O rio

No segundo relato bíblico da criação, o mais antigo, um rio brota do Paraíso terrestre e irriga o Jardim. Nesta nascente revela-se a grandeza de Deus Amor: Deus não é um solitário egoísta que vive voltado para si mesmo, mas alguém que, como uma fonte, jorra transbordante de generosidade e de amor. A criação brota como um rio da nascente.

 

Deus é esta nascente e cria por amor, como a nascente oferece generosamente a sua água. A nascente não tem que oferecer a água, mas se não oferecer generosamente da sua água deixa de ser nascente. Assim Deus é Amor e no seu amor dá generosamente a vida a toda a criação sem ser obrigado a fazê-lo. Deus é livre de criar ou não porque não tem necessidade da criação para ser quem é e se realizar no amor, porque ama o seu Filho. Na sua liberdade no Amor, Deus cria e envolve no seu amor tudo o que cria.

 

Deus cria à sua imagem e semelhança porque tudo o que está na criação vem dele, assim como tudo o que está norio vem da nascente. A nascente é distinta do rio, ela jorra o rio é jorrado pela nascente, ela dá as águas o rio recebe-as e as águas recebidas pelo ria vêm da nascente. Da mesma forma, toda a criatura assemelha-se a Deus, mas só Deus é Deus.

 

A nascente jorra continuamente a água e com esse jorrar contínuo mantém a existência do rio, permite que o rio continue a ser rio. Do mesmo modo, Deus criou e mantém-se atento e vigilante criando continuamente. O universo brota continuamente das mãos de Deus como a água do rio brota da fonte. Se a fonte deixar de deitar água o rio acaba-se. Se Deus deixar de abrir as mãos a criação termina. Assim como a nascente está no início mas permanece ao longo de todo o rio porque é a sua água que faz existir o rio. Assim também Deus, está no início da criação mas a sua relação com a criação permanece para sempre dando-lhe existência.

 

Assim como um rio não é água parada mas água que corre numa direção definida, também a criação tem um caminho de evolução progressiva e crescente. Deus cria um mundo que evolui; a sua criação contínua faz com que haja um dinamismo cada vez mais complexo, mais rápido e mais perfeito.

Os atributos da fonte que dão à água a transparência, pureza e fecundidade, transmitem ao rio essas características. Deus, com os seus atributos de santidade, justiça sabedoria, etc, também derrama sobre a criação os seus atributos.