Um amor na terceira pessoa

Eis-nos chegados ao fundo da revelação mais perturbadora: Deus ensinou-nos que ele é família; Pai, Filho e Espírito Santo. A família humana coloca-nos no caminho: ela é “o homem à imagem e semelhança de Deus”; é o mais belo espelho vivo de Deus-Trindade.

 

Imagem imperfeita, com toda a certeza. A intimidade do pai e da mãe, a sua fusão numa terceira pessoa que é o seu amor concreto, o filho, jamais alcançará a unidade indivisível; cada qual permanecerá sempre um pouco exterior aos outros. E é nisso que a imagem peca; ela exprime bem a distinção real das pessoas; caracteriza bem a sua natureza exata, que é o amor; no entanto, ela é impotente para exprimir que, nas três Pessoas divinas, o Amor vai até ao “limite”, até à unidade de um único e mesmo ser divino.


No entanto, aí temos, no âmago deda nossa experiência, uma pequena mas perturbadora idea, como um chamamento e uma nostalgia do que Deus vive no seio da sua Trindade: três Pessoas realmente distintas, mas também infinitamente interiores umas às outras, porque Deus é o Amor infinito, e portanto a infinita Unidade.


O Pai é o ato de amar sendo dom total ao Filho (dando-lhe tudo o que Ele é); o Filho é o ato de amar na devolução total ao Pai de tudo o que possui e de tudo o que é; O Espírito Santo é esse Amor, é o dom perfeito que cada um faz ao outro. “O amor de ambos é fundido num só pela chama de um terceiro amor” (Richard de Saint-Victor).


O Espírito, impede que Pai e Filho andem à volta um do outro numa posse egoísta do outro. Ele é também um ato infinito de amar e como tal expropria o Pai e o Filho de si próprio para que sejam dom total de si mesmos. Deus é, então, um ato de amar do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

 

 

Adptado de: Rey-Mermet, A fé explicada aos jovens e adultos.