A nossa tentação

A nossa tentação é a de esquecermos a humanidade de Jesus. Para nós ele é Filho de Deus, é Deus e pronto, esquecemos que também é homem. Esta tentação não é de hoje, muitos, ao longo dos séculos cairam nesta tentação e fabricaram uma ideia errada, uma heresia, sobre Jesus, na qual diziam que Jesus era Deus, mas não era verdadeiro homem.

 

 

 

Para nós que, desde que nascemos dizemos ser cristãos, Jesus é Deus e nada mais. Temos que fazer um esforço para imaginarmos Jesus como homem, um homem em todas as dimensões, um homem como nós. Ele não sabia tudo, como nós imaginamos, teve de aprender, foi livre, tentado, privado de ver a Deus seu Pai.

 

Diz a Carta aos Filipenses 2,6-7: "Ele, que é de condição divina, não considerou como uma usurpação ser igual a Deus; no entanto, esvaziou-se a si mesmo, tomando a condição de servo. Tornando-se semelhante aos homens e sendo, ao manifestar-se, identificado como homem".

 

"Esvaziou-se" de quê? Não da sua natureza divina, naturalmente, mas da glória e da alegria sentidas que essa natureza lhe dava direito, que ele possuía no céu antes de encarnar. Escolheu livremente privar-se delas para em tudo ser semelhante aos homens, até voltar a receber esta condição divina como prémio pelo seu sacrifício.

 

Sabemos, porque o evangelho nos diz que ele cresceu em sabedoria, em estatura e em grala, que foi tentado, que viveu o sofrimento, mas na realidade custa-nos acreditar que era mesmo como nós.

 

Esvaziamos Jesus da sua humanidade. Fazemos como que um Jesus de dois andares que andava como nós quando tudo corria bem e era um homem extraordinário e subia ao andar de cima quando as coisas corriam mal e agia como um Deus maravilhoso.

 

Esta nossa maneira de pensar afeta o cristianismo. Se Cristo não era homem como nós, semelhante a nós em todas as coisas exceto no pecado; se não foi verdadeiro homem, então, não pode ser o Salvador. Não experimentou as nossas angústias, as nossas incertezas, as nossas provações, não amou o Pai e os irmãos a partir da nossa condição de homens; fez batota… perdeu o direito de falar…

 

Se Cristo não era um homem completo, então o que se salvou foi um homem incompleto, porque incompleta foi a salvação. O Papa Dâmaso escrevia no ano 374: Se foi assumido um homem incompleto, incompleto é o dom de Deus, incompleta a nossa salvação, pois nesse caso não foi o homem total que foi salvo. E então, onde está o que foi dito pelo Senhor: o Filho do homem veio salvar o que estava perdido!? Nós sabemos que fomos salvos integral e completamente, de acordo com o que professamos na Igreja Católica, professamos que Deus perfeito assumiu o homem total".

 

 

Adaptação de: Rey-Mermet, A fé explicada aos jovens e adultos