Num espelho

"Agora vemos num espelho e de maneira confusa, mas, depois veremos face a face. Agora o meu conhecimento é limitado, mas, depois conhecerei como sou conhecido" (1Cor 13,12).

 

É S. Paulo quem fala assim. Ele fala do conhecimento de Deus no "hoje" desta vida, em oposição ao que será esse conhecimento ao "então" da visão do céu.

 

 

Pois bem, enquanto aguardamos o "face a face" que nos mergulhará na própria vida trinitária, onde esperamos partilhar da presença de Deus, contentemo-nos com o espelho, mas olhemos bem para ele.

 

 

Os "espelhos" nos quais podemos ver a Santíssima trindade "de modo confuso" são vários.

 

 

O triângulo com os seus três ângulos opostos tendo uma superfície única e comum, satisfará o matemático. O filósofo preferirá ouvir: "Eu sou… e eu penso um pensamento de mim mesmo sem ser eu mesmo, um pensamento que exprimo numa palavra, num "logos" que procede de mim como filho da minha inteligência… Sinto em mim uma terceira potência: amo, meu amor brota do meu coração como um "sopro" de ternura que espalha verdadeira vida ao meu redor…" Um só ser, três potências realmente distintas… Esta analogia fica muito aquém daquilo que Deus é, porque somos pessoas a falar de Deus.

 

 

Podemos também olhar o espelho que nos apresenta S. João "Deus é amor". Olhemos este espelho, menos intelectual mas que fala mais alto e diz melhor o que Deus é do que todos os argumentos intelectuais.

 

 

Adptado de: Rey-Mermet, A fé explicada aos jovens e adultos.