“Ateus” para ser livres

A confissão da fé de Israel – Iahweh teu Deus é o Deus único” – repetida nos lábios e na vida dos cristãos, é uma declaração de guerra à tríplice idolatria:

 

- É recusar adorar o poder instituído. No império romano decadente, devia-se adorar o imperador e outras divindades. Os primeiros cristãos eram perseguidos por serem considerados ateus. Dizia São Justino (mártir do século II) “É verdade, uma vez que não cremos nos ídolos dos pagãos, somos ateus desses pretensos deuses”.

 

- É recusar adorar o consumo, o crescimento económico sem fim e sem regras, o conforto, o dinheiro.

- É recusar adorar o prazer.

 

É muito importante, se queremos continuar a dizer o nosso Credo, retomar de novo esses caminhos de liberdade que conduzem ao único e verdadeiro Deus. Os primeiros cristãos recusavam, até à morte, todo e qualquer compromisso com o culto do imperador. Não havia nisso fanatismo, provocação inútil ou imprudente, atribuível à juventude impetuosa da Igreja de então. É um exemplo a imitar. Foi graças a ele que o mundo ocidental se tornou cristão em quatro séculos.

 

Nos dias de hoje, batizados em água de rosas, diríamos que o heroísmo não é para todos. Que não estamos chamados a isso. Acabamos a dizer “sim, mas” e assim permitimos que os falsos deuses entrem na órbita da nossa vida que devia ser exclusiva do Deus único. “Creio em Deus”, em que deus?

 

“Crer” no pão é comer e viver dele. Então, de qual deus vivemos nós?

 

A fé em Deus não é um simples jogo de palavras, é uma luta pela liberdade pessoal e coletiva face aos deuses que nos querem escravizar. “Eu sou o teu Deus, Aquele que te tirou da terra do Egito, da casa da escravidão: não terás outro Deus além de mim” (Ex 20,1s).

 

 

 

Adaptado de: Rey-Mermet, A fé explicada aos jovens e adultos