O mistério do "pecado original"

À luz de Cristo, protótipo do Homem é que podemos tentar esclarecer o mistério daquilo a que chamamos o "pecado original". Sob esta expressão, confundem-se habitualmente, duas coisas:

 

 

- O pecado das origen, o pecado voluntário dos primeiros homens, os pecados que abriram a série negra, "o pecado de Adão", como se costuma dizer.

 

 

- A condição "pecadora" de todos os homens quando nascem. Quer dizer, os homens não nascem na amizade com Deus nem a participação na Vida divina é uma realidade adquirido no nascimento.

 

Este tema é dos mais difíceis da catequese.

- Não podemos compreender corretamente este assunto se não o relacionarmos com o conjunto temático em que está inserido. Muitas vezes o "pecado original" foi um assunto tratado à parte sem relação com a Revelação de Deus, o mistério de Deus Trindade, da criação, da salvação. Por isso nem sempre foi bem compreendido.

 

 

- É um assunto que cresceu demasiado até se tornar uma montanha intransponível. Algo que ninguém entendia. Este assunto em muitas ocasiões acabou por ofuscar a fé e os seus conteúdos. Ora, o "pecado original" nem sequer faz parte do ‘Credo’ (Símbolo dos Apóstolos) e os evangelhos não falam dele.

 

 

- A passagem do pecado das origens descrito no livro de Génesis, é das mais conhecidas da Bíblia. Esse facto fez com que fosse muitas vezes deformada, simplificada, e adulterada. Dos conteúdos deste relato fez-se uma notícia sensasionalista da aventura de um casal humano perdido num paraíso com uma árvore de belas maçãs. Perante isto nenhum espírito cientista pode enfrentar a questão de Deus com seriedade.

 

 

- A ciência, hoje, contrapõe os factos de Génesis com uma datação do universo, da terra, do aparecimento do homem e oferece a teoria do evolucionismo onde não se revela uma situação de paraíso na qual os primeiros homens pudessem viver sem dificuldades e onde conviviam com os animais. Não, a humanidade não nasceu num paraíso. O céu de felicidade e de amizade com Deus é apenas um projeto de criação: não é uma realidade que tenha acontecido, mas algo que está ainda para vir. Não é algo do passado que se perdeu, mas do futuro que ainda não alcançámos. É a vontade de Deus para o fi8m dos tempos. Está descrito no início da Bíblia para que comecemos a construí-lo como uma possibilidade. A humanidade não começou na perfeição mas na imperfeição do homem amado por Deus e aperfeiçoado ao longo de séculos de evolução.

 

 

- O centro da história do homem não é este casal das origens. O centro da histótia é Jesus Cristo que estabelece a unidade do género humano como iremos ver.

 

 

 

Adptado de: Rey-Mermet, A fé explicada aos jovens e adultos.