Continuando a ser vários…

Em Deus há união sem confusão!

 

 

"O amor sipõe que aquele que se dá e aquele a quem se dá permaneçam distintos: a condição do amor é que os seres continuem sendo vários, embora sejam um só. O dom de si mesmo não deve consistir na destruição do outro a quem se ama nem daquele que ama, mas na plenitude de ambos" (Maurice Zundel). Ficar repleto do outro permanecendo na sua própria identidade, ser tudo para o outro continuando com plena posse de si mesmo e, por outro lado, amar suficientemente o outro para acolhê-lo sem o absorver, amá-lo o bastante para querer que ele permaneça na sua plena identidade, distinto de si, diferente de si, como ele é – isso é amar.

 

Dois seres justapostos não se amam. Porém, dois seres confundidos num só, tendo perdido a sua personalidade, já não podem amar-se: já não podem dar-se um ao outro, deixando de ser verdadeiramente "um" e "outro", nem "eu" nem "tu". É assim que alguns pais "aniquilam" os filhos, porque os devoram e julgam que isso é amor. É assim que alguns maridos e mulheres absorvem o outro conjuge. Egoísmo inconsciente que julgam ser amor. Egoísmo que mata.

 

 

O amor, ao contrário, consiste em permanecer alguém para ter alguém a dar, deixar o outro ser alguém, para se poder dar a nós. O amor exige pluralidade, se destruir o outro deixo de poder amar que fico só eu.

 

 

Por isso, Deus é um só mas em várias pessoas que não se confundem, nem se absorvem mutuamente, mas se permitem permanecer na sua identidade.