Santos Paulo Miki e companheiros, mártires
Memória
Paulo Miki nasceu no Japão, entre os anos 1564 e 1566. Admitido na Companhia de Jesus, pregou o Evangelho com grande fruto entre os seus concidadãos. Tendo-se tornado mais violenta a perseguição contra os cristãos, foi preso com vinte e cinco companheiros: oito presbíteros e dezassete leigos. Depois de maltratados, foram conduzidos à cidade de Nagasaki, onde foram crucificados no dia 5 de fevereiro de 1597, manifestando a sua alegria por terem a graça de morrer de modo semelhante ao de Cristo.
Leitura I (anos pares) Sir 47, 2-13
Assim como é separada a gordura da vítima
no sacrifício de comunhão,
assim David foi escolhido entre os filhos de Israel.
Brincou no meio de leões, como se fossem cabritos,
e no meio de ursos, como se fossem cordeiros.
Não foi ele que, ainda jovem, matou o gigante
e evitou a humilhação do seu povo,
atirando com a funda uma pedra
que abateu a arrogância de Golias?
Ele invocou o Senhor Altíssimo,
que deu força à sua mão direita,
para derrubar um valente guerreiro
e exaltar a honra do seu povo.
Então exaltaram-no por ter abatido dez mil,
louvaram-no pelas bênçãos do Senhor
e deram-lhe uma coroa de glória.
Exterminou os inimigos que o rodeavam
e aniquilou os seus adversários filisteus,
destruindo para sempre o seu poder.
Em todas as suas obras prestou homenagem
ao Santo, ao Altíssimo, com palavras de glória.
De todo o coração entoou os seus louvores,
para mostrar o seu amor a Deus, seu Criador.
Estabeleceu cantores diante do altar
e as suas vozes entoavam suaves cânticos.
Deu grande esplendor às festas
e a maior beleza aos tempos sagrados,
quando os cantores celebravam o santo nome do Senhor,
enchendo de harmonia o santuário desde o romper do dia.
O Senhor perdoou as suas faltas,
exaltou o seu poder para sempre,
concedeu-lhe uma régia aliança
e um trono glorioso em Israel.
compreender a palavra
No final do seu livro, Bem Sira, apresenta uma série de elogios aos grandes homens da história de Israel, querendo com isso elevar o orgulho dos israelitas em pertencer a este povo que tem tão ilustres antepassados. Entre os muitos nomes elogiados aparece o de David. O texto desta reflexão insere-se no contexto da leitura continuada dos livros de Samuel e de Reis onde se conta a história do grande rei David. Esta passagem pretende também exaltar o poder de Deus manifestado em David, pois foi Deus “que deu força à sua mão direita, para derrubar um valente guerreiro e exaltar a honra do seu povo”. Mas também à fidelidade de David para com Deus porque, Em todas as suas obras prestou homenagem ao Santo, ao Altíssimo, com palavras de glória. De todo o coração entoou os seus louvores, para mostrar o seu amor a Deus”.
meditar a palavra
Na história de cada pessoa encontramos a possibilidade de uma leitura a partir da pobreza dos seus atos, dos seus erros e dos seus pecados. Mas podemos também fazer a leitura do mistério de Deus que passa nas entrelinhas da sua vida, o mistério de um amor que salva dando força e poder frente aos inimigos, a leitura de uma vida de lutas interiores para viver a fidelidade e o amor a Deus. A história de David pode contar-se com uma frase “David pecou contra o Senhor” e é verdade, mas pode também contar-se com uma outra “O Senhor perdoou as suas faltas” e esta é uma verdade maior. David matou Golias e venceu os filisteus para sempre, mas também “deu grande esplendor às festas e aos tempos sagrados elevando o culto a Deus entoando cânticos e louvor. A minha história também pode ser contada a partir do meu pecado ou da graça de Deus que atua em mim e me perdoa.
rezar a palavra
Senhor, que importa se dei o meu nome a muitas terras e se os homens elevam grandes estátuas em meu louvor, se no íntimo do meu ser permaneço um estranho aos teus olhos. O teu perdão é tudo quando desejo no íntimo do meu ser e louvar-te é a alegria do meu coração.
compromisso
Pedir perdão é caminho de alegria.
Evangelho Mc 6, 14-29
Naquele tempo,
o rei Herodes ouviu falar de Jesus,
pois a sua fama chegara a toda a parte e dizia-se:
«João Batista ressuscitou dos mortos;
por isso ele tem o poder de fazer milagres».
Outros diziam: «É Elias».
Outros diziam ainda:
«É um profeta como os antigos profetas».
Mas Herodes, ao ouvir falar de tudo isto, dizia:
«João, a quem mandei cortar a cabeça, ressuscitou».
De facto, Herodes mandara prender João
e algemá-lo no cárcere,
por causa de Herodíades, a esposa de seu irmão Filipe,
que ele tinha tomado por mulher.
João dizia a Herodes:
«Não podes ter contigo a mulher do teu irmão».
Herodíades odiava João Batista
e queria dar-lhe a morte, mas não podia,
porque Herodes respeitava João,
sabendo que era justo e santo,
e por isso o protegia.
Quando o ouvia, ficava perturbado,
mas escutava-o com prazer.
Entretanto, chegou um dia oportuno,
quando Herodes, no seu aniversário natalício,
ofereceu um banquete aos grandes da corte,
aos oficiais e às principais personalidades da Galileia.
Entrou então a filha de Herodíades,
que dançou e agradou a Herodes e aos convidados.
O rei disse à jovem:
«Pede-me o que desejares e eu to darei».
E fez este juramento:
« Dar-te-ei o que me pedires,
ainda que seja a metade do meu reino».
Ela saiu e perguntou à mãe: «Que hei de pedir?».
A mãe respondeu-lhe: «Pede a cabeça de João Batista».
Ela voltou apressadamente à presença do rei
e fez-lhe este pedido:
«Quero que me dês sem demora, num prato,
a cabeça de João Batista».
O rei ficou consternado,
mas por causa do juramento e dos convidados,
não quis recusar o pedido.
E mandou imediatamente um guarda,
com ordem de trazer a cabeça de João.
O guarda foi à cadeia, cortou a cabeça de João
e trouxe-a num prato.
A jovem recebeu-a e entregou-a à mãe.
Quando os discípulos de João souberam a notícia,
foram buscar o seu cadáver e deram-lhe sepultura.
compreender a palavra
O evangelho de Marcos antecipa aqui a interrogação sobre quem é Jesus. Mais à frente, no capítulo 8 vai aparecer o episódio onde Jesus pergunta aos discípulos: “quem dizem os homens que eu sou?”. As respostas são basicamente as que se encontram neste texto. Nesta passagem, porém, tudo gira à volta de Herodes. Marcos quer apresentar o martírio de João Batista e conta o acontecimento a partir dos problemas de consciência de Herodes. Seduzido pela mulher do irmão deixa o coração prender-se à beleza da jovem, filha de herodíades, e acaba matando João porque este o chamava à verdade (era a sua consciência). É difícil matar a consciência, por isso, acaba a ver João ressuscitado na pessoa de Jesus.
meditar a palavra
O tormento de Herodes é tão humano que todos, de um modo ou de outro o experimentamos. Quando não faço o que devo, quando não sigo a voz da minha consciência, quando não escuto nem sigo a Palavra de Deus, a minha vida torna-se espaço livre para toda e qualquer sedução. O mal está ao meu alcance e não tem limites. Um mal traz outro mal e tudo se avoluma em mim. No final, não há outra saída senão matar a consciência para não sentir remorso e apagar a dor interior provocada pelo pecado.
rezar a palavra
As paixões, Senhor, alteram tudo em mim. A verdade deixa de ser verdade. O mal instala-se em mim. Deixo de governar a minha vida. Perco o norte. Não sei o que fazer. Senhor Jesus, fala ao meu coração para que não me torne escravo das minhas paixões. Fala ao meu coração para que não me perca nas ilusões dos sentidos. Fala ao meu coração para ver e querer como tu vês e como tu queres.
compromisso
Hoje vou reler o texto do evangelho e colocar-me no lugar de Herodes para perceber que o pecado não é solução para a minha vida.






