Deus morreu

Conta Jean Guitton que: Quando criança, ousei perguntar à minha mãe o que era a morte. Ela abriu o evangelho de são João e leu: ‘Sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus… amou-os até ao fim…’ – ‘Passar para o Pai, amar até ao fim, morrer é isso’, diz-me ela. E eu não fazia mais perguntas.”

 

Mas está aí, justamente a grande questão… “É tão simples amar, sorrir para a vida”, cantava Jacques Dalcroze. Ora, “amar até ao fim” é sorrir para a morte. E, em que condições? A morte de Deus, que mistério!

 

Entre a prisão e a morte, Jesus, passou a noite detido com um condenado, Barrabás. Num momento, ao nascer do sol, a vida do Homem-Deus é posta na balança com a desse assassino. E a vida de Deus não tem peso: Barrabás ganha! O culpado toma de Deus a liberdade de inocente; Deus recebe do culpado a cruz de assassino; Ele vai morrer no lugar do assassino. Não se trata de um acaso, nem de um erro judicial.

 

São três os que vão ser executados, naquela Sexta-feira santa ao meio-dia, perto de Jerusalém, na colina do Gólgota: Jesus “rei dos judeus” e – também - dois bandidos. Oficialmente são três bandidos. Se Cristo “foi condenado entre malfeitores” (Mc 15,28), também isto não é por acaso; é antes de mais a opção do amor de Deus que se fez pecado por nós (cf. 2Cor 5,21).

 


Adaptado de: Rey-Mermet, A fé explicada aos jovens e adultos