O mistério pascal: morrer para viver

A existência humana não pode acontecer sem essa marca da morte. "Se o grão de trigo não morrer…" O cristão sabe que as dores de quem sofre são dores de parto de um mundo novo (Rm 8,22). As dores de parto de uma mãe são dores que lhe concedem um filho, são a condição para poder ter nos braços o filho desejado. As grandes conquistas do homem só se realizam mediante o sofrimento que as faz nascer.

 

Uns jovens alpinistas relatam assim a sua subida a uma montanha em plena tempestade: Tivemos que enfrentar 2200 metros de enormes dificuldades. Enterrávamo-nos na neve até à cintura. Dávamos um passo e tínhamos que ficar ali a respirar. Carregávamos mochilas de grande peso… mas chegámos ao cimo e foi a felicidade. O sofrimento que aconteceu ficou para trás. Tirámos fotos, filmámos. Abrimos os olhos… saboreámos o momento com intensidade, porque o sonhámos, preparámos durante meses e sofremos até chegar ao cimo. Atingimos o fundo, o limite das nossas capacidades, dominámos o corpo e a vontade a cada passo para não desistirmos, para não voltarmos atrás. Depois, foi belo, uma grande compensação. O corpo é mais leve porque está dominado, é o êxito.

 

 

É desta subida que se trata quando falamos do mistério cristão que é a Páscoa. Abraão teve que sair da sua terra para "passar" à verdadeira Pátria: O povo teve que deixar a carne e as cebolas do Egito para chegar à terra prometida. Jesus teve que passar pela morte para entrar na glória.

 

 

Jesus, porque aceitou morrer como o grão de trigo, não ficou só, levou consigo a multidão de homens e mulheres a quem o Pai "predestinou a serem conformes à imagem do filho". Cada um de nós pode conformar-se a Jesus sofredor para com Ele alcançar a vida eterna que nos oferece na cruz, na cruz de cada dia. "Quem quiser salvar a vida, há de perdê-la, mas quem perder a vida por minha causa, há de salvá-la" (Mc 8,34)

 

 

O sofrimento é, portanto, a passagem necessária para a vida.

 

 

 

 

Adptado de: Rey-Mermet, A fé explicada aos jovens e adultos.