O mistério da redençăo

"Foste imolado e, pelo teu sangue, regataste para Deus homens de toda a tribo, língua, povo e nação". É este o cântico nosso do apocalipse, em honra do Cordeiro de Deus, Jesus imolado na sua paixão.

 

"Regatado", "resgate", "redenção", são palavras tradicionais, tiradas da Escritura, muitas vezes mal compreendidas. Levam-nos a pensar que, havia um preço para pagar e Jesus, pagou com a sua vida o preço justo para nos conduzir a Deus. Ou então, o homem pecou e a justiça de Deus reclama um preço a pagar enquanto a misericórdia de Deus reclama o resgate gratuito. Aparece, então, Jesus que medeia este conflito em Deus e resolve tudo pagando ele pelo homem.

 

Estes esquemas que a nossa inteligência arquiteta não são a verdade da redenção. De facto, está presente uma libertação do homem mas não um comércio, uma negociação. Deus não é um justiceiro sanguinário que aceita a morte de inocentes. Para além do mais, se tudo foi pago, não é necessária a ressurreição.

 

Redenção na bíblia, como podemos ver na experiência do êxodo, tem o sentido de libertação e aliança, sem que seja necessário um resgate., sem pagamento algum. Deus arranca o seu povo da escravatura para o ligar a si no amor. "Eu sou Iahweh, libertar-vos-ei como meu povo e serei o vosso Deus" (Ex 6,6). Libertação da amada com intenção de a desposar numa aliança de amor.

 

A aliança é essencialmente positiva: não é simples libertação é amor gratuito e incondicional. Apaixonado subitamente pela escrava, o príncipe liberta-a para a desposar. "A aliança que eu estabeleci com os vossos pais no dia em que os tomei pela mão para os fazer sair da terra do Egito" (Jr 31,32).

 

Em todo o Antigo Testamento a palavra regatar aparece com o sentido de pôr em liberdade, salvar e nunca como um resgate.

 

No Novo Testamento, a redenção, surgem como um mistério que engloba a criação, encarnação, calvário, a segunda vinda de Cristo, a ressurreição de toda a humanidade, o reino de Deus.

 

Selada no sangue de Cristo, o Cordeiro de Deus, a redenção é salvação da Igreja, esposa resgatada pelo Filho de Deus.

 

Foi um alto "preço", diz S. Paulo, mas esse preço não é pagamento de uma dívida, Deus não vem exigir esse pagamento, não é pago por ninguém. Trata-se de um sacrifício espontâneo, livre, gratuito e por amor.

 

A vitória gerada pela redenção, sobre o pecado e a morte, é uma manifestação do amor do Filho pelo Pai e pela esposa, a humanidade.

 

 

Adptado de: Rey-Mermet, A fé explicada aos jovens e adultos.