Quinta-feira da Semana VI do Tempo Pascal

Actos 18, 1-8 

Naqueles dias, Paulo saiu de Atenas e foi para Corinto. Encontrou lá um judeu chamado Áquila, natural do Ponto, recentemente chegado de Itália, com Priscila, sua mulher, porque o imperador Cláudio tinha decretado que todos os judeus saíssem de Roma. Paulo juntou-se a eles e, como era da mesma profissão, fabricante de tendas, ficou em sua casa para trabalharem juntos. Todos os sábados, Paulo falava na sinagoga, procurando convencer tanto judeus como gregos. Quando Silas e Timóteo chegaram da Macedónia, Paulo consagrou-se totalmente à pregação, afirmando aos judeus que Jesus era o Messias. Mas perante a oposição e blasfémias deles, sacudiu as vestes e declarou-lhes: «O vosso sangue recaia sobre as vossas cabeças. Eu não sou responsável por isso. A partir de agora, vou dirigir-me aos gentios». Saiu dali e foi para casa de Tício Justo, homem que adorava a Deus e morava junto da sinagoga. Entretanto, Crispo, chefe da sinagoga, acreditou no Senhor, ele e a sua família, e muitos coríntios que ouviam a palavra de Paulo abraçavam também a fé e recebiam o Baptismo.

Compreender a Palavra

Paulo encontra-se com um casal de judeus vindos de Roma por causa da perseguição e vai viver e trabalhar com eles em Corinto. Ao sábado falava na sinagoga, mas depressa se levantam vozes de oposição a Paulo e este decide dedicar-se a anunciar o evangelho aos gentios. A palavra anunciada por Paulo encontra sempre alguém que a acolhe e a partir desses começa a formar-se a comunidade daquele local.

Meditar a Palavra

Os cristãos misturam-se com as demais pessoas de qualquer cidade ou aldeia. Exercem a sua profissão mas não perdem nenhuma oportunidade para anunciar o evangelho. Priscila, Áquila e Paulo vivem e trabalham juntos, mas ao sábado falam aos judeus. Nós também vivemos no meio dos homens. Uns dizem-se cristãos outros afirmam-se descrentes mas a todos somos enviados a falar de Jesus. Parece que é necessário muita coragem para falar de Jesus aos outros, mas o que é necessário é exercitar-se nessa arte e pouco a pouco ganhar o gosto por ajudar os outros a descobrir Cristo e a alegria de acreditar nele. Todos podemos ser mensageiros do evangelho e todas as pessoas podem receber com alegria a boa nova da salvação

Rezar a Palavra

Que eu não me intimide, Senhor, por causa dos fracassos que surgem no anúncio do evangelho. A recusa de uns não pode impedir-me de fazer chegar a palavra a muitos que a espero com desejo de te conhecer. Concede-me o dom de discernir sobre sucessos e fracassos e encontrar caminhos novos para te anunciar a todos.

Compromisso

Não calarei o evangelho que recebi.


EVANGELHO Jo 16, 16-20

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Daqui a pouco já não Me vereis e pouco depois voltareis a ver-Me». Alguns discípulos disseram entre si: «Que significa isto que nos diz: ‘Daqui a pouco já não Me vereis e pouco depois voltareis a ver-Me’, e ainda: ‘Eu vou para o Pai’?». E perguntavam: «Que é esse pouco tempo de que Ele fala? Não sabemos o que está a dizer». Jesus percebeu que O queriam interrogar e disse-lhes: «Procurais entre vós compreender as minhas palavras: ‘Daqui a pouco já não Me vereis e pouco depois voltareis a ver-Me’. Em verdade, em verdade vos digo: Chorareis e lamentar-vos-eis, enquanto o mundo se alegrará. Estareis tristes, mas a vossa tristeza converter-se-á em alegria».

Compreender a Palavra

Esta passagem do evangelho de João mostra-nos um momento particularmente embaraçoso do discurso de Jesus durante a última Ceia. Depois de um longo monólogo, os discípulos interrompem o discurso questionando-se uns aos outros sobre o que Jesus está a dizer. Jesus apercebe-se que lhe querem fazer uma pergunta e intervém deixando-os ainda mais assustados. A questão é a ‘partida’ de Jesus. É necessário e até bom para os discípulos, que Jesus parta, mas será motivo de tristeza para todos. Jesus adverte-os de que a sua tristeza será alegria para o mundo, mas isso não os deve fazer perder a perspetiva da promessa, porque a tristeza será transformada em alegria.

Meditar a Palavra

“Voltareis a ver-me”. A confiança destas palavras anima o meu coração na fé. As palavras de Jesus são promessa divina que não passa sem se cumprir até à mais pequena letra. Sei o quanto é doloroso esperar contra toda a esperança, contra tudo e contra todos. Sei o quanto é difícil rir quando todos me dão razões para chorar e quanto custa chorar ao ver os outros a rirem das minhas lágrimas. As palavras de Jesus ensinam que, mesmo quando a verdade se oculta aos meus olhos, não deixa de ser verdade. Ele, oculta-se aos meus olhos, mas a sua presença é mais forte que a neblina que não me deixa vê-lo.

Rezar a Palavra

Porque te ocultas aos meus olhos, Senhor. Porque é tão fácil para uns ver-te e para outros, como para mim, é tão difícil perceber o teu rosto, no mundo, nas pessoas, na minha vida. Porque te ocultas? Porque escondes de mim o teu rosto? Porque não se levanta a tua mão direita para me libertar da escuridão que me impede a fé? Porque há de a minha tristeza alegrar o mundo e a tua alegria demorar em revelar-se? Mostra-me o teu rosto, Senhor, e viverei.

Compromisso

Hoje quero rezar dizendo: “Converte a minha vida em alegria, Senhor”.

Quarta-feira da Semana VI do Tempo Pascal

Actos 17, 15.22 — 18, 1 
Naqueles dias, os que acompanhavam Paulo levaram-no a Atenas e voltaram em seguida, encarregados de transmitirem a Silas e a Timóteo a ordem de irem ter com Paulo o mais depressa possível. Um dia, Paulo, de pé no meio do Areópago, disse: «Atenienses, vejo que sois em tudo extremamente religiosos. Na verdade, quando eu andava percorrendo a vossa cidade e observando os vossos monumentos sagrados, encontrei até um altar com a inscrição: ‘Ao Deus desconhecido’. Pois bem: Aquele que venerais sem O conhecer, é esse que eu vos anuncio. O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe é o Senhor do céu e da terra. Não habita em templos feitos por mãos humanas, nem é servido pelas mãos dos homens, como se tivesse necessidade de alguma coisa. É Ele que a todos dá a vida, a respiração e tudo o mais. Criou de um só homem todo o género humano, para habitar sobre a superfície da terra, e fixou períodos determinados e os limites da sua habitação, para que os homens procurassem a Deus e se esforçassem realmente para O atingir e encontrar. Na verdade, Ele não está longe de cada um de nós. É n’Ele que vivemos, nos movemos e existimos, como disseram alguns dos vossos poetas: ‘Somos da raça de Deus’. Se nós somos da raça de Deus, não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pedra, trabalhados pela arte e engenho do homem. Sem olhar a estes tempos de ignorância, Deus fez saber agora aos homens que todos e em toda a parte se devem arrepender; pois Ele fixou um dia em que há-de julgar o universo com justiça por meio de um homem que escolheu, e deu a todos motivo de crédito, ressuscitando-O de entre os mortos». Ao ouvirem falar da ressurreição dos mortos, alguns zombavam, mas outros disseram: «Havemos de te ouvir falar disto ainda outra vez». Foi assim que Paulo saiu do meio deles. No entanto, alguns homens juntaram-se a Paulo e abraçaram a fé: entre eles, Dionísio, o Areopagita, e também uma mulher chamada Dâmaris, e outros com eles. Depois disto, Paulo saiu de Atenas e foi para Corinto.

Compreender a Palavra

Paulo esforça-se por anunciar aos atenienses o mistério de Cristo, evangelho da salvação. A cultura adquirida nos seus estudos em Tarso, são agora um útil instrumento para falar no meio do areópago. E, com a coragem que lhe é própria anuncia destemidamente dizendo “aquele que venerais sem o conhecer, é esse que eu vos anuncio”. Deus tudo faz para que o homem se encontre com ele, diz Paulo, “para que os homens procurassem Deus e se esforçassem realmente para o atingir e encontrar”. Afinal “Deus não está longe”. Deus não é nem pode ser feito pelas mãos dos homens nem é semelhante ao ouro ou à prata. A ignorância leva o homem a fabricar ídolos e a adorá-los como a Deus, por isso se devem arrepender. Enquanto Paulo fala cresce o interesse do auditório pelas suas palavras, mas há palavras que caem mal nos ouvidos daqueles ouvintes. A ressurreição é um assunto que os incomoda e por isso oferecem resistência. Paulo vê o seu trabalho fracassado, mas ainda conseguiu a adesão de uns quantos.

Meditar a Palavra

Hoje, os homens vivem de novo na ignorância no que se refere à fé. Fabricam deuses à sua medida ou à medida das suas necessidades e atribuem-lhe características do cristianismo. Por isso muitos se dizem cristãos mesmo vivendo longe de Cristo, do evangelho e da Páscoa do Senhor. É necessário, de novo, anunciar com coragem e determinação esse Deus desconhecido de quem muitos falam mas que poucos conhecem. É necessário reconhecer de novo quem é Deus e o que não é nem pode ser Deus para o homem. É necessário abrir caminhos de busca de Deus porque ele se pode encontrar, não está longe. E é urgente redescobrir a esperança na vida eterna de que a ressurreição de Jesus é a certeza.

Rezar a Palavra

Senhor, mostra-me o teu rosto para que saiba distinguir-te no meio dos ídolos da minha vida e do mundo em que vivo. Mostra-me o teu rosto para que os meus passos se dirijam confiantes para ti. Revela-te como o Deus que dá a vida em abundância para que não me contente com dias fáceis, agradáveis e serenos, mas desejo com todo o coração a vida eterna que me ofereces do alto da tua cruz.

Compromisso

Vou procurar a Deus que me procura porque é possível encontra-lo na vida.


EVANGELHO Jo 16, 12-15

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Tenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas não as podeis compreender agora. Quando vier o Espírito da verdade, Ele vos guiará para a verdade plena; porque não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há-de vir. Ele Me glorificará, porque receberá do que é meu e vos há-de anunciá-lo. Tudo o que o Pai tem é meu. Por isso vos disse que Ele receberá do que é meu e vos há-de anunciá-lo».

Compreender a Palavra

Estamos sob a promessa de um novo ator no grupo dos discípulos de Jesus, o Espírito Santo. Estamos entre dois mundos, o dos discípulos que não conseguem entender e o de Jesus que já vê outra realidade. Estamos perante a verdade que Jesus comunicou e a mesma verdade que será revelada pelo Espírito àqueles que ainda não conseguem entender. Fala-se de uma verdade que não é deste mundo e, por isso, os que ainda vivem os critérios deste mundo têm dificuldade em entender. Esta verdade é a revelação da intimidade de Deus que só o Espírito conhece e só Ele pode revelar. É algo que não se conhece agora, mas no futuro, quando vier o Espírito, porque só Ele nos pode guiar para a verdade.

Meditar a Palavra

Ainda não consigo entender as palavras de Jesus, porque estou demasiado mundanizado. As minhas preocupações ainda estão ao nível das necessidades básicas e na busca do bem-estar pessoal e familiar. Não me é fácil experimentar a preocupação pela verdade, pelas coisas do Espírito, pelo que me é oferecido para a minha vida espiritual. Os meus olhos ainda não se abriram para Jesus e o meu coração está longe de se render ao Espírito. Preciso fazer ainda muita dieta espiritual para começar a desejar a verdade como alimento e a alegria como experiência do encontro eterno com Deus.

Rezar a Palavra

Guia-me, Senhor, com o teu Espírito. Guia-me pelo caminho da verdade e faz que me apaixone pelo conhecimento da tua intimidade como lugar da revelação do mistério do meu próprio ser. Que eu me encontre em ti e em ti me reconheça amado e te encontre em mim e aí te ame no Espírito que em mim depositaste.

Compromisso

Quero vencer o mundo que há em mim para seguir a caminho da verdade revelada pelo Espírito.

Terça-feira da Semana VI do Tempo Pascal

Atos dos Apóstolos 16, 22-34

Naqueles dias, a multidão amotinou-se contra eles; e os estrategos, arrancando-lhes as vestes, mandaram-nos açoitar. Depois de lhes terem dado muitas vergastadas, lançaram-nos na prisão, recomendando ao carcereiro que os tivesse sob atenta vigilância. Ao receber tal ordem, este meteu-os no calabouço interior e prendeu-lhes os pés no cepo. Cerca da meia-noite, Paulo e Silas, em oração, entoavam louvores a Deus, e os presos escutavam-nos. De repente, sentiu-se um violento tremor de terra que abalou os alicerces da prisão. Todas as portas se abriram e as cadeias de todos se desprenderam. Acordando em sobressalto, o carcereiro viu as portas da prisão abertas e puxou da espada para se matar, pensando que os presos se tinham evadido. Paulo, então, bradou com voz forte: «Não faças nenhum mal a ti mesmo, porque nós estamos todos aqui.» O carcereiro pediu luz, correu para dentro da masmorra e lançou-se a tremer, aos pés de Paulo e de Silas. Depois, trouxe-os para fora e perguntou: «Senhores, que devo fazer para ser salvo?» Eles responderam: «Acredita no Senhor Jesus e serás salvo tu e os teus.» E anunciaram-lhe a palavra do Senhor, assim como aos que estavam na sua casa. O carcereiro, tomando-os consigo, àquela hora da noite, lavou-lhes as feridas e imediatamente se batizou, ele e todos os seus. Depois, levando-os para cima, para a sua casa, pôs-lhes a mesa e entregou-se, com a família, à alegria de ter acreditado em Deus.

Compreender a Palavra

A cura de uma escrava que servia de fonte de rendimento aos seus senhores, conduz Paulo e Silas à prisão, depois de julgados à pressa sob a pressão da multidão instigada pelos magistrados. Na prisão acontece o inesperado, um temor de terra faz tremer os alicerces e a prisão abre-se enquanto Paulo e Silas cantavam louvores a Deus. A contrariedade de se verem metidos na prisão não impediu de louvar a Deus nem de anunciar Jesus. Os presos e o carcereiro são testemunhas dos factos extraordinários. Perante a possibilidade de ter perdido os prisioneiros o carcereiro quer matar-se mas Paulo tranquiliza-o e este acaba por perguntar “que devo fazer para ser salvo?”. A resposta é simples e Paulo conhece-a bem “Acredita no Senhor Jesus e serás salvo tu e os teus”. Conclusão, “entregou-se, com a família, à alegria de ter acreditado em Deus”

Meditar a Palavra

O encontro com o Senhor Jesus passa muitas vezes por tribulações, tanto para os apóstolos como para os que escutam a palavra. As situações difíceis por que Paulo e Silas Passaram, tendo sido chicoteados e presos várias vezes, levou ao conhecimento do Senhor Jesus, alguns homens e mulheres que acolheram a palavra e o testemunho dos apóstolos. Depois de conhecer o Senhor Jesus ninguém tem medo das consequências. O Carcereiro que tanto medo tinha do que lhe ia acontecer porque pensava que os presos se tinham evadido, depois leva-os para casa, senta-os à mesa e vive a alegria. Perdeu o medo porque encontrou o Senhor Jesus. Descobriu a alegria porque conheceu o Senhor Jesus.

Rezar a Palavra

Senhor Jesus, tu fazes tremer os alicerces das minhas prisões, abres as cadeias e derrubas os muros. Dá-me a confiança de Paulo e Silas para te anunciar e a alegria do carcereiro para partilhar com todos a mesa da tua palavra, da tua eucaristia e do pão de cada dia.

Compromisso

Hoje é dia de partilha. Que tenho para partilhar? Nada? Uma palavra, um pedaço de pão, um sorriso, a alegria de conhecer o Senhor Jesus?

 


Evangelho: Jo 16, 5-11

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Agora vou para Aquele que Me enviou e nenhum de vós Me pergunta: ‘Para onde vais?’. Mas por Eu vos ter dito estas coisas, o vosso coração encheu-se de tristeza. No entanto, Eu digo-vos a verdade: É do vosso interesse que Eu vá. Se Eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se Eu for, Eu vo-l’O enviarei. Quando Ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do julgamento: do pecado, porque não acreditam em Mim; da justiça, porque vou para o Pai e não Me vereis mais; do julgamento, porque o príncipe deste mundo já está condenado».

Compreender a Palavra

Este pequeno texto inserido no longo diálogo de Jesus com os discípulos, na Última Ceia, revela que a situação é cada vez mais difícil para os discípulos. Jesus tem que os provocar com perguntas, porque eles deixaram-se vencer pela tristeza e caíram num silêncio de morte. Jesus procura mostrar aos discípulos que a razão da sua tristeza não tem sentido. Eles ouviram Jesus falar da sua partida e ficaram tristes. Agora, Jesus mostra-lhes que é do seu interesse que Ele vá, primeiro porque se Ele não for não virá o Espírito e segundo porque o Espírito trará a justiça e o juízo sobre o mundo e conduzirá os discípulos na verdade. Eles têm a ganhar com a partida de Jesus.

Meditar a Palavra

A simples notícia da eminente partida de Jesus, gera uma onda de tristeza à sua volta. Os discípulos estão inconsoláveis porque não podem aceitar nem entender que Jesus tenha que partir. Não há argumentos, não há palavras nem motivos que justifiquem tal necessidade. Jesus tem que lhes mostrar que é para seu bem. Acontece assim com muitas situações da nossa vida. Muitas vezes temos que perder algo ou alguém, mudar a situação real da nossa vida, sair do nosso lugar de conforto e experimentar o desconhecido enfrentando a novidade que é sempre desconsoladora. Jesus mostra-nos um bem maior para além das perdas que vão acontecendo na vida. Somos convidados a acolher a vida nestas mudanças e a enfrentar com entusiasmo e alegria, como uma promessa, o futuro que ainda não se conhece mas que será tempo feliz e de grandes frutos.

Rezar a Palavra

Senhor Jesus, experimento muitas vezes o desconforto da mudança. A perda de alguém, a mudança das situações da minha vida, a suspeita perante a dificuldade ou a exigência de novos rumos quando já me encontrava confortavelmente instalado na vida que julgava ter conquistado. Nem sempre entendo porque tem de ser assim, porque tenho de recomeçar, porque tenho de partir para novos rumos e novos desafios. Dá-me um coração aventureiro capaz de ver em cada momento da vida não uma paragem confortável mas uma partida para novos horizontes de alegria em plenitude.

Compromisso

Vou vencer a tentação de rejeitar as mudanças necessárias na minha vida.

Segunda-feira da Semana VI do Tempo Pascal

Atos dos Apóstolos 16, 11-15
Naqueles dias, embarcámos em Tróade e fomos diretamente a Samotrácia; no dia seguinte, fomos a Neápoles e de lá, a Filipos, cidade de primeira categoria deste distrito da Macedónia, e colónia. Estivemos aí durante alguns dias. No dia de sábado, saímos fora de portas, em direção à margem do rio, onde era costume haver oração. Depois de nos sentarmos, começámos a falar às mulheres que lá se encontravam reunidas. Uma das mulheres chamada Lídia, negociante de púrpura, da cidade de Tiatira e temente a Deus, pôs-se a escutar. O Senhor abriu-lhe o coração para aderir ao que Paulo dizia. Depois de ter sido batizada, bem como os de sua casa, fez este pedido: «Se me considerais fiel ao Senhor, vinde ficar a minha casa.» E obrigou-nos a isso.

Compreender a Palavra
Cumprindo as orientações do Espírito Santo, Paulo segue com os companheiros para a Macedónia. Em Filipos faz a primeira abordagem anunciando Jesus Cristo a um grupo de mulheres que estão reunidas em dia de sábado, o que nos indica que seriam de origem judaica. Rezam junto ao rio e não há homens, pelo que, podemos depreender que são tão poucos os judeus, por ali, que não têm sinagoga e que estão reduzidos a um grupo de mulheres que mantêm viva a tradição do seu povo. Paulo anuncia-lhes o evangelho e encontra em Lídia uma ouvinte atenta. “O Senhor abriu-lhe o coração”. É sempre o Senhor quem move os corações perante o anúncio dos apóstolos. Depois da palavra a atitude muda perante os apóstolos e Lídia recebe-os em sua casa.

Meditar a Palavra
Esta palavra deve fazer-nos pensar nas comunidades pequenas, formadas em grande parte só por mulheres. Muitas vezes desprezadas, deixadas à sua sorte, permanecem fiéis à sua fé, rezando em suas casas no silêncio da sua solidão ou juntas nas igrejas das suas terras. São a Igreja, por vezes esquecida, mas a quem o Senhor move os corações. São a torcida que fumega e basta que alguém sopre para se atear o fogo do Espírito e renovar o ambiente em que se inserem. O Espírito envia a anunciar onde menos suspeitamos e abre os corações de quem nunca suspeitámos. Como em Filipos, há em todas as localidades, pequenas aldeias ou grandes cidades, mulheres a quem o Senhor abre o coração e se tornam o núcleo central da comunidade cristã.

Rezar a Palavra
Senhor, hoje agradeço-te por tantas mulheres anónimas que na Igreja, sem reclamações nem lamentos, estão ao teu serviço com dedicação e fé e mantêm viva a tua presença no meio do seu povo. Dá-lhes a coragem de continuarem a viver a certeza da tua presença e do teu amor.

Compromisso
Hoje é dia de agradecer. Vou agradecer a Deus as pessoas simples que colocou na minha vida e me transmitiram a fé. E também, as pessoas da minha terra que mantêm viva a presença da Igreja no meio de críticas e incompreensões.


Evangelho: Jo 15, 26-16, 4ª
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando vier o Paráclito, que Eu vos enviarei de junto do Pai, o Espírito da verdade, que procede do Pai, Ele dará testemunho de Mim. E vós também dareis testemunho, porque estais comigo desde o princípio. Disse-vos estas palavras para não sucumbirdes. Hão-de expulsar-vos das sinagogas; e mais ainda, aproxima-se a hora em que todo aquele que vos matar julgará que presta culto a Deus. Procederão assim por não terem conhecido o Pai, nem Me terem conhecido a Mim. Mas Eu disse-vos isto, para que, ao chegar a hora, vos lembreis de que vo-lo tinha dito».

Compreender a Palavra
Jesus fala do que vai acontecer no futuro, da vinda do Espírito que Ele enviará, do testemunho do Espírito e do testemunho dos discípulos. Este testemunho será dado no meio das perseguições que atingirão os que conheceram o Pai e conheceram Jesus. Os discípulos deverão estar atentos ao Espírito que lhes inspirará o verdadeiro testemunho e lhes recordará o que já lhes foi antecipadamente mostrado por Jesus. Esta advertência de Jesus servirá para poderem reconhecer os sinais da perseguição do mundo e a forma de lhe responder, de acordo com as instruções recebidas e com o testemunho do Espírito.

Meditar a Palavra
Perseguições para aqueles que estão com Jesus desde o princípio. Esta é a certeza que Jesus coloca diante de mim como resposta à minha fidelidade à fé. Ele não me engana. Jesus sabe que o mundo tem critérios que se opõem aos do evangelho por Ele anunciado. Sabe também que todos os que optarem por Ele e decidirem levar a sério as suas palavras encontrarão dificuldades e oposições. Por isso me coloca de sobreaviso para que não seja apanhado de surpresa nem me acobarde quando as situações se tornarem difíceis. Também me concede o seu Espírito consolador para que reconheça a verdade do caminho por Ele proposto e me encha da coragem necessária para levar até ao fim a minha decisão.

Rezar a Palavra
Que eu não sucumba, Senhor. Que eu te conheça e conheça o Pai. Senhor que todo o meu ser chegue ao conhecimento do teu amor para que, totalmente seduzido, não sucumba no meio das perseguições interiores e exteriores que me assaltam ao longo do caminho. Em especial, Senhor, concede-me a graça de reconhecer o teu rosto e o sopro do teu Espírito quando sentir a perseguição que vem de dentro de mim, do meu ser, da minha vontade, dos meus desejos, das minhas pretensões, porque ainda há muito mundo em mim. Quero pertencer-te totalmente, Senhor. Inunda-me com toda a força do teu Espírito.

Compromisso
Hoje vou rezar ao Espírito Santo muitas vezes: “Vem e inunda-me! Vem e inunda-me! Vem e inunda-me»!

Sexta-feira da Semana V do Tempo Pascal

Atos dos Apóstolos 15, 22-31
Naqueles dias, os Apóstolos e os anciãos, de acordo com toda a Igreja de Jerusalém, resolveram escolher alguns irmãos, para os mandarem a Antioquia com Barnabé e Paulo: eram Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens de autoridade entre os irmãos. Mandaram por eles esta carta: «Os Apóstolos e os anciãos, irmãos vossos, saúdam os irmãos de origem pagã, residentes em Antioquia, na Síria e na Cilícia. Tendo sabido que, sem nossa autorização, alguns dos nossos vos foram inquietar, perturbando as vossas almas com as suas palavras, resolvemos de comum acordo escolher delegados para vo-los enviarmos, juntamente com os nossos queridos Barnabé e Paulo, homens que expuseram a vida pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso vos mandamos Judas e Silas, que vos transmitirão de viva voz as nossas decisões. O Espírito Santo e nós decidimos não vos impor outras obrigações, além destas que são indispensáveis: abster-vos das carnes imoladas aos ídolos, do sangue, das carnes sufocadas e das relações imorais. Procedereis bem, evitando tudo isto. Adeus». Feitas as despedidas, os delegados desceram a Antioquia, onde reuniram a assembleia e entregaram a carta. Quando a leram, todos ficaram contentes com aquelas palavras de estímulo.

Compreender a Palavra
Do concílio de Jerusalém saiu uma determinação numa carta que vai ser apresentada de viva voz por homens vindos de Antioquia, Barnabé e Paulo e homens enviados de Jerusalém Judas e Silas. São homens de boa reputação com provas dadas em nome de Jesus e de fé firme perante as adversidades. São estes que levam a decisão simples “não vos impor outras obrigações, além destas que são indispensáveis”, tomada pelos apóstolos e pelo Espírito Santo “O Espírito Santo e nós”. Estas decisões encheram de alegria todas as comunidades a quem foram enviadas.

Meditar a Palavra
Estamos perante uma Igreja que se deixa conduzir pelo Espírito. É uma Igreja que olha os problemas de frente, toma decisões firmes, mas sabe escutar o Espírito Santo. As comunidades confiam e aceitam as resoluções de Jerusalém, não apenas porque lhes agradam mas porque são decisões do Senhor que atua na sua Igreja pelo Espírito. Os problemas levantados em Antioquia que provocaram discussões encontram agora uma resposta que os renova na comunhão. A confiança nas decisões vem dos homens que estão à frente porque são apóstolos, porque são firmes na fé, porque expuseram as suas vidas ao perigo por causa do nome de Jesus. As comunidades revêem-se nos seus responsáveis e confiam porque acolhem a vontade de Deus manifestada pelo Espírito Santo à sua Igreja através dos apóstolos.

Rezar a Palavra
Senhor, faz de nós, homens simples e pecadores, a tua Igreja. Caminhando entre a noite queremos ver a luz que és tu. Mostra-nos o teu rosto no meio de turbilhões de incerteza, faz ouvir a tua voz porque os ventos são contrários, envia o teu Espírito para nos concentrar no indispensável e dá-nos a alegria de ser a Igreja que busca em ti respostas de amor capaz de produzir a verdadeira alegria.

Compromisso
Hoje é dia de pensar: Que falta hoje à Igreja? De quem falo quando falo da Igreja, dos outros ou de mim? Que espero da Igreja? Que pode a Igreja esperar de mim?


Evangelho: Jo 15, 12-17
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai. Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça. E assim, tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros».

Compreender a Palavra
Depois de falar várias vezes nos mandamentos do Pai que Ele próprio guardava e pedia aos discípulos que guardassem para “permanecerem no seu amor”, Jesus confirma que o seu mandamento é o amor. No texto de hoje por três vezes Jesus fala de amor. O amor que conheceu no Pai é o amor com que amou os discípulos e é com esse amor que também os discípulos devem amar-se. O centro deste amor está na afirmação “ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos”. O amor de que Jesus fala é este amor que dá a vida. O Pai só ouve a voz deste amor.

Meditar a Palavra
Fui escolhido para participar do amor de Deus que se entrega na cruz de Cristo. Um amor que é vida entregue para que eu saiba que sou amado e no amor deixe de ser servo para ser amigo. “Que vos ameis” esta é a palavra que me é lançada para que faça da minha vida o lugar onde Deus se continua a entregar, para que todos conheçam o amor. Este é o convite de um amor maior que todo o amor. Um amor consciente que conhece o coração de Deus pela palavra escutada que se torna fruto, o fruto do amor. Fui escolhido pelo amor e destinado a ser amor.

Rezar a Palavra
“Tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá”. Confiado nesta palavra atrevo-me a dirigir para ti, Senhor, o meu coração de servo. O meu olhar fixa-se nas tuas mãos abertas pela força dos cravos e no teu coração exposto à minha contemplação pela lança do soldado. Quero abrir em mim o mesmo caminho e marcar no meu corpo os mesmos sinais do teu amor. Quero ser amigo e não escravo e conhecer os mistérios do amor do Pai que tudo renova, para dar fruto em abundância.

Compromisso
Hoje quero dar-me gratuitamente a alguém como Jesus se deu por mim.

Quinta-feira da Semana V do Tempo Pascal

Atos dos Apóstolos 15, 7-21
Naqueles dias, depois de longa discussão, Pedro levantou-se e disse aos Apóstolos e aos anciãos: «Irmãos, vós sabeis que, desde os primeiros dias, Deus me escolheu do meio de vós, para que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do Evangelho e abraçassem a fé. Deus, que conhece os corações, deu testemunho a favor deles, ao conceder-lhes o Espírito Santo como a nós; não fez qualquer distinção entre nós e eles, porque purificou os seus corações pela fé. Porque tentais agora a Deus, impondo aos ombros dos discípulos um jugo, que nem os nossos pais nem nós mesmos fomos capazes de suportar? Aliás, é pela graça do Senhor Jesus que nós acreditamos que seremos salvos, do mesmo modo que eles». Então, toda a assembleia ficou em silêncio e começou a ouvir Barnabé e Paulo descrever os milagres e prodígios que Deus realizara por seu intermédio entre os gentios. Quando eles acabaram de falar, Tiago tomou a palavra e disse: «Irmãos, escutai-me. Simão contou como Deus, ao princípio, Se dignou intervir, para formar de entre os gentios um povo consagrado ao seu nome. Isto concorda com as palavras dos Profetas, como está escrito: ‘Depois disto, virei para reconstruir a tenda de David, que estava caída; reconstruirei as suas ruínas e erguê-las-ei de novo, para que o resto dos homens procurem o Senhor, com todas as nações consagradas ao meu nome. Assim fala o Senhor, que desde sempre dá a conhecer estas coisas’. Por isso, sou de opinião de que não se devem importunar os gentios convertidos a Deus. Digam-lhes apenas que se abstenham de tudo o que foi contaminado pela idolatria, das relações imorais, das carnes sufocadas e do sangue. Desde os tempos antigos, Moisés tem em cada cidade os seus pregadores e é lido todos os sábados nas sinagogas».

Compreender a Palavra
Podemos hoje confrontar-nos com uma das páginas mais bonitas da vida da Igreja primitiva. As questões relacionadas com a tradição dos judeus, que alguns queriam impor aos gentios, são colocadas sobre a mesa naquela reunião de Jerusalém conhecida como o primeiro concilio. Pedro tem a primeira palavra e fala a partir da sua própria experiência, porque ele batizou Cornélio, um gentio, com toda a sua família porque Deus se manifestou gratuitamente antes que Pedro pudesse recusar. Paulo e Barnabé falam da sua experiência na evangelização dos gentios e salientam a alegria com que eles recebem a fé e como o Senhor consolida o anúncio com milagres e prodígios. Finalmente Tiago recorda a palavra dos profetas onde se anunciava a reconstrução da casa de David para a manifestação de Deus a “todas as nações”. Parece claro a todos que não deve impor-se aos gentios mais do que aquilo que é justo para uma vida cristã autentica.

Meditar a Palavra
Vivemos num canto do mundo onde a força da tradição se impos sobre o evangelho. Acabámos vivendo de acordo com as manifestações exteriores da fé mais do que com a verdade do evangelho. A salvação parece alcançar-se pelo esforço de ações exteriores e obras religiosas. Pedro recorda que é “pela graça do Senhor Jesus que nós acreditamos que seremos salvos, do mesmo modo que eles”, os gentios. A salvação vem de Deus que se manifesta quando e a quem quer e o caminho da salvação é a fé em Jesus, a vivência do Evangelho, o amor aos irmãos, numa clara consciência do amor de Deus revelado em Jesus Cristo, particularmente no mistério da cruz em que ele se oferece por todos. As manifestações da fé são imensas e é necessários acolhê-las e não sufocar o Espírito que se manifesta em cada um.

Rezar a Palavra
É difícil, Senhor, acolher a diferença. Aprendemos a viver a fé com gestos e sentimentos que nos impedem muitas vezes de olhar o outro e de o aceitar na sua diferença. Conhecer o evangelho, conhecer-te a ti e amar-te é o caminho para acolher os outros sem medo de perder a nossa identidade. A ignorância leva-nos a entrincheirar-nos no medo de perder o pouco que temos e esse pouco não vale nada. Dá-nos um coração sábio para discernirmos da tua presença no coração de cada homem e o acolhermos no amor fraterno.

Compromisso
Preciso perguntar-me sobre o conteúdo da minha fé. Em quem ou em quê creio eu? Será isso válido para sustentar a minha vida?


Evangelho: Jo 15, 9-11
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Assim como o Pai Me amou, também Eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor. Disse-vos estas coisas, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa».

Compreender a Palavra
O pequeno texto de hoje mostra-nos de novo o circulo em que Jesus quer inserir os discípulos. Ele e o Pai vivem uma relação de amor e permanência que não se esgota neles e, por isso, a querem abrir também aos discípulos. Trata-se de uma relação de amor, obediência e permanência que gera uma alegria completa. O amor e a obediência são espirais: “como o Pai me amou também eu vos amei”; ”Se guardardes os meus mandamentos… como eu tenho guardado…”. Não sendo do mesmo nível o amor e a obediência requerem igual obediência e permanência para gerar alegria.

Meditar a Palavra
Ando em busca da alegria, tantas vezes perdida, tantas vezes reencontrada, mas nunca completa. Hoje, Jesus, mostra-me o caminho da verdadeira alegria, a permanência no amor obediente. É fácil aceitar, acreditar, comprometer-se, amar, mas muito difícil permanecer nestas decisões. Fazer de cada uma destas experiências uma realidade permanente na minha vida. Acolher o dom de cada instante e a riqueza de cada momento, como algo que transforma a minha vida para sempre. Totalizar a vida com as pequenas experiências tornando-as continuadas em mim com fidelidade e amor. Preciso trocar momentos por permanências e sensações por amor entregue.

Rezar a Palavra
Quero permanecer como Tu permaneces, Senhor. Sei que me habitas no silêncio do meu escondimento e quero habitar no silêncio do teu ser. Compreendo que em ti encontro o verdadeiro amor e que esse amor é fonte de alegria, na obediência continuada à tua vontade. Ensina-me, com a tua palavra, para que não troque a tua alegria pelas alegrias que se esvaem numa gargalhada.

Compromisso
Hoje vou entrar no silêncio de mim mesmo e encontrar-me com Deus que aí se esconde no amor.

Quarta-feira da Semana V do Tempo Pascal

Atos dos Apóstolos 15, 1-6
Naqueles dias, alguns homens que desceram da Judeia começaram a ensinar aos irmãos de Antioquia: «Se não receberdes a circuncisão, segundo a lei de Moisés, não podereis salvar-vos». Isto provocou um conflito e uma discussão intensa que Paulo e Barnabé tiveram com eles. Então decidiram que Paulo e Barnabé e mais alguns discípulos subissem a Jerusalém para tratarem desta questão com os Apóstolos e os anciãos. Despedidos afavelmente pela Igreja, atravessaram a Fenícia e a Samaria, onde narravam a conversão dos gentios, causando grande contentamento a todos os irmãos. Ao chegarem a Jerusalém, foram recebidos pela Igreja, pelos Apóstolos e pelos anciãos, e contaram tudo o que Deus tinha feito por seu intermédio. Ergueram-se alguns homens do partido dos fariseus que tinham abraçado a fé, para dizerem que era preciso circuncidar os gentios e impor-lhes a observância da Lei de Moisés. Então os Apóstolos e os anciãos reuniram-se para examinar o assunto.

Compreender a Palavra
A Igreja primitiva não estava isenta de problemas e conflitos. Onde se reúnem pessoas há sempre algum momento que gera confusão pela diferente forma de ver e entender. A Igreja não é massa amorfa e demente, é formada por pessoas que pensam e avaliam. A diferente origem dos cristãos que se reuniram em Antioquia gerou discordância quanto à tradição judaica. Os cristãos, para se salvarem, têm que seguir os costumes dos judeus, a Lei de Moisés? Ou pelo contrário, o evangelho é palavra suficiente para a salvação? Esta questão mostra um momento determinante para a Igreja. Desligar-se do judaísmo é um salto demasiado grande para os cristãos de origem judaica mas um passo importante para o futuro e expansão da Igreja. Paulo e Barnabé com mais alguns irmãos descem a Jerusalém para ouvir os apóstolos e estes reúnem-se para examinar o assunto.

Meditar a Palavra
As discordâncias dentro das comunidades cristãs são muito importantes e necessárias. Os cristãos têm vida própria e são capazes de refletir sobre os problemas e decisões que se impõem à vida e futuro da Igreja. Muitos cristãos deixam a outros a tarefa de pensar, avaliar e decidir, outros têm medo destas situações porque temem a discussão e a possível rotura pela discordância. Mas não se deve ter medo nem de tratar os assuntos nem das divergências, elas são o meio para ver melhor a verdade. O segredo é a caridade, ouvir o outro e fazer-se ouvir com clareza. Estabelecer tempos e momentos de reflexão e partilha de opiniões e em casos de extrema dificuldade pedir o parecer da Igreja. A Igreja é mais saudável quando cada um sente a liberdade para falar do que quando todos se demitem para não se comprometerem exigindo que um decida por todos.

Rezar a Palavra
Senhor, dá-nos a graça de participar na construção de uma Igreja madura, responsável e dialogante. Mostra-nos que é possível, não porque nos permitem, mas porque não nos demitimos de participar, colaborar e edificar com a nossa reflexão e a nossa ação. Ensina-nos o amor fraternos para nos aceitarmos e corrigirmos sem nos separarmos quando surge a diferença. Que em todos esteja o desejo de construir o bem da Igreja no cumprimento da tua vontade e não o interesse particular de quem quer ter sempre razão.

Compromisso
Sinto-me responsável pelas decisões da minha comunidade cristã ou apenas critico para gerar discussão e conflito? Que vou fazer para me tornar parte das soluções em vez de ser provocador de divisão?


Evangelho: Jo 15, 1-8
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Eu sou a verdadeira vide e meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que está em Mim e não dá fruto e limpa todo aquele que dá fruto, para que dê ainda mais fruto. Vós já estais limpos, por causa da palavra que vos anunciei. Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em Mim. Eu sou a videira, vós sois os ramos. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer. Se alguém não permanece em Mim, será lançado fora, como o ramo, e secará. Esses ramos, apanham-nos, lançam-nos ao fogo e eles ardem. Se permanecerdes em Mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes e ser-vos-á concedido. A glória de meu Pai é que deis muito fruto. Então vos tornareis meus discípulos».

Compreender a Palavra
João prende a nossa atenção com a força dos verbos que utiliza nesta passagem. Se repararmos nos verbos utilizados e na repetição de alguns podemos compreender a força e a vida que ele quer emprestar a este discurso de Jesus. Tudo se passa entre Jesus, o Pai e nós. Jesus é a videira, nós somos os ramos e o Pai é o agricultor. O verbo ser tem aqui um papel importante. A fé tornou-se uma forma de existência. Todos os personagens estão unidos por uma forma de existência muito intensa definida com o verbo permanecer. Fora desta relação não é possível a vida, como fica expresso pelo verbo “cortar”, “apanhar”, “lançar” e “arder” e pela afirmação “sem mim nada podeis fazer”. A vida que brota da relação com o Pai e com Jesus é o fruto desejado e faz de nós discípulos.

Meditar a Palavra
Viver nesta existência profunda que é relação com o Pai e com Jesus é tudo quanto posso desejar e tudo quanto Jesus põe à minha disposição. É Ele quem me proporciona o acesso à intimidade de Deus e a possibilidade de aí permanecer. A imagem da videira é muito feliz e ajuda-me a compreender a força da ligação necessária com Deus. Mostra-me também a fragilidade dessa relação. Quando olho os ramos novos a dar os primeiros frutos deste ano, percebo como qualquer vento os separa da videira e os faz perder a vida. Assim sou eu na minha relação com Deus. Ele é forte como a videira, mas eu sou frágil como os rebentos novos. Tenho que cuidar para não ser lançado fora.

Rezar a Palavra
“Então, vos tornareis meus discípulos”. Quero ser unidade contigo, Senhor, para receber de ti a verdadeira vida. Sinto que é frágil a minha existência e débil a minha opção por ti. Sei que os perigos são muitos e insistem em fazer valer o seu poder sobre mim. Sei também que sem ti nada posso fazer. Faz-me permanecer, Senhor, na união contigo e com o Pai para ser de verdade teu discípulo.

Compromisso
Vou identificar em mim o que não me deixa receber a vida da videira que é Cristo e vou pedir ao Pai que corte o que é necessário para permanecer na sua palavra.

Terça-feira da Semana V do Tempo Pascal

Atos dos Apóstolos 14, 19-28
Naqueles dias, chegaram uns judeus de Antioquia e de Icónio, que aliciaram a multidão, apedrejaram Paulo e arrastaram-no para fora da cidade, dando-o por morto. Mas, tendo-se reunido os discípulos à sua volta, ele ergueu-se e entrou na cidade. No dia seguinte, partiu com Barnabé para Derbe. Depois de terem anunciado a boa nova a esta cidade e de terem feito numerosos discípulos, Paulo e Barnabé voltaram a Listra, a Icónio e a Antioquia. Iam fortalecendo as almas dos discípulos e exortavam-nos a permanecerem firmes na fé, «porque – diziam eles – temos de sofrer muitas tribulações para entrarmos no reino de Deus». Estabeleceram anciãos em cada Igreja, depois de terem feito orações acompanhadas de jejum, e encomendaram-nos ao Senhor em quem tinham acreditado. Atravessaram então a Pisídia e chegaram à Panfília. Depois anunciaram a palavra em Perga e desceram até Atalia. De lá navegaram para Antioquia, de onde tinham partido, confiados na graça de Deus, para a obra que acabavam de realizar. À chegada, convocaram a Igreja, contaram tudo o que Deus fizera com eles e como abrira aos gentios a porta da fé. Demoraram-se ali bastante tempo com os discípulos.

Compreender a Palavra
Este relato, quase um diário, da viagem apostólica de Paulo e Barnabé, mostra-nos alguns elementos que estão presentes na vida dos apóstolos que tentam por todos os meios fundar comunidades cristãs. Primeiro temos as perseguições violentas. Paulo sofre estes ataques mas não fica a lamentar-se. Pelo contrário, ajudado pelos irmãos regressa ao anúncio do evangelho fundando comunidades, estabelecendo anciãos em cada uma delas e animando a todos a permanecerem firmes na fé, pois “temos de sofrer muitas tribulações para entrarmos no reino de Deus”. Convocam a Igreja, contam as experiências apostólicas e o êxito do evangelho entre os gentios, rezam juntos e confiam-se mutuamente ao Senhor.

Meditar a Palavra
Sentir a Igreja nas pessoas concretas que vivem a fé connosco e naquelas a quem anunciamos o evangelho é o ponto essencial desta passagem de Atos. O Reino de Deus é mais importante que todas as nossas circunstâncias, por isso, nada pode impedir-nos de o tornar presente entre os homens. Há perseguições, mas estas são necessárias para que o evangelho mostre a sua força naqueles que o anunciam e naqueles que o acolhem. As comunidades cristãs são importantes como lugares em que os irmãos se apoiam para permanecer firmes na fé, como lugares de encontro e de difusão do evangelho e como lugares de oração.

Rezar a Palavra
Ensina-me, Senhor, o amor à Igreja. Que eu me saiba situar dentro e fora dela para cumprir a missão que me confias de construtor do teu Reino. Que eu saiba ir à periferias da fé anunciar o teu evangelho com palavras e obras e que eu saiba estar dentro da Igreja a rezar pelos que, como eu, sentem a responsabilidade do evangelho e sofrem por causa dele, para que sejam firmes na fé.

Compromisso
Hoje é dia de fazer a leitura da minha história como apóstolo que anuncia o evangelho. A quem falei de Deus? Já fui perseguido por causa disso? Rezo pelos apóstolos que hoje anunciam pelo mundo o evangelho? Rezo pelos meus irmãos que são perseguidos?


Evangelho: Jo 14, 27-31ª
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo. Não se perturbe nem intimide o vosso coração. Ouvistes que Eu vos disse: Vou partir, mas voltarei para junto de vós. Se Me amásseis, ficaríeis contentes por Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu. Disse-vo-lo agora, antes de acontecer, para que, quando acontecer, acrediteis. Já não falarei muito convosco, porque vai chegar o príncipe deste mundo. Ele nada pode contra Mim, mas é para que o mundo saiba que amo o Pai e faço como o Pai Me ordenou».

Compreender a Palavra
Com o Espírito Santo que Jesus vai enviar, como escutámos ontem, os discípulos receberão a paz. Esta fonte divina estabelece, aqui no texto, o princípio de uma separação, Jesus (Deus) e o mundo. O que vem de Jesus é totalmente distinto do que vem do mundo. Jesus dá a paz, aquieta os corações, é mais forte que o mundo e obedece ao Pai. O mundo, embora não tenha poder, parece forte e intimida mas não concede a paz. Aquele que quer receber a paz aproxima-se de Jesus, ama-o, alegra-se com o que vai acontecer com Ele, confia em Jesus como Ele confia no Pai e obedece como forma de vencer o mundo.

Meditar a Palavra
Eu creio, mas encontro-me muitas vezes, como os discípulos, de coração perturbado e intimidado perante as circunstâncias da vida e os ataques do mundo. Olho Jesus, conheço o seu mistério de amor, sei que Ele é fonte de paz, experimento-o mais forte do que o mundo, mas, ainda assim, nem sempre confio o suficiente e procuro as seguranças terrenas. Preciso acolher, na obediência, a palavra de Jesus e aprender a alegrar-me com a vontade do Pai mesmo quando se reveste de sofrimento.

Rezar a Palavra
Jesus, eu creio, mas aumenta a minha fé. Que a minha vida seja cada dia mais um lugar de confiança e de alegria. Que Tu sejas a razão da minha esperança e da minha paz. Que eu experimente a certeza do teu poder libertador frente às forças do mundo que habitam em mim e à minha volta e não deixam respirar o meu coração.

Compromisso
Hoje vou ao sacrário receber a paz de Jesus que tranquiliza o meu coração.

Segunda-feira da Semana V do Tempo Pascal

Atos dos Apóstolos 14, 5-18
Naqueles dias, surgiu em Icónio um movimento, da parte dos pagãos e dos judeus, com os seus chefes, para maltratar e apedrejar Barnabé e Paulo. Conscientes da situação, estes refugiaram-se nas cidades da Licaónia, Listra, Derbe e seus arredores, onde começaram a anunciar a boa nova. Havia em Listra um homem inválido dos pés, coxo de nascença, que nunca tinha podido andar. Um dia em que escutava as palavras de Paulo, este fixou nele os olhos e, vendo que tinha fé para ser curado, disse-lhe com voz forte: «Levanta-te e põe-te direito sobre os pés». Ele levantou-se e começou a andar. Ao ver o que Paulo tinha feito, a multidão exclamou em licaónico: «Os deuses tomaram forma humana e desceram até nós». A Barnabé chamavam Zeus e a Paulo Hermes, porque era este que falava. Então o sacerdote do templo de Zeus, que estava à entrada da cidade, trouxe touros e grinaldas para as portas do templo e, juntamente com a multidão, pretendia oferecer-lhes um sacrifício. Quando souberam isto, os apóstolos Barnabé e Paulo rasgaram as túnicas e precipitaram-se para a multidão, clamando: «Amigos, que fazeis? Nós somos homens como vós e vimos anunciar-vos que deveis abandonar estes ídolos e voltar-vos para o Deus vivo, que fez o céu, a terra e o mar e tudo o que neles existe. Nas gerações passadas, permitiu que todas as nações seguissem os seus caminhos. Mas nem por isso deixou de dar testemunho da sua generosidade, concedendo-vos do céu as chuvas e estações férteis, para saciar de alimento e felicidade os vossos corações». Com estas palavras, a custo impediram a multidão de lhes oferecer um sacrifício.

Compreender a Palavra
O texto situa-nos na cidade de Listra, na Ásia Menor, durante a primeira viagem apostólica de Paulo. Com ele está Barnabé e começam a ser alvo de perseguições. Nestas circunstâncias, acontece o milagre da cura de um homem coxo de nascença. Este facto foi interpretado pelos ouvintes de acordo com a sua cultura e religião, tendo confundido Paulo e Barnabé com os deuses Zeus e Hermes. Foi difícil para estes dois apóstolos convencer a multidão da sua condição de simples mortais que anunciam o Deus vivo para que todos os povos abandonem os ídolos e se convertam.

Meditar a Palavra
Paulo e Barnabé transportam uma mensagem que é experiência da sua conversão a Cristo. Levam esta experiência para toda a parte e anunciam a todos a verdade de Jesus salvador a todas as pessoas. O anúncio, por vezes, é acompanhado de milagres que causam a admiração de todos. Neste caso, o milagre em vez de levar a Jesus, que eles anunciavam, confundiu as pessoas que julgavam estar na presença dos deuses que eles conheciam até então. Foi difícil convencê-los. Esta palavra leva-nos a repensar a nossa vida. Precisamos saber a quem procuramos, “As consolações de Deus ou o Deus das consolações”? Muitas vezes procuramos os milagres e não o Deus que realiza milagres. Confundimos o que queremos e o que os nossos olhos veem com o que Deus tem para nos dar porque os nossos olhos não veem. À luz da Palavra de Deus poderemos purificar o nosso coração para conhecer o Deus vivo e compreender a sua manifestação nas nossas vidas.

Rezar a Palavra
Senhor Jesus, abre os meus olhos e os meus ouvidos. Faz que te conheça pela tua palavra e meus olhos te procurem no fundo do meu coração. Que a minha fé não seja reflexo das minhas vontades e desejos mas a resposta à tua palavra que me ensina o caminho da cruz.

Compromisso
Vou oferecer-me a Deus todo o meu dia.


Evangelho: Jo 14, 21-26
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se alguém aceita os meus mandamentos e os cumpre, esse realmente Me ama. E quem Me ama será amado por meu Pai e Eu amá-lo-ei e manifestar-Me-ei a ele». Disse-Lhe Judas, não o Iscariotes: «Senhor, como é que Te vais manifestar a nós e não ao mundo?» Jesus respondeu-lhe: «Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada. Quem Me não ama não guarda a minha palavra. Ora a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que Me enviou. Disse-vos estas coisas, enquanto estava convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse».

Compreender a Palavra
O texto de hoje mostra-nos que a relação com Jesus acontece em duas atitudes distintas com relação à sua palavra. Aquele que aceita os mandamentos e os cumpre, esse, ama Jesus e está com Ele. Jesus reforça ainda esta ideia repetindo-a com uma explicitação: “Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada”. Quem não guarda a palavra é porque não ama ou vice-versa. A relação com Jesus passa pela sua palavra indiscutivelmente. Sem a palavra não há mais nada, nem sequer a relação com o Pai, porque a palavra é do Pai. No final, Jesus faz uma promessa do Espírito Santo com a finalidade de ensinar a verdade e recordar o que Ele disse.

Meditar a Palavra
Preciso de fazer uma escolha diante de Jesus. Ou estou com Ele escutando a sua palavra ou sigo o meu caminho escutando-me a mim e vivendo ao meu jeito. Esta opção é necessária. Não há lugar para meio termo, nem para meias opções. Jesus é claro para comigo, quem escuta ama e quem não escuta não ama. Não posso escutar mais ou menos nem amar mais ou menos. Ou tudo ou nada. Tenho que assumir o sim sim e o não não na minha vida frente a Jesus. Escutá-lo é amá-lo e estar em relação com o Pai tornando-me sua morada. Não escutar é ficar só comigo mesmo.

Rezar a Palavra
Senhor envia sobre mim o teu Espírito para que saiba discernir e não me deixe levar por vãs palavra e vazios desejos que não me preenchem nem me deixam ver a verdade. Que o teu Espírito me conduza à relação de vida contigo para que me deixe seduzir pela tua palavra e me torne teu seguidor e tua morada.

Compromisso
Hoje vou pedir o Espírito Santo para me tornar lugar onde Deus é amado.

Sexta-feira da Semana IV do Tempo Pascal

Atos dos Apóstolos 13, 26-33 

Naqueles dias, disse Paulo na sinagoga de Antioquia da Pisídia: «Irmãos, descendentes de Abraão e todos vós que temeis a Deus, a nós foi dirigida esta palavra da salvação. Na verdade, os habitantes de Jerusalém e os seus chefes não quiseram reconhecer Jesus, mas, condenando-O, cumpriram as palavras dos Profetas que se lêem cada sábado. Embora não tivessem encontrado nada que merecesse a morte, pediram a Pilatos que O mandasse matar. Cumprindo tudo o que estava escrito acerca d’Ele, desceram-no da cruz e depuseram-n’O no sepulcro. Mas Deus ressuscitou-O dos mortos e Ele apareceu durante muitos dias àqueles que tinham subido com Ele da Galileia a Jerusalém e são agora suas testemunhas diante do povo. Nós vos anunciamos a boa nova de que a promessa feita a nossos pais, Deus a cumpriu para nós, seus filhos, ressuscitando Jesus, como está escrito no salmo segundo: ‘Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei’». 

Compreender a Palavra

As palavras de Paulo na sinagoga de Antioquia são muito concisas e concretas. Deus tem uma promessa para o seu povo e essa promessa cumpriu-se em Jesus. As autoridades judaicas de Jerusalém e o povo, escutaram Jesus mas não acreditaram, viram e não quiserem reconhecer por isso o condenaram à morte mesmo sendo inocente. Mas Deus cumpriu todas as suas promessas, feitas a nossos pais, ressuscitando Jesus.

Meditar a Palavra

Paulo abraçou a fé e, desde esse momento, nunca mais desviou o seu olhar do ponto central do mistério da salvação. Deus fez promessas ao seu povo e cumpriu-as em Jesus. De facto, quem quiser tomar a atitude das autoridades judaicas acaba por ficar surdo e cego, impossibilitado de ver a verdade da salvação oferecida por Deus em Jesus. Mas quem abrir o coração, acolhe a palavra da salvação que anuncia a grande manifestação de Deus e o cumprimento das suas promessas na pessoa de Jesus ressuscitado.

Rezar a Palavra

Que os meus ouvidos oiçam para que meus olhos vejam a salvação que me ofereces em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado. Abre, Senhor, o meu coração para a palavra da salvação e envolve-me no mistério da salvação que ofereces em Jesus ressuscitado.

Compromisso

Vou dar atenção aos sinais de Deus presentes na palavra de Jesus ressuscitado.


Evangelho: Jo 14, 1-6

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim. Em casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, Eu vos teria dito que vou preparar-vos um lugar? Quando Eu for preparar-vos um lugar, virei novamente para vos levar comigo, para que, onde Eu estou, estejais vós também. Para onde Eu vou, conheceis o caminho». Disse-Lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho?» Respondeu-lhe Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim».

Compreender a Palavra

Após um curto diálogo com Pedro, Jesus dirige-se a todos os discípulos. O contexto é o da expectativa da morte de Jesus. A sua partida provocará uma nuvem escura que não lhes permitirá ver nem o presente nem o futuro. Jesus pede-lhes confiança: “Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim”. Jesus mostra-se seguro, relativamente ao futuro. Ele conhece a casa do Pai, aliás é a sua casa. E ele mesmo dispensará uma parte da casa do Pai para os seus; a casa é grande e cabem muitos. Por outro lado ele conhece o caminho e mostra-o aos discípulos. Não é um caminho dos homens, mas um caminho que o próprio Deus abre, como fez na saída do Egipto. A pergunta insistente de Tomé mostra que ele não ouviu o que Jesus disse a Pedro, nem percebe que está a resistir à proposta. A resposta de Jesus distingue a atitude de resistência de Tomé, da atitude que Ele pede aos seus discípulos.

Meditar a Palavra

As palavras de Jesus abrem os meus olhos para o futuro. É com a certeza da casa do Pai que posso ler o presente e suportar todas as limitações e sofrimentos do momento actual. Perante a minha própria existência, Jesus torna-se a fonte da esperança, a certeza de que vale a pena abandonar-se à vontade do Pai e fazer o caminho novo por Ele aberto, como caminho de verdade e de vida. Resistir a seguir por este caminho é sinal de falta de fé e de pouca confiança em Deus como Tomé.

Rezar a Palavra

Eu creio em ti, Senhor, eu creio em ti. Muitas vezes as nuvens negras que se levantam na minha vida querem vencer a minha confiança. Mas eu confio, Senhor, que não serei defraudado, não serei confundido. Tu és o caminho que escolhi e não vou resistir, mas vou seguir contigo na certeza de que ao final habitarei na tua casa para todo o sempre.

Compromisso

Hoje vou fazer, com palavras minhas, uma profissão de fé na vida eterna.