Santo Antão, abade
Memória
Antão nasceu no Alto Egito, aproximadamente no ano 250. Depois da morte de seus pais, seguindo os preceitos evangélicos, distribuiu os seus haveres pelos pobres e retirou-se para a solidão da Tebaida, no Egito, onde começou a sua vida ascética. Teve numerosos discípulos e trabalhou em defesa da Igreja, animando os confessores na perseguição de Diocleciano e apoiando santo Atanásio na luta contra os arianos. Foram tantos os seus discípulos, que mereceu ser considerado «pai dos monges». Morreu no ano 356.
Leitura I (anos pares) 1Sm 9, 1-4.17-19; 10, 1a
Havia um homem da tribo de Benjamim chamado Quis,
filho de Abiel, filho de Seror, filho de Becorat, filho de Afiá.
Era pessoa importante
e tinha um filho chamado Saul, jovem e belo.
Entre os israelitas, ninguém se podia comparar com ele
e os mais altos do povo só lhe davam pelos ombros.
Tinham-se perdido umas jumentas de Quis, pai de Saul,
e ele disse a Saul, seu filho:
«Leva contigo um dos servos e põe-te a caminho,
para procurares as jumentas».
Atravessaram os montes de Efraim
e passaram pela região de Salisá,
mas não as encontraram.
Percorreram depois a região de Salim
mas sem resultado.
Atravessaram a terra de Benjamim,
mas nem aí encontraram as jumentas.
Entretanto, o profeta Samuel avistou Saul
e o Senhor disse-lhe:
«Aí está o homem de quem te falei:
é ele que dirigirá o meu povo».
Saul aproximou-se de Samuel, no meio da porta, e disse-lhe:
«Por favor, onde é a casa do vidente?».
Samuel respondeu:
«Sou eu o vidente.
Sobe à minha frente para a sala de cima.
Comereis hoje comigo
e amanhã de manhã te direi tudo o que tens no coração».
No dia seguinte, Samuel tomou um vaso de óleo
e derramou-o sobre a cabeça de Saul.
Depois abraçou-o e disse-lhe:
«Foi o Senhor que te ungiu como chefe de Israel, seu povo.
Tu governarás o povo do Senhor
e o salvarás das mãos dos inimigos que o rodeiam».
compreender a palavra
Deus respeita os homens nas suas decisões, mas não se demite da sua missão. Perante a decisão do povo, Deus assume a responsabilidade de escolher um rei e serve-se de acontecimentos tão banais como o desaparecimento de duas jumentas. Saúl procurava as jumentas quando se cruza com Samuel, o vidente, e Deus dá instruções a Samuel dizendo-lhe que Saúl era o escolhido por ele para governar o seu povo. Samuel convida Saúl a ficar com ele e no dia seguinte unge-o como rei de Israel e mostra-lhe a missão que lhe foi confiada por Deus.
meditar a palavra
As nossas escolhas, tantas vezes erradas, não impedem Deus de continuar a cuidar de nós e de procurar oportunidades para se encontrar connosco e nos mostrar o seu projeto de amor para a salvação nossa e de todos. As oportunidades da nossa vida são os acontecimentos banais, as coisas do nosso dia a dia, as circunstâncias normais da nossa vida. Por detrás de alegrias e tristezas, conquistas e derrotas, encontros e desencontros, Deus está a falar, a ungir, a certificar, a enquadrar as nossas escolhas nas suas para que reencontremos o caminho certo que é salvação para todos os homens. Não estar atento ou não deixar que a revelação do projeto de Deus se faça é impedir que Deus se encontre connosco e que a sua salvação aconteça para nós e para todos.
rezar a palavra
Ensina-me, Senhor, a ler os sinais da tua presença na minha vida. Ensina-me a escutar aqueles que me sabem instruir na tua vontade e a permanecer corajosamente na missão que me confias, de dar a conhecer a salvação a todos os homens para que sejam todos como um só rebanho onde tu és o único pastor.
compromisso
Antes de me entristecer ou alegrar com os acontecimentos da minha vida vou compreender o que Deus me está a dizer.
EVANGELHO Mc 2, 13-17
Naquele tempo,
Jesus saiu de novo para a beira-mar.
A multidão veio ao seu encontro,
e Ele começou a ensinar a todos.
Ao passar, viu Levi, filho de Alfeu,
sentado no posto de cobrança,
e disse-lhe: «Segue-me».
Ele levantou-se e seguiu Jesus.
Encontrando-Se Jesus à mesa em casa de Levi,
muitos publicanos e pecadores estavam também à mesa
com Jesus e os seus discípulos,
pois eram muitos os que O seguiam.
Os escribas do partido dos fariseus,
ao verem-n’O comer com os pecadores e os publicanos,
diziam aos discípulos:
«Por que motivo é que Ele come com publicanos e pecadores?».
Jesus ouviu e respondeu-lhes:
«Não são os que têm saúde que precisam do médico,
mas os que estão doentes.
Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores».
compreender a palavra
As atitudes de Jesus não são compreendidas pelos escribas e fariseus. Ele escolhe para seu discípulo um publicano, tido como pecador, e vai sentar-se em sua casa a comer com publicanos e pecadores. Estes factos provocam a pergunta que fazem aos discípulos: “por que motivo é que ele come com publicanos e pecadores?”. Esta pergunta torna-se oportunidade para Jesus explicar o seu programa de vida: “Não vim chamar os justos, mas os pecadores”.
meditar a palavra
Transformámo-nos numa Igreja de santos que convive mal com o pecado, quando na realidade somos uma Igreja de pecadores. A intolerância face à condição de pecadores que todos padecemos faz com que se caia na tentação de parecer santos, esconder o pecado, fazer tudo para ser tidos por boas pessoas, justos, santos, intocáveis. Desta forma podemos sentar-nos à mesa com Jesus. Muitos sentem que não podem entrar onde Jesus está e sentar-se à mesa com ele porque se reconhecem pecadores. Ora, Jesus dá-nos uma grande lição. Quem é pecador é que pode sentar-se à sua mesa porque para estes é que ele veio. Os justos, não precisam de Jesus. Esta palavra é para mim um desafio porque exige que me reconheça pecador antes de me atrever a sentar-me à mesa com Jesus e pede-me a capacidade de aceitar os outros, com os seus pecados, como convivas no mesmo banquete presidido por Jesus. Há muito a mudar na nossa mentalidade para nos tornarmos uma Igreja que acolhe os pecadores.
rezar a palavra
Amigo dos pecadores, dá-me um coração humilde para reconhecer que sou tão ou mais pecador do que todos os outros e a consciência de que, se me sento à tua mesa não é por ser bom, mas porque tu és bom e repartes comigo o teu pão nesta casa de Levi que é a tua Igreja.
compromisso
Vou aprender a reconhecer os meus pecados e a amar os meus irmãos pecadores.






