São Filipe Néri, presbítero
Memória
Filipe Néri nasceu em Florença, no ano 1515. Dirigiu-se para Roma e começou por se dedicar ao apostolado da juventude. Fundou uma associação em favor dos enfermos pobres, levando sempre uma vida de grande perfeição cristã. Foi ordenado presbítero no ano 1551 e fundou o Oratório que tinha por objetivo dedicar-se à instrução espiritual, ao canto e às obras de caridade. Promotor de novas expressões culturais e artísticas, notabilizou-se sobretudo pelo seu amor ao próximo, pela sua evangélica e pela sua alegria no serviço de Deus. Morreu no ano 1595.

Leitura I (anos pares) 1Pd 1, 10-16

Caríssimos:
A salvação das almas
foi objecto das investigações e meditações dos Profetas
que predisseram a graça a vós destinada.
Procuravam descobrir
a que tempo e circunstâncias se referia o Espírito de Cristo
que estava neles,
quando predizia os sofrimentos de Cristo
e as glórias que se lhes haviam de seguir.
Foi-lhes revelado que não era para eles, mas para vós,
que no seu ministério transmitiam essa mensagem.
É essa mensagem que agora vos anunciam
aqueles que, movidos pelo Espírito Santo enviado do Céu,
vos pregam o Evangelho,
o qual os próprios Anjos desejam contemplar.
Por isso, tende o vosso espírito alerta e sede vigilantes;
ponde toda a vossa esperança na graça que vos será concedida,
quando Jesus Cristo Se manifestar.
Como filhos obedientes,
não vos conformeis com os desejos de outrora,
quando vivíeis na ignorância.
Mas, à semelhança do Deus santo que vos chamou,
sede santos, vós também, em todas as vossas ações,
como está escrito:
«Sede santos, porque Eu sou santo».

compreender a palavra
Pedro recorda que já outrora os profetas falavam das coisas que agora eles anunciam quando falam de Jesus e do mistério de salvação que ele oferece a todos os homens. No entanto, os profetas não sabiam a quem se referiam as suas palavras nem em que tempo se cumpririam as suas profecias. Agora, porém, todos sabemos que eles anunciavam Jesus Cristos, os sofrimentos da sua paixão e a glória em que se encontra após a ressurreição. Portanto, diz Pedro, é necessário vigiar, estar alerta para vencermos a ignorância e colocarmos toda a esperança na graça de Cristo que nos foi concedida a fim de nos tornarmos santos em Cristo e salvarmos as nossas almas.

meditar a palavra
A graça de Cristo alcançada por meio da sua paixão, morte e ressurreição, anunciada pelos profetas, está à nossa disposição. De facto, outros anunciaram sem terem visto e nós podemos contemplar a graça que Cristo coloca à nossa disposição. Esta graça podemos alcançá-la pela pregação do evangelho. Escutando a palavra do evangelho chegaremos ao conhecimento do dom de Deus e, vencendo a ignorância que nos impede de viver a novidade da salvação oferecida por Cristo, chegaremos à salvação das nossas almas, porque nos tornaremos santos como o Pai que está nos céus.

rezar a palavra
Senhor, parece tantas vezes difícil chegar ao caminho da salvação porque a nossa fragilidade nos recorda que não somos santos. Mas, contemplando o mistério da tua graça, que ofereces gratuitamente a cada homem, percebemos que ser santo é mais um dom do que uma conquista. Por isso, atentos à tua palavra, nos colocamos em tuas mãos na certeza de que em ti seremos salvos.

compromisso
Quero escutar o evangelho para vencer em mim a ignorância.


Evangelho Mc 10, 28-31

Naquele tempo,
Pedro começou a dizer a Jesus:
«Vê como nós deixámos tudo para Te seguir».
Jesus respondeu:
«Em verdade vos digo:
Todo aquele que tiver deixado casa,
irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou terras,
por minha causa e por causa do Evangelho,
receberá cem vezes mais, já neste mundo,
em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras,
juntamente com perseguições,
e, no mundo futuro, a vida eterna.
Muitos dos primeiros serão os últimos
e muitos dos últimos serão os primeiros».

compreender a palavra
No seguimento das palavras de Jesus a propósito do homem rico que recusou desprender-se dos bens para o seguir, Pedro lembra que ele e os outros discípulos deixaram tudo, «Vê como nós deixámos tudo para Te seguir». Para o rico é impossível, mas nós, nós deixámos tudo. Que recompensa teremos? Jesus responde à inquietação de Pedro com a abundante generosidade de Deus. Receberás cem vezes mais. Mas simultaneamente receberás a cruz das perseguições para não teres a tentação de ser o primeiro.

meditar a palavra
As palavras de Jesus fazem-me experimentar uma terrível divisão. Por um lado, Ele impõe-se em mim nas suas palavras e na sua presença e seduz-me, de tal modo, que me apetece largar tudo para o seguir. Mas depois fica em mim esta nostalgia dos bens perdidos. Bem sei que, tudo o que deixo vale muito pouco comparado com Jesus, mas as coisas, as pessoas, a vida, os acontecimentos, os encontros, os sentimentos fazem já parte de mim mesmo. Pensar em deixar tudo é cortar um pedaço de mim. Deixar tudo é um despojamento existencial. De facto, enquanto não for Cristo a viver em mim e não eu, persistirá sempre esta dificuldade de o seguir.

rezar a palavra
Amar a tua cruz, Senhor. Amar a minha cruz. Experimentar a alegria da cruz para compreender tudo o resto como lixo, comparado com seguir-te todos os dias. Que mistério este do aniquilamento que me eleva para ti. Não pelas casas, Senhor, nem pelas pessoas ou tesouros deste mundo, mas por querer salvar a minha pele. É aí que sinto a maior dificuldade. Esta fuga às perseguições, ao ser humilhado por ser teu discípulo. Como me dói. Ensina-me, Senhor, a alegria da cruz para apreciar o caminho até ao calvário no desprendimento de mim mesmo.

compromisso
Na dor que hoje tiver que experimentar, em especial a dor de ser humilhado por amar Jesus, vou fortalecer a minha vontade de o seguir.