O mal-entendido

O facto de Jesus não querer o caminho do Messias revolucionário fez com que as multidões o abandonassem, apesar de terem visto a multiplicação dos pães. Jesus era o Messias, mas não aquele Messias que eles imaginavam. Mesmo os Doze ficaram com Ele por pouco. É Pedro quem salva a situação e quem depois, em Cesareia, declara "Para nós, tu és o Cristo, o Messias". No entanto, Pedro e os outros discípulos também estão a pensar num Messias conquistador e não num Messias sofredor. Pensam num rei de Israel que os coloca à frente das pastas ministeriais. Foi por isso que Jesus, depois de lhes dizer para não revelarem a sua messianidade, começou a ensinar-lhes que era necessário que ele sofresse muito e fosse rejeitado e morto. Nesse momento, Pedro considera que Jesus ultrapassou toda a capacidade de compreensão e recusou essa possibilidade. Por isso Jesus lhe diz: "Afasta-te de mim, Satanás!".

 

"Se alguém quer vir após mim, diz Jesus, negue-se a si mesmo, toma a sua cruz e siga-me" (Mt 16,21-24). Judas começa, então, a desviar-se de Jesus por sentir que não havia ali esperança de ver concretizado o seu desejo. A desilusão, no entanto, é geral e revela-se mesmo depois da ressurreição. Os discípulos de Emaús exclamam: "nós pensávamos que fosse ele quem iria redimir Israel" (Lc 24,21) e os doze perguntam-lhe: "É agora que vais restaurar a realeza de Israel?". Jesus tornou-se um problema para todos por não corresponder aos sonhos que acalentavam dentro deles. A resposta de Deus não é o que os homens sonham mas o que os homens precisam. Jesus avança no seu caminho de Messias crucificado e as pessoas continuam a sonhar com a chegada de um rei aventureiro.