Redenção de amor

Por causa de ti, estamos expostos à morte o dia inteiro, fomos tratados como ovelhas destinadas ao matadouro. Mas, em tudo isso, somos mais do que vencedores, graças àquele que nos amou. Estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem as potestades, nem a altura, nem o abismo, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus que está em Cristo Jesus, Senhor nosso."Rey-Mermet, A fé explicada aos jovens e adultos.

 

Uma vez que "Deus é amor", é necessário eliminar do Mistério cristão, tudo o que não é amor. As ideias muito generalizadas de um Deus ofendido e magoado, a quem o homem tem que pagar uma dívida impossível de pagar, não são ideias cristãs.

 

"Quase todas as religiões andam à volta do problema da expiação, elas surgem da consciência que o homem tem da sua culpabilidade perante Deus; constituem uma tentativa para pôr fim ma esse sentimento de culpa, para superar a falta e o medo mediante obras de expiação que se oferecem a Deus.

 

No Novo Testamento, as coisas são apresentadas de modo diferente. Não é o homem quese aproxima de Deus para lhe levar uma oferenda compensatória, é Deus que vem ao encontro do homem para lhe dar. Pela iniciativa do poder do seu amor, Deus restabelece o direito lesado, justificando o homem injusto por meio da sua misericórdia criadora, revivificando o que estava morto. A sua justiça é graça… tal é a revolução que o cristianismo trouxe à história das religiões. O Novo Testamento não diz que os homens se reconciliam com Deus, como efetivamente deveríamos fazer, visto que foram os homens que cometeram a falta e não Deus. O Novo Testamento, ao contrário, diz que ‘era Deus que em Cristo reconciliava o mundo consigo’ (2 Cor 5,19)" (J. Ratzinger).

 

 

O Capítulo 15 de Lucas diz-nos que não é o homem que procura Deus, é Deus que procura o homem e o reconduz aos ombros: é Deus quem paga a conta da magnífica reintegração do Pródigo e da onerosa piedade do Samaritano. "Deus amou tanto o mundo que lhe deu seu próprio Filho" (Jo 3,16). Em pleno acordo de amor com seu Pai, "Jesus Cristo entregou-se a si mesmo pelos nossos pecados" (Gl 1,4). "Nossos" de quem? "Dos ímpios… ainda pecadores" (Rm 5,6s; cf. Ef 2). De nós todos. De mim pessoalmente: "Ele me amou e se entregou a si mesmo por mim" (Gl 2,20). Vejamos este texto magnífico de Rom 8,31-39:

 

"Que mais havemos de dizer? Se Deus está por nós, quem pode estar contra nós? Ele, que nem sequer poupou o seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não havia de nos oferecer tudo juntamente com Ele? Quem irá acusar os eleitos de Deus? Deus é quem nos justifica! Quem irá condená-los? Jesus Cristo, aquele que morreu, mais, que ressuscitou, que está à direita de Deus é quem intercede por nós. Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? De acordo com o que está escrito:

 

 

Adptado de: Rey-Mermet, A fé explicada aos jovens e adultos