Quinta-feira da Semana IX do Tempo Comum

Tobias 6, 10-11; 7, 1.9-17; 8, 4-9ª
Naqueles dias, quando entraram na Média e já estavam perto de Ecbátana, o Anjo Rafael disse ao jovem Tobias: «Esta noite ficaremos hospedados em casa de Raguel; ele é teu parente e tem uma filha chamada Sara». Quando chegaram à cidade de Ecbátana, Tobias disse ao Anjo: «Irmão Azarias, leva-me imediatamente a casa de Raguel, nosso irmão». O Anjo levou-o a casa de Raguel, que encontraram sentado à porta do pátio. Eles saudaram-no primeiro e Raguel respondeu: «Sede bem-vindos, irmãos. Ainda bem que chegastes sãos e salvos». E levou-os para dentro de casa. Depois de se lavarem e purificarem, sentaram-se à mesa. Tobias disse então a Rafael: «Irmão Azarias, pede a Raguel que me dê por esposa a minha prima Sara». Raguel ouviu estas palavras e disse ao jovem: «Come e bebe e passa a noite tranquilo, porque ninguém tem mais direito de receber como esposa minha filha Sara, do que tu, meu irmão, nem eu tenho o direito de a conceder a outro, senão a ti, porque és o meu parente mais próximo. Devo contudo dizer-te a verdade, filho: Já a dei a sete maridos da nossa linhagem e todos morreram na noite em que se aproximaram dela. Mas agora, filho, come e bebe». Tobias, porém, respondeu: «Não comerei nem beberei, antes que resolvas a minha situação». Disse Raguel: «Toma-a desde este momento, segundo a sentença do livro de Moisés. Pelo próprio Céu foi decidido que ela te seja entregue. Leva a tua prima para casa; doravante serás seu irmão e ela tua irmã. A partir de hoje, ela te pertence para sempre. E o Senhor do Céu, meu filho, vos faça felizes esta noite e vos conceda misericórdia e paz». Raguel chamou sua filha Sara e ela aproximou-se. Tomando-a pela mão, entregou-a a Tobias, dizendo: «Recebe-a como esposa, segundo a lei e o decreto do livro de Moisés. Recebe-a e volta com ela são e salvo para casa de teu pai. O Senhor do Céu vos dê boa viagem na sua paz». Depois chamou a mãe da jovem e disse-lhe que trouxesse papel. Redigiu o contrato matrimonial, pelo qual dava Sara como esposa a Tobias, segundo a sentença da lei de Moisés. Só então começaram a comer e a beber. Raguel chamou sua mulher Edna e disse-lhe: «Irmã, prepara o outro quarto e leva Sara para lá». Ela preparou o quarto, como lhe foi ordenado, e levou para lá sua filha. Chorou por causa dela; mas depois enxugou as lágrimas e disse: «Tem confiança, minha filha. O Senhor do Céu transforme a tua tristeza em alegria. Tem confiança, minha filha». E saiu. Quando acabaram de comer e beber, foram dormir. Acompanharam o jovem ao seu quarto e depois saíram e fecharam a porta. Então Tobias levantou-se do leito e disse a Sara: «Levanta-te, minha irmã; vamos rezar, pedindo ao Senhor que nos conceda a sua misericórdia e nos salve». Ela levantou-se e começaram a rezar, pedindo ao Senhor que os salvasse. Disse Tobias: «Bendito sois, Deus dos nossos pais. Bendito é o vosso nome por todos os séculos dos séculos. Louvem-Vos os céus e todas as criaturas, por todos os séculos dos séculos. Vós criastes Adão e lhe destes Eva por esposa, como auxílio e amparo; e de ambos nasceu o género humano. Vós dissestes: ‘Não é bom que o homem esteja só; façamos-lhe uma auxiliar semelhante a ele’. Senhor, bem sabeis que não é por paixão, mas com intenção pura, que tomo esta minha prima como esposa. Tende piedade de mim e dela e fazei que cheguemos juntos a uma ditosa velhice». E disseram ambos: «Amen. Amen». Depois deitaram-se para passar a noite.

Compreender a Palavra
O Senhor escutou a oração de Sara e de Tobit e enviou-lhes o Anjo Rafael. A história destes dois personagens vai cruzar-se através do Anjo que conduz Tobias, filho de Tobit a casa de Sara para passarem a noite. A intenção desta visita é o casamento de Tobias. O Anjo acompanha Tobias numa viagem à Média para recuperar um dinheiro depositado pelo pai nas mãos de um homem chamado Gabael. No caminho, acompanhado pelo Anjo, a viagem torna-se num caminho para o encontro entre Tobias e Sara que acabam casados na presença do pai Raguel e do Anjo Rafael. Nessa noite, no quarto nupcial, Tobias convida Sara para rezar. O texto transforma-se, numa oração de ação de graças que culmina na apresentação diante de Deus das verdadeiras intenções do coração: “Senhor, bem sabeis que não é por paixão, mas com intenção pura, que tomo esta minha prima como esposa. Tende piedade de mim e dela e fazei que cheguemos juntos a uma ditosa velhice”.

Meditar a Palavra
A história dos homens é lugar por onde Deus passa. Ele faz connosco uma história de salvação sem que muitas vezes entendamos o que se está a passar. Não é que ele mude o rumo da nossa vida ou de forma oculta altere o nosso destino ou as nossas decisões. Ele, vendo o nosso coração, as nossas angústias e tristezas, alegrias e esperanças, perante o nosso coração aberto para ele na oração, responde colaborando connosco na conquista do bem que desejamos. Foi assim com Tobias e Sara e é assim com todos os homens. A todos Deus envia um anjo que nos orienta no caminho e nos faz entender as oportunidades de encontro com a felicidade. Tobias e Sara percebem que aquele momento é de felicidade ainda que, envolvido na insegurança provocada pela vida que, sete vezes, disse não à felicidade de Sara, ao ver morrer os sete maridos na noite do casamento. Mas as infelicidades encontram sempre uma manhã de alegria, como uma ressurreição gloriosa, que nos faz ver a presença de Deus em todo o nosso caminho. Foi assim com Sara, com Tobit e com muitos homens que confiaram. É assim também connosco.

Rezar a Palavra
Senhor, também eu, como Tobias e Sara, me ajoelho diante de ti, na noite da minha vida e te louvo por tudo o que criaste para mim, pela minha vida, pela minha história, mesmo pelos momentos de maior infelicidade. Também eu abro para ti o meu coração e manifesto os meus melhores sentimentos para este dia. Conforta-me com a tua presença e o teu amor.

Compromisso
Em cada momento do meu dia vou perceber a presença do Senhor na minha vida e louvá-lo pelo seu amor por mim.

Evangelho: Mc 12, 28b-34
Naquele tempo, aproximou-se de Jesus um escriba e perguntou-Lhe: «Qual é o primeiro de todos os mandamentos?». Jesus respondeu: «O primeiro é este: ‘Escuta, Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças’. O segundo é este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. Não há nenhum mandamento maior que estes». Disse-Lhe o escriba: «Muito bem, Mestre! Tens razão quando dizes: Deus é único e não há outro além d’Ele. Amá-l’O com todo o coração, com toda a inteligência e com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios». Ao ver que o escriba dera uma resposta inteligente, Jesus disse-lhe: «Não estás longe do reino de Deus». E ninguém mais se atrevia a interrogá-l’O.

Compreender a Palavra
Jesus é interrogado por um escriba que procura informar-se bem, ele tem boa intenção na sua pergunta, ao contrário de muitos outros escribas que se aproximaram de Jesus. Qual é o primeiro de todos os mandamentos? Jesus responde com a formulação tradicional acrescentando “com todo o teu entendimento”. Todos os judeus sabiam isto e recitavam, como uma profissão de fé, diariamente. Jesus, porém, acrescenta um segundo mandamento, também conhecido pelos judeus, mas muito esquecido na prática. Trata-se de amar o próximo. Este segundo mandamento anula muitas leis que, parecendo prioritárias, perdem importância diante do amor ao próximo. O legalismo judaico do tempo de Jesus, fazia com que a lei estivesse acima do homem e se tornasse uma opressão. Jesus coloca o próximo, o irmão, o homem, acima da lei.

Meditar a Palavra
É fácil saber mandamentos de cor e ter deles uma noção clara no nosso espírito. Difícil é pôr em prática o conteúdo dos mandamentos. Também é fácil amar a Deus que nos ama e a quem não vemos. Difícil é amar o próximo que, amando-nos ou não, está ao nosso lado, cruza-se connosco, partilha connosco esta terra, esta vida. O exercício do amor ao próximo requer um esforço adicional e uma aprendizagem. Jesus é o mestre do amor ao irmão.

Rezar a Palavra
Só sabes, Senhor, como vivo tantas vezes longe dos irmãos. A dificuldade de aceitar e compreender a diferença e as falhas do outro, são muitas vezes manifestação da falta de amor. Não é fácil amar os outros, mas em ti aprendo que é possível. Senhor, transforma o meu coração e ensina-me a amar com todas as forças, com toda a alma, com todo o meus ser.

Compromisso
Hoje quero fazer aproximação em relação ao irmão com quem tenho mais dificuldade de relacionamento.

Quarta-feira da Semana IX do Tempo Comum

Tobias 3, 1-11a.16-17ª
Naqueles dias, eu, Tobit, de alma angustiada, gemendo e chorando, comecei a dizer entre suspiros a seguinte oração: «Vós sois justo, Senhor, e são justas todas as vossas obras. Os vossos caminhos são misericórdia e fidelidade, Vós sois o juiz do mundo. Agora, Senhor, lembrai-Vos de mim e olhai para mim. Não me castigueis pelos meus pecados e erros, nem pelos dos meus antepassados, que cometemos na vossa presença, desobedecendo aos vossos mandamentos. Por isso Vós nos entregastes à pilhagem, ao cativeiro e à morte, ao escárnio, à zombaria e ao insulto de todos os povos entre os quais nos dispersastes. Na verdade, todas as vossas sentenças são justas, quando me tratais assim, por causa dos meus pecados e pelos dos meus antepassados, porque não cumprimos os vossos mandamentos, nem procedemos fielmente para convosco. Mas agora tratai-me como for do vosso agrado, ordenai que me seja tirada a vida, para que eu desapareça da face da terra e em terra me venha a tornar. Para mim, na verdade, é melhor morrer do que viver, pois tive de ouvir ofensas caluniosas e sinto uma grande tristeza. Senhor, fazei que eu me livre desta aflição, deixai-me partir para a eterna morada. Não afasteis de mim o vosso rosto, Senhor, porque para mim é melhor morrer do que suportar tão grande aflição na minha vida e ter de ouvir tantos insultos». No mesmo dia, sucedeu que Sara, filha de Raguel, que vivia em Ecbátana da Média, também foi insultada por uma serva de seu pai. Ela tinha casado sete vezes, mas Asmodeu, o demónio malfazejo, matava-lhe os maridos, antes de viverem com ela, conforme está prescrito às esposas. A serva dizia-lhe: «És tu que matas os teus maridos: já casaste com sete homens e não usaste o nome de nenhum deles. Porque nos tratas mal por causa da sua morte? Vai-te com eles e que nunca se veja nascer de ti filho nem filha». Nesse dia, Sara entristeceu-se profundamente e começou a chorar. Subiu à sala do andar superior da casa de seu pai e quis enforcar-se. Mas, reflectindo, pensou: «Talvez insultem meu pai e lhe digam: ‘Só tinhas uma filha querida e ela enforcou-se por causa das suas desgraças’. Assim faria descer meu pai à morada dos mortos, cheio de desgosto na sua velhice. É melhor que, em vez de me enforcar, eu suplique ao Senhor que me faça morrer, para não mais ter de ouvir insultos na minha vida. Então estendeu as mãos para a janela e começou a rezar. Nesse momento, a prece de ambos foi escutada pelo Deus da glória e o Anjo Rafael foi enviado para dar remédio a Tobit e a Sara.

Compreender a Palavra
No mesmo dia e à mesma hora, a vários quilómetros de distâncias, duas pessoas experimentam a solidão provocada pelo insulto. Magoados querem a morte, “é melhor morrer do que viver”, como solução para o seu sofrimento. Tobit e Sara sentem uma grande tristeza, por causa dos pecados e dos males que experimentam nas suas vidas e reconhecem que já não há outra saída senão a morte. A morte é a solução digna vinda das mãos do Senhor, “ordenai que me seja tirada a vida”. A oração é forte nas palavra e de muita convicção, “os vossos caminhos são misericórdia e fidelidade, (…) lembrai-Vos de mim e olhai para mim”. O Senhor escuta a oração dos dois, não faz o que lhe pedem mas envia o remédio necessário “a prece de ambos foi escutada pelo Deus da glória e o Anjo Rafael foi enviado para dar remédio a Tobit e a Sara”.

Meditar a Palavra
Perante a realidade do sofrimento, seja qual for a sua origem, muitas vezes a morte parece o melhor final. Saem, por vezes, da nossa boca expressões semelhantes às de Tobit e de Sara, “sinto uma grande tristeza”, “é melhor morrer do que viver”. Esta expressão é enganosa. Ninguém deseja a morte. Esta súplica surge como resposta ao sofrimento. A dor é tão grande, a vida chegou a um momento de vazio, o sentido da vida parece ter-se evaporado em nada e a pessoa não encontra outra saída além da morte. Pedir a Deus que venha a morte parece a súplica mais digna naquele momento. Esta súplica, ao contrário do que possamos pensar, é escutada por Deus. Ele tem uma resposta para o homem que se encontra sem caminho. Ele tem o remédio necessário para as nossas dores, para os nossos flagelos e para os nossos limites. Suplicar ao Senhor, ainda que seja no extremo de pedir a morte, é sempre a melhor solução porque o Senhor responde sempre enviando alguém que sabe pôr a mão e curar a ferida que nos magoa.

Rezar a Palavra
Toca-nos, Senhor, pela mão do teu Anjo Rafael, ele é a cura, para os nossos males. Os caminhos da nossa vida também são feitos de dor e lágrimas e nem sempre sabemos acolher com esperança estes momentos. Como fizeste a Tobit e a Sara, envia-nos o teu Anjo para que cure o nosso coração e o nosso olhar e vermos no nosso caminho o teu caminho de amor.

Compromisso
Hoje quero ser o anjo que toca e cura os que andam de coração dilacerado.

Evangelho: Mc 12, 18-27
Naquele tempo, foram ter com Jesus alguns saduceus __ que afirmam não haver ressurreição __ e perguntaram-lhe: «Mestre, Moisés deixou-nos escrito: ‘Se morrer a alguém um irmão, que deixe esposa sem filhos, esse homem deve casar-se com a viúva, para dar descendência a seu irmão’. Ora havia sete irmãos. O primeiro casou-se e morreu sem deixar descendência. O segundo casou com a viúva e também morreu sem deixar descendência. O mesmo sucedeu ao terceiro. E nenhum dos sete deixou descendência. Por fim morreu também a mulher. Na ressurreição, quando voltarem à vida, de qual deles será ela esposa? Porque todos os sete se casaram com ela». Disse-lhes Jesus: «Não andareis vós enganados, ignorando as Escrituras e o poder de Deus? Na verdade, quando ressuscitarem dos mortos, nem eles se casam, nem elas são dadas em casamento; mas serão como os Anjos nos Céus. Quanto à ressurreição dos mortos, não lestes no Livro de Moisés, no episódio da sarça ardente, como Deus disse: ‘Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob’? Ele não é Deus de mortos, mas de vivos. Vós andais muito enganados».

Compreender a Palavra
Um grupo de conservadores, os saduceus, entra em polémica com Jesus por causa da ressurreição. Para eles não há ressurreição e colocam a questão a partir de um exemplo que, para eles, é bem claro. Uma mulher torna-se sucessivamente viúva de sete irmãos, com quem casou seguindo a lei do levirato. De quem será ela mulher na ressurreição uma vez que todos casaram com ela? Os parâmetros parecem lógicos, mas Jesus tem uma outra visão da ressurreição e de Deus. A ressurreição não se rege pelas leis estreitas dos homens neste mundo, nem o poder de Deus é limitado à nossa visão sobre a vida. “Não andareis vós enganados, ignorando as Escrituras e o poder de Deus? … Ele não é Deus de mortos, mas de vivos. Vós andais muito enganados”.

Meditar a Palavra
A minha tendência para ver a realidade a partir da pequenez da minha maneira de ver e pensar leva-me a cometer muitos erros na avaliação. Os saduceus queriam ver a questão da ressurreição a partir da sua falta de fé: “afirmam não haver ressurreição”. O ponto de partida não é a busca da verdade mas a confirmação da sua certeza, por isso apresentam um exemplo arrasador. Jesus, na sua resposta, faz-me ver que as coisas não obedecem à minha forma de pensar, nem às minhas convicções particulares. Se quero chegar à verdade tenho que escutar, com coração livre, aquilo que Deus me revela na Escritura. “Não andareis vós enganados, ignorando as Escrituras e o poder de Deus?” Estas palavras são a chave para abrir o meu espírito à Palavra de Deus e deixar-me ensinar por Jesus, aquele que me pode instruir nos mistérios do Reino.

Rezar a Palavra
Ando enganado muitas vezes, Senhor Jesus. Convenço-me das minhas ideias, fabrico os meus argumentos, confio nos meus conhecimentos e esqueço-me que o poder de Deus está para lá do que posso arquitectar com a minha inteligência. Esqueço-me de ouvir-te, e de penetrar nas Escrituras, lugar de revelação da verdadeira sabedoria. Ando enganado e esquecido do poder de Deus. Abre, Senhor, o meu coração à tua palavra para que conheça os mistérios da vida eterna e a deseje.

Compromisso
Vou abrir o coração às verdades escondidas nas Palavras da Escritura.

Terça-feira da Semana IX do Tempo Comum

Tobias 2, 9-14
Eu, Tobit, naquela noite de Pentecostes, depois de ter sepultado o morto, tomei banho, entrei no pátio da minha casa e deitei-me junto ao muro do pátio, com o rosto descoberto por causa do calor. E não reparei que no muro, por cima de mim, havia pardais. O seu excremento quente caiu-me nos olhos, produzindo neles manchas brancas. Fui ter com os médicos para me tratar, mas quanto mais me aplicavam remédios, mais me cegavam as manchas, até que fiquei completamente cego. Estive sem ver durante quatro anos e todos os meus parentes se entristeceram por minha causa. Aicar sustentou-me durante dois anos, antes de partir para Elimaida. Entretanto, Ana, minha mulher, ocupava-se em trabalhos femininos: enviava-os aos clientes e eles pagavam o preço. No dia sete do segundo mês, terminou uma encomenda e entregou-a aos clientes. Eles pagaram tudo e ainda lhe deram um cabrito. Quando ela entrou em casa, o cabrito começou a berrar. Chamei então minha mulher e perguntei-lhe: «Donde vem este cabrito? Não terá sido roubado? Vai entregá-lo ao dono, porque não podemos comer nada roubado». Ela respondeu-me: «É um presente que me deram além do pagamento». Mas eu não acreditei e insisti para que o entregasse ao dono. E por causa disto, estava indignado com ela. Então ela disse-me: «Onde estão as tuas esmolas? Onde estão as tuas boas obras? Agora tudo está claro a teu respeito».

Compreender a Palavra
A integridade física e moral de Tobit são postas à prova. Numa descrição um tanto caricata, Tobit revela o seu infortúnio. Ficou cego e teve que ser sustentado por Aicar. Ana, sua mulher, trabalhava para fora por encomenda. Eles que viviam bem, veem-se agora em situação difícil. Mas o bem feito aos outros nem sempre fica esquecido e um dia os clientes oferecem a Ana, para além do pagamento devido, um cabrito. Ouvindo o cabrito berrar, Tobit pensou o pior. Teria sua esposa o teria roubado. A discussão é grande e Ana tem que recordar a Tobit que as suas esmolas de uma vida, as suas boas obras tinham recompensa dos homens e de Deus.

Meditar a Palavra
Tobit ficou cego e impossibilitado de ver até os sinais de Deus. Na sua cegueira física experimenta a cegueira espiritual que se torna intolerância. Não consegue ver que o bem feito aos outros tem sempre recompensa, ainda que seja só da parte de Deus. Teme o Senhor e não admite que ele ou os seus cometam alguma infração. Só imaginar que a esposa roubou o cabrito o fez exaltar-se com ela. Muitas vezes, na exigência perante o bem, a verdade, a justiça, o temor de Deus, ficamos como cegos. Deixamos de ver e podemos até tornar-nos intolerantes, injustos e ofensivos para com os outros. Ana não tinha cometido nenhum mal, mas estava a pagar com a suspeita do marido. Mesmo temendo a Deus precisamos ter atenção ao outro e reconhecer que também eles querem o bem e a verdade. É necessário também reconhecer o bem que Deus faz chegar às nossas mãos, por pura gratuidade ou por recompensa do bem feito a alguém, e louvá-lo por isso.

Rezar a Palavra
Senhor, muitas vezes penso que só eu sei fazer o bem e que os outros são incapazes de gestos de amor. Abre os meus olhos para ver que as mãos dos outros também se abrem para mim e delas recebo as graças que tu me queres oferecer.

Compromisso
Hoje vou reconhecer e agradecer o bem que os outros fazem como reconhecimento do amor de Deus por mim.

Evangelho: Mc 12, 13-17
Naquele tempo, foram enviados a Jesus alguns fariseus e partidários de Herodes para O surpreenderem no que dissesse. Aproximaram-se e disseram: «Mestre, sabemos que és sincero e não Te deixas influenciar por ninguém, pois não fazes acepção de pessoas, mas ensinas com sinceridade o caminho de Deus. É lícito ou não pagar o tributo a César? Devemos pagar ou não?». Mas Jesus, conhecendo a sua hipocrisia, respondeu-lhes: «Porque Me armais esse laço? Trazei-Me um denário para Eu ver». Eles trouxeram-no e Jesus perguntou-lhes: «De quem é esta imagem e esta inscrição?». Eles responderam: «De César». Então Jesus disse-lhes: «Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus». E eles ficaram muito admirados com Jesus.

Compreender a Palavra
O texto de hoje trata várias questões e surge construído de vários elementos. Temos diante de nós fariseus e partidários de Herodes com a intenção de passar uma rasteira a Jesus para lhe tirar simpatia diante do povo. A questão é sobre os impostos que têm que pagar a Roma. A mistura da questão política com a questão religiosa. Eles, Judeus, o povo de Deus, devem pagar impostos ao poder que os oprime? Diplomaticamente começam por elogiar Jesus dizendo-lhe que ele é dos que não se vendem por preço nenhum, não faz acepção de pessoas. Jesus descobre a sua hipocrisia e lança-lhes também uma pergunta que os obriga a revelar que trazem com eles a moeda dos impostos e leva-os a reconhecer que a moeda pertence a César. A conclusão é inesperada mas certeira: «Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus».

Meditar a Palavra
Já teremos experimentado situações em que alguém se aproxima de nós, hipocritamente, para manifestar o seu desagrado por alguma situação, na esperança de nos convencer a tomar uma atitude de força contra alguém. São pessoas sem coragem para enfrentar a realidade e falar abertamente. Os fariseus e os herodianos não queriam pagar impostos e sentiam-se incómodos perante o domínio de César. A sua hipocrisia não lhes permitia manifestar-se abertamente porque tinham muito a perder se enfrentassem Roma. Procuram Jesus na esperança de que Ele tome uma atitude de força contra os impostos e deste modo não só provocavam uma revolta como se viam livres de Jesus sem que fossem beliscados. Hoje acontece assim em muitas questões sensíveis como podem ser, o aborto, as aulas de educação Moral e Religiosa nas Escolas, os símbolos religiosos, as manifestações públicas da fé, os bens da Igreja, as riquezas do Vaticano, etc. Há sempre alguém que lança para o ar uma afirmação contra e desaparece na esperança de que nós, os cristãos, fiquemos a falar sobre o assunto e se gere a confusão entre nós mesmos e entre a Igreja e a sociedade. É preciso dizer: «Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus» e continuar tranquilo o caminho que Jesus propõe.

Rezar a Palavra
Dá-me, Senhor Jesus, o dom do discernimento no meio do mundo que, hipocritamente, lança poeira sobre os meus olhos com o único intuito de gerar a confusão perante a proposta de felicidade que me fazes. Não é fácil perceber onde está a verdade, em que acreditar, que caminho seguir, que realidades acolher para colaborar com a sociedade sem vender o dom mais precioso que me dás que é a fé. Só tu, que vês os corações, me podes conduzir pelo caminho da verdade.

Compromisso
Preciso estar atento ao coração de Jesus para sentir como Ele a situações concretas em que sou chamado a participar activamente.

Segunda-feira da Semana IX do Tempo Comum

Tobias 1, 3; 2, 1b-8 
Eu, Tobit, segui os caminhos da verdade e da justiça e pratiquei boas obras todos os dias da minha vida. Dei muitas esmolas aos meus irmãos e compatriotas, deportados comigo para Nínive, no país da Assíria. Na nossa festa de Pentecostes, a santa festa das Semanas, fizeram um grande banquete e eu sentei-me para comer. Quando puseram a mesa e prepararam os vários pratos, eu disse ao meu filho Tobias: «Filho, vai ver se encontras algum pobre, entre os nossos irmãos exilados em Nínive, que seja de todo o coração dedicado ao Senhor, e trá-lo aqui para comer connosco. Eu fico à tua espera, até que voltes, meu filho». Tobias foi procurar algum pobre entre os nossos irmãos e quando voltou, disse-me: «Meu pai». Eu respondi-lhe: «Que foi, meu filho?». Tobias continuou: «Pai, um homem da nossa gente foi estrangulado e depois atirado para a praça pública e ainda lá está». Levantei-me imediatamente, deixando a comida sem lhe tocar; fui retirar da praça o cadáver e depositei-o num quarto, esperando o pôr do sol para o sepultar. Depois voltei para casa, lavei-me e tomei a minha refeição cheio de tristeza, recordando as palavras que disse o profeta Amós contra Betel: «As vossas festas converter-se-ão em luto e todos os vossos cânticos em lamentações». E comecei a chorar. Logo que o sol se pôs, fui abrir uma cova e sepultei o morto. Os meus vizinhos zombavam de mim, dizendo: «Ele ainda não tem medo. Por este motivo já foi procurado para ser morto e teve de fugir secretamente; e agora anda aí de novo a sepultar os mortos».

Compreender a Palavra
O livro de Tiobias é uma exortação aos Israelitas para se manterem fiéis ao Senhor e às suas tradições culturais, religiosas e morais. Tobit é pai de Tobias e é ele quem vai descrevendo a sua história que mais à frente inclui a de seu filho Tobias e de Sara. Ele é o exemplo de homem temente a Deus que pratica todas as obrigações de um israelita, a oração, o jejum e a esmola. A sua casa está aberta aos pobres que ele senta à mesa e a sua vida é total disponibilidade para Deus e para os irmãos. Os tempos são difíceis Tobite foi deportado para Nínive e as forças do poder fazem questão de matar aqueles que se opõem ao regime e coloca-los na praça pública para servir de exemplo aos outros. Tobite, porém, teme a Deus e não aos homens. Naquele dia acontece o que é habitual na vida de Tobias. Preparada a comida em dia de festa, Pentecostes, à hora de sentar-se à mesa pede ao filho que procure um pobre para comer com eles. O filho traz a notícia muito frequente do assassinato de um israelita e Tobite sai a correr, apesar do perigo e das ameaças que lhe tinham sido feitas em situações anteriores, para retirar o corpo e sepultar mais tarde. Só depois se senta à mesa. Os vizinhos zombam dele e Tobite chora ao recordar que se cumpre a palavra do Senhor sobre Israel.

Meditar a Palavra
Os homens tementes a Deus correm riscos que os outros entendem como desnecessários. Aparecem como loucos, inconscientes, fora de moda e insensatos. Parecem obstinados, tontos, e exagerados. Nas suas palavras são tidos ignorantes e nas suas ações como teimosos. Eles, porém, temem o Senhor e sentem alegria, mesmo entre lágrimas, porque servem a Deus e aos irmãos. O Senhor abençoa-os mas até a bênção do Senhor aparece aos olhos dos vizinhos como motivo de chacota porque a bênção os fortalece ainda mais na sua missão. Tobias é um exemplo para os que temem o Senhor e cumprem os seus mandamentos.

Rezar a Palavra
É mais fácil, Senhor, seguir os mandamentos dos tempos, das modas, da opinião geral. Seguir contra a corrente é sempre mais difícil, sobretudo quando isso significa arriscar a própria pele, a honra, a fama, o bom nome, a posição social, o prestígio. Dá-me, Senhor, a coragem de viver como vivem os que temem o teu nome e servem a tua presença nos irmãos que carecem de auxílio para viver com dignidade.

Compromisso
Também hoje é dia de procurar um pobre.

 


Evangelho: Mc 12, 1-12
Naquele tempo, Jesus começou a falar em parábolas aos príncipes dos sacerdotes, aos escribas e aos anciãos: «Um homem plantou uma vinha. Cercou-a com uma sebe, construiu um lagar e ergueu uma torre. Depois arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe. Quando chegou o tempo, enviou um servo aos vinhateiros para receber deles uma parte dos frutos da vinha. Os vinhateiros apoderaram-se do servo, espancaram-no e mandaram-no sem nada. Enviou-lhes de novo outro servo. Também lhe bateram na cabeça e insultaram-no. Enviou-lhes ainda outro, que eles mataram. Enviou-lhes muitos mais e eles espancaram uns e mataram outros. O homem tinha ainda alguém para enviar: o seu querido filho; e enviou-o por último, dizendo consigo: «Respeitarão o meu filho». Mas aqueles vinhateiros disseram entre si: «Este é o herdeiro. Vamos matá-lo e a herança será nossa». Apoderaram-se dele, mataram-no e lançaram-no fora da vinha. Que fará então o dono da vinha? Virá ele próprio para exterminar os vinhateiros e entregará a outros a sua vinha. Não lestes esta passagem da Escritura: ‘A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se pedra angular. Isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos’?». Procuraram então prender Jesus, pois compreenderam que tinha dito para eles a parábola. Mas tiveram receio da multidão e por isso deixaram-n’O e foram-se embora.

Compreender a Palavra
O diálogo entre Jesus e os responsáveis do povo vai-se endurecendo de dia para dia. Jesus aproveita as parábolas para lhes explicar que a atitude que estão a tomar não é nem a mais correcta nem a mais prudente. Eles dão-se conta da verdade contida nas palavras de Jesus mas assumem a postura dos vinhateiros. Rejeitam o dono da vinha julgando poder ficar com a herança.

Meditar a Palavra
Dou-me conta, muitas vezes, que as pessoas que rejeito à partida, são as que mais tarde se revelam fundamentais para a minha vida. Do mesmo modo me dou conta que acontece assim com Jesus. Quero assumir a vida nas minhas mãos, quero ser dono de mim mesmo, julgo ser capaz de construir a minha vida sem orientação de ninguém, até porque já sou suficientemente adulto. No final, percebo que, não só preciso de Cristo como preciso de muitas outras pessoas para viver. “A pedra rejeitada veio a tornar-se a pedra angular”. Percebo ainda que a vida não me pertence, é apenas arrendada, e que a minha felicidade está em poder dar frutos e entregá-los nas mãos do dono da minha vida.

Rezar a palavra
Que eu não me perca, Senhor, na insensatez de querer ser dono, livre e autónomo. Que eu não me perca nem te perca do horizonte da minha vida. Sem ti poderei viver o orgulho de me sentir dono de mim mesmo, mas perderei o sentido da vida. Sem ti poderei ficar com tudo para mim e viver ao meu jeito, mas perderei a alegria de entregar nas tuas mãos a minha dedicação e o meu amor. Sem ti construirei a minha vida à minha maneira e segundo o meu gosto, mas não poderei sustentar a minha construção porque só tu és a pedra angular. Dá-me, Senhor o sentido da vida na relação sincera contigo.

Compromisso
Que deseja o meu coração que não possa ser vivido e convivido com Cristo, o Senhor da vinha?

Sexta-feira da Semana VII do Tempo Pascal

Atos dos Apóstolos 25,13-21
Naqueles dias, o rei Agripa e Berenice chegaram a Cesareia e foram apresentar cumprimentos a Festo. Como se demorassem vários dias, Festo expôs ao rei o caso de Paulo, dizendo: «Está aqui um homem que Félix deixou preso, e contra o qual, estando eu em Jerusalém, os sumos-sacerdotes e os Anciãos dos judeus apresentaram queixa, pedindo a sua condenação. Respondi-lhes que não era costume dos romanos conceder a entrega de homem algum, antes de o acusado ter os acusadores na sua frente e dispor da possibilidade de se defender da acusação. Vieram, pois, comigo e, sem mais demoras, sentei-me, no dia seguinte, no tribunal e mandei comparecer o homem. Postos em frente dele, os acusadores não alegaram nenhum dos crimes que eu pudesse suspeitar; só tinham com ele discussões acerca da sua religião e de um certo Jesus, que morreu e Paulo afirma estar vivo. Quanto a mim, embaraçado perante um debate deste género, perguntei-lhe se queria ir a Jerusalém, a fim de lá ser julgado sobre o assunto. Mas Paulo apelou para que a sua causa fosse reservada à decisão de Augusto e eu ordenei que o mantivessem preso até o enviar a César.»

Compreender a Palavra
Pode ver-se aqui a situação de Paulo como prisioneiro. Há muito tempo que se encontra na prisão, cerca de dois anos, sem ter recebido nenhuma sentença. Os judeus não se desligam do caso e mantêm interesse em condená-lo. A mudança de procurador atrasa o caso mas a insistência dos anciãos permanece. A passagem do rei Agripa pela região é aproveitada por Festo para expor o caso. Paulo, na prisão, continua a aproveitar a situação para anunciar Jesus. Ele afirma a sua fé em Jesus ressuscitado. A única oportunidade que tem de levar o evangelho a Roma, coração do império, é apelar para César e aguarda a sua partida.

Meditar a Palavra
A intolerância relativamente à fé obrigam muitas vezes os cristãos a suportar grandes dificuldades. Perseguições, maus-tratos, prisões não faltam na história da Igreja de ontem e de hoje. Muitos aguardam pacientemente a decisão final sobre as suas vidas. A fé em Jesus ressuscitado é uma experiência que não permite renunciar. A verdade da fé torna-se imperiosa e a alegria de sofrer pelo nome de Jesus alimenta a esperança de poder anunciar aos perseguidores o evangelho de Jesus.

Rezar a Palavra
Senhor, deixaste aos teus discípulos a força do evangelho que se torna experiência da verdade na vida de cada um. É a força da verdade que nos mantém vivos perante a perseguição dos homens. Cuida e ampara a tua Igreja perseguida, prisioneira, torturada e dá-nos a verdadeira dimensão do sofrimento daqueles que tudo perdem por causa da fé.

Compromisso
Rezo por todos os que, como Paulo, se vêm escorraçados, perseguidos, prisioneiros por causa de Jesus.


Evangelho: Jo 21, 15-19
Quando Jesus Se manifestou aos seus discípulos junto ao mar de Tiberíades, depois de comerem, perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, amas-Me tu mais do que estes?». Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta os meus cordeiros». Voltou a perguntar-lhe segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas». Perguntou-lhe pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Pedro entristeceu-se por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez se O amava e respondeu-Lhe: «Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: Quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias; mas quando fores mais velho, estenderás a mão e outro te cingirá e te levará para onde não queres». Jesus disse isto para indicar o género de morte com que Pedro havia de dar glória a Deus. Dito isto, acrescentou: «Segue-Me».

Compreender a Palavra
Quase no final do Evangelho, Jesus interroga Pedro sobre o seu amor. Três vezes lhe pergunta “Tu amas-me…?” e três vezes Pedro tem que responder. Desta forma Pedro restabelece em si mesmo e na relação com Jesus a paz quebrada pela tríplice negação. Do mesmo modo o leitor pode perceber que não há nenhum impedimento em Pedro para que ele conduza a Igreja de Jesus. A negação na noite da paixão foi vencida pela confissão, no encontro com o ressuscitado, na manhã da pesca milagrosa. A resposta à pergunta “tu amas-me” transforma-se em afirmação perante a missão “apascenta as minhas ovelhas”. O sinal do amor é a continuidade na missão de pescar homens e apascentar ovelhas. Aquele que foi chamado para pescador, agora, é também pastor. Do mesmo modo, a resposta de amor para com Jesus, significa aceitar o mesmo caminho de cruz “estenderás as tuas mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres”.

Meditar a Palavra
É perigoso aceitar Jesus na vida e deixar-se cativar pelo seu amor. Responder a Jesus amando-o, torna-se numa vida nova que implica anunciá-lo como quem pesca e acolher como quem apascenta, aqueles a quem Jesus nos envia com a sua missão. Amar Jesus é perder livremente a liberdade sem nunca deixar de ser livre para realizar tudo e só o que Ele pede. É estender as mãos e deixar-se cingir e não ter medo de seguir ao sabor do vento do Espírito que empurra no seguimento de Jesus.

Rezar a Palavra
As minhas mãos atadas a ti e a minha cintura apertada pelo teu amor, tornam-me livre atrás de ti. Seguir-te é lançar as mãos às redes e contigo puxá-las cheias de grandes peixes e de cajado na mão estar atento, vigilante para que nenhuma das tuas ovelhas se perca. Um só coração contigo, um único olhar, um mesmo caminho, de mão no cajado que apascenta a Igreja pela qual deste a vida. Ensina-me, Senhor a pôr os pés nas pegadas que deixas ao passar pela minha vida.

Compromisso
Quero responder cada vez com mais verdade à pergunta de Jesus “tu amas-me?”

Quinta-feira da Semana VII do Tempo Pascal

Atos dos Apóstolos 22, 30; 23, 6-11
Naqueles dias, querendo o tribuno obter informações seguras sobre as acusações dos judeus contra Paulo, mandou que lhe tirassem as algemas e reunissem os príncipes dos sacerdotes e todo o Sinédrio. Fez então descer Paulo para comparecer diante deles. Paulo, sabendo que o Conselho era constituído pelo partido dos saduceus e pelo partido dos fariseus, exclamou no meio do Sinédrio: «Irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseus, e é pela nossa esperança na ressurreição dos mortos que estou a ser julgado». Estas palavras desencadearam um conflito entre fariseus e saduceus e a assembleia dividiu-se. De facto os saduceus dizem que não há ressurreição, nem Anjos, nem espíritos, ao passo que os fariseus afirmam uma e outra coisa. Levantou-se enorme gritaria e alguns escribas do partido dos fariseus ergueram-se e começaram a protestar com energia, dizendo: «Não encontramos nenhum mal neste homem. E se foi um espírito ou um Anjo que lhe falou?». A discussão redobrou de violência, a tal ponto que o tribuno, receando que eles despedaçassem Paulo, ordenou que os soldados descessem para o tirarem do meio deles e o reconduzissem à fortaleza. Na noite seguinte, o Senhor apareceu a Paulo e disse-lhe: «Coragem! Assim como deste testemunho de Mim em Jerusalém, deverás dar testemunho também em Roma».

Compreender a Palavra
Paulo é preso e acusado em Jerusalém. As acusações não são consistentes e o tribuno precisa averiguar os factos. Reunido o conselho Paulo lança a confusão apresentando o centro da sua pregação, a ressurreição dos mortos. A discussão instalou-se e a sessão terminou à pressa. No meio desta incerteza, Paulo é visitado pelo Senhor que o anima dizendo “Coragem! Assim como deste testemunho de Mim em Jerusalém, deverás dar testemunho também em Roma”. Paulo vai apelar para César porque é cidadão Romano e, sem esperar, faz uma última viagem apostólica, de mãos atadas, mas livre para falar e anunciar o evangelho.

Meditar a Palavra
O cristão nunca está prisioneiros dos homens. Em qualquer lugar, mesmo nos momentos mais complicados da sua vida, encontra uma oportunidade para anunciar Jesus. Falar de Jesus é, muitas vezes, a única saída. Gera-se a confusão entre os adversários sempre que, com coragem, damos razões da nossa fé. Paulo tem esta convicção e vive esta experiência em Jerusalém. O evangelho não está preso porque Paulo não se cala nem cansa de anunciar a todos a boa notícia da ressurreição. Do mesmo modo, somos hoje convidados a tornar presente pela palavra e pela ação, o mesmo evangelho em todos os ambientes.

Rezar a Palavra
“Coragem”, Senhor Jesus, é a palavra que preciso ouvir em muitos momentos da minha vida. Os ventos contrários dos adversários do evangelho pesam sobre mim e formam uma barreira à minha frente querendo impedir que a palavra chega ao coração dos homens. Só tu tens poder para libertar e fortalecer aqueles que chamaste a anunciar a esperança da ressurreição.

Compromisso
Hoje é dia de libertar: Libertar das cadeias, libertar os ouvidos, libertar o coração, libertar a língua e tornar vivo o evangelho de Jesus.


Evangelho: Jo 17, 20-26
Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos ao Céu e disse: «Pai santo, não peço somente por eles, mas também por aqueles que vão acreditar em Mim por meio da sua palavra, para que eles sejam todos um, como Tu, Pai, o és em Mim e Eu em Ti, para que também eles sejam um em Nós e o mundo acredite que Tu Me enviaste. Eu dei-lhes a glória que Tu Me deste, para que sejam um, como Nós somos um: Eu neles e Tu em Mim, para que sejam consumados na unidade e o mundo reconheça que Tu Me enviaste e que os amaste como a Mim. Pai, quero que onde Eu estou, também estejam comigo os que Me deste, para que vejam a minha glória, a glória que Me deste, por Me teres amado antes da criação do mundo. Pai justo, o mundo não Te conheceu, mas Eu conheci-Te e estes reconheceram que Tu Me enviaste. Dei-lhes a conhecer o teu nome e dá-lo-ei a conhecer, para que o amor com que Me amaste esteja neles e Eu esteja neles».

Compreender a Palavra
Esta oração de Jesus está entrelaçada sobre as coordenadas do futuro. Jesus pede ao Pai pelo futuro dos discípulos. “Peço… para que eles sejam um… para que eles sejam um em nós… para que o mundo creia”; “Dei-lhes a minha glória… para que sejam um… para que sejam consumados na unidade… para que o mundo reconheça”. Jesus reclama do Pai, para os discípulos, a mesma unidade que existe entre eles. Experimentou o mundo e sabe que a vitória sobre o mundo depende desta unidade. Mais, esta unidade é o único meio para que o mundo “reconheça”. O pedido de Jesus é que, no futuro, os discípulos vivam a unidade para vencer o mundo e ao final, o próprio mundo, reconheça que Jesus é o enviado do Pai.

Meditar a Palavra
Estabelecer a unidade que existe entre o Pai e o Filho na minha própria vida e nas minhas relações com os irmãos é uma exigência do Baptismo. Nele, participei na morte e ressurreição de Cristo. Ali, fui tornado outro Cristo e ressurgi das águas, nova criatura, filho de Deus. A unidade de Deus é a fonte de onde recebi a vida nova do baptismo. Sem esta unidade a vida de Deus em mim desvanece-se e dá lugar à inimizade do mundo. O amor é a fonte desta unidade divina. Só no amor alcançarei a mesma unidade e só no amor ela será sinal do mistério da salvação que Deus realizou em mim. Só desta maneira o mundo acreditará e será eficaz o meu testemunho.

Rezar a Palavra
Peço-te ó Pai, pela unidade da Igreja, pela unidade de cada cristão, pela unidade dos homens na mesma fé. Peço-te, para que eu seja mistério de unidade no mais íntimo de mim mesmo. Que em mim não haja divisão que me impeça de ser um contigo. Que em mim não haja divisão que me impeça de fazer unidade com os outros. Que esta unidade me torne testemunho vivo da tua ressurreição, para que o mundo creia que és o enviado do Pai.

Compromisso
Vou arrancar do meu coração os sinais de divisão que me impedem de olhar os outros e de os amar em Deus.

 

Quarta-feira da Semana VII do Tempo Pascal

Sofonias 3, 14-18 

Clama jubilosamente, filha de Sião; solta brados de alegria, Israel. Exulta, rejubila de todo o coração, filha de Jerusalém. O Senhor revogou a sentença que te condenava, afastou os teus inimigos. O Senhor, Deus de Israel, está no meio de ti e já não temerás nenhum mal. Naquele dia, dir-se-á a Jerusalém: «Não temas, Sião, não desfaleçam as tuas mãos. O Senhor teu Deus está no meio de ti, como poderoso salvador. Por causa de ti, Ele enche-Se de júbilo, renova-te com o seu amor, exulta de alegria por tua causa, como nos dias de festa». Afastei para longe de ti a desventura, a humilhação que te oprimia, Jerusalém. 

Compreender a Palavra

Celebramos a Visitação de Nossa Senhora

O quadro da Visitação narrado por Lucas encontra na profecia de Sofonia um retrato da alegria experimentada por Maria e Isabel. Elas são o ponto de encontro entre a Antigo e o Novo. O povo oprimido, sem alegria, sem esperança porque sem futuro, marcado pela infidelidade, encontra nestas duas mulheres o lugar para explodir de alegria porque nelas o Senhor fez maravilhas e gerou nelas a fonte da alegria e da esperança. O Senhor está agora no meio do seu povo e já não há razões para temer porque foi revogada a sentença de condenação. Os inimigos foram vencidos, a desventura e a humilhação foram superadas pelo Senhor que está no meio do seu povo a salvar.

Meditar a Palavra

Em Cristo, nascido do seio de Maria, encontramos a resposta definitiva de Deus para o nosso mal. Condenados por causa dos nossos pecados, humilhados e oprimidos pelas nossas faltas e fragilidades, encontramos em Cristo o remédio que nos salva. Estávamos sem futuro, abandonados da esperança, mas o Senhor veio, participa da nossa miséria e oferece-se a si mesmo em nosso lugar. Ele pagou pelos nossos pecados e nós ficámos livres. Esta é a razão da alegria de Maria e Isabel. Esta é também a razão da nossa alegria. O Senhor da misericórdia compadeceu-se de nós. Nas chagas de Cristo fomos curados.

Rezar a Palavra

Senhor, no seio de tua mãe contemplo o mistério da minha salvação. Como Isabel todo o meu ser exulta de alegria porque não tenho diante de mim um Deus opressor, disposto a condenar. Tu és o Deus da misericórdia, lento para a ira e sempre pronto a perdoar, por isso nada temo mas, como Maria, exulto de alegria.

Compromisso

Dou graças pelas maravilhas que a misericórdia de Deus tem realizado em mim.

Evangelho: Lc 1, 39-56

Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor». Maria disse então: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-poderoso fez em mim maravilhas, Santo é o seu nome. A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre». Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa.

Compreender a Palavra

Este texto, muito conhecido de todos, encanta logo de início porque as pessoas implicadas, Zacarias, Isabel e Maria, foram alvo da manifestação de Deus de modos diferentes e em lugares diferentes mas aparecem aqui reunidas no mesmo momento e lugar. O texto começa por nos querer dizer que todos concorrem, à sua maneira, para a realização do Plano de salvação que Deus tem para o homem, porque estão de coração aberto ao Espírito que vem sobre eles. É nesta linha que devem ser entendidas as palavras da saudação e as palavras do Cântico de Maria. São palavras do Espírito que as ensina a ler os acontecimentos e a entender o que está para vir. Vêem a acção de Deus a favor dos humildes e isso enche-as de alegria até ao ponto de proclamarem em voz alta os louvores de Deus.

Meditar a Palavra

Nos gestos simples e nas palavras de bondade comunica-se a acção de Deus em nós para a nossa salvação e para a salvação do mundo. Deus comunica-se na minha vida para o bem de todos. Eu experimento o amor de Deus que vem a mim na força do Espírito Santo, para que o dê a conhecer como salvação para os pobres, os humildes, os famintos. Em mim, como nos outros, posso experimentar a salvação que Deus me oferece. Isto compromete-me nas palavras e nos gestos do meu quotidiano. Tudo em mim há-de falar de um Deus que salva.

Rezar a Palavra

Hoje, faço das palavras de Maria a minha oração. “A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. (…) 

Compromisso

Hoje quero experimentar a salvação de Deus a comunicar-se aos meus irmãos, através das minhas palavras e nos meus gestos simples.

Terça-feira da Semana VII do Tempo Pascal

Atos dos Apóstolos 20, 17-27
Naqueles dias, estando Paulo em Mileto, mandou a Éfeso chamar os anciãos da Igreja. Quando chegaram junto dele, disse-lhes: «Sabeis como me comportei sempre convosco, desde o primeiro dia em que pus os pés na Ásia. Servi o Senhor com toda a humildade, com lágrimas e no meio de provações que me vieram das ciladas dos judeus. Em nada que vos pudesse ser útil me furtei a pregar-vos e a instruir-vos, publicamente e de casa em casa. Exortei judeus e gregos a converterem-se a Deus e a acreditarem em Jesus, nosso Senhor. Agora vou para Jerusalém, prisioneiro do Espírito, sem saber o que lá me espera. Só sei que o Espírito Santo me avisa, de cidade em cidade, que me aguardam cadeias e tribulações. Mas por título nenhum eu dou valor à vida, contanto que leve a bom termo a minha carreira e a missão que recebi do Senhor Jesus: dar testemunho do Evangelho da graça de Deus. Agora, eu sei que não tornareis a ver o meu rosto, vós todos entre os quais passei anunciando o Reino. Por isso posso garantir-vos, hoje, que não me sinto responsável pela perda de nenhum de vós, pois não me furtei a anunciar-vos todo o desígnio de Deus a vosso respeito».

Compreender a Palavra
Paulo está convencido que, indo a Jerusalém, já não voltará de lá livre para poder continuar a sua missão e visitar de novo as comunidades fundadas por ele. Por isso, manda chamar os anciãos de Éfeso para lhes dirigir palavra de despedida. Nessas palavras, recorda a sua dedicação ao Senhor e aos homens, no anúncio do evangelho, sem se esquivar ao trabalho e no meio de provações. A humildade no serviço e o desinteresse face à recompensa caracterizaram o seu serviço. A única motivação foi a conversão daqueles a quem anunciou o evangelho. Cumprida a missão, cabe a cada um dar contas do que recebeu. Paulo cumpriu a sua parte e só quer “dar testemunho do evangelho da graça de Deus”.

Meditar a Palavra
O que conhecemos de Paulo mostra-nos um homem convertido a Jesus e incansável no anúncio do evangelho, usando nesta missão todas as forças e dando gratuitamente a vida, continuamente posta em perigo no meio de perseguições e adversidades. Paulo descobriu em Jesus o maior tesouro que o homem pode encontrar, diante do qual tudo é lixo, mesmo a própria vida perde importância. Tal como Paulo nós também nunca tivemos a oportunidade de ver Jesus fisicamente. Mas o encontro dele com Jesus na estrada de Damasco foi um momento de viragem que o marcou de tal modo que nunca mais voltou atrás. Supõe-se que o batismo foi para nós esse encontro com Cristo, mas, não tendo sido, em qualquer momento da nossa vida pode dar-se esse encontro que nos prostra diante de Jesus e nos coloca ao serviço do evangelho como apóstolos dedicados. Esse momento pode dar-se hoje ao meditar esta palavra.

Rezar a Palavra
Senhor, Jesus, na minha estrada, paro para olhar o horizonte na esperança de te encontrar na luz que cegou Paulo, no desejo de te ver na escuridão do meu caminho e de acolher a luz do teu olhar. Paro, hoje, na escuta interior de quem quer ouvir as palavras simples que disseste a Paulo “Eu sou Jesus” para poder dizer como Paulo “por título nenhum eu dou valor à vida, contanto que leve a bom termo a minha carreira e a missão que recebi do Senhor Jesus.

Compromisso
Hoje é dia de encontro: Acolho o testemunho de Paulo e parto ao encontro de Jesus.


Evangelho: Jo 17, 1-11ª
Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos ao Céu e disse: «Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho Te glorifique e, pelo poder que Lhe deste sobre toda a criatura, Ele dê a vida eterna a todos os que Lhe confiaste. É esta a vida eterna: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro, e Aquele que enviaste, Jesus Cristo. Eu glorifiquei-Te sobre a terra, consumando a obra que Me encarregaste de realizar. E agora, Pai, glorifica-Me junto de Ti mesmo com aquela glória que tinha em Ti, antes que houvesse mundo. Manifestei o teu nome aos homens que do mundo Me deste. Eram teus e Tu mos deste e eles guardam a tua palavra. Agora sabem que tudo quanto Me deste vem de Ti, porque lhes comuniquei as palavras que Me confiaste e eles receberam-nas: reconheceram verdadeiramente que saí de Ti e acreditaram que Me enviaste. É por eles que Eu rogo; não pelo mundo, mas por aqueles que Me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu; e neles sou glorificado. Eu já não estou no mundo, mas eles estão no mundo, enquanto Eu vou para Ti».

Compreender a Palavra
O capítulo 17 de João abre com uma atitude nova de Jesus. Os dias da paixão aproximam-se e Jesus sabe que não pode contar com os seus discípulos. Eles não chegaram a compreender a palavra que lhes comunicou, nem entenderam o seu caminho. Permaneceram na mentalidade humana e terrena em que sempre estiveram e não vão ser capazes de permanecer junto de Jesus acolhendo a sua proposta. Jesus sente-se só. Volta-se, então, para o Pai. Só o Pai o pode glorificar, porque só o Pai conhece o projecto de salvação e o entende, porque foi o Pai que o encarregou de o executar. Quanto aos discípulos, resta-lhe pedir por eles, para que a Palavra que neles depositou, realize o que falta para que creiam realmente e vivam no mundo mesmo não sendo do mundo.

Meditar a Palavra
Jesus coloca diante de mim o drama da solidão de quem enfrenta o sofrimento. Há muitas pessoas que não têm ninguém que esteja perto delas no meio do sofrimento. Mas há também pessoas que, estando rodeados de gente, não têm quem entenda o que se está a passar nos seus corações. Jesus está a viver este momento de solidão. Os discípulos não o entendem. Às vezes sinto necessidade de que alguém me entenda mesmo que não possa fazer nada. Às vezes tenho que olhar o outro com um coração que o entende, para além de todas as razões, mesmo que não possa solucionar o seu sofrimento.

Rezar a Palavra
Chegou a hora. A tua hora Jesus, a minha hora, a hora de todos os que estão sós no sofrimento. Em ti se revê cada homem, cada sofredor, cada solidão. Em ti me encontro com todos os que sofrem e em cada homem que sofre posso encontrar-me contigo. Também em mim, no meu sofrimento, me posso encontrar contigo. Dá-me, Senhor, um coração capaz de entender, em ti, o sofrimento de todos os homens.

Compromisso
Hoje vou dar a mão a alguém que sofre no corpo ou no espírito.

Segunda-feira da Semana VII do Tempo Pascal

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Atos dos Apóstolos 19, 1-8
Paulo atravessou a região alta e chegou a Éfeso. Encontrou lá alguns discípulos e perguntou-lhes: «Recebestes o Espírito Santo, quando abraçastes a fé?». Eles responderam-lhe: «Nem sequer ouvimos falar do Espírito Santo». Paulo perguntou: «Então, que batismo recebestes?». Eles responderam: «O batismo de João». Disse-lhes Paulo: «João administrou um batismo de penitência, dizendo ao povo que acreditasse n’Aquele que ia chegar depois dele, isto é, em Jesus». Depois de ouvirem estas palavras, receberam o Batismo em nome do Senhor Jesus. Quando Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo desceu sobre eles e começaram a falar línguas e a profetizar. Eram ao todo uns doze homens. Paulo foi em seguida à sinagoga, onde falou com firmeza durante três meses, argumentando de modo convincente sobre o reino de Deus.

Compreender a Palavra
Estamos perante um momento importante na vida da Igreja. A consciência do poder do Batismo de Jesus ilumina e esclarece o lugar de cada um diante de Cristo e da Igreja. Em Éfeso, Paulo encontra doze homens que se diziam discípulos mas que não tinham recebido ainda o Espírito Santo. Tinham sido batizados mas não tinham recebido o Espírito Santo. O seu batismo era o de João e não o de Jesus. Era batismo de água e não batismo no Espírito Santo. Receberam o batismo de penitência, que prepara para receber Jesus, aquela atitude interior necessária para receber o Senhor Jesus e com ele o dom do Espírito. Ficaram a meio caminho. Paulo falou-lhes, eles receberam o batismo de Jesus e com ele o Espírito Santo que, de imediato se manifestou neles com o dom das línguas.

Meditar a Palavra
Impõe-se uma pergunta na minha vida. Que batismo recebi eu? Recebi o batismo de água ou o batismo do Espírito? A astúcia faz-me perceber que o batismo do Espírito á mais do que o da água e eu respondo certo. Recebi o batismo do Espírito. Mas não se trata de astúcia mas de verdade. O batismo que atua em mim na relação com Deus, com a fé, com a salvação é o batismo de Jesus que me anima com o seu Espírito na vida nova que ele oferece aos que nele creem e me fortalece no testemunho com palavras e obras diante dos homens e no meio do mundo? Ou atua em mim o batismo da água que recebi por tradição e opção dos meus pais sem nunca me ter decidido a acolher o Espírito Santo como resposta pessoal ao dom que me foi dado no batismo? O que me anima é o batismo de timidez e de vergonha que me impede assumir a verdade da fé e professa-la com orgulho? Um batismo só meu que vivo na intimidade e sem manifestação pública da fé em Jesus? O Espírito ensina a verdade, conduz no caminho da salvação, insere na comunidade dos crentes, fortalece no testemunho da verdade e encoragem no meio das perseguições. O batismo de Jesus é fonte de alegria.

Rezar a Palavra
Hoje, Senhor, preciso do teu Espírito. A água do batismo foi um momento da minha vida que ficou lá atrás no meu passado, mas o Espírito é de hoje, é para cada dia, é para sempre. Preciso do teu Espírito Senhor, para encher a minha vida de sentido pleno da verdade, do amor e da coragem para testemunhar a verdadeira fé.

Compromisso
Hoje é dia de pedir: inunda-me, Senhor, com o teu Espírito.


Evangelho: Jo 16, 29-33
Naquele tempo, disseram os discípulos a Jesus: «De facto agora falas abertamente, sem enigmas. Agora vemos que sabes tudo e não precisas que ninguém Te faça perguntas. Por isso acreditamos que saíste de Deus». Respondeu-lhes Jesus: «Agora acreditais? Vai chegar a hora – e já chegou – em que sereis dispersos, cada um para seu lado, e Me deixareis só; mas Eu não estou só, porque o Pai está comigo. Digo-vos isto, para que em Mim tenhais a paz. No mundo sofrereis tribulações. Mas tende confiança: Eu venci o mundo».

Compreender a Palavra
Este pequeno diálogo entre Jesus e os discípulos contém indicações preciosas para a nossa reflexão. O diálogo é provocado pela afirmação de Jesus: “Saí do Pai e vim ao mundo; agora deixo o mundo e vou para o Pai”, que é feita imediatamente antes deste texto. Os apóstolos dizem, então: “Agora vemos… por isso acreditamos que saíste de Deus”. Jesus porém não está muito confiante nas suas palavras, não tem a certeza de que será mesmo assim e responde: “Agora acreditais?”. E coloca-os perante o futuro próximo da hora que estão para viver, uma hora de tribulação. Essa hora dirá se acreditam ou não, se vêem de verdade ou se estão na ilusão. Uma coisa garante Jesus: com Ele podem estar tranquilos porque essa hora de tribulação não o afectará a Ele porque ele é o vencedor e nele vencerão todos os que confiarem.

Meditar a Palavra
Sinto a leviandade das minhas palavras insensatas e mal reflectidas. Diante da vida apresento-me muito facilmente como o optimista que não vê mais do que a hora presente e não mede as forças com a possibilidade da tribulação. Até onde sou capaz de ver? Até onde creio que sou capaz de ir? Jesus questiona a minha vida e as minhas forças e mede as minhas palavras. Estou realmente com Ele? Ele é o vencedor e não eu. Se não estou com Ele não terei as forças necessárias para enfrentar a tempestade.

Rezar a Palavra
Dá-me a Tua paz, Senhor, que ela habite o meu coração e o dilate até à tua medida. Dá-me a tua paz e que encontre em ti a confiança para não me dispersar na confusão do mundo insensato que não te conhece. Que eu veja realmente o que me ofereces e acredite que estás no Pai e o Pai está em ti e que eu posso estar em ti e encontrar em ti a minha vitória sobre o mundo.

Compromisso
Vou medir o meu coração diante de Deus para que ele não seja pequeno na hora da tribulação.
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Sexta-feira da Semana VI do Tempo Pascal

Atos dos Apóstolos 18, 9-18
Quando Paulo estava em Corinto, certa noite o Senhor disse-lhe numa visão: «Não temas, continua a falar, que Eu estou contigo e ninguém porá as mãos sobre ti, para te fazer mal, pois tenho um povo numeroso nesta cidade». Então Paulo demorou-se ali ano e meio a ensinar aos coríntios a palavra de Deus. Quando Galião era procónsul da Acaia, os judeus levantaram-se todos contra Paulo e levaram-no ao tribunal, dizendo: «Este homem induz as pessoas a prestarem culto a Deus à margem da lei». Quando Paulo ia a abrir a boca, disse Galião aos judeus: «Judeus, se se tratasse de alguma injustiça ou grave delito, escutaria certamente as vossas queixas, como é meu dever. Uma vez, porém, que são questões de doutrina e de nomes da vossa própria lei, o assunto é convosco. Eu não quero ser juiz dessas coisas». E mandou-os sair do tribunal. Todos então se apoderaram de Sóstenes, chefe da sinagoga, e começaram a bater-lhe em frente do tribunal. Mas Galião não se importou nada com isso. Paulo demorou-se ainda algum tempo em Corinto; depois despediu-se dos irmãos e embarcou para a Síria, em companhia de Priscila e Áquila, e rapou a cabeça em Cêncreas, por causa de um voto que fizera.

Compreender a Palavra
A confiança de Paulo e a presença do Senhor na vida dele e dos companheiros marcam o terreno desta experiência. Paulo é “visitado” pelo Senhor numa noite. Corinto é uma cidade grande e próspera de gente simples mas de maus costumes. Paulo anunciou ali a palavra de Deus e sentiu grande aceitação por parte das pessoas, mas, no entanto, os judeus, não se sentiram confortáveis com o anúncio de Paulo e moveram-lhe uma perseguição. Na realidade não tiveram muito êxito porque Galião preferiu não se meter em questões religiosas, cumprindo-se as palavras do Senhor a Paulo “Não temas, continua a falar, que Eu estou contigo e ninguém porá as mãos sobre ti, para te fazer mal, pois tenho um povo numeroso nesta cidade”.

Meditar a Palavra
O Senhor tem um povo numeroso nesta cidade e esta deve ser a maior preocupação de Paulo e dos companheiros, a nossa preocupação. Do seu povo podem fazer parte todos os homens, pagãos, judeus crentes e mesmo os que de forma violente recusam o evangelho. A Igreja, povo de Deus, não se fecha a ninguém e dá do seu tempo, (Paulo demorou-se), com tranquilidade a acolher uns, a ensinar outros e a conduzir para o mistério de Cristo os que acolhem com fé a novidade do evangelho. Muitos não quererão entrar e fazer parte, mas isso não perturba a Igreja porque a sua missão é responder aos apelos do Senhor, certa de que não está só, o Senhor acompanha-a na sua missão.

Rezar a Palavra
Senhor, nem sempre é fácil agradar àqueles a quem anunciamos o evangelho. A tua palavra incomoda, provoca reação, gera contradição e muitos não querem escutar. Dá-nos a confiança suficiente, como a Paulo, de que estás presente e não permites que seja inútil a nossa missão juntos do teu povo.

Compromisso
Hoje é dia de anunciar: vou falar àqueles que me rodeia das razões da minha fé.


Evangelho: Jo 16, 20-23ª
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Em verdade, em verdade vos digo: Chorareis e lamentar-vos-eis, enquanto o mundo se alegrará. Estareis tristes, mas a vossa tristeza converter-se-á em alegria. A mulher, quando está para ser mãe, sente angústia, porque chegou a sua hora. Mas depois que deu à luz um filho, já não se lembra do sofrimento, pela alegria de ter dado um homem ao mundo. Também vós agora estais tristes; mas Eu hei-de ver-vos de novo e o vosso coração se alegrará e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria. Nesse dia, não Me fareis nenhuma pergunta».

Compreender a Palavra
Repete-se aqui o versículo 20, que escutámos ontem, para ligar com a parábola da mulher que dá à luz e assim entendermos o que Jesus nos quer dizer. Está próximo um tempo em que Jesus deixará de ser visto e que provocará tristeza nos seus discípulos, mas essa tristeza não será para sempre, porque depois virá um tempo em que o poderão ver de novo e a alegria será ainda maior. Como acontece com a mulher diante do filho recém-nascido, assim os discípulos esquecerão a tristeza que sentiram diante da alegria nova que significará a ressurreição de Jesus.

Meditar a Palavra
“Ninguém vos poderá tirar a vossa alegria”. Medito nestas palavras e no que elas me querem dizer. A minha recusa de toda e qualquer situação de sofrimento pode significar a recusa de uma alegria que ninguém me pode tirar. Se pretendo que a minha vida seja vivida sem riscos para não ter que sofrer com os fracassos; se fujo das dificuldades para não experimentar a aflição; se me fecho em mim para não ter que enfrentar os embates com o mundo e com os outros; se me nego a enfrentar a morte para não perder a vida, então não chegarei a experimentar a verdadeira alegria. A alegria será tanto maior quanto mais arriscar perder, quanto maior for a luta, quanto mais sair de mim e quanto mais gastar a vida. Porque tudo se ganha quando tudo se dá.

Rezar a Palavra
Tantas perguntas para fazer, Senhor. Agora é que eu tenho perguntas e as respostas parecem tão poucas e curtas. E tu dizes-me que “nesse dia, não te farei nenhuma pergunta”. Pois, nesse dia verei tudo e já não terei dúvidas nem incertezas. Hoje, Senhor, hoje tenho tantas perguntas sem resposta e tantas respostas para perguntas que nunca fiz. Que o meu coração se alegre nas perguntas que te faço com a esperança na resposta que só com coração posso entender.

Compromisso
Eu posso e quero viver todo este dia na alegria de Deus presente em mim.