Pentecostes, Pedro, de pé, com os onze Apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo: «Homens da Judeia e vós todos que habitais em Jerusalém, compreendei o que está a acontecer e ouvi as minhas palavras: Jesus de Nazaré foi um homem acreditado por Deus junto de vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus realizou no meio de vós, por seu intermédio, como sabeis. Depois de entregue, segundo o desígnio imutável e a previsão de Deus, vós destes-Lhe a morte, cravando-O na cruz pela mão de gente perversa. Mas Deus ressuscitou-O, livrando-O dos laços da morte, porque não era possível que Ele ficasse sob o seu domínio. Diz David a seu respeito: ‘O Senhor está sempre na minha presença, com Ele a meu lado não vacilarei. Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta e até o meu corpo descansa tranquilo. Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso Santo sofrer a corrupção. Destes-me a conhecer os caminhos da vida, a alegria plena em vossa presença’. Irmãos, seja-me permitido falar-vos com toda a liberdade: o patriarca David morreu e foi sepultado e o seu túmulo encontra-se ainda hoje entre nós. Mas, como era profeta e sabia que Deus lhe prometera sob juramento que um descendente do seu sangue havia de sentar-se no seu trono, viu e proclamou antecipadamente a ressurreição de Cristo, dizendo que Ele não O abandonou na mansão dos mortos, nem a sua carne conheceu a corrupção. Foi este Jesus que Deus ressuscitou e disso todos nós somos testemunhas. Tendo sido exaltado pelo poder de Deus, recebeu do Pai a promessa do Espírito Santo, que Ele derramou, como vedes e ouvis».

Compreender a Palavra
Iniciamos a leitura do livro dos Atos dos Apóstolos, com o versículo 14 do capítulo 2 onde é indicado o contexto temporal das palavras que se seguem. Estamos no dia de Pentecostes. Os protagonistas são os doze, uma vez que Judas já tinha sido substituído por Matias, e Pedro é o porta-voz. As palavras iniciais despertam a atenção dos ouvintes, uma multidão formada por judeus, galileus e alguns judeus da diáspora, para uma explicação sobre os acontecimentos. A explicação é simples: o que está a acontecer é ação de Deus que se manifestou em Jesus de Nazaré, que realizou milagres, prodígios e sinais. Este Jesus foi morto às mãos de gente perversa com o consentimento dos presentes mas, Deus que o acreditou durante a vida não o deixou ficar na morte, ressuscitou-o. O texto podia ficar por aqui, mas Pedro justifica este acontecimento com a promessa feita a David, no salmo 15, orientando-a não para David que morreu, mas para o seu descendente, Jesus de Nazaré. Pedro apresenta-se então como testemunha, juntamente com os demais discípulos, pois acabam de receber o Espírito Santo enviado por Jesus.

Meditar a Palavra
A fé que atraía as multidões para Jesus, estava fundada nos sinais e prodígios que ele realizava em favor dos mais desfavorecidos, doentes e todos os que sofriam de alguma limitação. Também os pobres experimentavam conforto junto dele, porque lhes saciava a fome, distribuindo o pão que passava pelas suas mãos. Do mesmo modo os pecadores encontravam em Jesus um porto seguro. No entanto, tudo estava sob a ameaça do poder político e religioso de Jerusalém. Jesus saía dos padrões comuns de submissão à lei, tal como ela era, apresentada e imposta. Por isso, as multidões tinham alguma desconfiança e no último momento, colaram-se ao poder e pediram a morte de Jesus. Pedro, apresenta, agora o verdadeiro Messias, aquele que venceu a morte e foi exaltado por Deus e instaurando entre os homens o reino de Deus. Ser testemunha de Cristo, é estar disposto a acolher esta novidade, subversiva da ordem estabelecida pelos homens, para viver, na disponibilidade interior, a novidade de Deus revelada em Jesus, o Messias que salva pela morte e humilhação e não pelo poder e pelas armas.

Rezar a Palavra
Somos testemunhas da ressurreição. Este mistério, difícil de acreditar porque os nossos olhos não Veem, está garantido pelas palavras do profetas e dos salmos, que o nosso coração acolhe. Dá-nos Senhor, o dom do teu Espírito para acolhermos a novidade que revelaste em Jesus de Nazaré.

Compromisso
Acolho em mim o Espírito Santo, num tempo de oração, para experimentar a verdade da vida nova da ressurreição.

Evangelho: Mt 28, 8-15
Naquele tempo, Maria Madalena e a outra Maria, que tinham ido ao túmulo do Senhor, afastaram-se a toda a pressa, cheias de temor e de grande alegria, e correram a levar aos discípulos a notícia da Ressurreição. Entretanto, Jesus saiu ao seu encontro e saudou-as. Elas aproximaram-se, abraçaram-Lhe os pés e prostraram-se diante d’Ele. Disse-lhes então Jesus: «Não temais. Ide avisar os meus irmãos que devem ir para a Galileia. Lá Me verão». Enquanto elas iam a caminho, alguns dos guardas foram à cidade participar aos príncipes dos sacerdotes tudo o que tinha acontecido. Estes reuniram-se com os anciãos e, depois de terem deliberado, deram aos soldados uma soma avultada de dinheiro, com esta recomendação: «Dizei: ‘Os discípulos vieram de noite roubá-l’O, enquanto nós estávamos a dormir’. Se isto chegar aos ouvidos do governador, nós o convenceremos e faremos que vos deixem em paz». Eles receberam o dinheiro e fizeram como lhes tinham ensinado. Foi este o boato que se divulgou entre os judeus, até ao dia de hoje.

Compreender a Palavra
Mateus oferece-nos uma narração da ressurreição onde coloca em paralelo as forças da vida e as forças da morte. Enquanto Maria Madalena e a outra Maria correm cheias de temor e de alegria para levar a notícia da ressurreição aos discípulos, enquanto elas fazem a experiência do encontro com Cristo ressuscitado e recebem dele uma missão, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos congeminam uma mentira para abafar a notícia alegre da ressurreição e confiam essa missão aos guardas a troco de dinheiro.

Meditar a Palavra
Os meus pés caminham em terreno escorregadio. E é nesse terreno que faço a experiência do encontro com Cristo ressuscitado. Ele, o Senhor, faz-se encontrado para me confiar a missão de o anunciar a todos. Ele sabe que à minha volta se congemina a mentira que quer apagar a voz de quem o anuncia, mas diz-me com toda a força “não tenhas medo. Vai…”

Rezar a Palavra
Saíste ao meu encontro. Interrompeste os meus passos para que pudesse ver-te, ressuscitado e confiaste-me a missão de levar a boa notícia a todos os homens. Tu sabes que meus passos seguem paralelos aos passos do mundo que não quer conhecer-te, por isso me animas. Diz, forte, Senhor, ao meu coração aquela palavra que Madalena e a outra Maria ouviram “não temais” para que sinta renascer, em mim, cada dia a coragem de falar de ti.

Compromisso
Hoje vou ser sinal de ressurreição para os meus irmãos.