São Nuno de Santa Maria, religioso
[Memória em Portugal]
Nuno Álvares Pereira nasceu em Cernache do Bonjardim (Portugal), a 24 de junho de 1360. Como condestável do reino de Portugal, foi militar invencível e Fundador da Casa de Bragança. Foi recebido, como irmão leigo, na Ordem dos Carmelitas. Tinha uma admirável piedade para com a Virgem santa Maria, sentia grande satisfação em desempenhar os ofícios mais humildes na casa de Deus e mostrou sempre grande compaixão e liberalidade para com os pobres. Morreu em Lisboa, no Convento do Carmo, por ele fundado, no dia 1 de abril de 1431, domingo da ressurreição.

Leitura I (anos pares) Fl 3, 17 — 4, 1

Irmãos:
Sede meus imitadores
e ponde os olhos naqueles
que procedem segundo o modelo que tendes em nós.
Porque há muitos,
de quem tenho falado várias vezes
e agora falo a chorar,
que procedem como inimigos da cruz de Cristo.
O fim deles é a perdição:
têm por deus o ventre,
orgulham-se da sua vergonha
e só apreciam as coisas terrenas.
Mas a nossa pátria está nos Céus,
donde esperamos, como Salvador, o Senhor Jesus Cristo,
que transformará o nosso corpo miserável,
para o tornar semelhante ao seu corpo glorioso,
pelo poder que Ele tem
de sujeitar a Si todo o universo.
Portanto, meus amados e queridos irmãos,
minha alegria e minha coroa,
permanecei firmes no Senhor.

compreender a palavra
Entre os cristãos, há os imitadores de Paulo que seguem o evangelho e os inimigos da cruz de Cristo que vivem para comer, beber e gozar. Os primeiros têm a sua pátria nos céus e deixam-se renovar no seu corpo para viverem como Cristo num corpo glorioso. Os outros têm a sua pátria aqui na terra, apreciam as coisas deste mundo e orgulham-se do mal. Para os seguidores da cruz não é fácil viver neste mundo, mas devem fazer tudo para “permanecer firmes no Senhor”.

meditar a palavra
É muito fácil pôr o evangelho ao serviço das nossas opções. Gostamos de ser chamados cristãos, mas não gostamos das exigências que implica a vida nova proposta por Cristo. Os argumentos são todos os que quisermos e cada um serve-se dos seus para se justificar. Paulo mostra que alguns cristãos se justificam de tal modo que se tornam inimigos da cruz, porque vivem só para o ventre, fazendo dele o seu deus. Mas, seguir a Cristo é outra coisa, implica abraçar a cruz de Cristo e encontrar nela a renovação do nosso corpo para chegarmos a ser como Cristo, participantes da sua glória, porque a nossa pátria está nos céus. Cristo é quem pode transformar o nosso corpo para vivermos com ele eternamente.

rezar a palavra
Concede-me, Senhor, a fortaleza da alma para vencer a tentação de viver para as coisas deste mundo e encontrar na cruz o caminho da minha transformação interior a fim de poder viver como cidadão do céu.

compromisso
Permanecer firmes na fé implica abraçar a cruz de Cristo.


Evangelho Lc 16, 1-8

Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Um homem rico tinha um administrador
que foi denunciado por andar a desperdiçar os seus bens.
Mandou chamá-lo e disse-lhe:
‘Que é isto que ouço dizer de ti?
Presta contas da tua administração,
porque já não podes continuar a administrar’.
O administrador disse consigo:
‘Que hei de fazer,
agora que o meu senhor me vai tirar a administração?
Para cavar não tenho forças, de mendigar tenho vergonha.
Já sei o que hei de fazer,
para que, ao ser despedido da administração,
alguém me receba em sua casa’.
Mandou chamar um por um os devedores do seu senhor
e disse ao primeiro:
‘Quanto deves ao meu senhor?’.
Ele respondeu: ‘Cem talhas de azeite’.
O administrador disse-lhe:
‘Toma a tua conta: senta-te depressa e escreve cinquenta’.
A seguir disse a outro: ‘E tu quanto deves?’
Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’.
Disse-lhe o administrador:
‘Toma a tua conta e escreve oitenta’.
E o senhor elogiou o administrador desonesto,
por ter procedido com esperteza.
De facto, os filhos deste mundo
são mais espertos do que os filhos da luz,
no trato com os seus semelhantes».

compreender a palavra
Jesus conta uma parábola com um objetivo relativamente ao ensino dos discípulos. O administrador desonesto usa de inteligência para se livrar da situação de falência em que vai entrar a sua vida ao ser despedido pelo dono das terras que lhe estão confiadas para gerir. Serve-se dos que têm dívidas para conseguir alcançar uma casa onde passar feliz e regalado o resto dos seus dias, quando ficar sem a administração. Jesus elogia este administrador desonesto, não por ser desonesto, mas por ser inteligente. É o uso da inteligência que Jesus quer ensinar aos discípulos, mas em ordem aos bens do Reino.

meditar a palavra
Os discípulos são chamados a administrar os bens do Reino de Deus. Estes bens hão de ser repartidos para chegarem a todos e a todos enriquecer, a fim de que possam habitar na casa de Deus. Do mesmo modo que os filhos deste mundo sabem partir e repartir, administrar e até ser desonestos quanto aos bens deste mundo para não ficarem fora de casa, sem futuro assegurado, assim os discípulos de Jesus, hão de saber usar de inteligência, servindo-se dos meios mais diversos ao seu alcance, sem perder a honestidade, para assegurar o bem supremo que é habitar na casa do Pai (entrar no Reino). De facto, somos capazes de todos os esforços para conseguir os bens materiais que mais desejamos e fazemos muito pouco para alcançar uma vida digna do Reino de Deus.

rezar a palavra
Deste-me inteligência, Senhor, para discernir o valor de todas as coisas que posso alcançar ao longo da vida. Muitas vezes me enganei, valorizando o que não tinha valor e desprezando a verdadeira riqueza. Deixei-me enganar pela prata e pelo ouro quando a sabedoria vale mais do que todo o ouro do mundo. Fiquei deslumbrado perante o conhecimento e entreguei-lhe o meu tempo, quando o amor vale mais que todo o conhecimento. Deixei-me seduzir pelo prazer e entreguei-me a ele de corpo e alma quando o verdadeiro prazer está em dar a vida pelo irmão. Segurei os meus pés na terra quando a verdadeira segurança está no céu. Ensina-me, Senhor, para que não queira enganar-me mais a mim mesmo, mas saiba sempre ouvir a tua voz que me mostra o caminho do Reino.

compromisso
Quero ouvir a voz de Deus que me repete: “os filhos deste mundo são mais espertos do que os filhos da luz”, para me tornar esperto nas coisas do Reino.