Morrer para si

Percebemos, uma vez mais, a nossa condição de criaturas de Deus. Quem não conhece o amor? Quem pode negar que o amor é um desejo de eternidade em favor daquele que amamos? “O amor, de uma forma ou de outra, cria uma certa imortalidade; mesmo nos seus esboços pré-humanos, ele orienta-se para a conservação da espécie. Isto não é algo de acessório no amor. Podemos inverter esta afirmação e dizer: a imortalidade procede sempre do amor e nunca do egoísmo que se basta a si mesmo” (J. Ratzinger).

 

Esta verdade que experimentamos no homem é maior ainda em Deus. Se cada uma das pessoas

divinas vivesse para si, cada uma delas andaria à volta de si própria no seu egoísmo infinito? Não. Nesse caso nenhuma delas existiria. O Pai só é Pai porque renunciando a si mesmo, se encontra totalmente no Filho e através dele a todas as criaturas. O Filho só é filho por ser dom total de si ao Pai. O Espírito não é nada se não for o Dom do Pai e do Filho. O Pai é eterno porque eterno é o seu amor, a sua relação de amor com o Filho. O Filho só é eterno porque o seu amor filial é eterno. O Espírito é eterno porque cada uma das Pessoas morreu para si a fim de ser totalmente para as outras e isto eternamente.

 

É esse viver para os outros que desafia e destrói a morte, por ser vida de Deus. O mistério da Ressurreição consiste neste viver em Deus. “Em Cristo todos receberão a vida” (1Cor 15,20).

 

Adaptado de: Rey-Mermet, A fé explicada aos jovens e adultos