Sentado à direita de Deus

Que significa esta "exaltação", essa "glória do Filho unigénito"

Vejamos alguns pontos:

"Deus constituiu Senhor", isto é, esse homem Jesus é plenamente Deus igual ao Pai. O Filho eterno do Pai que se eleva para lá das nuvens era Deus desde sempre. "Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem" (Jo 3,13). Mas precisamente, há dois mil anos, esse Filho de Deus desceu do céu para ser Filho do Homem. A Pessoa, o "Eu", que é Deus Filho desde toda a eternidade, deixou o seu "andar" divino para viver tudo como nós, exceto o pecado. Esse Jesus, através do acontecimento da Páscoa reentra no "andar" divino, mas agora, não apenas como Deus, também como homem, com a sua humanidade, espírito e corpo. Ao fazer-se homem "esvaziou-se de si mesmo" renunciando ao estatuto divino, para assumir "a condição de servo. Agora o homem, nele, é recriado, plenamente divinizado: Jesus de Nazaré deixa a nossa condição humana, terrena e mortal, para assumir, enquanto homem, a condição divina e se tornar semelhante a Deus.

 

"Para Jesus ressuscitado não há limites: um homem da nossa raça, nascido num ponto determinado, submetido a todas as condições da nossa humanidade, adquire triunfando da morte as dimensões incalculáveis e sem limites de Deus. Plenificado por Deus, plenifica todas as criaturas" (J. Guillet). É o homem Deus que está infinitamente presente em todo o mundo. Não é um super-anjo. No corpo glorioso de Cristo está a plenitude do universo. No momento da sua morte acabam as fronteiras que o limitavam a um pequeno lugar do cosmos; infinitamente livre, está presente em toda a parte, numa comunhão universal com a criação, onde tudo "nele subsiste" (Cl 1,17).

 

A ressurreição-ascensão é o seu encontro efetivo com todos os homens seus irmãos. Se somos homens, somos pessoas pelas relações que vivemos uns com os outros. Ora as relações humanas estabelecem-se através dos sinais do corpo: encontro, olhar, sorriso, fala, numa palavra "expressão corporal". Foi assim que Cristo, durante a sua vida terrena, se cansou à procura de todas as ovelhas da casa de Israel. Ainda não podia encontrar-se com todos ao mesmo tempo. Falou, sentou-se à mesa, tocou, levantou… Tendo subido à direita do Pai não rejeitou o seu corpo. Agora é homem com uma história e personalidade humanas. O Senhor ressuscitado é libertado, não da matéria, mas das suas limitações terrenas. Aqui o seu corpo era também entrave e barreira. Ressuscitado é uma forma de comunicação com todos os seus irmãos, totalmente próximo de todos ao mesmo tempo e de cada um como se estivesse sozinho.

 

 

 

Adptado de: Rey-Mermet, A fé explicada aos jovens e adultos.