Duas datas, um mistério

É preciso escolher os dois relatos da ascensão. A realidade do Mistério põe ambas as datas em perfeito acordo: elas não estão no mesmo nível. Mateus, Marcos e, em profundidade, Paulo e João colocam a "glorificação" do Senhor no próprio dia de Páscoa. No início, os primeiros teólogos identificaram Ressurreição e Ascensão. Efetivamente, é a única solução que convém. Uma vez ressuscitado, Jesus não é uma espécie de vagabundo superior que não sabe para onde ir: não fica à espera durante quarenta dias, numa gruta de Jerusalém, que a porta do céu se abra para ele. A partir do momento em que sai da morte, ele entra na Vida, junta-se ao Pai na Glória.

 

Que significa, então, a Ascensão do Monte das Oliveiras quarenta dias mais tarde?

Estão aí dois factos, um tão real quanto o outro, e perfeitamente compatíveis. Dois factos, que se referem ao mesmo mistério de Cristo, mas que apontam para pontos de vista diferentes. De um lado temos a glorificação invisível de Jesus na ressurreição de outro lado a sua partida visível do meio dos seus discípulos.

 

É evidente que o importante no mistério é a ressurreição e exaltação de Cristo junto do Pai, a sua retirada visível do meio dos apóstolos é um aspeto secundário. É por isso que nem todos os evangelistas apresentam esta despedida de Jesus. São Lucas achou por bem relatar-nos a experiência sensível que tiveram as testemunhas da ressurreição e, por isso, descreve uma despedida como momento a partir do qual Jesus deixa de ser visto pelos seus discípulos e começa o tempo da Igreja e do Espírito.

 

 

Adptado de: Rey-Mermet, A fé explicada aos jovens e adultos.