Cadeira de S. Pedro

1 Pedro 5, 1-4 

Caríssimos: Recomendo aos anciãos que estão entre vós, eu que sou ancião como eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo e também participante da glória que há de ser revelada: Apascentai o rebanho de Deus que vos foi confiado, velando por ele, não constrangidos mas de boa vontade, segundo Deus, não por ganância mas por dedicação, nem como dominadores sobre aqueles que vos foram confiados, mas tornando-vos modelos do rebanho. E quando aparecer o supremo Pastor, recebereis a coroa eterna de glória.

Celebramos a Festa da Cadeira de S. Pedro

Compreender a Palavra

As palavras de Pedro nesta carta dirigem-se aos anciãos, aos responsáveis pelas comunidades e recomenda-lhes que sejam testemunhas dos sofrimentos de Cristo. Esta recomendação revela o verdadeiro lugar do poder na Igreja, trata-se do poder no serviço. O mais importante é aquele que serve e servir significa experimentar o lugar de Cristo que sofreu pelos outros. Na Igreja o poder há de significar dedicação e não domínio ou ganância. O domínio e a ganância ferem a unidade e a comunhão na Igreja, comunidade dos filhos de Deus iguais em dignidade diante de Deus.

Meditar a Palavra

O domínio sobre os outros e o aproveitamento da situação de privilégio é uma tentação em qualquer sociedade, grupo ou associação. Por pouco somos tentados a julgar-nos mais do que os outros e a colocarmo-nos acima de todos. Daí até usufruir de privilégios e aproveitar as situações a nosso favor vai apenas um passo. Pedro nas suas palavras alerta para esse perigo que corremos todos na Igreja, o de servir de má vontade, o querer dominar e a ganância. Estas atitudes estão longe do nosso modelo que é Cristo.

Rezar a Palavra

Liberta, Senhor, o meu coração do poder, dos privilégios, dos títulos que seduzem mas esvaziam, dos reconhecimentos que obscurecem a mente. Dá-me a humildade para servir a todos, privilegiando não o meu bem estar, mas os mais pobres, os esquecidos, os despojados dos seus direitos e da sua dignidade. Mostra-me o caminho da cruz, como caminho de libertação de todas as tentações a que a vida me expõe.

Compromisso

Aprendo com o Papa Francisco a identificar-me com os pobres porque eles são imagem de Cristo.

 


Evangelho: Mt 16, 13-19 

Naquele tempo, Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?». Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas». Jesus perguntou: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». Jesus respondeu-lhe: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. Também Eu te digo: Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».

Compreender a Palavra

Mateus reúne dois momentos no mesmo episódio. A pergunta de Jesus sobre quem dizem os homens que é o Filho do Homem e o poder dado a Pedro na Igreja. De facto Pedro é aquele que responde a Jesus em nome de todos quando ele pergunta “e vós, quem dizeis que eu sou?”. Não pela carne nem pelo sangue mas porque o Pai lhe revelou, Pedro faz uma afirmação de fé “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”. Esta resposta leva Jesus a revelar algo mais sobre pedro e a sua Igreja. “Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja… Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus”.

Meditar a Palavra

Saber quem é Jesus, num conhecimento que vem de dentro, do íntimo, da alma, da experiência próxima é o caminho para reconhecer que Jesus é o Messias. Muitas respostas são dadas sobre Jesus, desde as mais banais às mais intelectuais, mas a resposta certa é a que vem do íntimo, do lugar onde Deus se revela como um Deus que salva no seu Filho. Pedro recebeu a graça de poder reconhecer em Jesus o Messias. A Igreja não nasce dos homens nem é invenção dos apóstolos. Ela vem do coração de Deus e edificada em Cristo. No entanto, os apóstolos, com Pedro à frente, são os fundamentos seguros da sua edificação. Os apóstolos são as testemunhas privilegiadas porque andaram com Cristo. Pedro recebe, em nome o poder de ligar e desligar, para ser o garante da fidelidade à palavra, ao amor e à fé revelados em Cristo. Acolhendo a palavra anunciada pela Igreja, também eu posso chegar ao conhecimento de Jesus como o Messias que vem salvar-me.

Rezar a Palavra

Obrigado, Senhor, pelo ministério de Pedro que persiste na Igreja desde o princípio. Neste ministério posso encontrar a garantia de que a palavra do evangelho é verdadeira e a salvação que nele nos ofereces é dom permanente do teu amor para humanidade.

Compromisso

Rezo pelo Papa Francisco, sucessor de Pedro.

Terça-feira da Semana VII do Tempo Comum

1ª Leitura: Sir 2, 1-13 (gr. 1-11)

Filho, se queres servir o Senhor, prepara a tua alma para a provação. Procura ter um coração recto e constante e não te perturbes no tempo da adversidade. Une-te ao Senhor e não te afastes d’Ele, para seres exaltado no fim da tua vida. Tudo aquilo que te aconteça, procura aceitá-lo, e nas dificuldades da tua humilde condição sê paciente. Porque o ouro prova-se no fogo e os homens eleitos na fornalha da humilhação. Confia no Senhor e Ele cuidará de ti, segue o caminho recto e espera no Senhor. Vós que temeis o Senhor, confiai na sua misericórdia e não vos afasteis, para não cairdes. Vós que temeis o Senhor, confiai n’Ele e a recompensa não vos faltará. Vós que temeis o Senhor, esperai os seus benefícios, a alegria eterna e a sua misericórdia. Vós que temeis o Senhor, amai-O e iluminar-se-á o vosso coração. Considerai as antigas gerações e vede: Quem confiou no Senhor e ficou desiludido? Quem perseverou no seu temor e foi abandonado? Quem O invocou e não foi atendido? Porque o Senhor é compassivo e misericordioso, perdoa os pecados e salva no tempo da tribulação. Ele é o protector dos que O procuram de coração sincero.

Compreender a Palavra
Bem Sira dá alguns conselhos a quem quer servir o Senhor. O primeiro define de imediato a situação de quem se torna servo “prepara a tua alma para a provação. Servir o Senhor não vai ser fácil, vai exigir sacrifício. Depois apresenta uma série de virtudes que têm que ser cultivadas, retidão de coração união ao Senhor, aceitação das dificuldades, paciência. Servir o Senhor exige seguir o caminho reto, confiar nele e amá-lo. Da dedicação brotará a recompensa em alegria eterna e misericórdia.

Meditar na Palavra
Queremos seguir o Senhor para que ele nos sirva, realize os nossos desejos e resolva as nossas dificuldades e sofrimentos. Mas, quem é o servo? Eu ou o Senhor? Alterámos os padrões da nossa relação com Deus. Ele é que vem para nos servir e nós para sermos servidos. Então o Senhor somos nós e não ele. Bem Sira recorda-nos que Deus é o Senhor e quem o quer servir tem que estar preparado para as provações porque servir o Senhor não é garantia de vida fácil. A recompensa virá mas como resposta ao serviço, à dedicação, confiança e amor que temos pelo Senhor. Aqueles que serviram o Senhor não foram defraudados é a única garantia que temos. De olhos postos naqueles que souberam servir o Senhor livre a gratuitamente seguiremos o seu exemplo. Mas esperemos dificuldades e sacrifícios pelo caminho.

Rezar a Palavra
Por causa do teu nome, por me ter disposto ao teu serviço tenho encontrado dissabores, incompreensões, perseguições e injustiças. Tudo isso suporto como pedras do caminho que me une cada vez mais a ti nesta subida ao monte onde só tu és Senhor e só tu me podes transfigurar.

Compromisso
Olho a fidelidade daqueles que resistiram até ao fim.


EVANGELHO Mc 9, 30-37
Naquele tempo, Jesus e os seus discípulos caminhavam através da Galileia, mas Ele não queria que ninguém o soubesse; porque ensinava os discípulos, dizendo-lhes: «O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens e eles vão matá-lo; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará». Os discípulos não compreendiam aquelas palavras e tinham medo de O interrogar. Quando chegaram a Cafarnaum e já estavam em casa, Jesus perguntou-lhes: «Que discutíeis no caminho?». Eles ficaram calados, porque tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior. Então, Jesus sentou-Se, chamou os Doze e disse-lhes: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos». E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles, abraçou-a e disse-lhes: «Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou».

Compreender a Palavra
É curioso que Marcos nos revele que o ensino de Jesus aos discípulos é o anúncio da sua morte. Às multidões e às pessoas em particular fala-lhes de muitas coisas, mas aos discípulos vai-os instruindo sobre o caminho de fidelidade e da obediência ao Pai. Enquanto Ele lhes fala da sua paixão, os discípulos falam sobre a importância de cada um diante de Jesus: “qual é o maior?”. A insistência de Jesus sobre a sua atitude a caminho da cruz, realiza-se através de uma comparação entre o primeiro e o último. O último está mais perto de Jesus.

Meditar a Palavra
O convite de Jesus pretende levar-me para lá dos interesses deste mundo. Os homens entretêm-se com questões de lugar, importância, prestígio, poder. Jesus pretende que a minha vida se gaste por razões mais elevadas para que possa alcançar uma outra plenitude. O projeto de Deus para a salvação dos homens passa por Jesus e passa por mim, pela sua paixão e pela minha paixão, pela sua morte e pela minha morte. Participar deste plano está ao meu alcance, mas será que quero prescindir dos critérios com que o mundo avalia uma vida feliz para perceber a felicidade que me é oferecida por Jesus?

Rezar a Palavra
Vinham a discutir sobre qual deles era o maior. Gastaram o tempo do caminho com banalidades que em nada mudaram a situação em que se encontravam. Perderam as tuas palavras e com isso, perderam a direção para onde deviam seguir. Não fosse a tua chamada de atenção ao perguntar “que discutíeis no caminho?” e não teriam chegado a lado nenhum. Como eles, também eu, Senhor, me perco em superficialidades porque não escuto as tuas palavras. Fala aos meus ouvidos, Senhor, para que entenda onde queres que morra contigo pelos homens.

Compromisso
Tenho que acolher mais intensamente a palavra de Deus em mim.

Segunda-feira da Semana VII do Tempo Comum

Evangelho: Mc 9, 14-29

Naquele tempo, Jesus desceu do monte, com Pedro, Tiago e João. Ao chegarem junto dos outros discípulos, viram uma grande multidão à sua volta e os escribas a discutir com eles. Logo que viu Jesus, a multidão ficou surpreendida e correu a saudá-l’O. Jesus perguntou-lhes: «Que estais a discutir?». Alguém Lhe respondeu do meio da multidão: «Mestre, eu trouxe-Te o meu filho, que tem um espírito mudo. Quando o espírito se apodera dele, lança-o por terra, e ele começa a espumar, range os dentes e fica rígido. Pedi aos teus discípulos que o expulsassem, mas eles não conseguiram». Tomando a palavra, Jesus disse-lhes: «Oh geração incrédula! Até quando estarei convosco? Até quando terei de vos suportar? Trazei-mo aqui». Levaram-no para junto d’Ele. Quando viu Jesus, o espírito sacudiu fortemente o menino, que caiu por terra e começou a rebolar-se espumando. Jesus perguntou ao pai: «Há quanto tempo lhe sucede isto?». O homem respondeu-lhe: «Desde pequeno. E muitas vezes o tem lançado ao fogo e à água para o matar. Mas se podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e socorre-nos». Jesus disse: «Se posso?… Tudo é possível a quem acredita». Logo o pai do menino exclamou: «Eu creio, mas ajuda a minha pouca fé». Ao ver que a multidão corria para junto d’Ele, Jesus falou severamente ao espírito impuro: «Espírito mudo e surdo, Eu te ordeno: sai deste menino e nunca mais entres nele». O espírito, soltando um grito, agitou-o violentamente e saiu. O menino ficou como morto, de modo que muitas pessoas afirmavam que tinha morrido. Mas Jesus tomou-o pela mão e levantou-o, e ele pôs-se de pé. Quando Jesus entrou em casa, os discípulos perguntaram-Lhe em particular: «Porque não pudemos nós expulsá-lo?». Jesus respondeu-lhes: «Este género de espíritos não se pode fazer sair, a não ser pela oração».

Compreender a Palavra

Marcos apresenta-nos uma cena cheia de pormenores que merecem a nossa atenção e que funcionam entre si como uma catequese. Um primeiro quadro mostra os discípulos incapazes de curar um jovem doente (com um espírito impuro). Num segundo quadro, Jesus aparece, e vê-se confrontado com o mesmo pedido por parte do pai do menino. Jesus manifesta a sua indignação pelo espectáculo em que se tornou o acontecimento e pela falta de fé de todos. Finalmente há um diálogo interessante entre Jesus e o pai do menino. Neste diálogo revela-se a progressão na fé por parte do homem. Tudo termina com o diálogo entre Jesus e os discípulos. Jesus mostra-lhes que a fé não é um espectáculo para atrair multidões mas um acontecimento que brota e cresce na intimidade do encontro com Deus, na oração.

Meditar a Palavra

A palavra confronta-me com a confusão da multidão, com a incapacidade dos discípulos e com a falta de fé do homem. Eu sou muitas vezes como a multidão. Ando confuso na busca de situações espectaculares que distraiam a minha vida do essencial. Tantas vezes, por isso mesmo, me vejo incapaz de responder às grandes questões da minha vida e incapaz de ser porto seguro para as aflições dos outros. No fundo sou dono de uma fé muito superficial que se fixa apenas em interesses momentâneos. Jesus chama-me a fazer a experiência da fé como abandono. “Tudo é possível a quem acredita”. Finalmente, Jesus mostra-me que só Ele pode transformar a minha vida. Ele toma-me pela mão e levanta-me.

Rezar a palavra

Porque não posso eu, expulsar da minha vida os espíritos impuros que turvam o meu coração? Porque é que a minha voz não tem força para dizer “Sai” e permito que me lancem ao fogo e à água para matar o que há de melhor em mim? Senhor, «Eu creio, mas ajuda a minha pouca fé». Senhor lança-me na tua água e purifica-me no fogo do Espírito Santo para que seja tua morada para sempre.

Compromisso

A minha oração de hoje vai ser um momento de reencontro com o Baptismo que recebi para reavivar a fé que aí me foi dada. Se possível vou a uma igreja e rezo junto da fonte Baptismal (Pia do Baptismo).

Sexta-feira da Semana VI do Tempo Comum

1ª Leitura: Gen 11, 1-9 

Toda a terra tinha uma só língua e usava as mesmas palavras. Ao emigrarem do Oriente, os homens encontraram uma planície na região de Senaar e nela se fixaram. Disseram então uns aos outros: «Vamos fabricar tijolos e cozê-los ao fogo». Os tijolos serviam-lhes de pedra e o betume de argamassa. Disseram ainda: «Vamos edificar uma cidade e uma torre cujo cimo atinja os céus, para nos tornarmos famosos e não nos dispersarmos por toda a superfície da terra». Mas o Senhor desceu para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens construíam. Disse então o Senhor: «Aí está um povo unido e todos falam a mesma língua. Se este é o começo dos seus empreendimentos, nenhum projeto lhes será difícil. Vamos descer até lá para lhes confundir a linguagem, de modo que não entendam a fala uns dos outros». E o Senhor dispersou-os por toda a superfície da terra e eles desistiram de construir a cidade. Por isso lhe chamam Babel, porque lá o Senhor confundiu a linguagem de todo o mundo e de lá dispersou os habitantes por toda a superfície da terra.

Compreender a Palavra

Compreender a diversidade de línguas e de povos e o facto de haver homens em toda a terra, leva a uma reflexão a partir de uma história pitoresca. Os homens viviam unidos, falavam a mesma língua e estavam reunidos no mesmo lugar. Desta forma pensavam ser invencíveis e poder chegar até ao céu, morada de Deus e conquistar o que tinham perdido com o pecado, em Adão. Quando pareciam ter sucesso surge a confusão das línguas. De um dia para o outro deixam de se entender e acabam por se dispersar. A culpa é atribuída a Deus, como forma de o homem não realizar o seu projeto de ir cada vez mais longe e acabar destronando Deus do seu lugar no alto dos céus.

Meditar a Palavra

Fácil é desentendermo-nos. Difícil é, mesmo usando a mesma língua concertarmos as nossas ideias e projetos e vivermos unidos para lá das questões que diariamente se levantam, nas nossas relações. Quando as pessoas se juntam, falam, convivem, riem, projetam, tudo parece ser fácil e a relação parece sólida. Mas todas as relações estão marcadas pela debilidade do pecado que mais dia menos dia se revela em incompreensões, desilusões, afastamentos e culpabilização. A culpa tem que ser de alguém. Na realidade a culpa não é de Deus. Também não tem que ser objetivamente de alguém. A culpa está repartida um pouco por cada um. Mais importante do que atribuir culpas é perceber que as relações humanas estarão sempre em perigo por causa do pecado. Gerir esta debilidade e conseguir que uma relação sobreviva depende um pouco de todos. O caminho para a experiência humana da amizade, do amor, ou das simples relações cordiais entre pessoas nunca depende só de um, todos têm que querer estabelecer os laços necessários e desejados sem acusações, com liberdade e dignidade. Só a amor que vem de Deus, livre de qualquer interesse, pode garantir a harmonia das relações. Como é difícil.

Rezar a Palavra

Olho a vida, Senhor, e veja como temos dificuldade e sustentar a amizade para lá dos interesses, materiais, sociais ou afetivos. Sempre que entram interesses, exclusividades, desconfianças, e invejas, ciúmes destrói-se a amizade com intrigas, sabotagens, maledicência e protagonismos gratuitos. Dá-me, Senhor, um coração livre de tudo o que impede olhar o outro com liberdade.

Compromisso

Que a minha boca não diga palavras que dividem mas palavras que edificam.

 


Evangelho Mc 8, 34 – 9, 1

Naquele tempo, Jesus chamou a multidão com os seus discípulos e disse-lhes: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a vida, por causa de Mim e do Evangelho, salvá-la-á. Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Que daria o homem em troca da sua vida? Portanto, se alguém se envergonhar de Mim e das minhas palavras no meio desta geração infiel e pecadora, também o Filho do homem Se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai, com os santos Anjos». Jesus declarou-lhes ainda: «Em verdade vos digo: Alguns dos que estão aqui presentes não morrerão, sem terem visto chegar o reino de Deus com o seu poder».

Compreender a Palavra

A força deste texto manifesta-se logo na frase inicial: “Jesus chamou a multidão com os seus discípulos”. Jesus fala para todos. Não se trata de um discurso às multidões nem de uma explicação aos discípulos. Trata-se de uma verdade necessária a todos. Esta verdade implica a vida. Há um valor que se apresenta superior a todos, até à própria vida, “ser discípulo”. Ninguém pode fechar os ouvidos a esta verdade. Quem quer ser discípulo tem que renunciar a si mesmo, estar disposto a perder a vida e reconhecer que seguir Jesus é a sua maior riqueza e único objectivo. Estes são os que não se envergonham de Jesus diante dos homens e os que poderão ver o Reino acontecer.

Meditar a Palavra

As palavras às vezes, de tão bonitas, fazem-nos esquecer que são para pôr em prática. É um ideal muito bonito, este que Jesus propõe. A cadência das palavras soa a poesia agradável ao ouvido: “tome a sua cruz e siga-Me”; “quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á”… Apaixonado por Jesus como digo que estou, penso mais em mim do que nele, trabalho mais pelos meus projectos do que pelo seu reino, coloco mais confiança nas coisas do mundo do que na cruz de cada dia, prefiro as vitórias humanas à entrega da minha vida. Afinal satisfaço-me com dizer que sou discípulo mais do que em sê-lo de verdade. Fico pequenino dizendo “faço o que posso”, em vez de dizer “ainda não foi até ao sangue…”

Rezar a Palavra

Senhor, ainda não foi até à cruz a renúncia a mim mesmo, a entrega na construção do teu reino, o despojamento das coisas deste mundo, o amor pelos irmãos. A minha cruz ainda está limpa, ainda não se ergueu aos céus, ainda não foi marcada pelos cravos do amor e eu já me considero o primeiro dos teus discípulos, o predilecto. Ensina-me, Senhor, o amor ao amor mais do que à vã glória dos títulos que o mundo me pode reconhecer.

Compromisso

Consigo falar de Jesus a todas as pessoas excepto a uma. Não sei porquê, mas nunca me senti confortável a fazê-lo. Pode ser o meu pai, o marido ou a esposa, o filho ou um colega de trabalho. Hoje, não me vou envergonhar, vou manifestar a essa pessoa a minha fé em Jesus.

Quinta-feira da Semana VI do Tempo Comum

1ª leitura: Gen 9, 1-13 

Deus abençoou Noé e os seus filhos, dizendo: «Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra. Sereis temidos e respeitados por todos os animais da terra, por todas as aves do céu, por tudo quanto rasteja sobre a terra e por todos os peixes do mar: sujeito-os ao vosso poder. Tudo quanto tem movimento e vida vos servirá de alimento; tudo isso vos dou, como vos dei a verdura das plantas. Mas não comereis carne com vida, isto é, com sangue. Do vosso sangue, que é a vossa vida, Eu pedirei contas a todos os animais e pedirei contas ao homem; a cada um pedirei contas da vida de seu irmão. Eu pedirei contas da vida humana. Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem será o seu sangue derramado, porque Deus fez o homem à sua imagem. Quanto a vós, sede fecundos e multiplicai-vos, povoai e dominai a terra. Deus disse a Noé e a seus filhos: «Estabelecerei a minha aliança convosco, com a vossa descendência e com todos os seres vivos que vos acompanham: as aves, os animais domésticos, os animais selvagens que estão convosco, todos quantos saíram da arca e agora vivem na terra. Estabelecerei convosco a minha aliança: de hoje em diante nenhuma criatura será exterminada pelas águas do dilúvio e nunca mais um dilúvio devastará a terra». Deus disse ainda: «Este é o sinal da aliança que estabeleço convosco e com todos os animais que vivem entre vós, por todas as gerações futuras: farei aparecer o meu arco sobre as nuvens, que será um sinal da aliança entre Mim e a terra».

Compreender a Palavra

Deus abençoa o homem. Este homem, Noé e os seus filhos, é o homem saído da nova criação, nascido das águas, mas é obra das mãos de Deus. Deus recriou o homem para que ele se mantivesse fiel ao seu projeto de amor. Ainda assim, este homem, como o primeiro, é livre de amar a Deus ou rejeitá-lo. Tem as mesmas obrigações, de se multiplicar e encher a terra, dominar sobre os animais e sobre toda a criação. A única restrição é sobre a vida. Só o senhor é dono da vida e ele pedirá contas pelo que este tiver feito com a vida. E compromete-se com o homem, numa nova aliança, a não exterminar nenhuma criatura, uma aliança que será recordada de geração em geração pelo arco-íris.

Meditar na Palavra

Deus abençoa todo o homem que vem a este mundo. Todos saíram das suas mãos e ele cuida de todos recriando-os quantas vezes forem necessárias para que o seu projeto de amor se realize em cada um. Algumas vezes sinais grandiosos como o dilúvio mostram a devastação de um território e de uma população, mas a vida que brota daí renovada trás o sinal renovado do amor de Deus. Outras vezes essa renovação faz-se no silêncio interior do coração ou nas lágrimas de cada dia e de cada homem e também aí a vida sai fortalecida para responder ao amor do criador. Como para Noé, também para nós se abriram as águas do batismo para nos apresentarmos renovados diante daquele que ali nos recriou. Temos um sinal que já não é o arco-íris mas a cruz de Jesus que se eleva entre o céu e a terra e nos mostra a vida nova da ressurreição. É esta a nova aliança.

Rezar a Palavra

Sinto que me abençoas, Senhor, com a vida que renasce em cada dia e se renova dentro de mim como apelo a vencer o homem velho submergido nas águas do batismo e a viver como homem novo, livre e consciente do teu amor e capaz de responder com abertura de coração.

Compromisso

Recordo a bênção de Deus no meu batismo.

 


Evangelho: Mc 8, 27-33

Naquele tempo, Jesus partiu com os seus discípulos para as povoações de Cesareia de Filipe. No caminho, fez-lhes esta pergunta: «Quem dizem os homens que Eu sou?». Eles responderam: «Uns dizem João Baptista; outros, Elias; e outros, um dos profetas». Jesus então perguntou-lhes: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Pedro tomou a palavra e respondeu: «Tu és o Messias». Ordenou-lhes então severamente que não falassem d’Ele a ninguém. Depois, começou a ensinar-lhes que o Filho do homem tinha de sofrer muito, de ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas; de ser morto e ressuscitar três dias depois. E Jesus dizia-lhes claramente estas coisas. Então, Pedro tomou-O à parte e começou a contestá-l’O. Mas Jesus, voltando-Se e olhando para os discípulos, repreendeu Pedro, dizendo: «Vai-te, Satanás, porque não compreendes as coisas de Deus, mas só as dos homens».

Compreender a Palavra

Jesus quer centrar os discípulos no essencial da relação com ele. Pergunta: «Quem dizem os homens que Eu sou?». Não faz a pergunta para saber o que as pessoas dizem dele, mas para que os discípulos se dêem conta do ridículo das respostas. De facto nenhuma serve para identificar Jesus. «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Esta é uma pergunta que compromete na resposta. Pedro atreve-se a dizer: «Tu és o Messias». Mas a resposta não foi assumida na totalidade. Pedro não aceitou tudo quanto a sua resposta queria dizer. Por isso não aceita que Jesus tenha que sofrer e contesta as suas palavras. Tinha que ser repreendido.

Meditar a Palavra

Muitas vezes na minha relação com Jesus fico apenas naquilo que ouvi dizer. Um bom homem, filho de Deus, salvador do mundo, Messias, morreu na cruz por nós. Muita conversa interessante mas sem conteúdo. Na verdade, também eu sou capaz de repetir estas e outras afirmações sobre Jesus. O difícil na minha vida é assumir o mistério do sofrimento. Falar de Jesus, elaborar grandes discursos, ainda me vai sendo fácil, mas assumir o encontro com Cristo no doente, no idoso, no solitário, no sofredor, isso é mais difícil de entender. Também eu, como Pedro, estou prisioneiro dos critérios dos homens e tenho dificuldade em ver, nos que sofrem, a imagem de Cristo na sua cruz.

Rezar a Palavra

Tu é o Messias. Senhor Jesus, tu és o Messias de Deus. Ensina-me a comprometer a minha vida com estas palavras para que me encontre contigo no mistério da tua paixão e me deixe transformar em homem de dores ao lado da cruz dos meus irmãos que sofrem.

Compromisso

O mistério da cruz de Jesus continua presente nos homens que sofrem. Hoje vou usar algum do meu tempo para estar junto dos irmãos mais esquecidos.

Quarta-feira da Semana VI do Tempo Comum

1ª Leitura: Gen 8, 6-13.20-22 

Passados quarenta dias de dilúvio, Noé abriu a janela que tinha feito na arca e soltou o corvo, que ia e vinha, esperando que as águas secassem sobre a terra. Depois, Noé soltou a pomba, para ver se as águas tinham secado sobre a face da terra. Mas, como não encontrou lugar onde poisar a planta dos pés, a pomba regressou à arca para junto de Noé, pois a água ainda cobria toda a face da terra. Ele estendeu a mão, apanhou-a e guardou-a consigo na arca. Noé esperou ainda mais sete dias e soltou novamente a pomba da arca. A pomba voltou para ele ao entardecer e trazia no bico um rebento novo de oliveira. Então Noé compreendeu que as águas tinham baixado sobre a face da terra. Esperou ainda mais sete dias e soltou a pomba, que não voltou mais. Foi no ano seiscentos e um da vida de Noé, no primeiro dia do primeiro mês, que as águas secaram sobre a terra. Noé tirou a cobertura da arca e viu que a face da terra estava seca. Noé construiu um altar ao Senhor, tomou animais puros e aves puras e ofereceu holocaustos sobre o altar. O Senhor aspirou aquele agradável perfume e disse para consigo: «Nunca mais amaldiçoarei a terra por causa do homem; realmente os projetos do seu coração são maus desde a juventude, mas nunca mais destruirei todos os seres vivos, como agora fiz. Enquanto durar a terra, nunca mais hão de faltar sementeiras e colheitas, frio e calor, Verão e Inverno, dia e noite».

Compreender a Palavra

Noé, o único fiel e obediente a Deus vê chegar o tempo da bonança depois de uma grande tempestade. Da arca onde se refugiava estabelece contacto com o exterior para saber se a água baixara para colocar os pés em terra firme. Durante quarenta dias sentiu que a sua vida estava ameaçada pela água do dilúvio mas agora experimenta a esperança de que tudo não passara de uma tempestade. Ao chegar a terra firme oferece um holocausto ao Senhor que lhe responde com uma aliança a favor da vida e do homem.

Meditar a Palavra

A força simbólica do texto mostra-nos a experiência da vida como lugar de encontro com Deus. Deus tem coração e compadece-se do homem apesar das suas más inclinações. Se a tempestade se levanta e arrasta consigo a vida dos homens fruto do seu mau procedimento para com Deus, para com os outros homens e para com a natureza, a verdade é que, depois da tempestade volta a bonança. Quarenta é o número simbólico, o tempo de uma vida. A nossa vida será sempre este encontro desencontro com Deus e com a própria vida, na busca da terra segura onde assentar os alicerces da felicidade. Noé ao encontrar terra firme levantou um altar e ofereceu um holocausto. Também eu hei de encontrar a terra firme da fé para fazer chegar o louvor verdadeiro do altar do meu coração.

Rezar a Palavra

Do meio das águas clamo por ti, Senhor, sentindo que meus pés vacilam inseguros sobre a minha vida, incertos sobre o meu futuro. Só tu, Senhor, és o refúgio, o abrigo segura da minha vida. Dá, Senhor, terra firme da fé ao meu coração que, desassossegado quer encontrar-se em ti.

Compromisso

Vou oferecer um tempo de louvor ao Senhor que me salva das águas.


Evangelho: Mc 8, 22-26

Naquele tempo, Jesus e os seus discípulos chegaram a Betsaida. Trouxeram-Lhe então um cego, suplicando-Lhe que o tocasse. Jesus tomou o cego pela mão e levou-o para fora da localidade. Depois deitou-lhe saliva nos olhos, impôs-lhe as mãos e perguntou-lhe: «Vês alguma coisa?». Ele abriu os olhos e disse: «Vejo as pessoas, que parecem árvores a andar». Em seguida, Jesus impôs-lhe novamente as mãos sobre os olhos e ele começou a ver bem: ficou restabelecido e via tudo claramente. Então Jesus mandou-o para casa e disse-lhe: «Não entres sequer na povoação».

Compreender a Palavra

Um homem é levado por outros a Jesus para que o toque com a sua mão. O homem é cego e Jesus retira-se com ele para fora da cidade. A cidade é lugar de confusão, de ideias controversas e de situações de pecado. Jesus tira-o deste ambiente contaminado que não o deixa ver bem, deita-lhe saliva nos olhos e impõe-lhe as mãos. Aquele que não via nada começa a ver alguma coisa mas de modo confuso. Jesus impõe-lhe de novo as mãos e ele começa a ver perfeitamente. Aquele homem fez um progresso na sua vida, graças ao esforço continuado de Jesus. Agora não pode entrar na cidade, isso seria dar passos atrás na sua caminhada de fé.

Meditar a Palavra

O cego do evangelho sou eu. Isto é claro para mim. Se não me encontro com Jesus, vivo na escuridão e não consigo distinguir a realidade que me rodeia. Muitas vezes as pessoas e a confusão da cidade humana são impedimento para eu chegar perto de Jesus e ser curado através das suas palavras e dos seus gestos. Mas há pessoas que andam na confusão da cidade à minha procura e à procura de quantos, como eu, não conseguem ver. São esses os que me levam a Jesus. Começar a ver leva tempo, dá trabalho, exige esforço, renuncia ao barulho e à confusão da cidade. Nem sempre tenho coragem para me desviar e quando o faço sinto-me tentado a entrar de novo na cidade. Julgo que já sou capaz de andar na confusão sem perder a visão, mas não sou e fico cego de novo. As vozes do mundo desorientam-me e caio na escuridão. Jesus bem quer que eu encontre o caminho de casa, longe da cidade, mas eu…

Rezar a palavra

Que eu veja, Senhor, que eu veja. Toca-me com teu olhar e faz luz em mim. Toca-me com o teu amor e faz que entenda. Toca-me com o teu sopro de vida e faz-me viver de novo.

Compromisso

Hoje vou rezar por todos quantos, como eu, sentem dificuldade em viver na luz de Jesus.

Terça-feira da Semana VI do Tempo Comum

Actos 13, 46-49
Naqueles dias, Paulo e Barnabé disseram aos judeus: «Era a vós que devia ser anunciada primeiro a palavra de Deus. Mas uma vez que a rejeitais e vos julgais indignos da vida eterna, voltamo-nos para os gentios, porque assim nos mandou o Senhor: ‘Fiz de ti a luz das nações, para levares a salvação até aos confins da terra’». Ao ouvirem isto, os gentios encheram-se de alegria e glorificaram a palavra do Senhor; e todos os que estavam destinados à vida eterna abraçaram a fé. Assim, a palavra do Senhor divulgava-se por toda a região.

Compreender a Palavra
Celebramos hoje a Festa de S. Cirilo e S. Metódio padroeiros da Europa.

Ao celebrarmos os padroeiros da Europa escutamos a leitura dos Atos dos Apóstolos que nos fala da evangelização dos pagãos por causa da recusa dos judeus face ao anúncio do evangelho. A evangelização dos pagãos está na génese do cristianismo, pois Cristo foi enviado como luz da nações e salvação para todos os homens. O anúncio do evangelho é para os pagãos motivo de grande alegria.

Meditar a Palavra
A evangelização é a missão da Igreja e de cada cristão. De facto, ninguém se pode dizer de verdade cristãos, ninguém chegou à maturidade cristã se não sente em si o impulso, o desejo de anunciar a outros o evangelho que recebeu de graça. É verdade que alguns se distinguem pela força corajosa e arriscada com que passam pela vida a anunciar em circunstâncias adversas, mas a missão é de todos na Igreja. E anunciar é dar a conhecer a quem não ouviu ainda falar para que conheça, creia e ame aquele que nos trouxe a salvação. Como entre os judeus, do tempo de Paulo e Barnabé, também hoje entre os cristãos há muitos que não querem escutar e movem perseguição contra os que creem e anunciam. É necessária a coragem da fé para não adormecer nem se demitir da missão de anunciar o evangelho.

Rezar a Palavra
Senhor, diante da figura dos irmãos Cirilo e Metódio sentimos o impulso de levar a tua palavra a todas as pessoas que se cruzam connosco. Na tranquilidade do dia, no meio dos afazeres e responsabilidades, como cumpridores das nossas obrigações, gerando espaço de harmonia e concórdia, queremos ser testemunhas da salvação que nos ofereces no mistério da cruz. Faz-que o nosso testemunho, mesmo pequeno e pobre, gere abertura de coração nos nossos irmãos que estão longe da fé.

Compromisso
Anuncio o Evangelho a todas as pessoas sem distinção.


Evangelho: Lc 10, 1-9
Naquele tempo, designou o Senhor setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. E dizia-lhes: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara. Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho. Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’. E se lá houver gente de paz, a vossa paz repousará sobre eles; senão, ficará convosco. Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem, que o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa. Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem, comei do que vos servirem, curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’».

Compreender a Palavra
O evangelho relata-nos o envio dos setenta e dois discípulos. É uma passagem muito conhecida. Jesus mostra aos discípulos que, por muitos que eles sejam, a seara será sempre maior. Faltam trabalhadores para a seara e quem os dá é o Senhor. “Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara”. O trabalho na seara não é fácil “Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos”. É uma missão de Paz e de anúncio do Reino. O objectivo é sempre o anúncio e, por isso, não se pode perder tempo em coisas secundárias.

Meditar a Palavra
Jesus não engana. A missão não é fácil e os obstáculos aparecem em qualquer casa. Quando menos se espera o discípulo encontra-se rodeado de lobos. Mas o discípulo não pode pensar em si, nem nos perigos que pode encontrar, nem pode ficar acomodado nos lugares onde é aceite. É urgente o anúncio e não se pode ficar indiferente perante a multidão de homens e mulheres que não ouviram falar do reino. Este desafio é-me feito hoje a mim. Não posso fingir que não sou enviado. Não posso esperar que sejam outros a ir. Não posso escolher o lugar onde anunciar. Não posso ficar parado diante das dificuldades. Há uma missão para mim e não posso fingir que não é comigo.

Rezar a Palavra
Senhor, os lobos que se lançam contra mim, metem-me medo. O medo paralisa-me. Eu sei que é a mim que chamas e envias a anunciar. Eu sei e quero ouvir o teu apelo. Mas o medo! O medo deixa-me paralisado. Vem, Senhor, com o teu poder e vence o medo que se instala em mim. Vence a vontade, que cresce de dia para dia, de me demitir. Vence em mim o desânimo perante o fraco resultado alcançado com o anúncio da tua palavra.

Compromisso
Hoje é dia de sacrário. O medo quer vencer-nos. O medo quer vencer esta Igreja e estes cristãos. No sacrário venceremos porque Jesus tem poder.

Segunda-feira da Semana VI do Tempo Comum

Evangelho: Mc 8, 11-13

Naquele tempo, apareceram alguns fariseus e começaram a discutir com Jesus. Para O porem à prova, pediam-Lhe um sinal do céu. Jesus suspirou do fundo da alma e respondeu-lhes: «Porque pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo: não se dará nenhum sinal a esta geração». Depois deixou-os, voltou a subir para o barco e foi para a outra margem do lago.

Compreender a Palavra

Depois da multiplicação dos pães surge um grupo de fariseus com um pedido estranho. A malícia dos fariseus surge aqui com grande descaramento, uma vez que Jesus tinha acabado de fazer o milagre da multiplicação dos pães. Não viram? Não foi suficiente o sinal de Jesus para reconhecerem quem era Jesus. Não! O mal não está nem em Jesus nem nos seus milagres. O mal está no coração dos fariseus que não querem aceitar a verdade que vêem com os próprios olhos. Por isso Jesus lhes responde de modo determinante: “não se dará nenhum sinal a esta geração”.

Meditar a Palavra

Os fariseus demonstram publicamente que, sempre que quisermos, somos capazes de fechar o coração à fé e impedir toda a possibilidade de crer. A obstinação provoca uma avalanche de exigências que impomos sobre os outros para que nos provem que a fé vale a pena, tem sentido acreditar, Deus existe e Jesus é filho de Deus. Se quisermos ficamos nesta obstinação e nenhuma prova, nenhum argumento, nenhuma resposta, nenhum testemunho, nenhum milagre e nenhuma verdade nos demoverá dessa atitude. Ora, aquele que quer chegar à fé, a primeira coisa que tem que fazer é criar espaço no coração, é abrir-se à verdade revelada, é aceitar a pessoa de Jesus, as suas palavras e os seus gestos que, sendo simples, revelam o mistério de Deus e do seu amor pelo homem. Para aquele que prefere ficar na obstinação, não haverá milagre que chegue para o convencer. Às vezes caio na tentação de justificar e provar a fé diante dos outros. O segredo não está em provar aos outros, mas em viver a fé e, como Jesus, seguir em frente no seu caminho.

Rezar a Palavra

Sou confrontado continuamente com a exigência dos que não crêem. Constantemente me perguntam “Onde está o teu Deus?”. Vejo-me incapaz de explicar. Não tenho argumentos para justificar porque creio, porque vale a pena a fé, de que serve ser crente. Preciso de ti, Senhor, para que em mim se faça presente a luz eterna que me ilumina no meio da noite. Ensina-me, Senhor, para que não me deixe cair na noite da ignorância dos que não querem ver que só tu és Deus e mais ninguém.

Compromisso

Quero aprofundar a minha amizade com Deus para que o amor supere o desejo de ver milagres.

Sexta-feira da Semana V do Tempo Comum

1ª Leitura: Gen 3, 1-8 

A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor tinha feito. Ela disse à mulher: «É verdade que Deus vos disse: ‘Não podeis comer fruto de nenhuma árvore do jardim’?». A mulher respondeu à serpente: «Nós podemos comer do fruto das árvores do jardim. Mas sobre o fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: ‘Não podeis comer dele nem tocar-lhe, senão morrereis’». A serpente disse então à mulher: «Não, não morrereis. Mas Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, os vossos olhos se abrirão e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal». A mulher reparou então que a árvore era boa para comer, agradável à vista e desejável para adquirir conhecimento. Colheu do seu fruto, comeu-o e deu-o a seu marido que estava junto dela e ele também comeu. Então abriram-se os olhos aos dois e perceberam que estavam nus. Por isso entrelaçaram folhas de figueira e cingiram-se com elas. Mas ao ouvirem os passos do Senhor Deus, que passeava no jardim pela brisa da tarde, o homem e a mulher esconderam-se do Senhor Deus entre as árvores do jardim.

Compreender a Palavra

A harmonia entre Deus e o homem e entre homem e mulher é quebrada de uma forma muito astuta, pela tentação de ser como Deus, ocupar o lugar do criador e ser dono de si mesmo. A serpente, simbolizando a tentação, instiga a mulher a desobedecer à ordem dada por Deus de não comer o fruto da árvore do bem e do mal. E a forma usada é de grande habilidade. Deus não quer que comas porque no dia em que comeres serás como ele. Este argumento é suficiente para convencer a mulher a comer. Depois da desobediência a harmonia é quebrada. Homem e mulher sentem-se incomodados diante um do outro porque estão nus. Sentem-se intimidados com a presença de Deus e escondem-se.

Meditar a Palavra

Hoje, alguns argumentam que o homem é que inventou Deus, mas o livro do génesis diz-nos que, ao contrário, o homem quis matar Deus e ocupar o seu lugar. A harmonia interior acontece quando somos capazes de colocar as coisas e as pessoas da nossa vida no seu devido lugar. O pai e a mãe têm um lugar, os irmãos e os amigos ocupam outro lugar, a casa e o carro, o trabalho e o descanso, cada coisa tem o seu lugar. Deus também tem um lugar na nossa vida. Quando, por interesse, orgulho, egoísmo e soberba queremos ocupar todo o espaço da nossa vida apenas connosco e segundo os critérios do poder e da posse, tiramos do lugar as pessoas, as coisas e também Deus. As coisas transformam-se em deuses e o mesmo pode acontecer com algumas pessoas a quem adoramos, as pessoas são transformadas em coisas e Deus é tratado como se não existisse. Vem a desarmonia porque o homem não pode ser Deus e não pode viver sem Deus, as coisas não são deuses e deixam-nos vazios e o mesmo acontece com as pessoas a quem endeusamos. Arrumar a casa e colocar cada coisa e cada pessoa no seu legítimo lugar.

Rezar a Palavra

Senhor, tantas vezes me sinto de casa desarrumada. Esqueço que só tu és Deus e estás acima de tudo e todos na minha vida. Transformo os bens materiais em deuses que me servem e não falam e perco-me de mim, de ti e dos outros. Adoro esta ou aquela pessoa e faço dela o centro da minha vida e acabo sem esperança nem horizonte de eternidade. Mostra-me, Senhor, o lugar de cada coisa e cada pessoa na minha vida.

Compromisso

Vou arrumar a minha casa.

 


Evangelho: Mc 7, 31-37

Naquele tempo, Jesus deixou de novo a região de Tiro e, passando por Sidónia, veio para o mar da Galileia, atravessando o território da Decápole. Trouxeram-Lhe então um surdo que mal podia falar e suplicaram-Lhe que impusesse as mãos sobre ele. Jesus, afastando-Se com ele da multidão, meteu-lhe os dedos nos ouvidos e com saliva tocou-lhe a língua. Depois, erguendo os olhos ao Céu, suspirou e disse-lhe: «Effathá», que quer dizer «Abre-te». Imediatamente se abriram os ouvidos do homem, soltou-se-lhe a prisão da língua e começou a falar correctamente. Jesus recomendou que não contassem nada a ninguém. Mas, quanto mais lho recomendava, tanto mais intensamente eles o apregoavam. Cheios de assombro, diziam: «Tudo o que faz é admirável: faz que os surdos oiçam e que os mudos falem».

Compreender a Palavra

Neste contexto lemos o evangelho de Marcos que nos conta o encontro de Jesus com um homem “surdo que mal podia falar”. Deixamos de lado outros pormenores e centramo-nos neste homem e nos gestos e palavras de Jesus. Incapaz de ouvir e de falar, este homem, precisa dos outros para obter a cura. São outras pessoas que suplicam a Jesus por Ele. Jesus mete-lhe os dedos nos ouvidos e tocou-lhe na língua com saliva e disse “abre-te”. Para Jesus aquele homem estava fechado dentro dele, por isso disse “abre-te” e não “fica curado” como em outras situações. À palavra de Jesus o homem “abriu-se” começou a falar e a ouvir. Todos estavam admirados com o sucedido.

Meditar a Palavra

Hoje coloco-me no lugar deste homem. São tantas as circunstâncias em que estou tão frágil que nem consigo pedir ajuda. Quantas vezes não são os outros a perceber a minha miséria? A situação deste homem mostra-me que preciso dos outros, da sua oração, da sua súplica, da sua atenção sobre mim. O homem do Evangelho lembra-me as situações em que me fecho sobre mim mesmo. Não tenho nada para dar nem para receber. Julgo ser auto-suficiente. Julgo que não preciso de ninguém. Nesta situação (egoísta) vivo só, isolado, para mim mesmo, sem ninguém. Só Jesus com o seu dedo me pode abrir. Só Jesus com a sua palavra pode quebrar o cadeado do meu isolamento. Só ele pode libertar-me de mim mesmo e abrir-me a Ele e aos outros. Posso concluir que muitas vezes eu sou a minha pior companhia, sou a origem de todos os meus males.

Rezar a Palavra

Abre o meu coração, Senhor, aos outros. Abre o meu coração para ti. Faz ouvir a tua voz bem alto em mim,. Senhor. Dirige hoje para mim a força da tua palavra “abre-te” e faz com que as cadeias da minha vida, as correntes do meu egoísmo, as grades da minha indiferença se quebrem de uma vez para brilhar em mim a luz do Teu olhar libertador.

Compromisso

Hoje vou rezar pelos doentes e pelos idosos que, sem quererem experimentam o isolamento e a solidão.

Quinta-feira da Semana V do Tempo Comum

1ª Leitura: Gen 2, 18-25

Disse o Senhor Deus: «Não é bom que o homem esteja só: vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele». Então o Senhor Deus, depois de ter formado da terra todos os animais do campo e todas as aves do céu, conduziu-os até junto do homem, para ver como ele os chamaria, a fim de que todos os seres vivos fossem conhecidos pelo nome que o homem lhes desse. O homem chamou pelos seus nomes todos os animais domésticos, todas as aves do céu e todos os animais do campo. Mas não encontrou uma auxiliar semelhante a ele. Então o Senhor Deus fez descer sobre o homem um sono profundo e, enquanto ele dormia, tirou-lhe uma costela, fazendo crescer a carne em seu lugar. Da costela do homem o Senhor Deus formou a mulher e apresentou-a ao homem. Ao vê-la, o homem exclamou: «Esta é realmente osso dos meus ossos e carne da minha carne. Chamar-se-á ‘mulher’, porque foi tirada do ‘homem’». Por isso, o homem deixará pai e mãe, para se unir à sua mulher, e os dois serão uma só carne. O homem e sua mulher estavam nus, mas não sentiam vergonha.

Compreender a Palavra

A criação do homem reveste-se de uma solenidade que não é descrita em relação à criação das outras criaturas de que está repleta a terra. O homem aparece como interlocutor de Deus. A ele foi concedida a honra de por os nomes a todos os seres vivos. No entanto, o homem não encontrou na criatura outro ser que lhe fosse igual. A mulher, sim, tirada da sua costela, do seu lado, do lugar do coração, fá-lo exclamar “Esta é realmente osso dos meus ossos e carne da minha carne.”. Entre eles, havia harmonia, igual dignidade e transparência. Estavam nus porque não tinham sido tocados pelo pecado.

Meditar a Palavra

A descrição da criação do homem e da mulher, a harmonia entre o homem e Deus e entre ele e a mulher faz-nos perguntar sobre o que é que se colocou entre eles para ter desaparecido esta felicidade inicial. Criados por Deus encontraram um no outro alguém que lhes é igual, capaz de estabelecer relação e de partilhar ideais e sonhos, projetos e desejos. Deus abençoou esta harmonia. Estavam nus, significam estavam bem diante de Deus e diante um do outro. Foi assim na criação e é também assim hoje, quando não entra na relação dos dois o mal que impede o olhar límpido e transparente sobre o outro.

Rezar a Palavra

Nas nossas relações, Senhor, quantas vezes deixamos entrar a desconfiança, a dúvida, o ciúme, a inveja e com isso perdemos o olhar límpido e transparente sobre os outros. Quantas vezes desconfiamos da amizade sincera, da verdade que nos é oferecida, do amor que nos é dado? Quantas vezes permitimos que se levante o ciúme que nos faz pequenos e inquietos para com o amor sincero do outro. Abre-nos à harmonia para estarmos bem uns com os outros. Faz-nos rever as nossas relações à luz da tua palavra.

Compromisso

Cuidar dos outros é caminho para chegar a ser o que Deus quer de mim.


Evangelho: Mc 7, 24-30

Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se para a região de Tiro e Sidónia. Entrou numa casa e não queria que ninguém o soubesse. Mas não pôde passar despercebido, pois logo uma mulher, cuja filha tinha um espírito impuro, ao ouvir falar d’Ele, veio prostrar-se a seus pés. A mulher era pagã, siro-fenícia de nascimento, e pediu-Lhe que expulsasse o demónio de sua filha. Mas Jesus respondeu-lhe: «Deixa primeiro que os filhos estejam saciados, pois não está certo tirar o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos». Ela, porém, disse: «Senhor, também é verdade que os cachorrinhos comem debaixo da mesa as migalhas das crianças». Então Jesus respondeu-lhe: «Dizes muito bem. Podes voltar para casa, porque o demónio já saiu da tua filha». Ela voltou para casa e encontrou a criança deitada na cama. O demónio tinha saído.

Compreender a Palavra

Deparamo-nos hoje com uma circunstância muito especial. Jesus está numa região marcada pelo paganismo. Tiro e Sidónia não são cidades judaicas. Jesus dirige-se para aquela região algumas vezes e serve-se destas cidades para chamar a atenção de Israel. Enquanto ali se encontrava, uma mulher pagã veio prostra-se diante dele. Trazia consigo um problema sério: sua filha estava possuída por um demónio. O diálogo é interessante pela dureza das palavras de Jesus e pela simplicidade da mulher. Ele veio para as ovelhas perdidas da casa de Israel. Esta mulher não pertence aos “filhos”. Mas a mulher não se deixa vencer pelas palavras. Ganha cada vez mais confiança em Jesus e vai avançando. A sua súplica está cheia de fé.

Meditar a Palavra

Esta mulher, na sua simplicidade, é surpreendente. Prostra-se diante de Jesus na esperança de receber uma pequena migalha que salve a sua filha. Diante de um problema grave da sua vida, não exige, mas espera de mãos abertas as migalhas de Jesus. Esta atitude ensina-me muito. Ensina-me a não esperar grandes soluções, mas pequenas migalhas que Deus me quer oferecer.

Rezar a Palavra

Uma migalha, Senhor. Nunca te pedi uma migalha. Quando olho a minha vida, penso logo em pedir tudo, em querer tudo, em exigir porque sei que tu podes dar. Julgo sempre que a minha vida se resolve com as tuas dádivas. Esta mulher, cananeia, ensina-me a pedir as migalhas que caem da tua mesa. Dá-me mãos, Senhor, para colher as pequenas migalhas que todos os dias depositas em mim.

Compromisso

Hoje, quero agradecer aquela migalha que Deus depositou em mim e que tive oportunidade de saborear.