S. Mónica
Memória

Mónica nasceu em Tagaste, na atual Argélia, no ano 331, de uma família cristã. Ainda muito jovem foi dada em matrimónio a um homem chamado Patrício. Teve vários filhos, entre os quais Agostinho, por cuja conversão derramou muitas lágrimas e orou insistentemente a Deus. Exemplo de mãe verdadeiramente santa, alimentou a sua fé com uma vida de intensa oração e enriqueceu‑a com suas virtudes. Quando regressava à pátria, na companhia de seu filho Agostinho, morreu em Óstia, perto de Roma, no ano 387.


Leitura I (anos pares) 1Cor 1, 26-31

Irmãos: Vede quem sois vós, os que Deus chamou: não há muitos sábios, naturalmente falando, nem muitos influentes, nem muitos bem-nascidos. Mas Deus escolheu o que é louco aos olhos do mundo para confundir os sábios; escolheu o que é fraco para confundir os fortes; escolheu o que é vil e desprezível, o que nada vale aos olhos do mundo, para reduzir a nada aquilo que vale, a fim de que nenhuma criatura se possa gloriar diante de Deus. É por Ele que vós estais em Cristo Jesus, o qual Se tornou para nós sabedoria de Deus, justiça, santidade e redenção. Deste modo, conforme está escrito, «quem se gloria deve gloriar-se no Senhor».

compreender a palavra
Paulo lança um olhar sobre a comunidade de Corinto e ajuda-os os seus membros a compreender que o que aconteceu entre eles foi obra de Deus e não dos homens. Olhai para vós e vede quem sois. “Não há muitos sábios, nem muitos influentes, nem muitos bem-nascidos”. Se os houvesse talvez tivessem razão para se gloriar, mas não, Deus escolheu-os assim, porque escolhe “o que é louco para confundir os sábios; o que é fraco para confundir os fortes; o que é vil e desprezível, o que nada vale”. Desta forma ninguém tem razões para se gloriar de si mesmo, mas de Deus porque dele recebemos todos tudo.

meditar a palavra
É forte esta palavra de Paulo aos coríntios e muito oportuna para nos analisarmos a nós mesmos no contexto das nossas comunidades. Nas comunidades é fácil a vã glória, querendo uns ser mais que outros e esperando que todos se inclinem reconhecendo os feitos que realizámos. Paulo começa logo por alertar, vede que não há entre vós ninguém que se possa gloriar de si mesmo. Não sejamos loucos a não ser desta loucura de Deus que nos escolheu apesar de sermos fracos para confundir o mundo com a nossa fraqueza. Não usemos este dom de Deus para nos impormos uns diante dos outros e provocarmos entre nós desentendimentos, divisões e discórdias. Aproveitemos o dom para glorificar a Deus e reconhecer o precioso amor que nos dedicou ao escolher-nos. Desta forma confunde o mundo que vendo a nossa fragilidade reconhece que o poder vem de Deus e não de nós.

rezar a palavra
Tu que me escolheste, Senhor, na minha fragilidade revela em mim o teu poder para que se veja que não sou eu, mas tu, quem realiza em todos a salvação, sempre que cada um se dispõe a acolher na humildade o dom que tu mesmo ofereces.

compromisso
Reconheço e dom de Deus nos irmãos da minha comunidade e evito sentir-me superior aos outros.

EVANGELHO Mt 25, 14-30

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: «Um homem, ao partir de viagem, chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens. A um entregou cinco talentos, a outro dois e a outro um, conforme a capacidade de cada qual; e depois partiu. O que tinha recebido cinco talentos fê-los render e ganhou outros cinco. Do mesmo modo, o que recebera dois talentos ganhou outros dois. Mas, o que recebera um só talento foi escavar a terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. Muito tempo depois, chegou o senhor daqueles servos e foi ajustar contas com eles. O que recebera cinco talentos aproximou-se e apresentou outros cinco, dizendo: ‘Senhor, confiaste-me cinco talentos: aqui estão outros cinco que eu ganhei’. Respondeu-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu senhor’. Aproximou-se também o que recebera dois talentos e disse: ‘Senhor, confiaste-me dois talentos: aqui estão outros dois que eu ganhei’. Respondeu-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu senhor’. Aproximou-se também o que recebera um só talento e disse: ‘Senhor, eu sabia que és um homem severo, que colhes onde não semeaste e recolhes onde nada lançaste. Por isso, tive medo e escondi o teu talento na terra. Aqui tens o que te pertence’. O senhor respondeu-lhe: ‘Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei e recolho onde nada lancei; devias, portanto, depositar no banco o meu dinheiro e eu teria, ao voltar, recebido com juro o que era meu. Tirai-lhe então o talento e dai-o àquele que tem dez. Porque, a todo aquele que tem, dar-se-á mais e terá em abundância; mas, àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado. Quanto ao servo inútil, lançai-o às trevas exteriores. Aí haverá choro e ranger de dentes’».

compreender a palavra
Jesus conta uma parábola aos seus discípulos. Esta parábola no evangelho de Mateus está entre a parábola das dez virgens e o juízo final. Lida neste contexto percebemos que Jesus ensina através da imagem de três personagens que recebem do seu senhor uma quantia de dinheiro, cinco, dois e um talentos, que a vida é um valor que não pode ser desperdiçado. De facto, aqueles que receberam cinco e três talentos dedicaram-se a valorizar o recebido e têm outro tanto para devolver ao seu senhor, enquanto aquele que recebeu apenas um não fez nada com o que recebeu. Foi inútil e por isso não toma parte com o seu senhor. Os outros, pelo contrário, mostraram ser dignos de confiança e podem receber mais e entrar na alegria do seu senhor.

meditar a palavra
A vida é um dom de Deus que cada um há de valorizar para corresponder à confiança depositada por Deus. Mas a vida pode ser demasiado longa e podemos julgar que nos pertence em absoluto e que a podemos gastar como entendermos. É esta a atitude das virgens insensatas. Usar a vida como resposta à confiança que Deus deposita em nós significa dedicar-se a traduzir os gestos de Jesus na ajuda aos irmãos. Esta deve ser a atitude dos discípulos de Cristo que receberam os talentos e os põem a render. Os talentos não são outra coisa que dar de comer a quem tem fome, dar de beber, vestir, acolher, e visitar reconhecendo nos outros o rosto de Cristo. Foi a mim que o fizestes. Merecedores de confiança usamos os talentos para colocar nas mãos de Deus a nossa vida repleta de gestos de amor. Desta forma entraremos na alegria do Senhor.

rezar a palavra
“Servo mau e preguiçoso”. Tenho tanto medo, Senhor, de ouvir estas palavras. É verdade que o medo me pode transformar num atarefado que não para, mas, na verdade, não quero ser posto fora por não ter feito nada. Quero, a tua ajuda para discernir do que esperas que eu faça com a vida que me deste.

compromisso
Procuro o equilíbrio entre o tempo de descanso, os bens que o Senhor me confiou, as capacidades que recebi e a assistência aos irmãos que precisam de mim numa partilha generosa da vida, dos dons e dos bens.