Uma pergunta para mim

Hoje, como há três mil anos, quando dizemos que a nossa fé está alicerçada na Escritura, queremos dizer que aceitamos que a nossa vida seja interrogada pela Escritura. Na Palavra encontramos resposta para a vida e a nossa vida é uma resposta à Palavra.

 

A Bíblia não nos interroga como a ciência. Interroga-nos, ou melhor, obriga a que nos interroguemos a nós mesmos sobre o como estamos a viver. Não é uma interrogação ao homem na sua ciência, mas ao homem como pessoa. A pergunta já cá estava antes de nós podermos falar sobre a existência, porque é uma pergunta sobre o sentido da nossa existência, o significado da nossa vida. Será que a nossa vida tem um sentido? Que sentido damos à nossa existência e à nossa relação com as coisas do mundo?

 

Quando o homem perde o sentido da vida e procura preencher o vazio com outras coisas acaba por fazer asneira e provocar desgraça. As coisas têm um sentido na relação com o homem e se o homem perde o sentido dá às coisas um valor que elas não têm e as coisas tornam-se mais importantes do que ele. Assim, todos compreendemos que é mais importante dar de comer a milhares de pessoas que morrem de fome todos os dias, do que acumular riquezas como fazem alguns e é mais importante gerar emprego para as pessoas do que favorecer o crescimento económico à custa da dignidade do homem.

 

As coisas tornam-se insignificantes quando o homem ganha sentido. Quando sabemos dar à existência humana o seu verdadeiro sentido, o seu significado diante do mundo, então, descobrimos também o justo valor de todas as coisas deste mundo.

 

 

Adaptação de: Rey-Mermet, A fé explicada aos jovens e adultos