Deus é pessoa

Deus, já vimos anteriormente, revela-se como Alguém e não como um conjunto de forças vagas e diluídas na natureza; tem encontros com Abraão e Moisés; possui um nome próprio. Numa palavra, ele é uma "pessoa".

 

Mas, o que é uma pessoa?

 

 

Uma pessoa é um ser com capacidade para conhecer, que experimenta a liberdade, estabelece o diálogo e é capaz de amor. Um ser em relação. Em grego, pessoa, diz-se "prós-opon", que significa "olhar para"; o latim diz "per-sona", "soar através de", quer dizer "palavra para". Olhar para, palavra para – é a relação. Portanto, se o Absoluto é uma pessoa desde antes da criação, não pode ser singular porque não poderia ser "olhar para" nem "palavra para" porque não teria outro para quem olhar e para quem falar, não seria relação. Se Deus não é um ser de relação não pode ser pessoa, não pode ser alguém, não pode ter nome.

 

 

Deus revelou-se como "Deus Amor" (1Jo 4,8). Ele é o vértice do "olhar para", da "palavra para". Só se pode ser amor em relação a outra pessoa. Se existisse apenas uma pessoa ela estaria impedida de amar – amava quem? – amar-se-ia a si mesma, vivia para si mesma, então seria puro egoísmo que é o contrário de amor. Seria o contrário de Deus porque Deus é amor.

 

 

Deus, portanto, não está só, é um ser pessoal, um ser para, em diálogo, em relação.

 

 

Adptado de: Rey-Mermet, A fé explicada aos jovens e adultos