Os milagres

Os apóstolos fizeram um itinerário que passou pelos milagres de Jesus.

 

Os milagres de Jesus não foram apenas uma admiração, eles significaram muitas vezes a deceção. Lembremos que os judeus são um povo que tem na sua história grandes milagres: As dez pragas do Egipto, a divisão do mar Vermelho, o Maná caído do céu, as muralhas de Jericó a cair ao som das trombetas, o sol parado durante a batalha. Estes sim são milagres e nada comparados com a cura de um doente ou a ressurreição de uma menina. Os milagres de Jesus, ao pé dos milagres de que o povo ouviu falar que aconteceram na sua história passada, não são nada. Quando Jesus multiplicou os pães eles queriam mais. Foram ao seu encontro e disseram algo como "Não está mal o que fizeste, mas Moisés fez cair o Maná do céu e tu o que fazes? Que milagres fazes tu, para que acreditemos em ti?". Moisés fez coisas extraordinárias e não era Deus, como é que poderáimos ver Deus presente naqueles milagres de Jesus?

 

O que torna os milagres de Jesus especiais é que eles são milagres pessoais. É o próprio Jesus, com o seu poder, quem realiza esses milagres. No Antigo Testamento, os profetas dizem o que Deus vai fazer e quando realizam algum milagre prostram-se pedindo a Deus que intervenha em favor daquele que precisa ser curado ou ressuscitado.Jesus, pelo contrário, é por ele mesmo que manda parar o cortejo fúnebre e diz ao morto "levanta-te" e ele levanta-se. "Éfata" abre-te, e o surdo começa a ouvir. Uma palavra, um gesto, sem ter que pedir a intervenção de Deus.

 

O entusiasmo das multidões estava no facto de verem o poder de Jesus sem a ajuda de Deus. Para quem julga que os milagres são obre de Deus e de mais ninguém, está bem claro que Jesus só pode ser Deus. Por isso a exclamação frequente das pessoas era: "Que homem é este…? Não são capazes de dizer que Ele é o Filho de Deus, que Ele é Deus, mas prescrutam na sua atuação um mistério que revela a presença de Deus.