Quarta-feira da Semana II do Tempo Comum

1ª Leitura: Hebr 7, 1-3.15-17
Irmãos: Melquisedec, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, foi ao encontro de Abraão, quando este regressava vitorioso do combate contra os reis; ele abençoou Abraão e Abraão deu-lhe o dízimo de todos os despojos. O seu nome significa em primeiro lugar «rei de justiça», mas também «rei de Salém», isto é, «rei de paz». Aparece sem pai, nem mãe, nem genealogia, sem princípio de seus dias, nem fim da sua vida; semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre. Assim se torna bem evidente que a perfeição não veio por meio do sacerdócio levítico, uma vez que, à semelhança de Melquisedec, surge outro sacerdote instituído, não em virtude de uma lei humana, mas por força de uma vida imortal. É d’Ele que se dá este testemunho: «Tu és sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedec».

Compreender a Palavra
A carta aos Hebreus, ao falar do sacerdócio de Cristo, depois de dizer que ele foi escolhido de entre os homens para ser constituído sacerdote como acontece com todos os sacerdotes, procura mostrar que o sacerdócio de Cristo é substancialmente diferente do sacerdócio da tribo de Levi. Para isso vai buscar a figura de Melquisedec, sacerdote rei de Salem, que significa rei de paz e de justiça, para indicar que o sacerdócio de Cristo é eterno. De facto, Melquisedec que abençoou Abraão, aparece como alguém que não tem pai nem mãe, “sem tem princípio dos seus dias, nem fim da sua vida; semelhante ao Filho de Deus”. Jesus é, como Melquisedec, sacerdote para sempre.

Meditar a Palavra
Não temos um sumo sacerdote incapaz mas o Filho de Deus exerce um sacerdócio eterno capaz de garantir para nós a vida eterna. A resposta para a vida dos homens e a solução para as suas limitações não está no sacerdócio de origem humana mas naquele cujo sacerdócio é agradável a Deus por ser a vítima pura e sem mancha. Ele, Cristo, é que nos pode levar a atravessar os céus até Deus, caminho que nos estava fechado e que, agora, pelo mistério da cruz se abriu como caminho de vida eterna. Nele não se exerce o culto centrado na oferta de bezerros e cabritos, mas um culto espiritual e de oferta de nós mesmo em união ao sacrifício de Cristo.

Rezar a Palavra
Senhor, que a minha vida se torne eterna pela minha entrega total em união com Cristo, teu filho, que se manifestou a nós como sumo sacerdote eterno segundo a ordem de Melquisedec. Ele que atravessou os céus pela oferta de si mesmo nos indique o caminho aberto da vida eterna que n os ofereceis pela ressurreição.

Compromisso
Ofereço ao Senhor as minhas alegrias e tristezas dores e sofrimentos do dia de hoje como oferta agradável a seus olhos.

 


Evangelho: Mc 3, 1-6
Jesus entrou de novo na sinagoga, onde estava um homem com uma das mãos atrofiada. Os fariseus observavam Jesus para verem se Ele ia curá-lo ao sábado e poderem assim acusá-l’O. Jesus disse ao homem que tinha a mão atrofiada: «Levanta-te e vem aqui para o meio». Depois perguntou-lhes: «Será permitido ao sábado fazer bem ou fazer mal, salvar a vida ou tirá-la?». Mas eles ficaram calados. Então, olhando-os com indignação e entristecido com a dureza dos seus corações, disse ao homem: «Estende a mão». Ele estendeu-a e a mão ficou curada. Os fariseus, porém, logo que saíram dali, reuniram-se com os herodianos para deliberarem como haviam de acabar com Ele.

Compreender a Palavra
Termina aqui uma secção do evangelho de Marcos que apresenta Jesus, com as suas palavras e as suas ações, a provocar a ira dos fariseus tornando-se para eles uma ameaça. Estes, depois de reunirem todas as provas e de angariarem alguns apoios, esperam apenas apanhá-lo em falso para o acusarem. É neste contexto que acontece a cura do homem da mão atrofiada, na sinagoga e em dia de sábado. Jesus faz uma pergunta aos presentes: «Será permitido ao sábado fazer bem ou fazer mal, salvar a vida ou tirá-la?». E, não obtendo resposta, cura o homem. Perante a atitude dos fariseus Jesus manifesta indignação e tristeza.

Meditar a Palavra
São muito fortes as palavras do evangelista, ao caracterizar os sentimentos de Jesus perante a dureza de coração dos fariseus: “indignação e tristeza”. Estas palavras chocam com a nossa sensibilidade. No entanto, estes sentimentos de Jesus dirigem-se para muitas situações e para muitas pessoas, hoje. Também eu, em determinadas situações e por causa de algumas opiniões e atitudes que manifesto, sou alvo desta indignação e tristeza de Jesus. Sempre que valorizo mais a minha opinião e as normas estabelecidas do que as pessoas que a meu lado vivem atrofiadas pelas circunstâncias da vida, sou causa de indignação e tristeza. Preciso refletir muito sobre a minha atitude intolerante que despreza os outros e lhes retira os direitos que lhes são devidos.

Rezar a Palavra
Senhor Jesus, obrigado por me revelares, na tua palavra, que há situações especiais em que preciso valorizar o outro como pessoa a quem tu amas acima da opinião geral. Percebi que não posso pactuar com a opinião da maioria, nem posso permitir que a intolerância deixe alguém em lugar de inferioridade. Ensinas-me a não ter medo daqueles que, pela ameaça, querem calar a voz da verdade e a prática do bem. Mostras-me que há um caminho que liberta e posso seguir por ele, mas há outro caminho que mantém os homens escravos uns dos outros e os oprime, e também posso deixar que me empurrem, seguindo por ele. Dá-me o discernimento para ver as situações e a coragem de agir em favor dos oprimidos.

Compromisso
Quero libertar os mais frágeis da intolerância dos homens de coração duro.

Terça-feira da Semana II do Tempo Comum

LEITURA I: Hebr 6, 10-20 

Irmãos: Deus não é injusto. Ele não pode esquecer o vosso trabalho e o amor que mostrastes pelo seu nome, colocando-vos ao serviço dos santos, no passado e no presente. Desejamos, porém, que cada um de vós mostre o mesmo zelo, mantendo intacta a sua esperança até ao fim, de modo que não vos torneis tíbios, mas imiteis aqueles que, pela fé e pela esperança, se tornam herdeiros dos bens prometidos. Quando Deus fez a promessa a Abraão, como não tinha outro maior por quem jurar, jurou por Si próprio, dizendo: «Eu te cumularei de bênçãos e multiplicarei a tua posteridade». E por ter perseverado pacientemente, Abraão alcançou a realização da promessa. Os homens, de facto, juram por alguém maior que eles e o juramento é uma garantia que põe fim às suas contendas. Por isso Deus, querendo mostrar solenemente aos herdeiros da promessa como era imutável o seu desígnio, comprometeu-Se com juramento. Assim, por dois actos irrevogáveis, nos quais é impossível Deus mentir, nós temos um forte incentivo para nos refugiarmos firmemente na esperança proposta. Nela tem a nossa alma uma âncora inabalável e segura, que penetra para além do véu, onde entrou Jesus como nosso precursor, constituído sumo sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedec.

Compreender a Palavra

Os cristãos são chamados à esperança na promessa feita por Deus em Jesus Cristo. É verdade que são muitas as tribulações do tempo presente, mas nenhuma delas pode fazer esquecer a fidelidade de Deus à promessa. Deus afirmou com juramento e a sua palavra é garantia de realização da promessa de entrarmos no lugar onde já se encontra o nosso sumo sacerdote, Jesus Cristo. Antes de nós outros acreditaram, como Abraão, e nós somos chamados a esperar confiantes nesta promessa. Deus não esquece o bem que fazemos nem o amor que temos pelo seu nome. Portanto, não podemos desanimar mas esperar como herdeiros que somos dos bens eternos.

Meditar a Palavra

A esperança não é um sentimento vazio nem uma atitude infantil de quem não é capaz de lutar e trabalhar para construir a sua vida. A esperança é a confiança na palavra de Deus que se cumpre naqueles que nela acreditam. O exemplo daqueles que confiaram e chegaram a conhecer o cumprimento desta palavra, deve estimular-nos a continuar perseverantes na esperança, porque nela a fé se torna inabalável. Deus promete e cumpre a sua promessa e nós temos em Jesus a realização desta esperança. Por isso somos chamados a permanecer firmes no zelo, confiantes de que tudo o que fazemos é considerado por Deus para nos tornar cada vez mais herdeiros do reino anunciado por Jesus.

Rezar a Palavra

Tu és a minha âncora, Senhor. Só em ti ponho a minha confiança. Sei que és um Deus fiel e cumpridor das tuas promessas, por isso espero, mesmo no meio de tribulações, poder entrar no lugar do teu repouso onde já se encontra aquele que nos trouxe a promessa da herança eterna, Jesus Cristo.

Compromisso

Quero animar em mim a esperança.

 


EVANGELHO Mc 2, 23-28 

Passava Jesus através das searas num dia de sábado e os discípulos, enquanto caminhavam, começaram a apanhar espigas. Disseram-Lhe então os fariseus: «Vê como eles fazem ao sábado o que não é permitido». Respondeu-lhes Jesus: «Nunca lestes o que fez David, quando teve necessidade e sentiu fome, ele e os seus companheiros? Entrou na casa de Deus, no tempo do sumo sacerdote Abiatar, e comeu dos pães da proposição, que só os sacerdotes podiam comer, e também os deu aos companheiros». E acrescentou: «O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado. Por isso, o Filho do homem é também Senhor do sábado».

Compreender a Palavra

Neste caminho feito de espigas, neste jogo de palavras entre os fariseus e Jesus, escolhe-se o cumprimento da lei ou o bem das pessoas. À primeira vista todos entendem que a lei é para ser cumprida, mas há situações em que está em risco a dignidade, a sobrevivência e o bem do homem. Nestas situações a pessoa tem que ser atendida ainda que se desrespeite a lei. Porque, diz Jesus, a lei é para servir o homem e o ajudar a realizar-se como pessoa e não o contrário.

Meditar a Palavra

Sinto que Jesus caminha comigo neste campo de espigas que é a vida. Ao longo desse caminho enquanto me agarro à lei, ao corretamente estabelecido, ao consensual para me afirmar e segurar nas minhas ideias e convicções, Jesus mostra-me como é fácil esquecer o outro, o irmão que, não se enquadrando nos meus critérios, termina esquecido, marginalizado, abandonado e tantas vezes mal tratado, ofendido pela minha intolerância. Jesus mostra-me que há outro caminho, o do amor, que é mais forte do que a lei. Neste caminho todos são livres e nem por isso menos responsáveis. Jesus é quem me pode libertar e ajudar a passar de um caminho para o outro, de uma atitude para a outra, da lei para o amor.

Rezar a Palavra

“Nunca leste…?” Dizes-me tu Jesus. Já li sim. Tantas vezes tive oportunidade de ler que tu me chamas a um caminho novo onde a seara não é de trigo mas de amor, não é de espigas mas de caridade, não é de grãos mas de afetos. Mostra-me, uma e outra vez, Senhor, porque tenho dificuldade em entender que sou mais feliz quando salvo e não condeno, quando compreendo e não imponho, quando ajudo e não oprimo. Mostra-me, Senhor, o teu caminho para que siga pelo caminho do amor.

Compromisso

Quero, hoje mesmo, fazer a experiência de libertar alguém que vive oprimido pela intolerância da lei.

Segunda-feira da Semana II do Tempo Comum

1ª Leitura: Hebr 5, 1-10 

Todo o sumo sacerdote, escolhido de entre os homens, é constituído em favor dos homens, nas suas relações com Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. Ele pode ser compreensivo para com os ignorantes e os transviados, porque também ele está revestido de fraqueza; e, por isso, deve oferecer sacrifícios pelos próprios pecados e pelos do seu povo. Ninguém pode atribuir a si próprio esta honra, senão quem foi chamado por Deus, como Aarão. Assim também, não foi Cristo que tomou para Si a glória de Se tornar sumo sacerdote; deu-Lha Aquele que Lhe disse: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei», e como disse ainda noutro lugar: «Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec». Nos dias da sua vida mortal, Cristo dirigiu preces e súplicas, com grandes clamores e lágrimas, Àquele que O podia livrar da morte e foi atendido por causa da sua piedade. Apesar de ser Filho, aprendeu a obediência no sofrimento e, tendo atingido a sua plenitude, tornou-Se para todos os que Lhe obedecem causa de salvação eterna, Ele que foi proclamado por Deus sumo sacerdote segundo a ordem de Melquisedec.

Compreender a Palavra

O sacerdócio da Antiga Aliança era concedido aos homens. Um de entre todos era escolhido e consagrado para oferecer sacrifícios por si mesmo e pelo povo. Este sacerdote podia compreender os seus irmãos porque partilhava mesma fraqueza e debilidade dos demais. Jesus, sendo filho de Deus, fez-se homem e é na condição de homem que ele é sacerdote, por isso, também ele se compadece de nós por experimentar no sofrimento os nossos sofrimentos. Ele não tomou para si a condição sacerdotal, foi-lhe dada pelo Pai na unção do Espírito Santo. Mas foi no sofrimento que ele se revestiu do poder sacerdotal e o exerceu a nosso favor oferecendo-se a si mesmo como vítima pelos nossos pecados. Deste modo “tornou-se para todos os que lhe obedecem causa de salvação eterna.

Meditar a Palavra

Pelo batismo todos somos participantes do sacerdócio de Cristo e de entre todos alguns são escolhidos para exercer o sacerdócio ministerial. Todos estão revestidos da mesma fraqueza e todos participam do mesmo sacerdócio, ainda que em graus diferentes. Os batizados oferecem-se a si mesmos os ministros oferecem-se a si mesmos e oferecem o corpo de Cristo na eucaristia. Ali exercem o sacerdócio ministerial a seu favor e em favor de todo o povo. Nem uns nem outros estão isentos de pecado. Jesus, ele sim, é o grande sacerdote porque o seu sacrifício, no qual em obediência ao Pai, experimentando o sofrimento, ofereceu-se a si mesmo por nós e o seu sacrifício foi agradável a Deus. Deste modo redimiu-nos dos nossos pecados.

Rezar a Palavra

Experimento em mim, Senhor, a força do sacerdócio que recebi no meu batismo. Revestido de Cristo, experimentei a força do mistério da Páscoa e, por isso, posso agora, apesar de pecador, oferecer-me a mim mesmo totalmente a vós, meu Senhor e meu Deus. Que, apesar da minha fragilidade, como Cristo, eu saiba obedecer e certificar no sofrimento o sacerdócio de que me revestiste.

Compromisso

Agradeço, na oração, o sacrifício de Cristo por mim.


Evangelho: Mc 2, 18-22 

Naquele tempo, os discípulos de João e os fariseus guardavam o jejum. Vieram perguntar a Jesus: «Por que motivo jejuam os discípulos de João e os fariseus e os teus discípulos não jejuam?». Respondeu-lhes Jesus: «Podem os companheiros do noivo jejuar, enquanto o noivo está com eles? Enquanto têm o noivo consigo, não podem jejuar. Dias virão em que o noivo lhes será tirado; nesses dias jejuarão. Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho, porque o remendo novo arranca parte do velho e o rasgão fica maior. E ninguém deita vinho novo em odres velhos, porque o vinho acaba por romper os odres e perdem-se o vinho e os odres. Para vinho novo, odres novos».

Compreender a Palavra

O texto coloca-nos perante a nova forma de viver de Jesus e dos seus discípulos relativamente aos demais. Estava estabelecida uma ordem e Jesus com o seu estilo de vida, que propõe também aos seus discípulos, altera essa ordem e deixa confusos os mais legalistas. A resposta de Jesus à questão que lhe colocam representa um corte com o que é velho. Agora, tudo é novo. A fé em Jesus exige renovação, nova maneira de viver, de pensar e de agir. A chegada de Jesus tornou-se para muitos, a começar pelos discípulos, um motivo de alegria porque ele venceu as razões da tristeza que são o mal em geral e o pecado em particular. Esta alegria impede a continuidade de gestos e tradições que não falam desta novidade que gera alegria. Torna-se, então, necessário romper, com o que é velho, não porque é velho mas porque não consegue traduzir a novidade de Jesus.

Meditar a Palavra

Jesus convida-me a uma nova vida. Ele irrompeu em mim como libertador e salvador das realidades interiores e exteriores que não me permitiam viver, livre e feliz. Agora, encontrei-me a mim ao encontrar-me com Ele e descobri a vida, a alegria e a felicidade. A novidade de Jesus em mim leva-me a realizar gestos que expressam essa alegria. Gestos muito meus e gestos de uma comunidade que comigo partilha a mesma alegria. Muitos não entendem as minhas atitudes, muitos não conseguem ver a novidade que habita em mim, muitos querem continuar a realizar gestos tradicionais, socialmente aceites, consignados nas normas de vida geral. Eu não consigo ficar fechado em normas que não me deixam expressar a alegria do encontro com Jesus. A minha alegria é maior que as normas e maior que as tradições sociais, maior que os hábitos e costumes instalados, mesmo quando têm uma origem cristã.

Rezar a Palavra

Não posso jejuar quando o meu coração pula de alegria por te encontrar, por te acolher em mim, por experimentar que me salvas da mesquinhez da minha vã maneira de pensar e de viver. Hoje sou um homem livre e feliz. Tu vieste a mim e transformaste tudo numa vida nova que venceu o mal e apagou o pecado. Que eu seja capaz de traduzir esta alegria, para renovar em ti, todos os irmãos.

Compromisso

Quero que a alegria do meu encontro com Jesus seja visível aos olhos de todos.

Sexta-feira da Semana I do Tempo Comum

1ª Leitura: Hebr 4, 1-5.11

Irmãos: Embora se mantenha a promessa de entrar no repouso de Deus, devemos recear que algum de vós corra o risco de ficar excluído. Também nós recebemos a boa nova, como os nossos pais. Mas a palavra que eles ouviram de nada lhes serviu, por não estarem unidos pela fé àqueles que a ouviram. Na verdade, nós que abraçamos a fé, entramos no repouso de que Deus falou, ao dizer:: «Porque Eu jurei na minha ira: não entrarão no meu repouso». De facto, as obras de Deus estavam concluídas desde a criação do mundo, pois em certa passagem falou assim do sétimo dia: «Ao sétimo dia Deus repousou de todas as suas obras»; e noutro lugar: «Não entrarão no meu repouso». Apressemo-nos, portanto, a entrar nesse repouso, para que ninguém sucumba, imitando aquele exemplo de desobediência.

Compreender a Palavra

O repouso de Deus de que fala a leitura é o lugar de encontro com Deus. De facto, Deus, depois da criação “descansou” e Jesus, passado pela sua Páscoa entrou neste lugar de repouso. Também nós somos convidados a entrar no repouso de Deus. A Boa Nova que nos foi anunciada é isso mesmo, a notícia de que, em Cristo, todos podemos entrar. Então, “Apressemo-nos, portanto, a entrar nesse repouso, para que ninguém sucumba, imitando aquele exemplo de desobediência”.

Meditar a Palavra

O caminho para o repouso de Deus foi-nos indicado pelo anúncio da Boa Nova e a porta foi aberta por Jesus ao passar desta vida para Deus através do sofrimento da sua páscoa. O repouso vem depois da caminhada, do trabalho, do esforço. Por isso nos é dito que nos apressemos, ou seja, não percamos tempo saindo do caminho e procurando repouso antes de chegar ao repouso desejado, o de Deus. Teremos tempo para descansar quando ali chegarmos. A Boa Nova é garantia da verdade que nos é prometida, mas não garantia de podermos entrar. A fidelidade é a garantia. A fé leva à fidelidade. No entanto, ao contrário do que pensamos muitas vezes, fidelidade não é não falhar o projeto, mas continuar no caminho apesar de falharmos muitas ou poucas vezes. Insistir, renovar o desejo, melhorar a vontade, afirmar a convicção. Só Deus é plenamente fiel. Não aceitar as nossas limitações pode ser impedimento para chegar ao repouso por pensarmos que não temos direito a entrar. O direito não vem de nós mas daquele que é o caminho, daquele que abriu a porta e nos convida a entrar no seu repouso. Vamos, por isso, confiantes ao trono da graça.

Rezar a Palavra

Senhor Jesus, não por mim mas pela tua fidelidade ao amor sei que posso entrar no teu repouso. Por isso, faço o caminho tantas vezes difícil da minha vida. Acolhendo no silêncio as agruras, os vexamos, as humilhações, o desconsolo dos momentos e das circunstâncias quero chegar ao teu repouso, ainda que ferido, magoado, descalço e roto como tu a caminho do calvário, pois sei que poderei descansar eternamente.

Compromisso

Renovo a minha fidelidade ao caminho de Jesus.


Evangelho Mc 2, 1-12 

Quando Jesus entrou de novo em Cafarnaum e se soube que Ele estava em casa, juntaram-se tantas pessoas que já não cabiam sequer em frente da porta; e Jesus começou a pregar lhes a palavra. Trouxeram-Lhe um paralítico, transportado por quatro homens; e, como não podiam levá-lo até junto d’Ele, devido à multidão, descobriram o tecto, por cima do lugar onde Ele Se encontrava e, feita assim uma abertura, desceram a enxerga em que jazia o paralítico. Ao ver a fé daquela gente, Jesus disse ao paralítico: «Filho, os teus pecados estão perdoados». Estavam ali sentados alguns escribas, que assim discorriam em seus corações: «Porque fala Ele deste modo? Está a blasfemar. Não é só Deus que pode perdoar os pecados?». Jesus, percebendo o que eles estavam a pensar, perguntou-lhes: «Porque pensais assim nos vossos corações? Que é mais fácil? Dizer ao paralítico ‘Os teus pecados estão perdoados’ ou dizer ‘Levanta-te, toma a tua enxerga e anda’? Pois bem. Para saberdes que o Filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados, ‘Eu te ordeno – disse Ele ao paralítico – levanta-te, toma a tua enxerga e vai para casa’». O homem levantou-se, tomou a enxerga e saiu diante de toda a gente, de modo que todos ficaram maravilhados e glorificavam a Deus, dizendo: «Nunca vimos coisa assim».

Compreender a Palavra

Marcos apresenta-nos um relato muito interessante, porque une dois aspetos da vida do homem, a saúde física e a saúde espiritual. O gesto de Jesus a favor do paralítico torna-se também uma manifestação pública da realidade do pecado e do perdão. Aquele homem, pelas palavras de Jesus, aparece aos olhos de todos como um doente e um pecador. Desta forma, Jesus revela a condição mais profunda do homem diante de Deus e revela o poder de Deus que se manifesta n’Ele como medicina para o corpo e misericórdia para a alma. É importante também a atitude dos quatro homens que ajudam o paralítico que, em silêncio mas com determinação, levam a Jesus. É a atitude da fé confiante que percebe uma solução para aquele homem, frente ao legalismo dos escribas que o condena para sempre. Podemos ver ainda como Jesus mostra que é mais difícil e mais importante a cura espiritual do que a cura física. Todos os esforços são poucos para que o homem se restabeleça espiritualmente.

Meditar a Palavra

Sou convidado a identificar-me com os personagens da narração. Jesus está no meio da casa rodeado da multidão, frente aos escribas, e é procurado por um homem paralítico que encontra em quatro amigos a solução para a sua busca. Sinto que sou um desconfiado como os escribas que se incomodam mais com o cumprimento da lei e com a sua ideia de Deus do que com as pessoas? Vejo-me também paralítico e incapaz de aderir ao projeto de Jesus pelas minhas forças? Preciso sempre de alguém para me animar a seguir em frente? Muitas vezes sou “obrigado” a pegar nos outros ao colo para os levar a Jesus, nem sempre de boa vontade? Gostava de ser como Jesus que se mostra sempre disponível para estender a mão e curar no corpo e na alma os que chamam por Ele?

Rezar a Palavra

Quero ouvir a tua palavra no meu coração: “Os teus pecados estão perdoados”. É tão difícil, Senhor, fazer esse exercício interior de encontro comigo, com a verdade que experimento dentro de mim. É tão difícil distinguir o bem do mal e perceber como até os melhores sentimentos e as melhores intenções podem ofuscar a luz da verdade para não ver como tu vês. É mais fácil, Senhor, ficar deitado na enxerga e levar uma vida de paralítico do que aproximar-me de ti e deixar-me curar. Quero carregar o meu catre como um homem, erguido, andando sobre os meus pés, fazendo o meu caminho. Quero viver de ti e da tua graça, Senhor, vencendo as paralisias que me atrofiam o corpo e a alma. Que eu me levante à tua voz, Senhor.

Compromisso

Vou levantar-me do meu pecado, da minha indiferença, da minha rotina, da minha pobre maneira de pensar…

Quinta-feira da Semana I do Tempo Comum

1ª Leitura: Hebr 3, 7-14 

Irmãos: Como diz o Espírito Santo, «Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não endureçais os vossos corações, como no tempo da provação, no dia da tentação no deserto, onde vossos pais Me tentaram e provocaram, apesar de terem visto as minhas obras, durante quarenta anos. Por isso Me indignei contra essa geração e disse: É um povo de coração transviado, que não conhece os meus caminhos. Por isso jurei na minha ira: não entrarão no meu repouso». Tende cuidado, irmãos, que nenhum de vós tenha um coração mau e incrédulo, que o afaste do Deus vivo. Exortai-vos uns aos outros todos os dias, enquanto dura o tempo que se chama ‘hoje’, para que nenhum de vós se endureça, seduzido pelo pecado. Porque todos nós nos tornamos participantes de Cristo, desde que mantenhamos firme até ao fim a confiança inicial.

Compreender a Palavra

O autor da carta aos Hebreus recorre ao exemplo dos israelitas que, no deserto, não escutaram a voz do Senhor apesar de terem visto a sua ação libertadora. Essa atitude impediu-os de entrar na terra prometida, a terra do repouso de Deus. Por isso chama a atenção dos cristãos para a possibilidade de também agora, fecharmos os ouvidos à voz de Deus por causa do nosso coração mau e incrédulo.

Meditar a Palavra

A voz de Deus faz-se ouvir no tempo que se chama “hoje”. É o tempo de Deus no qual estamos mergulhados. Não é o tempo do relógio mas o tempo da fé. O salmo 94 traduz a situação do povo de Deus que atravessou o deserto da escravidão para a liberdade, mas não chegou ao repouso de Deus por não ter escutado a sua voz. O salmo adverte “se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não endureçais os vossos corações”. Esta advertência coloca diante dos nossos olhos a possibilidade. Se eu não cuidar, como fizeram os israelitas, também eu, neste tempo que é a minha vida, tempo de Deus, tempo de fé, poderei ficar privado do repouso de Deus. E, porque a fé me leva a pensar nos irmãos, devo exortar os meus irmãos a libertar o coração de tudo o que impede ouvir a voz de Deus.

Rezar a Palavra

Senhor Jesus, a tua voz ecoa por toda a terra e faz-se ouvir nos nossos corações. Posso eu ficar surdo? Pode o meu coração ser tão mau e incrédulo que não escute a tua voz? Sopra aos meus ouvidos e toca o meu coração e vence a minha surdez para que “hoje” escute a tua voz de coração humilde e contrito.

Compromisso

Escuto a voz de Deus e exorto os meus irmãos.

 


Evangelho: Mc 1, 40-45 

Naquele tempo, veio ter com Jesus um leproso. Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe: «Se quiseres, podes curar-me». Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse: «Quero: fica limpo». No mesmo instante o deixou a lepra e ele ficou limpo. Advertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem: «Não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho». Ele, porém, logo que partiu, começou a apregoar e a divulgar o que acontecera, e assim, Jesus já não podia entrar abertamente em nenhuma cidade. Ficava fora, em lugares desertos, e vinham ter com Ele de toda a parte.

Compreender a Palavra

Jesus cura na sinagoga, no pequeno grupo e fora da comunidade. Um leproso, um homem que está excluído da comunidade, vem ter com Ele para ser curado. O relato segue o esquema habitual: um doente (leproso), dirige-se a Jesus e suplica. Jesus compadece-se, estende a mão, toca-o, diz uma palavra e o seu poder manifesta-se curando o doente. Jesus tem poder sobre o mal e, por isso, o resultado final é sempre a cura. Em continuação, Jesus manda que se vá mostrar aos sacerdotes, pede para não divulgar o acontecimento, pedido que é recusado. Também nesta parte final o relato segue o esquema habitual.

Meditar a Palavra

Podemos analisar o texto a partir da situação do homem leproso a quem a comunidade exclui. Esta é a situação de muitas pessoas que, vendo-se em situações complicadas, sentem que a comunidade os rejeita. Esta rejeição não ajuda em nada, nem a comunidade nem o excluído. O texto fala à minha capacidade de compaixão. Não posso assistir silencioso à exclusão de alguém. Não há nenhum mal que tenha poder diante de Jesus. A comunidade não pode ter medo de ser contaminada pelo mal, tem sim, a obrigação de conduzir o “leproso” a Jesus para que fique curado. Esta é a missão da comunidade. Jesus mostra que é possível recuperar todos os leprosos, todos os excluídos, se nos deixarmos mover pela compaixão. Hoje muitas pessoas dizem “Se quiseres, podes curar-me” e nós não podemos ficar inativos. Como Jesus temos que dizer “Quero: fica limpo”. Também há os que se excluem a si próprios. São os mais difíceis de curar porque terão sempre desconfiança em relação à comunidade mesmo que esta use de compaixão.

Rezar a Palavra

“Se quiseres, podes curar-me”. É com estas palavras que hoje quero rezar. Também eu, como o leproso necessito de cura para o meu silêncio diante da injustiça, para a minha cobardia diante da opressão, para a minha inatividade diante do sofrimento dos excluídos. Também eu sou um leproso que precisa ser curado mas tenho a sorte de não ser excluído. Tu me rodeaste de cuidados e não permitiste que fosse excluído apesar de não ser melhor que os outros. Faz de mim, Senhor, a mão libertadora dos excluídos para que todos possam encontrar-te e em ti recuperar a vida que perderam.

Compromisso

Vou compadecer-me dos irmãos a quem excluo ou que são excluídos por alguém.

Quarta-feira da Semana I do Tempo Comum

1ª Leitura: Hebr 2, 14-18 

Uma vez que os filhos dos homens têm o mesmo sangue e a mesma carne, também Jesus participou igualmente da mesma natureza, para destruir, pela sua morte, aquele que tinha poder sobre a morte, isto é, o diabo, e libertar aqueles que estavam a vida inteira sujeitos à servidão, pelo temor da morte. Porque Ele não veio em auxílio dos Anjos, mas dos descendentes de Abraão. Por isso devia tornar-Se semelhante em tudo aos seus irmãos, para ser um sumo sacerdote misericordioso e fiel no serviço de Deus, e assim expiar os pecados do povo. De facto, porque Ele próprio foi provado pelo sofrimento, pode socorrer aqueles que sofrem provação.

Compreender a Palavra

É assumindo a nossa condição humana que Jesus se torna solidário connosco. Estávamos sob o domínio daquele que tinha poder sobre a morte, mas Jesus, o Filho de Deus, assumiu a nossa humanidade. Tornando-se homem, tornou-se do nosso sangue e da nossa carne. Desta forma pode ser o sumo sacerdote que precisávamos, capaz de se solidarizar connosco e de, morrendo por nós, manifestar a misericórdia para connosco expiando os nossos pecados.

Meditar a Palavra

Jesus é o sumo sacerdote que precisávamos. Ele é misericordioso para connosco porque, assumindo a nossa carne, tornou-se nosso irmão e desde a humanidade partilhada, oferecendo-se a si mesmo, salvou-nos a nós que estávamos sob o domínio da morte. Agora, temos nele a vida eterna porque ele, tendo experimento o nosso sofrimento nos redimiu.

Rezar a Palavra

Senhor Jesus, de coração agradecido vimos à tua presença porque sendo Deus, superior aos anjos, aceitastes descer até nós assumindo a pobreza da nossa humanidade e desde aí, com gratuidade infinita ofereceste a própria vida para nos libertar da morte que nos tinha prisioneiros. Aceita, a nossa oração, pois é de coração humilhado e agradecido que te acolhemos nesta manhã.

Compromisso

Vou manifestar o meu agradecimento a Jesus pela sua generosidade para comigo.


EVANGELHO Mc 1, 29-39 

Naquele tempo, Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, a casa de Simão e André. A sogra de Simão estava de cama com febre e logo Lhe falaram dela. Jesus aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los. Ao cair da tarde, já depois do sol-posto, trouxeram-Lhe todos os doentes e possessos e a cidade inteira ficou reunida diante da porta. Jesus curou muitas pessoas, que eram atormentadas por várias doenças, e expulsou muitos demónios. Mas não deixava que os demónios falassem, porque sabiam quem Ele era. De manhã, muito cedo, levantou-Se e saiu. Retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar. Simão e os companheiros foram à procura d’Ele e, quando O encontraram, disseram-Lhe: «Todos Te procuram». Ele respondeu-lhes: «Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de pregar aí também, porque foi para isso que Eu vim». E foi por toda a Galileia, pregando nas sinagogas e expulsando os demónios.

Compreender a Palavra

O texto pede que tenhamos em conta a passagem evangélica de ontem. Jesus muda-se da sinagoga para a casa de Pedro, uma casa familiar. Com Ele muda-se também toda a cidade. A primeira cena mostra-nos a sogra de Pedro doente com febre e Jesus realizando gestos de libertação: “aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a”. Aquela que estava prostrada e incapaz de reagir levanta-se e toma uma atitude de serviço. Esta cena dá origem a uma outra mais alargada que ultrapassa as paredes da casa, sai para fora do contexto familiar. O sucedido na casa de Pedro ouviu-se em toda a cidade, de modo que todos vieram com os seus doentes. Jesus curou-os a todos. A admiração das pessoas é uma primeira adesão de fé importante mas perigosa porque se podem prender aos milagres e não àquele que realiza os milagres. Talvez por isso Jesus se retira e não permanece muito tempo no mesmo lugar.

Meditar a Palavra

A palavra de hoje suscita em mim um desejo grande de receber Jesus na minha casa. Também em mim há doenças que me debilitam e prostram, não me deixando servi-lo a ele e aos irmãos. Preciso que Jesus venha e me tome pela mão para me levantar. Sinto esta necessidade de Jesus em mim para calar os espíritos impuros que querem falar mais alto dentro de mim, impondo as suas regras. Muitas vezes sinto que tenho que ir à “sinagoga” ao lugar onde Jesus fala para todos, mas hoje sinto que preciso que seja Ele a entrar na minha casa para me curar da febre que não me deixa levantar a cabeça.

Rezar a Palavra

Aproxima-te, Senhor, toma-me pela mão e levanta-me que estou prostrado na minha incapacidade de responder aos desafios da vida. Toma-me pela mão e faz-me levantar da prostração em que me deixo cair diante das circunstâncias da vida. Toma-me pela mão e ergue-me para que possa enfrentar de cabeça erguida os espíritos impuros que não me deixam aproximar de ti para te ouvir, para te falar. Toma-me pela mão e ergue a tua voz para que aconteça paz dentro de mim e possa servir-te a toda a hora e acolher em mim os irmãos a quem queres curar dos males que os afligem.

Compromisso

Vou fazer um tempo de oração interior e escutar a voz de Jesus no silêncio que me cura.

Terça-feira da Semana I do Tempo Comum

1ª Leitura: Hebr 2, 5-12 

Não foi aos Anjos que Deus submeteu o mundo futuro de que falamos. Alguém afirmou numa passagem da Escritura: «Que é o homem para que Vos lembreis dele, o filho do homem para dele Vos ocupardes? Vós o fizestes um pouco inferior aos Anjos, de glória e honra o coroastes, tudo submetestes a seus pés». Ao submeter-Lhe todas as coisas, Deus nada deixou fora do seu domínio. Por enquanto, ainda não vemos que tudo Lhe esteja submetido. Mas aquele Jesus, que, por um pouco, foi inferior aos Anjos, vemo-l’O agora coroado de glória e de honra por causa da morte que sofreu, pois era necessário que, pela graça de Deus, experimentasse a morte em proveito de todos. Convinha, na verdade, que Deus, origem e fim de todas as coisas, querendo conduzir muitos filhos para a sua glória, levasse à glória perfeita, pelo sofrimento, o Autor da salvação. Pois Aquele que santifica e os que são santificados procedem todos de um só. Por isso não Se envergonha de lhes chamar irmãos, ao dizer: «Anunciarei o teu nome aos meus irmãos, no meio da assembleia cantarei os teus louvores».

Compreender a Palavra

A carta aos Hebreus apresenta Jesus como aquele que foi colocado um pouco abaixo dos anjos, como refere o salmo 8. Esta inferioridade é justificada pela necessidade de salvação dos homens. Aquele que agora é inferior aos homens é o mesmo a quem se submetem todas as coisas e que será coroado de glória e de honra. Descendo à nossa condição ele alcançou para todos a glória graças a sua morte. Desta forma santificou a todos fazendo-os participantes da sua filiação e alcançou a glória perfeita por ser o autor da salvação.

Meditar a Palavra

Quem somos nós para que Deus se lembre de nós para que ele cuide de nós? Na verdade, segundo o olhar amoroso de Deus valemos o sangue de Cristo na cruz, não por merecimento nosso mas graças ao admirável desígnio de Deus que, tendo-nos criado para ele, nos viu incapazes de chegar a ele sem o auxílio de Cristo, seu filho. Fazendo-se igual a nós e participando do nosso sofrimento, salvou-nos da impossibilidade de chegar a conhecer e a mar com todo o coração aquele que por amor nos criara. Agora, depois da salvação alcançada por Cristo, também nós podemos participar da mesma glória e ser chamados filhos de Deus.

Rezar a Palavra

Olhando para ti, Senhor, e contemplando o mistério da tua morte e ressurreição, entendo a força do teu amor que me eleva acima dos anjos para participar da mesma glória de Cristo. Hoje compreendo-me como teu filho porque Cristo participou da minha condição mortal, fazendo-se inferior aos anjos e me salvou da impossibilidade de me encontrar em ti e de me reconhecer como teu filho amado.

Compromisso

Reconheço todo o bem que o Senhor me fez pela morte e ressurreição de Cristo.


Evangelho: Mc 1, 21-28

Jesus chegou a Cafarnaum e quando, no sábado seguinte, entrou na sinagoga e começou a ensinar, todos se maravilhavam com a sua doutrina, porque os ensinava com autoridade e não como os escribas. Encontrava-se na sinagoga um homem com um espírito impuro, que começou a gritar: «Que tens Tu a ver connosco, Jesus Nazareno? Vieste para nos perder? Sei quem Tu és: o Santo de Deus». Jesus repreendeu-o, dizendo: «Cala-te e sai desse homem». O espírito impuro, agitando-o violentamente, soltou um forte grito e saiu dele. Ficaram todos tão admirados, que perguntavam uns aos outros: «Que vem a ser isto? Uma nova doutrina, com tal autoridade, que até manda nos espíritos impuros e eles obedecem-Lhe!». E logo a fama de Jesus se divulgou por toda a parte, em toda a região da Galileia.

Compreender a Palavra

Jesus inicia a sua vida pública com palavras e gestos que deixam as pessoas admiradas. Há quem resista, quem se oponha e o enfrente com energia e vocifere palavras sem sentido. Jesus mostra o seu poder sobre os gritos de quem não o aceita e, no final, todos lhe obedecem.

Meditar a Palavra

Gostava de poder reflectir hoje sobre esta admiração da multidão. As Palavra de Jesus e os seus gestos causam nas pessoas uma grande admiração. Gostava também de reflectir sobre a obediência e de como é difícil vencer os nossos juízos, os nossos desejos e vontades, as nossas ideias e as nossas verdades para obedecer a Jesus reconhecendo que Ele sabe mais e melhor o que é bom, do que eu.

Mas prefiro hoje meditar sobre aquela palavra de Jesus “Cala-te”. Senti este grito de Jesus. “Cala-te”. Quer dizer, falas demais, falas sem pensar, falas sem sentido, falas para dividir, crias intriga e separação, mau estar e desordem, guerra e instabilidade com as tuas palavras. “Cala-te” é o que Jesus hoje me diz.

Rezar a Palavra

Hoje, Senhor, quero oferecer-te o meu silêncio.

Compromisso

Vou estar em silêncio sempre que puder. Pelo menos não vou dizer palavras que posso calar.

Sexta-feira do Tempo do Natal

1ª Leitura: 1 Jo 5, 5-13
Caríssimos: Quem é o vencedor do mundo senão aquele que acredita que Jesus é o Filho de Deus? Este é O que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo; não só com a água, mas com a água e o sangue. É o Espírito que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade. São três que dão testemunho: o Espírito, a água e o sangue; e os três estão de acordo. Se aceitamos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior, porque o testemunho de Deus consiste naquele que Ele deu de seu Filho. Quem acredita no Filho de Deus tem em si mesmo este testemunho. Quem não acredita em Deus considera-O mentiroso, porque não acredita no testemunho dado por Deus acerca de seu Filho. E o testemunho é este: Deus deu-nos a vida eterna e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida, quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. Escrevo-vos estas coisas, para saberdes que tendes a vida eterna, vós que acreditais no nome do Filho de Deus.

Compreender a Palavra
A vida cristã pode resumir-se nestas palavras de João. Ele aponta para o núcleo da experiência da fé em Jesus Cristo. “Deus deu-nos a vida eterna e esta vida está em seu Filho”. Como é que temos acesso a essa vida divina, que é vida eterna? Pela morte de Cristo, porque do seu lado aberto saiu a água do batismo e o sangue da eucaristia, sacramentos pelos quais recebemos a vida divina que permanece em nós pelo Espírito Santo. Acreditar em Jesus é ter a vida e não acreditar é não ter a vida.

Meditar a Palavra
Vivemos a experiência cristã a partir do batismo e da eucaristia. Neles o Espírito Santo atua em nosso favor para que a vida eterna seja um acontecimento em nós desde já e permita em nós um encontro com Deus por toda a eternidade. Muitas vezes a experiência fica apenas na água do batismo, não chega ao sangue da eucaristia, quer dizer, fica incompleta, não permite o acesso ao coração de Jesus aberto para nos dar a vida. Tantas vezes batismo e eucaristia são apenas ritos exteriores de cumprimento estrito de hábitos e tradições que nos fazem dizer que somos cristãos mas não nos inserem na vida divina que é eterna. Por isso transformamos a experiência cristã numa experiência episódica, de umas quantas circunstâncias mais sociais que religiosas e transformamos a fé num acontecimento que termina na morte e não alcança a esperança da vida eterna.

Rezar a Palavra
Abre o meu coração Senhor para acolher a água e o sangue que brotam do teu lado aberto na cruz. Insere-me no mistério de vida que por ser eterna não se esgota aqui e agora mas permanece para sempre.

Compromisso
Vou até à igreja onde fui batizado (ou em outra qualquer igreja) e junta da fonte do batismo faço a experiência da água e do Espírito que me renovou e renova para a vida eterna.


Evangelho: Mc 1, 7-11
Naquele tempo, João começou a pregar, dizendo: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. Eu batizo na água, mas Ele batizar-vos-á no Espírito Santo». Sucedeu que, naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi batizado por João no rio Jordão. Ao subir da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito, como uma pomba, descer sobre Ele. E dos céus ouviu-se uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado, em Ti pus toda a minha complacência».

Compreender a Palavra
Podemos dividir o texto em duas partes. Na primeira aparece-nos João a anunciar alguém que é “mais forte” do que ele e que batizará no Espírito Santo. A segunda parte narra o Batismo de Jesus e consequentemente a sua manifestação como “o mais forte”, o Filho amado. O texto pretende claramente mostrar o fim de um tempo de profecia e o início do tempo da realização do que havia sido dito até então. Por outro lado, mostra a diferença entre o que está ao alcance dos homens e o que pertence a Deus. Os homens têm água e podem realizar um esforço importante de conversão, mas Deus tem o Espírito que dá à água o poder de purificar e de tornar eficaz o esforço do homem na sua conversão.

Meditar a Palavra
Muitas vezes parece-me que tudo fica ao nível das palavras, das intenções e da vontade. Creio que o esforço exercido é grande e a intenção é boa, mas falta algo essencial, falta o Espírito de Deus que coloca a vida em outro patamar. De facto Jesus revela-me com as suas palavras e as suas ações que o poder se há de esperar do alto. A força vem de Deus e não dos homens. A graça, a vida, a filiação são um dom que não se merece pelo esforço, mas se dá gratuitamente a todos os que sabem acolher, a todos os que entram na água e se deixam submergir fazendo a experiência de Cristo morto e ressuscitado. Quero contar com esta força que vem do alto.

Rezar a Palavra
Escuto a tua voz vinda do céu a dizer-me “Tu és meu Filho”. Sei que não é por mim, mas por Jesus, o “Filho amado” que a tua voz, Senhor, se dirige ao meu coração. Sei que é pela força do Espírito Santo, amor divino que me abraça que me chamas “filho”. Ainda assim, o meu coração e a minha alma estremecem ao ouvir a tua voz. Ainda assim, todo o meu ser se comove ao ser chamado “filho”. Por isso os meus lábios se abrem para ti em louvor e gratidão.

Compromisso
Vou reviver o meu batismo reconhecendo o dom que Deus me concedeu.

Quinta-feira do Tempo do Natal

1ª Leitura: 1 Jo 3, 11-21

Caríssimos: Esta é a mensagem que ouvistes desde o princípio: «Amemo-nos uns aos outros». Não sejamos como Caim, que era do Maligno e matou o seu irmão. E porque o matou? Porque as suas obras eram más, ao passo que as do seu irmão eram justas. Não vos admireis, irmãos, se o mundo vos odeia. Nós sabemos que passámos da morte para a vida, porque amamos os nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte. Todo aquele que odeia o seu irmão é homicida e vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo em si. Nisto conhecemos o amor: Ele deu a sua vida por nós e nós devemos também dar a vida pelos nossos irmãos. Se alguém possui bens deste mundo e, ao ver o seu irmão passar necessidade, lhe fecha o coração, como pode estar nele o amor de Deus? Meus filhos, não amemos com palavras e com a língua, mas com obras e em verdade. Deste modo saberemos que somos da verdade e tranquilizaremos o nosso coração diante de Deus; porque se o nosso coração nos acusar, Deus é maior que o nosso coração e conhece todas as coisas. Caríssimos, se o coração não nos condena, temos confiança diante de Deus.

Compreender a Palavra

A palavra apresenta-nos o mandamento do amor como fonte de inspiração para a vida dos discípulos de Jesus. Jesus deu a vida por nós, amando-nos até ao fim. Os discípulos de Jesus, ao contrário de Caim, dão a vida pelos irmãos. Dar a vida é amar e amar é ressuscitar. “Sabemos que passámos da morte à vida, porque amamos os n ossos irmãos”. Amar é colocar a vida à disposição dos outros, “não com palavras e com a língua, mas com obras e em verdade”. Em todo o caso Deus é sempre maior que o nosso coração.

Meditar a Palavra

Colocar o mandamento do amor como princípio de vida cristã é transformar a nossa vida na vida de Jesus. Pensar os outros, estar disponível, vencer o mal que nos divide, não exigir do outro o que o outro não pode dar, suportar com paciência as fragilidades do próximo, rezar pelos inimigos e pelos que nos perseguem, perdoar aqueles que nos provocam a morte. Parece fácil nas palavras mas é difícil na ação. Caim deixou-se vencer e preferiu matar o irmão. Jesus amou de tal modo que preferiu morrer pelos irmãos. Aos olhos dos homens escapar à morte matando parece ser vitorioso, mas aos olhos de Deus conta o coração. Deus é maior que o nosso coração e isso tranquiliza-nos porque somos frágeis mas, a confiança, vem de não sermos condenados pelo coração.

Rezar a Palavra

Dá-me, Senhor um coração grande para amar. Dá-me um coração forte para lutar. Faz de mim um homem novo à tua imagem acolhendo no meu coração os sentimentos que preferem morrer pelos irmãos vencendo os sentimentos que negam e matam o irmão. Mostra-me este caminho de libertação que me faz passar da morte à vida em cada passo da minha vida.

Compromisso

Vou morrer para mim para poder ressuscitar com um coração novo para Deus.

 


 

Evangelho: Jo 1, 43-51

Naquele tempo, Jesus resolveu partir para a Galileia. Encontrou Filipe e disse-lhe: «Segue-Me». Filipe era de Betsaida, cidade de André e de Pedro. Filipe encontrou Natanael e disse-lhe: «Encontrámos Aquele de quem está escrito na Lei de Moisés e nos Profetas. É Jesus de Nazaré, filho de José». Disse-lhe Natanael: «De Nazaré pode vir alguma coisa boa?» Filipe respondeu-lhe: «Vem ver». Jesus viu Natanael, que vinha ao seu encontro, e disse: «Eis um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento». Perguntou-lhe Natanael: «De onde me conheces?» Jesus respondeu-lhe: «Antes que Filipe te chamasse, Eu vi-te quando estavas debaixo da figueira». Disse-lhe Natanael: «Mestre, Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel!». Jesus respondeu: «Porque te disse: ‘Eu vi-te debaixo da figueira’, acreditas. Verás coisas maiores do que estas». E acrescentou: «Em verdade, em verdade vos digo: Vereis o Céu aberto e os Anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem».

Compreender a Palavra

Continuamos a escutar o Evangelho de João que nos explica como se foi constituindo o grupo dos discípulos de Jesus. Aparece Filipe que, sendo da mesma cidade de André e Pedro terá recebido a notícia de Jesus através destes dois discípulos e vai ter com Jesus de quem recebe o chamamento “Segue-me”. Na sequência deste encontro faz a experiência de Jesus de tal maneira que se torna imediatamente comunicador da mesma notícia “Encontrámos … É Jesus de Nazaré” diz ele a Natanael. A indecisão e desconfiança não o impedem de se aproximar de Jesus e de ver o a verdade que lhe tinha sido anunciada. O interessante no texto é o facto de Natanael fazer a experiência de dois diálogos, um com Filipe que lhe revela a existência de Jesus como um primeiro anúncio e outro com Jesus que o conduz a uma verdadeira profissão de fé: «Mestre, Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel!».

Meditar a Palavra

O encontro com Jesus é sempre motivado por alguém que já o encontrou e pode falar dele, para além do que os olhos podem ver. O homem Jesus revela-se aos corações como o Messias, o Filho de Deus, o Rei de Israel. O relato do chamamento de Natanael e da acção de Filipe faz-me pensar em como é urgente na minha vida passar da situação de discípulo que vive na intimidade de Jesus para o discípulo apóstolo que o anuncia a todos com entusiasmo. Fomentar o desejo de conhecer Jesus é fundamental para que todos possam chegar a uma verdadeira profissão de fé.

Rezar a Palavra

Como a Natanael também me viste antes que eu te pudesse ver. Conheces os meus pensamentos e a minha identidade. Sabes do que sou capaz e entendes as minhas reservas e indecisões. Cura, Senhor, tudo o que em mim não me deixa aproximar de ti, tudo o que me impede de entrar em comunhão contigo para te conhecer como Messias, o Filho de Deus.

Compromisso

Vou procurar fazer da minha vida uma profissão de fé diante dos homens.

Quarta-feira do Tempo do Natal

1ª Leitura 1 Jo 3, 7-10
Meus filhos, ninguém vos engane. Quem pratica a justiça é justo como Ele, Jesus, é justo. Quem comete o pecado é do Diabo, porque o Diabo é pecador desde o princípio. Foi para destruir as obras do Diabo que o Filho de Deus Se manifestou. Quem nasceu de Deus não comete o pecado, porque permanece nele uma semente divina; e não pode pecar, porque nasceu de Deus. Nisto se distinguem os filhos de Deus e os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça e não ama o seu irmão não é de Deus.

Compreender a Palavra
João faz a distinção entre os que pertencem a Deus e os que pertencem ao diabo. Os que pertencem a Deus são os que, pela fé em Cristo, receberam a graça de Deus que os faz participantes da sua vida e portanto justo, santos. Estes, diz João, não pecam. Os outros pertencem àquele que é pecador desde o princípio. Ora a justiça entende-se como santidade e o amor a Deus implica o amor aos irmãos. Por isso, os filhos de Deus são os que vivem na Graça de Deus e amam os irmãos.

Meditar a Palavra
João fala para nós hoje. Quer ele dizer-nos que pela graça que nos foi dada em Cristo, somos chamados à santidade. Esta santidade, justiça, é vida em Deus, vida divina em nós. Só Deus é santo e são santos todos os que vivem nele e para ele. Quando João fala de não pecar não quer dizer que não cometem faltas, pecados, mas que não se afastam de Deus. Seguem pelo caminho da vida da graça, ainda que pecando por causa da fragilidade humana. Os que pertencem ao diabo, esses afastaram-se, seguiram por outro caminho onde não há Deus, não há graça, não há vida divina. Esses são os que não amam os irmãos e, por isso, também não amam a Deus.

Rezar a Palavra
Fizeste-me nascer de Deus, Senhor, pelo batismo, pela fé, pela palavra, pelos sacramentos que renovam em mim a vida da graça. Não permitas que me afaste de ti, porque para ti me criaste e o meu coração anda inquieto até que repouse em ti.

Compromisso
Avalio a minha vida para perceber se os meus passos são dados em Deus.


Evangelho Jo 1, 35-42
Naquele tempo, estava João Baptista com dois dos seus discípulos e, vendo Jesus que passava, disse: «Eis o Cordeiro de Deus». Os dois discípulos ouviram-no dizer aquelas palavras e seguiram Jesus. Entretanto, Jesus voltou-Se; e, ao ver que O seguiam, disse-lhes: «Que procurais?» Eles responderam: «Rabi – que quer dizer ‘Mestre’ – onde moras?» Disse-lhes Jesus: «Vinde ver». Eles foram ver onde morava e ficaram com Ele nesse dia. Era por volta das quatro horas da tarde. André, irmão de Simão Pedro, foi um dos que ouviram João e seguiram Jesus. Foi procurar primeiro seu irmão Simão e disse-lhe: «Encontrámos o Messias» – que quer dizer ‘Cristo’ –; e levou-o a Jesus. Fitando nele os olhos, Jesus disse-lhe: «Tu és Simão, filho de João. Chamar-te-ás Cefas» – que quer dizer ‘Pedro’.

Compreender a Palavra
O texto que nos é apresentado mostra o dinamismo que se gera à volta de Jesus a partir das palavras de João “Eis o Cordeiro de Deus”. De facto, a cena aparentemente calma, dá origem a um movimento que reúne à volta de Jesus um grupo de homens. Estes, levados pela curiosidade, seguem Jesus que os interpela sobre as suas intenções. Vendo que estão curiosos, Jesus convida-os a ver, a estar com ele e eles permanecem junto dele ao mesmo tempo que convidam outros a vir e ver. São muito importantes neste texto os verbos ouvir, procurar, vir, ver, permanecer.

Meditar a Palavra
O encontro com Jesus começa com um anúncio “Eis o Cordeiro de Deus” que orienta a atenção para Ele e centra nele o interesse. Aqueles que escutam o anúncio enchem-se de curiosidade e aceitam seguir atrás de Jesus. Interpelados por Ele querem ver de mais perto o que Ele tem para lhes dar. Permanecendo compreendem quem é Jesus e vão chamar outros tornando-se eles mensageiros do anúncio que lhes tinha sido dirigido a eles. Este anúncio chegou até mim. Também eu fui alvo da notícia que indica Jesus como o “Cordeiro de Deus” e convidado a seguir com Ele. Hoje, sou chamado a transmitir este anúncio a outros que esperam a novidade de Jesus para as suas vidas.

Rezar a Palavra
Que a tua palavra chegue aos meus ouvidos como um convite que me chama a estar contigo e o nosso encontro seja, cada vez mais, o envio para anunciar aos meus irmãos a certeza de que é o Mestre, o Messias, o Cordeiro de Deus. Também quero ir e ver onde moras para permanecer contigo toda a minha vida. Também quero procurar os meus irmãos para os conduzir para ti.

Compromisso
Jesus olha para mim, diz o meu nome e pergunta “Que procuras?” Hoje, vou dar uma resposta.