São Bonifácio, bispo e mártir
Memória
Bonifácio nasceu na Inglaterra, por volta do ano 673. Fez a profissão religiosa e viveu como monge no mosteiro de Exeter. No ano 719 partiu para a Alemanha a pregar o Evangelho e obteve excelentes resultados. Consagrado bispo, governou a Igreja de Mogúncia e, com a ajuda de vários colaboradores, fundou ou restaurou diversas Igrejas na Baviera, na Turíngia e na Francónia. Também convocou concílios e promulgou leis. Quando evangelizava os frisões, foi assassinado no ano 754, em Dokkum, na Frísia, atualmente na Holanda. O seu corpo foi sepultado no mosteiro de Fulda.
Leitura I (anos pares) 2Tm 3, 10-17
Caríssimo:
Tu seguiste-me fielmente
no ensino, no modo de vida, nos projetos,
na fé, na paciência, na caridade, na constância,
nas perseguições e nos sofrimentos
que suportei em Antioquia, em Icónio e em Listra.
Que perseguições eu não tive de sofrer!
Mas de todas me livrou o Senhor.
Todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus
serão perseguidos.
Os homens maus, porém, e os fraudulentos
irão de mal a pior,
enganando os outros e enganando-se a si mesmos.
Mas tu, permanece firme no que aprendeste
e aceitaste como certo,
sabendo de quem o aprendeste.
Desde a infância conheces as Sagradas Escrituras;
elas podem dar-te a sabedoria que leva à salvação,
pela fé em Cristo Jesus.
Toda a Escritura, inspirada por Deus,
é útil para ensinar, persuadir, corrigir
e formar segundo a justiça.
Assim o homem de Deus será perfeito,
bem preparado para todas as boas obras.
compreender a palavra
Paulo reforça a fé de Timóteo recordando o início da sua experiência e o caminho que fizeram juntos. Ele recebeu a fé através das Sagradas Escrituras que Paulo lhe soube transmitir. Fortaleceu-se acompanhando Paulo na vida, nos projetos, na caridade, na constância e nas perseguições e sofrimentos suportados. Insiste que as perseguições fazem parte da experiência dos que vivem piedosamente em Cristo, mas a palavra de Deus, palavra inspirada, serve para ensinar, persuadir, corrigir e formar os homens perfeitos, capazes de boas obras. Por isso, diz Paulo, também tu, “permanece firme no que aprendeste e aceitaste como certo.
meditar a palavra
A perseverança não é uma palavra é uma atitude responsável diante da fé. A Palavra das Escrituras que recebemos e na qual fomos edificados pela ação e cuidado de muitas pessoas que nos transmitiram a fé, está presente nas nossas vidas juntamente com o seu testemunho firme e corajoso. Formados na Palavra e edificados no testemunho temos nessas pessoas um auxílio permanente, um modelo de como perseverar em Cristo mesmo no meio de perseguições. Ensinados, persuadidos, corrigidos e formados pela Palavra teremos a força necessária para permanecermos firmes na salvação que vem de Cristo. A mesma Palavra nos serve também para ensinar, persuadir, corrigir e formar na fé, na caridade e na perseverança aqueles que nos são confiados.
rezar a palavra
A tua Palavra, Senhor, é luz do meu caminho. Desde a infância fui formada nesta Palavra. Conheço e escuto permanentemente a tua Palavra, nela tenho sido corrigido, persuadido e formado. Que eu saiba vivê-la com a perseverança que requerem as perseguições de cada dia e saiba, pelo meu testemunho, ensinar e formar a outros para que se tornem também firmes na mesma fé.
compromisso
Com paciência ensino o caminho da Palavra das Escrituras.
Evangelho Mc 12, 35-37
Naquele tempo,
Jesus ensinava no templo, dizendo:
«Como podem os escribas dizer
que o Messias é filho de David?
O próprio David afirmou,
sob a ação do Espírito Santo:
‘Disse o Senhor ao meu Senhor:
Senta-Te à minha direita,
até que Eu faça dos teus inimigos
escabelo dos meus pés’.
O próprio David Lhe chama ‘Senhor’.
Como pode ser seu filho?».
E a numerosa multidão escutava com prazer o que Jesus dizia.
compreender a palavra
Entre os judeus tinha-se generalizado a ideia do Messias que viria libertar Israel. Ninguém sabia muito bem como seria esse Messias, mas aplicavam-se-lhe alguns textos bíblicos. Os mestres da Lei, como Jesus chama aos escribas, seguem a ideia tradicional de um Messias rei, descendente de David. Jesus procura ensinar aos seus discípulos novos critérios que identificarão o Messias. Entre esses critérios estão a humildade, o serviço, o sofrimento, a cruz e a morte. É assim que se apresenta ao anunciar a paixão. Neste texto, a multidão escuta Jesus com agrado e Ele desmistifica a ideia da origem davídica do Messias, recordando que o próprio David lhe chama Senhor. Então, o Messias é mais do que David, está acima dele, é Filho de Deus. Esta origem divina do Messias, torna-o libertador dos pobres, dos humildes e dos marginalizados, porque não faz aceção de pessoas.
meditar a palavra
A vontade que sentimos, de quando em quando, de reduzir Deus à nossa imagem e de o tornar um objeto nas nossas mãos para que faça o que nós queremos e nos livre dos nossos inimigos com o poder violento das armas, distorce a verdade sobre Deus. As nossas ações, opções, critérios e atitudes nascem da visão de Deus que fazemos crescer nos nossos corações. A opressão, a exclusão e as diferenças sociais, nascem da consciência errada de que Deus é o nosso Deus e não é Deus dos outros. Só o Deus de Jesus Cristo, que nasce nas palhas de Belém e surge montado num jumentinho e carrega com a cruz da humanidade, pode conduzir os nossos corações à dedicação ao próximo no mesmo amor.
rezar a palavra
Senhor Jesus, mostra ao meu coração a verdade sobre o mistério da salvação que nos trouxeste, como Messias de Deus. O caminho da humildade, do serviço e da entrega da vida, seja para mim o caminho que leva à casa do Pai. Que eu aceite fazer esse caminho de escondimento aos olhos dos homens, vencendo a minha pequenez de espírito e a minha pobreza de coração, para poder corresponder aos dons de vida e de graça que me ofereces na tua cruz salvadora.
compromisso
Quero humilhar-me no sentido evangélico de escondimento para que não seja eu a aparecer, mas Jesus, porque só Ele é Messias, Salvador.






