Sobre a vida só podemos balbuciar

Quando se trata de Deus é natural que não sejamos capazes de dizer muitas coisas. Afinal, das nossas vidas apenas podemos suspeitar do mistério que as envolve, não as dominamos.

 

A vida? A minha vida, a do gato, a da flor que rego todos os dias, ninguém pode dizer o que é, nem o maior sábio. No entanto, a vida está em nós e à nossa volta, em todas as partes, encontramo-la a cada instante, estamos dentro da vida. Mas, apesar disso, não sabemos como defini-la de modo completo e perfeito. Os sábios podem tentar descrever mas apenas conseguem dizer: "Isto é um ser vivo, aquilo não é um ser vivo", mas, o que é a vida? Quanto a nós, que não somos sábios, temos uma intuição mas o mistério escapa-se-nos.

 

 

É tanto maior o mistério quando o ser vivo que analisamos é uma pessoa. Com aqueles que conhecemos e amamos, vamos de descoberta em descoberta e julgamos conhecer, mas o que fica no desconhecimento é muito mais do que tudo o que podemos alguma vez conhecer. Percebemos isso quando nos damos conta de que os outros julgam conhecer-nos e, na verdade, enganam-se totalmente. E nós, conhecemo-nos a nós próprios? Era preciso andarmos mesmo iludidos para responder sem reservas que sim, que é verdade que nos conhecemos totalmente a nós mesmos.

 

 

Afinal, até mesmo no plano humano, sabemos muito pouco do que é a vida, não sabemos quase nada do que é a pessoa, não nos conhecemos a nós próprios.

 

 

No entanto, isso não nos impede de viver nem de tentar balbuciar alguma coisa sobre o que vivemos, sobre a vida, sobre nós e sobre os outros.

 

 

Quando se trata da vida de Deus, das Pessoas divinas, aceitemos não poder aproximar-nos do seu mistério senão de longe e de não podermos usar senão palavras que mais do que falar de Deus nos atriçoam por não dizerem realmente quem Deus é. Não podemos agarrar o mistério de Deus.

 

 

Por isso, quando dizemos que Deus é um só, na unidade de Três Pessoas, que o Filho procede do Pai e o Espírito procede do Pai e do Filho e… entendamos que estas palavras, podendo ser as melhores que temos, são imperfeitas para falar de Deus. Portanto, não falemos de Deus senão balbuciando como fazem as crianças que para dizerem Pai e mãe levam todo o tempo de uma descoberta lenta e difícil. Balbuciar com a humildade de quem sabe que não sabe e não dizer como se fossemos sábios.

 

 

Adptado de: Rey-Mermet, A fé explicada aos jovens e adultos