Sexta-feira da Semana II do Tempo do Advento

Isaías 48, 17-19 

Eis o que diz o Senhor, o teu redentor, o Santo de Israel: «Eu sou o Senhor, teu Deus, que te ensino o que é para teu bem e te conduzo pelo caminho que deves seguir. Se tivesses atendido às minhas ordens, a tua paz seria como um rio e a tua justiça como as ondas do mar. A tua descendência seria como a areia e como os seus grãos a tua posteridade. Nunca o teu nome seria tirado nem riscado da minha presença».

Compreender a Palavra

Isaías insiste com o povo até o fazer compreender que a razão dos seus queixumes não está em Deus mas na sua decisão de abandonar os caminhos do Senhor. Deus não abandonou o seu povo. Continua vigiando sobre ele, atento aos seus clamores, mas não é culpado da desgraça em que caíram porque lhes ensina o que é para seu bem e o conduz pelo caminho que deve seguir. ”Se tivesses atendido às minhas ordens… nunca o teu nome seria tirado nem riscado da minha presença”.

Meditar a Palavra

Estas palavras de Isaías soam como um apelo de Deus a regressar. Do mesmo modo que deixaste de ouvir a minha voz e seguiste pelo caminho da desobediência que te faz experimentar a sede e a ausência de Deus, agora podes voltar a escutar a voz de Deus que te ensina o que é para teu bem e seguir pelo seu caminho. Com Deus há sempre uma nova oportunidade. Enquanto não se apaga a vida podemos sempre voltar atrás nas nossas decisões. Abandonaste o Senhor? Podes sempre regressar que ele te acolherá.

Rezar a Palavra

Perdi-me, Senhor, na ilusão de ser feliz por minha conta. Esqueci-me que é Deus, o Senhor, o Pai que me ensina o caminho da vida como um mar inesgotável. Procurei saciar-me nas águas inquinadas dos poços escavados com as minhas próprias mãos e perdi-me de ti. Acolhe-me de novo, Senhor, reescreve o meu nome na palma da tua mão e guarda-me no íntimo do teu coração.

Compromisso

Escutar a voz de Deus é o primeiro passo para o regresso à sua presença.

 


 

Evangelho: Mt 11, 16-19

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «A quem poderei comparar esta geração? É como os meninos sentados nas praças, que se interpelam uns aos outros, dizendo: ‘Tocámos flauta e não dançastes; entoámos lamentações e não chorastes’. Veio João Baptista, que não comia nem bebia, e dizem que tinha o demónio com ele. Veio o Filho do homem, que come e bebe, e dizem: ‘É um glutão e um ébrio, amigo de publicanos e pecadores’. Mas a sabedoria foi justificada pelas suas obras».

Compreender a Palavra

Perante a atitude de incredulidade e rejeição por parte dos seus ouvintes, Jesus toma a palavra para chamar a atenção para o facto de estarem a rejeitar a verdade. Ele, que é a Palavra do Pai, não é palavras lançadas ao vento. Ele é acontecimento. Deus não diz palavras, revela-se na Palavra, mas Ele é sobretudo acontecimento no mundo e no homem. Quando este acontecimento irrompe na vida do homem e é por ele aceite, então, acontece a desejada salvação.

Meditar a Palavra

Muitas vezes a nossa atitude é a de ficar a olhar. Ver onde param as modas. Esperar que os outros respondam para depois tomar uma atitude. A desconfiança mata em nós a possibilidade do acontecimento porque não nos entregamos totalmente. Desconfiamos da verdade porque ela exige muito de nós. Os ouvintes de Jesus também foram assim. Veio João Baptista que lhes mostrou a verdade e arranjaram uma desculpa, veio Jesus e arranjaram outra. A verdade não cabia nas suas vidas. Mas a verdade impõe-se, connosco ou sem nós. Vejamos bem para não ficarmos mergulhados em desculpas, desconfianças, rejeições e acabemos por perder a oportunidade de viver o acontecimento de Deus nas nossas vidas.

Rezar a Palavra

As propostas de uma vida fácil e feliz vêm de muitos lados e aparecem revestidas das mais diversas roupagens. Senhor. Tu nos disseste para termos cuidado porque haviam de aparecer muitos a dizer “é por aqui” “sou eu”. O Teu alerta “não os sigais” pretendia ajudar-nos a viver na verdade, a aceitar a verdade e responder com verdade. Ilumina o nosso espírito, Senhor, para conhecermos a verdade e ao conhecê-la a amemos com todo o coração.

Compromisso

Vou medir as minhas palavras, para não ser daqueles para quem tudo está sempre mal e nunca fazem nada para mudar as situações.

 

Quarta-feira da Semana II do Tempo do Advento

Isaías 40, 25-31 

«A quem Me comparareis que seja semelhante a Mim? – diz o Deus Santo – Erguei os olhos para o alto e olhai. Quem criou estas estrelas? Aquele que as conta e as faz marchar como um exército e as chama a todas pelos seus nomes. Tal é a sua força e tão grande é o seu poder, que nenhuma falta à chamada. Jacob, porque dizes; Israel, porque afirmas: ‘O meu destino está oculto ao Senhor e a minha causa passa despercebida ao meu Deus’? Não o sabes, não o ouvistes dizer? O Senhor é um Deus eterno, criador da terra até aos seus confins. Ele não Se cansa nem Se fatiga e a sua inteligência é insondável. Dá força ao que anda exausto e vigor ao que anda enfraquecido. Os jovens cansam-se e fatigam-se e os adultos tropeçam e vacilam. Mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, formam asas como as águias. Correm sem se fatigarem, caminham sem se cansarem».

Compreender a Palavra

Ao longo do caminho, mesmo com a promessa da salvação, é fácil perder a esperança e deixar de confiar. A salvação parece tardar, as dificuldades acumulam-se ao cansaço e o desânimo aparece como a única resposta possível. Deus parece ter-se esquecido do seu povo. Resto o desabafo ‘o meu destino está oculto ao Senhor e a minha causa passa despercebida ao meu Deus’. Mas “o Senhor é um Deus eterno, não se cansa nem se fatiga, dá força ao que anda exausto e vigor ao que anda enfraquecido”. Quem é, afinal, o Senhor em que colocámos a nossa confiança?

Meditar a Palavra

Diante da vida real de homens e mulheres com fome, famílias a quem foi retirada a casa, situações de angústia perante o amanhã, perante os corpos dilacerados na carne pela doença, de vidas esquecidas e impedidas de sonhar, no meio dos conflitos de irmãos e cenas de violência e medo no lar que devia ser lugar de amor, é difícil anunciar um Deus que vem ao nosso encontro e traz na mão a salvação. Muitos questionam a esperança e a confiança num Deus que tarda em cumprir a sua promessa de libertação. Quando acabarão estes dias de exílio, este tempo de desterro, quando secarão as minhas lágrimas e se abrirá para mim a porta da esperança? Isaías fala hoje para nós, chamando-nos à esperança. Quem é para nós o Senhor, com quem o confundimos? Ergue os olhos e vê, o Senhor é um Deus eterno que dá força ao que anda exausto.

Rezar a Palavra

Estou exausto, Senhor ao ver o drama de tantos irmãos que se veem sós e sem esperança no meio das suas pobres vidas. Experimento-me incapaz de estender a mão a todos. Sinto-me exausto diante de mim mesmo, na luta contra o pecado que me afasta de ti e me deixa enfraquecido. Comigo tantos irmãos creem que já não vale a pena lutar, morrerão no seu pecado. Vem, Senhor, e dá força aos nossos membros, anima a nossa confiança, faz-nos recuperar a esperança.

Compromisso

Esperar no Senhor é já ter alcançado. Não vou cansar-me de esperar a vinda do Senhor.

 

 


 

Evangelho: Mt 11, 28-30

Naquele tempo, Jesus exclamou: «Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».

Compreender a Palavra

As palavras de Jesus que escutamos hoje, vêm imediatamente a seguir à conhecida oração em que Ele bendiz o Pai porque se revela aos pequeninos. O centro do texto de hoje está na revelação que Jesus faz de si mesmo. Ele apresenta-se como aquele que é “manso e humilde de coração”. Desta forma, Jesus, pretende dizer a todos que não devem ter medo porque ele, o Messias, não vem para se impor sobre ninguém nem para impor um jugo pesado como fazem os chefes das nações. Ele é “manso e humilde”, por isso, o seu jugo é suave e nele encontram descanso todos os que andam cansados e oprimidos.

Meditar a Palavra

A Palavra provoca em mim dois movimentos. Por um lado convida-me a ir ter com Jesus, a aproximar-me confiante na sua mansidão e na sua humildade. Nele encontrarei o descanso para as minhas tribulações. Por outro lado, sou convidado a tornar-me descanso para todos os que andam cansados e oprimidos. A palavra secreta é precisamente “aprendei de mim”. Todo o que aprende com Jesus torna-se, como Ele, descanso e alívio para os outros.

Rezar a Palavra

Senhor, a tua palavra seduz-me. Nem sempre sou capaz de me aproximar e tantas vezes, mesmo aproximando-me de ti, tenho dificuldade em aprender os teus sentimentos. Por isso sou áspero, agressivo, intolerante e exigente com os outros sem medir o peso que imponho sobre eles. Ensina-me a ser como tu, manso e humilde de coração, para que todos encontrem descanso para as suas almas enquanto caminhamos para ti.

Compromisso

A minha resposta à palavra tem que ser a minha preocupação em aliviar os irmãos mais sobrecarregados com o peso da vida.

Terça-feira da Semana II do Tempo do Advento

Is 40, 1-11 

Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. Falai ao coração de Jerusalém e dizei-lhe em alta voz que terminaram os seus trabalhos e está perdoada a sua culpa, porque recebeu da mão do Senhor duplo castigo por todos os seus pecados. Uma voz clama: «Preparai no deserto o caminho do Senhor, abri na estepe uma estrada para o nosso Deus. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas. Então se manifestará a glória do Senhor e todo o homem verá a sua magnificência, porque a boca do Senhor falou». Uma voz dizia: «Clama». E eu respondi: «Que hei-de clamar?» – «Todo o ser humano é como a erva, toda a sua glória é como a flor do campo. A erva seca e as flores murcham, quando o vento do Senhor sopra sobre elas. A erva seca e as flores murcham, mas a palavra do nosso Deus permanece eternamente» –. Sobe ao alto dum monte, arauto de Sião; grita com voz forte, arauto de Jerusalém; levanta sem temor a tua voz e diz às cidades de Judá: «Eis o vosso Deus. O Senhor Deus vem com poder, o seu braço dominará. Com Ele vem o seu prémio, precede-O a sua recompensa. Como um pastor apascentará o seu rebanho e reunirá os animais dispersos; tomará os cordeiros em seus braços, conduzirá as ovelhas ao seu descanso».

Compreender a Palavra

A palavra de Isaías é manifestação da esperança num Deus que vem com poder salvar o seu povo caído no desânimo do desterro de Babilónia. Como no Egito, também agora este povo experimenta o abandono de Deus como um castigo pelo seu pecado. Mas o Senhor não esquece o seu povo e manda o profeta “clamar” em alta voz que a palavra que anuncia a salvação é palavra de Deus e não palavra humana. Os homens são como a erva que murcha e seca mas a palavra de Deus cumpre-se. Deus vem como um pastor que reúne o rebanho e acolhe nos seus braços as mais frágeis.

Meditar a Palavra

Neste tempo de Advento a palavra de Isaías chega como uma promessa à nossa vida. Tantas vezes desterrados no desânimo por nos parecer que a estamos atolados nas lamas do destino que só nos oferece sofrimento e dor, esquecemo-nos de olhar para o alto, onde, sobre as nuvens já chegam os primeiros raios daquele que vem salvar. Abrir os olhos para ver o Senhor a manifestar-se em nós e à nossa volta como libertador das cadeias e como um pastor que não se cansa de nos procurar para nos trazer de novo ao seu rebanho, é o segredo para reencontrar a alegria da esperança.

Rezar a Palavra

Abre, Senhor, os meus olhos à esperança. É verdade que na vida e no mundo há tantos sinais de desgraça que podem provocar-nos a desilusão, mas também é verdade que os teus sinais libertadores, a força e o poder do teu amor que perdoa e salva são mais fortes que qualquer desgraça que estejamos a viver. Salva-nos, Senhor, do desterro do nosso desânimo e da fraqueza da nossa pouca fé.

Compromisso

Olho o céu para ver aquele que vem salvar.


Evangelho: Mt 18, 12-14

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas e uma delas se tresmalhar, não deixará as noventa e nove nos montes para ir procurar a que anda tresmalhada? E se chegar a encontrá-la, em verdade vos digo que se alegra mais por causa dela do que pelas noventa e nove que não se tresmalharam. Assim também, não é da vontade de meu Pai que está nos Céus que se perca um só destes pequeninos».

Compreender a Palavra

Jesus conta uma parábola onde explica o amor de Deus por todos os homens. A sua predilecção pelos mais pequenos, pelos mais pobres e simples, por aqueles que se perdem na vida.

Meditar a Palavra

Temos a tentação de olhar para as coisas grandes, para as pessoas importantes, para o que chama a atenção, para as aparências. Jesus ensina-nos que Deus olha ao coração. O coração de Deus vê em cada homem um filho. Nós vemos ricos, pobres, pecadores, simpáticos… Deus vê apenas filhos a quem Ele quer salvar. Somos convidados a ver com os olhos e o coração de Deus para encontrarmos em cada homem um irmão a quem Deus nos envia como sinal do seu amor.

Rezar a Palavra

O meu olhar, Senhor, coloca rótulos nos irmãos e faz distinção de acordo com os critérios do mundo. Por causa disso sinto-me muitas vezes distante dos outros e percebo-os como estranhos com quem é difícil contactar. Só o teu olhar é capaz de ver para além das aparências. Ensina-me, Senhor, a ver como tu vês. Ensina-me a ver com o coração.

Compromisso

Hoje vou fazer o caminho da ovelha perdida para a encontrar e trazer a Jesus.

Segunda-feira da Semana II do Tempo do Advento

Isaías 35, 1-10 

Alegrem-se o deserto e o descampado, rejubile e floresça a terra árida, cubra-se de flores como o narciso, exulte com brados de alegria. Ser-lhe-á dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e de Saron. Verão a glória do Senhor, o esplendor do nosso Deus. Fortalecei as mãos fatigadas e robustecei os joelhos vacilantes. Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais: Aí está o vosso Deus, que vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-vos». Abrir-se-ão os olhos dos cegos e os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria. As águas brotarão no deserto e as torrentes na aridez da planície; a terra seca transformar-se-á em lago e a terra sequiosa em nascentes de água. No covil dos chacais crescerão canas e juncos. Aí haverá uma estrada, que se chamará «caminho sagrado»; nenhum homem impuro passará por ele e nele os insensatos não se perderão. Nesse caminho não haverá leões, nem andarão por ali animais ferozes. Por ele caminharão os resgatados e voltarão os que tiver libertado o Senhor. Hão-de chegar a Sião com brados de alegria, com eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto. Reinarão o prazer e o contentamento e acabarão a dor e os gemidos.

Compreender a Palavra

A proposta é de alegria e felicidade eternas. O profeta apresenta uma certeza “o Senhor vem salvar” e apresenta esta salvação colocando a natureza a gritar de alegria, renovada pela vida nova que o Senhor lhe concede. O deserto e o descampado gritam de alegria, a terra árida cobre-se de flores e as águas brotarão no deserto criando lagos e nascentes. Cegos, coxos e surdos poderão participar e seguir pelo “caminho sagrado” de regresso a Sião. Ouvir-se-á a alegria e brilhará a felicidade eterna no rosto dos que fizerem o caminho.

Meditar a Palavra

No deserto descampado da nossa vida o Senhor salva. Não são imagens nem linguagem cujo sentido se não perceba, é a própria realidade, o Senhor vem salvar. A sua salvação robustece as nossas mãos e os nossos joelhos vacilantes. Transforma o nosso rosto de luto em resplendor de alegria e manifestação de felicidade eterna. Ele abre um caminho novo pelo qual podemos regressar. Um caminho aberto a todos, coxo, cegos, surdos, todos serão conduzidos por este caminho sagrado. O Senhor vencerá em nós a dor e os gemidos. Não seremos mais um deserto, uma terra árida mas um jardim bem irrigado, um lago, uma nascente no meio do deserto. Animados por estas palavras experimentamos já ao longo do caminho a alegria que nos aguarda quando chegarmos ao fim no encontro com aquele que nos salva.

Rezar a Palavra

No meio das lágrimas de dor e gemidos a vida transforma-se em deserto se no silêncio da noite não me assiste a tua palavra renovadora. A promessa ressoa em meu coração “o Senhor vem salvar” e eu confio. Mas o meu coração teme ser enganado por falsas imagens e vás palavras. Dá vigor às minhas mãos abertas para ti e aos meus joelhos caídos por terra em oração. Não deixes que o meu coração desanime neste caminho sagrado ao ver a proximidade dos leões ameaçadores. Faz resplandecer em mim a felicidade eterna para que siga alegre e confiante pela estrada de Sião.

Compromisso

Enquanto houver caminho não se perde a esperança e enquanto houver uma palavra o deserto pode tornar-se um jardim, por isso procuro o caminho e escuto no silêncio.


Evangelho: Lc 5, 17-26

Certo dia, enquanto Jesus ensinava, estavam entre a assistência fariseus e doutores da Lei, que tinham vindo de todas as povoações da Galileia, da Judeia e de Jerusalém; e Ele tinha o poder do Senhor para operar curas. Apareceram então uns homens, trazendo num catre um paralítico; tentavam levá-lo para dentro e colocá-lo diante de Jesus. Como não encontraram modo de o introduzir, por causa da multidão, subiram ao terraço e, através das telhas, desceram-no com o catre, deixando-o no meio da assistência, diante de Jesus. Ao ver a fé daquela gente, Jesus disse: «Homem, os teus pecados estão perdoados». Os escribas e fariseus começaram a pensar: «Quem é este que profere blasfémias? Não é só Deus que pode perdoar os pecados?» Mas Jesus, que lia nos seus pensamentos, tomou a palavra e disse-lhes: «Que estais a pensar nos vossos corações? Que é mais fácil dizer: ‘Os teus pecados estão perdoados’ ou ‘Levanta-te e anda’? Pois bem, para saberdes que o Filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados… Eu te ordeno – disse Ele ao paralítico – levanta-te, toma a tua enxerga e vai para casa». Logo ele se levantou à vista de todos, tomou a enxerga em que estivera deitado e foi para casa, dando glória a Deus. Ficaram todos muito admirados e davam glória a Deus; e, cheios de temor, diziam: «Hoje vimos maravilhas».

Compreender a Palavra

A palavra começa por nos mostrar a existência de duas forças, a de Jesus que ensinava com o poder de Deus e os incrédulos, fariseus e doutores da lei. A verdade é que há quem precise de libertação e encontre a resposta para a sua vida em Jesus. Os incrédulos, não consta que tenham libertado alguém, mas Jesus sim, Ele toca, e salva. Este homem paralítico viu-se curado e viu também a sua vida cheia de alegria sentindo vontade de dar glória a Deus e a multidão reconheceu que aquelas maravilhas vinham de Deus e também terminou por dar glória a Deus.

Meditar a Palavra

Hoje posso fazer a experiência do paralítico que é levado a Jesus. Perante a minha paralisia só Jesus pode responder com a sua palavra libertadora. Quando Jesus me dirige a sua palavra toda a vida se renova em mim e não só começo a andar como vejo a minha existência repleta de alegria. Estas são razões suficientes para dar glória a Deus.

Rezar a Palavra

Vem à minha vida, Senhor, e toca o meu coração, ali onde o pecado não me deixa levantar. Olha-me no mais íntimo de mim e conhece-me naquele conhecimento que tudo transforma e tudo faz renascer como vida nova. Estou totalmente disponível para ouvir a tua voz que me liberta e sentir o teu amor que me preenche. Vem, Senhor Jesus.

Compromisso

Hoje vou experimentar a presença libertadora de Jesus, num momento de oração ou até mesmo, se possível, numa confissão bem feita.

Sexta-feira da Semana I do Tempo do Advento

1ª Leitura: Isaías 29, 17-24 

Assim fala o Senhor Deus: Daqui a muito pouco tempo, não há de o Líbano transformar-se num jardim e o jardim parecer uma floresta? Nesse dia, os surdos ouvirão ler as palavras do livro; libertos da escuridão e das trevas, os olhos dos cegos tornarão a ver. Os humildes alegrar-se-ão cada vez mais no Senhor e os mais pobres dos homens rejubilarão no Santo de Israel. O tirano deixará de existir, o escarnecedor desaparecerá e serão exterminados os que só pensam no mal: aqueles que fazem condenar os outros pelas suas palavras, os que armam ciladas no tribunal a quem promove a justiça e sem razão arruínam o justo. Por isso, o Senhor, que libertou Abraão, assim fala à casa de Jacob: ‘Doravante Jacob não terá de que se envergonhar, o seu rosto não voltará a empalidecer, porque, ao verem no meio dele os seus filhos, obras das minhas mãos, proclamarão santo o meu nome’. Proclamarão a santidade do Santo de Jacob e temerão o Deus de Israel. Os espíritos desnorteados aprenderão a sabedoria e os murmuradores hão de aceitar a instrução».

Compreender a Palavra

Deus vai renovar todas as coisas do mesmo modo que a natureza se renova em cada ano. “O Líbano vai tornar-se um jardim e o jardim uma floresta”. Do mesmo modo o surdo, o cego, os humildes e os pobres verão a sua vida transformada, experimentarão a liberdade diante do tirano, do escarnecedor, dos que só pensam no mal e dos que condenam o justo e lhe armam ciladas. É o Senhor quem vai libertar Jacob com as suas próprias mãos. Jacob, o povo do Senhor, poderá levantar a cabeça sem vergonha, sem medo.

Meditar a Palavra

Cegos, surdos, pobres e humilhados, somos levantados da nossa vergonha e libertados do poder que escraviza os nossos corações, pela mão poderosa do Senhor que libertou Abraão e a casa de Jacob. O Senhor que fala aos nossos corações derruba os poderosos de seus tronos e confunde os nossos adversários que armam ciladas aos nossos pés com palavras enganadoras. Com a sua palavra orienta-nos na sabedoria, levanta as nossas cabeças e lava-nos da vergonha a que nos votaram os nossos pecados. Por isso nos alegramos e rejubilamos, o Senhor está no meio de nós e salva-nos.

Rezar a Palavra

Liberta, Senhor, a minha vida do pó em que se prostrou, da cegueira do pecado, da surdez que cala a tua palavra, da humilhação que ofende a tua imagem de Pai e criador. Faz brilhar sobre mim a luz da tua sabedoria e transforma-me como fizeste com o Líbano que transformaste em jardim e com o deserto que transformaste em oásis. Levanta o meu rosto envergonhado e faz-me exultar de alegria e rejubilar com a tua salvação.

Compromisso

A alegria vem do Senhor, por isso procuro a sua misericórdia e renovar-me no seu perdão.

 


Evangelho: Mt 9, 27-31 

Naquele tempo, Jesus pôs-Se a caminho e seguiram-n’O dois cegos, gritando: «Filho de David, tem piedade de nós». Ao chegar a casa, os cegos aproximaram-se d’Ele. Jesus perguntou-lhes: «Acreditais que posso fazer o que pedis?» Eles responderam: «Acreditamos, Senhor». Então Jesus tocou-lhes nos olhos e disse: «Seja feito segundo a vossa fé». E abriram-se os seus olhos. Jesus advertiu-os, dizendo: «Tende cuidado, para que ninguém o saiba». Mas eles, quando saíram, divulgaram a fama de Jesus por toda aquela terra.

Compreender a Palavra

Mateus expõe em três partes a cura de dois cegos: Primeiro, os cegos seguem atrás de Jesus implorando piedade. Depois entram em casa e aproximam-se dele estabelecendo um interessante diálogo que pretende centrar a fé dos que estão com eles em casa. Finalmente surge uma advertência de Jesus e a resposta dos cegos. Trata-se de uma catequese destinada aos que querem ser discípulos de Jesus. Esta catequese pretende ensinar que o caminho de Jesus pode ser longo e muitas vezes Jesus parece não ouvir a nossa voz. Por outro lado, é na comunidade (em casa) dos crentes que esclarecemos a fé (a fé abre os olhos) para nos centrarmos em Jesus e no poder da sua ação e não em qualquer outro interesse. Os cegos, que agora veem, entendem que não é importante falar do milagre mas não podem calar a verdade sobre Jesus. Por isso saem a divulgar a fama de Jesus, isto é, tornam-se comunicadores da Luz.

Meditar a Palavra

Jesus convida-me a segui-lo pelos caminhos da minha vida mas também a demorar-me com Ele na sua casa para o conhecer e centrar nele a minha fé, juntamente com os meus irmãos. Pede-me que esclareça e purifique a fé no encontro com Ele e com os irmãos, para não ver a partir do exterior mas do mistério que se esconde em mim. Só assim poderei, como os cegos, comunicar a verdade de Jesus a todos os homens caso contrário apenas direi banalidades que não têm nada a ver com Jesus.

Rezar a Palavra

Tem piedade de mim, Senhor, porque tenho olhos mas não vejo. Mostra-me o mistério que se esconde em mim e me faz desejar ver-te, porque não me é suficiente o que posso contemplar com os meus olhos. Concede-me o dom da fé, a luz para os olhos da fé, a fim de poder falar de ti, com verdade, aos meus irmãos.

Compromisso

Depois de escutar a palavra de hoje vou fazer a experiência dos cegos que seguem Jesus, permanecendo com Ele em sua casa para poder falar dele a todos.

Quinta-feira da Semana I do Tempo do Advento

Isaías 26, 1-6 

Naquele dia, cantarão este hino na terra de Judá: «Nós temos uma cidade forte; muralhas e fortificações foram postas para nos proteger. Abri as portas para que entre um povo justo, um povo que pratica a fidelidade. O seu coração está firme: dar-lhe-eis a paz, porque em Vós tem confiança». Confiai sempre no Senhor, porque o Senhor é a nossa fortaleza eterna. Humilhou os habitantes das alturas, abateu a cidade inacessível, derrubou-a por terra, arrasou-a até ao solo. Ela é calcada aos pés, os pés dos infelizes, os passos dos pobres.

Compreender a Palavra

Isaías proclama a salvação dos pobres, dos infelizes, dos fracos. Deus vê a miséria do seu povo cativo, subjugado e infeliz em Babilónia e derruba as muralhas dos opressores, das cidades fortes e poderosas, ao mesmo ritmo que ergue as fortificações da cidade santa para proteção do seu povo fiel que coloca nele a sua confiança.

Meditar a Palavra

Junto do Senhor encontramos a segurança e a proteção necessária contra os nossos inimigos e opressores. Hoje, para além de muitos opressores humanos, sentimos também a opressão interior que nos arrasta para fora de nós, obrigando-nos a viver como em terra estrangeira. É o inimigo mais forte do homem, o pecado, que nos rouba a paz e a harmonia e faz de nós uma terra devastada, um lugar inóspito onde não se pode viver. É o pecado que ocupa a nossa consciência, o nosso coração, a nossa vida e transforma a harmonia inicial no caos. Dentro de nós persiste, mesmo assim, uma fidelidade ao Deus da misericórdia que abre caminhos novos onde ninguém esperava e nos faz regressar à sua cidade santa, ao lugar do seu repouso, à sua casa.

Rezar a Palavra

Faz-me regressar, Senhor, à tua casa, ao lugar onde o meu coração pode viver em segurança, protegido pela tua misericórdia. Derruba as muralhas que o pecado levantou em mim e me impedem de ir ao teu encontro e ergue as fortificações do teu amor para que viva em paz dentro de mim.

Compromisso

A conversão derruba as muralhas da impossibilidade e gera movimentos de encontro com Deus.

 


 

Evangelho Mt 7, 21.24-27

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Nem todo aquele que Me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no reino dos Céus, mas só aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus. Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; mas ela não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. Mas todo aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é como o homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; ela desmoronou-se e foi grande a sua ruína».

Compreender a Palavra

Jesus conta uma parábola para ensinar que a relação dos seus discípulos com Ele não pode ser uma relação de palavra nem uma relação de acasos e circunstâncias. O verdadeiro discípulo permanece na união com Jesus muito para além das circunstâncias e adversidades porque cimenta a sua relação na fidelidade e na obediência à Palavra. É como um homem que constrói a casa sobre a rocha

Meditar a Palavra

Muitas vezes tenho escutado esta palavra. Hoje o Senhor convida-me a confiar nele plenamente como rocha segura da minha vida. A confiança tem dois pilares a obediência e a fidelidade. A obediência diz-me que não construo como eu quero nem onde me parece mais adequado mas onde e como o Senhor quer que eu construa. Na sua palavra conheço o projecto de Deus para construir como Ele quer. Na fidelidade firmo os meus passos na sua vontade para que em nenhum momento me deixe seduzir por outros projectos que, podendo ser mais atraentes, não são de verdade mais seguros.

Rezar a Palavra

Tu és, Senhor, a rocha, o alicerce, a pedra sobre a qual a minha vida se pode construir em segurança. Tantas vezes esta construção se me afigura difícil, arriscada e perigosa. Os ventos, as correntes das águas as chuvas fazem sentir a sua força e o seu poder. Por momentos temo como os discípulos no meio da tempestade. Mas a tua Palavra, a certeza de que não me enganas e o testemunho de tantos que confiaram em Ti, faz-me vencer os meus medos e a minha insegurança. Obrigado por seres para mim o refúgio seguro.

Compromisso

Hoje quero agradecer ao Senhor por me ter ensinado, de muitos modos e através de muitas pessoas, a confiar na sua Palavra.

Santo André, Apóstolo

Rom 10, 9-18

Irmãos: Se confessares com a tua boca que Jesus é o Senhor e se acreditares em teu coração que Deus O ressuscitou dos mortos, serás salvo. Pois com o coração se acredita para obter a justiça e com a boca se professa a fé para alcançar a salvação. Na verdade, a Escritura diz: «Todo aquele que acreditar no Senhor não será confundido». Não há diferença entre judeu e grego: todos têm o mesmo Senhor, rico para com todos os que O invocam. Portanto, todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Mas como hão de invocar Aquele em quem não acreditam? E como hão de acreditar n’Aquele de quem não ouviram falar? E como hão de ouvir falar, se não houver quem lhes pregue? E como hão de pregar, se não forem enviados? Está escrito: «Como são formosos os pés dos que anunciam o Evangelho!». Mas nem todos obedecem ao Evangelho, como Isaías diz: «Senhor, quem acreditou na nossa pregação?». A fé, portanto, vem da pregação e a pregação é o anúncio da palavra de Cristo. Mas pergunto: Não a teriam ouvido? Ao contrário, como diz a Escritura: «A sua voz ressoou por toda a terra e as suas palavras até aos confins do mundo».

Compreender a Palavra

Celebramos Santo André Apóstolo

Paulo na Carta aos romanos reflete sobre o caminho pelo qual se chega à fé e pergunta-se sobre a razão que impede que muitos não alcancem essa experiência que leva a confessar que Jesus é o Senhor. Confessar com a boca e acreditar com o coração conduz à salvação. Porque não confessam? Porque não acreditam? Será que não ouviram? Pela escuta da palavra se chega ao conhecimento de Cristo, pelo conhecimento se chega à fé e pela fé se confessa que Jesus é o Senhor. Então o que falhou, se a escritura diz que a sua palavra ressoou por toda a terra? Não anunciámos? Não escutaram?

Meditar a Palavra

Na festa do apóstolo Santo André a palavra, tirada da carta aos romanos, provoca a nossa atitude diante do mistério de Cristo. Que fazemos com o mistério de Cristo revelado aos nossos corações? Guardamos essa revelação para nós ou confessamos, pelo conhecimento que chegou até nós, a fé naquele que morreu e ressuscitou dando-o a conhecer a todos? Pelo conhecimento se chega à fé e pela confissão da fé se alcança a salvação. Porque há tantos, pergunta Paulo, que não confessam a fé em Cristo? Será porque nós calámos e não anunciámos? Será porque eles não querem ouvir? O apóstolo André, como todos os apóstolos impõem-se diante de nós como mestres na arte de fazer chegar a toda a parte a notícia do salvador. Como iremos nós fazer com que a notícia que chegou até nós, chegue todos os homens e una todos os lábios na confissão da mesma fé?

Rezar a Palavra

Coloca-me, Senhor, no meio da assembleia e não permitas que meus lábios se fechem no silêncio de quem guarda para si o mistério. Coloca em meus lábios as tuas palavras para que manifeste aos meus irmãos a salvação que nos ofereces na tua morte e ressurreição. Que a notícia se espalhe para que todos confessem que só tu és o Senhor.

Compromisso

Viver a fé é anunciar o mistério de Cristo salvador.

 


EVANGELHO Mt 4, 18-22

Caminhando Jesus ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. Disse-lhes Jesus: «Vinde e segui-Me e farei de vós pescadores de homens». Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O. Um pouco mais adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco, na companhia de seu pai Zebedeu, a consertar as redes. Jesus chamou-os e eles, deixando o barco e o pai, seguiram-n’O.

Compreender a Palavra

Ao celebrar a festa de Santo André o texto evangélico de Mateus apresenta o chamamento dos primeiros discípulos, junto ao mar da Galileia. Trata-se do primeiro grupo de quatro homens, Pedro e o irmão André, Tiago e o irmão João. André, que hoje celebramos é um dos quatro. Jesus passa na praia onde eles se encontravam a lançar e a consertar as redes e interrompe as suas vidas. Lança-lhes uma rede diferente e convida-os a mudar o objetivo da sua pesca. “Farei de vós pescadores de homens”, eles deixaram as redes e o barco e “seguiram-no”.

Meditar a Palavra

Há um desafio que Jesus lança aos primeiros homens, pescadores, que ele chama a segui-lo, que permanece atual e fundamental para o mundo de hoje. Converter a minha vida em lugar onde as minhas capacidades, conhecimentos e atividades servem para tornar o reino de Deus conhecido de todos os homens. Fazer da minha vida um lugar capaz de acolher todos os que, pela palavra, se entusiasmam a seguir Jesus. Ele lança-me o desafio, “segue-me”, para que também eu erga a minha voz aos homens que encontro e os convide a seguir Jesus numa vida ao serviço do Reino de Deus. Deixar tudo e segui-lo é urgente para dar sentido a minha vida e à de todos os homens.

Rezar a Palavra

A tua palavra, Senhor, ecoa aos meus ouvidos como um desafio radical que mexe com todas as estruturas da minha vida. Nada fica como estava quando tu passas por mim. As redes, a barca, o pai, os irmãos, tudo se altera perante a tua voz desafiante, “Segue-me”. Quero seguir-te, Senhor, e tornar-me um pescador de homens para que experimentem a força do teu olhar.

Compromisso

Vou olhar os meus irmãos, amigos e companheiros e estudar a melhor forma de lhes falar de Jesus, de modo que se entusiasmem a segui-lo.

Terça-feira da Semana I do Tempo do Advento

Isaías 11, 1-10

Naquele dia, sairá um ramo do tronco de Jessé e um rebento brotará das suas raízes. Sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de conhecimento e de temor de Deus. Animado assim do temor de Deus, não julgará segundo as aparências, nem decidirá pelo que ouvir dizer. Julgará os infelizes com justiça e com sentenças rectas os humildes do povo. Com o chicote da sua palavra atingirá o violento e com o sopro dos seus lábios exterminará o ímpio. A justiça será a faixa dos seus rins e a lealdade a cintura dos seus flancos. O lobo viverá com o cordeiro e a pantera dormirá com o cabrito; o bezerro e o leãozinho andarão juntos e um menino os poderá conduzir. A vitela e a ursa pastarão juntamente, suas crias dormirão lado a lado; e o leão comerá feno como o boi. A criança de leite brincará junto ao ninho da cobra e o menino meterá a mão na toca da víbora. Não mais praticarão o mal nem a destruição em todo o meu santo monte: o conhecimento do Senhor encherá o país, como as águas enchem o leito do mar. Nesse dia, a raiz de Jessé surgirá como bandeira dos povos; as nações virão procurá-la e a sua morada será gloriosa.

Compreender a Palavra

Isaías profetisa a chegada daquele que vive animado pelo Espírito, Jesus, de quem Deus disse “Este é o meu Filho muito amado” e de quem ele próprio disse “O Espírito do Senhor está sobre mim”. Portanto, hoje escutamos estas palavras com os olhos postos em Jesus. O Espírito do Senhor manifesta-se como sabedoria e inteligência, conselho e fortaleza, conhecimento e temor de Deus. Não atua segundo as aparências mas tem como prioridade dos injustiçados, os humildes e como principal objetivo alcançar a paz pela vitória sobre o mal.

Meditar a Palavra

Jesus, o animado pelo Espírito do Senhor, passou fazendo o bem, acolhendo os que injustamente foram tornados os últimos da sociedade, os mal amados, os esquecidos. Prometeu e deu-nos o seu Espírito que transbordou em Pentecostes sobre toda a Igreja e faz ver a Deus. Os humildes compreendem, os simples são capazes de entender o mistério de um Deus não faz distinção de pessoas mas tem uma preferência pelos pobres. Eu também recebi o mesmo Espírito do Senhor, na força dos seus sete dons, mas os meus olhos ainda têm dificuldade em ver as injustiças, os pobres e os esquecidos. Ainda me falta a capacidade de acolher o Espírito e construir a paz entre os que estão a meu lado.

Rezar a Palavra

Senhor Jesus, abre os meus olhos para entender os mistérios do homem que há em mim e que está em cada irmão. Com a tua palavra desperta em mim o coração que atende, escuta e ama os mais pequenos, os mais pobres, os menos amados. Para que, no silencio de cada gesto, construa à minha volta a paz que nos mostraste no mistério silencioso da tua subida a Jerusalém, onde a cruz foi transformada em salvação.

Compromisso

É sempre possível transformar a voz de guerra em grito de alegria e de paz.


Evangelho: Lc 10, 21-24

Naquele tempo, Jesus exultou de alegria pela acção do Espírito Santo e disse: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque isto foi do teu agrado. Tudo Me foi entregue por meu Pai; e ninguém sabe o que é o Filho senão o Pai, nem o que é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar». Voltando-Se depois para os discípulos, disse-lhes: «Felizes os olhos que vêem o que estais a ver, porque Eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que vós vedes e não o viram e ouvir o que vós ouvis e não o ouviram».

Compreender a Palavra

O texto consta de duas partes distintas. A primeira é uma oração de louvor na qual Jesus se dirige a Deus chamando-lhe Pai. Depois são postos frente a frente os sábios e os inteligentes com os pequeninos. Estas categorias de pessoas representam também atitudes de vida. Uma é a atitude dos sábios perante o anúncio do Reino e outra bem diferente é a dos pequeninos. Deus revela-se aos que tomam a atitude dos pequenos. A revelação consiste em dar a conhecer o próprio ser de Deus, a unidade entre o Pai e o Filho. No final, Jesus, refere que este conhecimento de Deus que ele revela aos discípulos foi desejado por muitos que não tiveram a alegria de conhecer de modo tão próximo como os discípulos têm agora oportunidade de conhecer.

Meditar a Palavra

Jesus faz-me hoje o convite a conhecer o mistério de Deus, o mistério do Reino. Confrontado com a multidão de homens e mulheres que esperaram a salvação, não posso tomar uma atitude apática, indiferente, menor. Diante do mistério de Deus revelado por Jesus não posso tomar a atitude dos sábios e inteligentes que tudo questionam. Sou convidado a uma resposta de fé semelhante à dos simples e pequeninos. Então, preciso dizer a mim mesmo, como quem se convida a si próprio, eu quero ver e ouvir o que outros desejaram ver e ouvir e não tiveram oportunidade.

Rezar a Palavra

Abre os meus olhos, Jesus. Abre os meus ouvidos, Senhor. Faz-me ver e ouvir a revelação do mistério de Deus Pai que em ti se dá a conhecer como Deus de amor. Que eu seja capaz de traduzir na minha vida a atitude dos simples que crêem sem questionar e respondem com maravilhamento às pequenas centelhas do teu amor que cada dia chega aos nossos corações. Que eu possa dizer com todo o coração Aba! Ó Pai.

Compromisso

Vou despojar-me do orgulho dos pretensos sábios que ainda me domina, para poder ver o mistério de Deus que se revela em mim.

Segunda-feira da Semana I do Advento

Evangelho: Mt 8, 5-11

Naquele tempo, ao entrar Jesus em Cafarnaum, aproximou-se d’Ele um centurião, que Lhe suplicou, dizendo: «Senhor, o meu servo jaz em casa paralítico e sofre horrivelmente». Disse-lhe Jesus: «Eu irei curá-lo». Mas o centurião respondeu-Lhe: «Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa; mas diz uma só palavra e o meu servo ficará curado. Porque eu, que não passo dum subalterno, tenho soldados sob as minhas ordens: digo a um ‘Vai’ e ele vai; a outro ‘Vem’ e ele vem; e ao meu servo ‘Faz isto’ e ele faz». Ao ouvi-lo, Jesus ficou admirado e disse àqueles que O seguiam: «Em verdade vos digo: Não encontrei ninguém em Israel com tão grande fé. Por isso vos digo: Do Oriente e do Ocidente virão muitos sentar-se à mesa, com Abraão, Isaac e Jacob, no reino dos Céus».

Compreender a Palavra

Iniciamos o novo Ano Litúrgico com o tempo de Advento e seguimos a leitura do evangelho de Mateus. Jesus é interceptado por um centurião que tem um servo doente e prontifica-se a ir curá-lo. A cena torna-se grandiosa quando o centurião manifesta a sua humildade diante de Jesus reconhecendo que não é digno e cresce ainda mais quando na sua humildade demonstra uma fé confiante no poder da palavra de Jesus. Jesus não só cura o servo como apresenta o centurião diante de todos como modelo de fé. Depois, Jesus aproveita para falar do que está para vir, a salvação, que não se destina apenas a Israel mas a todos os povos.

Meditar a Palavra

Sou confrontado neste início de Advento com a necessidade de me abrir à acção poderosa da Palavra de Jesus e de criar em mim esta expectativa da vinda do Senhor. Como a humanidade em geral e o povo da antiga aliança em particular, também faço a experiência da espera de Jesus, salvador do mundo, que veio à terra por Maria, em Belém. Mas faço ainda a experiência, em união com todos os povos, da última vinda do Senhor. Nesse dia o Senhor sentará à sua mesa todos os homens. Também eu quero fazer a experiência da fé confiante do centurião para poder participar na mesa do reino dos céus.

Rezar a Palavra

Muitos quererão entrar e não entrarão no teu reino, Senhor, mas outros, os impensáveis, entrarão à frente de todos. Senhor, vejo-me diante de ti, na realidade da minha vida crente, na incerteza de saber se posso entrar no teu reino, porque pressinto que a minha fé não é suficiente. Creio que não possuo ainda a fé confiante do centurião. Dá-me a disponibilidade interior de aceitar que não me atendas, de confiar para além da satisfação das minhas vontades. Dá-me a consciência da espera activa para que não me deixe adormecer na fé insensata de quem se julga salvo antes de tempo. Concede-me a graça da vigilância para que aguarde o dia da tua chegada a fim de poder entrar contigo no reino e sentar-me à tua mesa com os pobres a quem amas.

Compromisso

Quero fazer da minha vida um tempo de espera vigilante da última vinda do Senhor.

Sexta-feira da Semana XXXIV do Tempo Comum

Apocalipse 20, 1-4. 11 – 21, 2

Eu, João, vi um anjo que descia do céu. Trazia na mão a chave do Abismo e uma grande corrente. Agarrou o Dragão, a Serpente antiga, que também se chama Diabo ou Satanás: prendeu-o por mil anos e lançou-o no Abismo que depois fechou e selou, para que ele não mais enganasse as nações, até que se completassem mil anos. Depois deste período, o Diabo deve ser solto por algum tempo. Vi também alguns tronos; e aos que neles estavam sentados foi dado o poder de julgar. Vi ainda as almas dos que foram decapitados pelo testemunho de Jesus e pela Palavra de Deus, os quais não adoraram a Besta, nem a sua estátua, nem trouxeram na fronte ou na mão o sinal da Besta. Eles reviveram e reinaram com Cristo durante mil anos. Depois, vi um trono magnífico e branco e alguém sentado nele. Os céus e a terra fugiram da sua presença e desapareceram definitivamente. E vi descer do céu, de junto de Deus, a cidade santa, a nova Jerusalém, já preparada, qual noiva adornada para o seu esposo.

Compreender a Palavra

A luta entre o dragão e o Cordeiro chega ao fim. O anjo prendeu o dragão, ou demónio, por mil anos, que significa um tempo indefinido, não quantificável. Depois da vitória, todos os que deram testemunho de Jesus e da sua palavra habitarão na nova Jerusalém, que é a Igreja, cidade da vida que vence a morte, cidade que vem de junto de Deus como noiva adornada para o seu esposo.

Meditar a Palavra

Os cristãos experimentam nas suas vidas as lutas entre Deus e o demónio e a sociedade passa pelas mesmas batalhas. A vitória do bem sobre o mal, o tempo em que o mal será dominado para não molestar aqueles que seguem o Cordeiro e dão a vida pelo seu nome, virá e dará início a um tempo novo na presença de Deus que julga e salva aqueles que acreditaram e não adoraram a besta. Estes habitarão a nova cidade, a Jerusalém do alto e estarão para sempre na presença de Deus porque os seus nomes foram encontrados no livro da vida.

Rezar a palavra

Inscreve o meu nome na tua mão direita, Senhor e prende com a tua esquerda o demónio que quer vencer a luta que travo dentro de mim. Faz-me um adorador em espírito e verdade como o são aqueles que te adoram no céu diante do teu trono de luz para que também eu habite na nova Jerusalém e te louve eternamente.

Compromisso

A luta prepara-nos para a grande vitória dos que foram decapitados por causa do nome de Jesus.


Evangelho: Lc 21, 29-33

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: «Olhai a figueira e as outras árvores: Quando vedes que já têm rebentos, sabeis que o Verão está próximo. Assim também, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que está próximo o reino de Deus. Em verdade vos digo: Não passará esta geração sem que tudo aconteça. Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão».

Compreender a Palavra

Continuando o discurso apocalíptico Jesus apresenta uma parábola para dar conteúdo e compreensão às suas palavras. Usa a imagem da figueira e a capacidade de ver os sinais da chegada do Verão, para alertar os discípulos para a necessidade de conhecer os sinais indicadores da chegada do Reino. “Não vos deixeis enganar” e “não vos alarmeis” foram as palavras de Jesus no início deste discurso, agora alerta para a necessidade de discernir os sinais. Todo aquele que for capaz de discernir os sinais, vive tranquilo as angústias provocadas pelo tempo presente porque sabe que está a chegar a salvação. Nada é inabalável, nem o céu nem a terra, como julgavam os judeus, só a palavra de Deus permanece para sempre.

Meditar a Palavra

Compreendo o que Jesus me quer dizer com estas palavras. Os entendidos nas coisas dos homens sabem ler os sinais humanos, as reacções, as palavras, os olhares. Os entendidos nas coisas naturais sabem ler os sinais da natureza, nos céus, na terra e nos mares. Os entendidos nas coisas de Deus conseguem ver ler os sinais de Deus presentes na criação, na história e nos acontecimentos de cada dia. Preciso tornar-me especialista das coisas de Deus, pela meditação da Palavra, para compreender a existência com os olhos de Deus.

Rezar a Palavra

Senhor, ensina-me a esperança para acreditar que dos ramos envelhecidos pode surgir uma nova vida. Que eu saiba ver por entre os escombros do mundo, as manifestações da tua presença salvadora. Que a tua palavra seja a luz que me ilumina no inverno do mundo onde parece que se extingue a vida. Que a minha segurança esteja em ti e não nas forças poderosas da natureza que tu criaste para mostrar o teu amor.

Compromisso

Vou intensificar a leitura da Palavra de Deus na minha vida.