Criado como filho

"À imagem de Deus criador", portanto, o homem foi chamado a ser também criador. Isso define as suas relações com o mundo e a sua colaboração com Deus, uma relação de trabalho em que o homem põe mãos à obra, estendo os braços para o universo, para o transformar.

 

Mas, esta expressão, "à imagem de Deus", quer revelar um mistério ainda mais profundo. Existe entre o homem e Deus uma relação de parentesco, uma relação filial. O homem vai ganhando consciência de que é filho e estende as mãos para Deus chamando-lhe "Pai". Já não se trata de uma relação de dependência, trata-se de uma partilha de vida, de amor, de tudo, entre o Pai e o filho. O homem é chamado a superar a sua natureza, não para se sentir um deus, mas para se tornar verdadeiramente Deus numa participação de vida e de amor com o seu Deus e criador.

 

O homem tem vocação de filho de Deus sem deixar de ser humano, mas transfigurando a sua humanidade, existindo permanentemente em Deus, da vida divina que lhe é oferecida. Este mistério só será totalmente revelado em Jesus Cristo, mas desde a criação que o homem aparece como companheiro filial de Deus, em diálogo amistoso, passeando no jardim, capaz de uma relação afetiva. A história do homem com Deus é, desde o início, uma história de amor.